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      <title>PORTUGUÊS-3ºCiclo 8ºano by Professora Ana Paula Rocha</title>
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      <description>texto narrativo, conto &quot; Enterro Televisivo&quot; in FIO DE MISSANGAS de Mia Couto.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2017-02-13 16:29:20 UTC</pubDate>
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         <title>Texto narrativo</title>
         <author>prof_anarocha</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>CONTO</strong></div><h1>Enterro televisivo *</h1><div>Mia Couto<br><br></div><div>"Uns olham para a televisão. Outros olham pela televisão." (Dito Sicrano) <br><br>Estranharam quando, no funeral do avô Sicrano, na viúva Estrelua proclamou: <br><em>- Uma televisão! <br>- Uma televisão o quê, avó? <br>- Quero que me comprem uma televisão. </em><br>Aquilo, assim, de rompante em plenas orações. Dela se esperava mais projetado, um ensejo solene de tristeza, um suspiro anunciador do fim. Mas não, ela queria mesmo dia receber um aparelho novo. <br><em>- Mas o aparelho que vocês tinham avariou? <br>- Não. Já não existe. <br>- Como é isso, então? Foi roubado? <br>- Não, foi enterrado. <br>- Enterrado? <br>- Sim, foi junto com o corpo do vosso falecido pai.<br></em>Tudo havia sido congeminado junto com o coveiro. A televisão, desmontada nas suas datas peças, tinha sido embalada no caixão. Era um requisito de quem ficava, selando a vontade de quem estava indo. <br>Na cerimónia, todos se entreolharam. O pedido era estranho, mas ninguém podia negar. O tio Ricardote ainda teve uma lucidez de inquirir: <br><em>- E uma antena?<br></em>Esperassem, fez ela com a mão. Tudo estava arquitetado. O coveiro estava instruído para, após a cerimónia, colocar uma antena sobre a lápide, amarrada na ponta da cruz, em espreitação dos céus. Era aquela mesma antena, feita de tampas de panela que ampliar as ondas eletrónicas nos sentidos do falecido. O velho Sicrano, lá em baixo, captaria os canais. É um simples risco a diferença entre a alma e a onda magnética. Por razão disso, a viúva Estrelua pediu que não cavassem fundo, deixassem o defunto à superfície. <br><em>- Para apanhar bem o sinal</em> , disse a velha.<br>O padre Luciano se esforçou por disciplinar a multidão, ele que representava a ordem de uma só voz divina. Com uns tantos berros e coleções ele reconduziu a multidão ao silêncio. Mas foi sossego de pouca dura. Logo, Estrelua espreitou em volta, e foi inquirindo os condoídos presentes: <br><em>- E o Bibito, onde está? <br>- O Bibito? </em>- se interrogaram os familiares. <br>Ninguém conhecia. Foi o bisneto que esclareceu: Bibito era o personagem da novela brasileira. A das seis, acrescentou ele, feliz por lustrar conhecimento. <br>- E a Carmenzita que todas as noites nos visita e agora não comparece!<br>De novo, o bisneto fez luz: mais uma figura de uma telenovela. Só que mexicana. O filho mais velho tentou apaziguar como visões da avó. Mas qual Bibito, qual Cármen?! Então os filhos de osso e alma estavam ali, lágrima empenhada e ela só queria saber de personagem noveleira? <br>- Sim, mas esses ao menos nos visitam. Porque a vocês nunca mais vimos. <br>Esses que os demais teimavam em chamar de personagens, eram esses que adormeciam o casal de velhotes, noite após noite. Verdade seja escrita que a tarefa se tornava cada vez mais fácil. Bastava um repassar de núcleos e filhos para que as pestanas ganhassem peso. Até que era só ligar e adormecer. <br><em>- Quem vai ligar o aparelho hoje? <br>- É melhor não ser você, marido, porque noutro dia adormeceu de pé.<br></em>De novo, o padre invocou a urgência de um silêncio. Que ali havia tanto filho e mais tanto neto e ninguém deixa de apaziguar a viúva? Os filhos descansaram o padre. Que sim, que iam conduzi-la dali para o resguardo da casa. Estrelua bem merecia o reparo de uma solidão. E prometeram à velha que não precisava de um outro aparelho, que eles iriam passar a visitá-la, nunca mais a deixariam só. A avó sorriu, triste. E assim conduza para a casa. <br>Aquela noite, ainda viram uma avó Estrelua atravessar o escuro da noite para se sentar sobre um acampamento de Sicrano. Deu um jeito na antena, como que a orientar-la rumo à Lua. Depois passou o dedo pelos olhos a roubar uma lágrima. Passou essa aguinha pela tampa da panela como se repuxasse o brilho. De si para si murmurou: <em>é para captar melhor</em>. Ninguém a escutou, porém, quando se inclinou sobre a terra, e disse baixinho: <br><em>- Hoje é você a ligar, Sicrano. Você ligue que eu já vou adormecendo.<br><br></em>&nbsp;Analise do Conto: Enterro televisivo O conto é contado na terceira pessoa e o narrador olha de certa maneira à distância. Este conto passa-se no funeral do avô Sicrano. A viúva Estrelua no início da história começa pedindo outra televisão interrompendo a oração. Naquele momento a questionam o porquê de uma nova televisão, pois já tinha uma, e é aí que descobri que uma antiga tinha sido desmontada, embalada e colocada no caixão com o falecido. Tudo foi tramado juntamente com o coveiro, ele não deveria cavar funda a cova, pois ―o velho Sicrano, lá em baixo, captaria os canais. "On cova rasa. Uma antena que era feita de tampas de panela, deveria ser amarrada na ponta de cruz para também captar o melhor sinal. Durante o enterro a viúva pergunta pelo Bibito e a Carmenzita (personagens das novelas que ela e o esposo assistiam), os outros não conheciam apenas o bisneto que "alumio" (esclareceu) os demais. Estrelua dizia que eram a visitá-la após a noite até que adormecessem. A resposta dada à compra da nova televisão foi negativa, e promessa que a partir da noite iriam visitar todos os dias e nunca a deixariam só. A última parte do conto é triste, a viúva envolta em sua tristeza e solidão saiu de casa naquela noite rumo ao cemitério para buscar uma companhia daquele que todos os dias adormecia com ela e assim adormecer com ele.&nbsp;<br>Verifique agora os teus conhecimentos sobre o conto<br><br>https://create.kahoot.it/creator/73b61957-8c42-42cc-bb39-03b2e8277099</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-12-02 00:32:31 UTC</pubDate>
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