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      <title>Crónica sobre o meu quotidiano (9º D) by Maria Cristina Gomes</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-10-18 16:34:37 UTC</pubDate>
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         <title>A minha rotina</title>
         <author>cristinagomes3</author>
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         <description><![CDATA[<div>Á semelhança de Judite de Carvalho na sua crónica "História sem palavras", exprime as tuas impressões sobre a tua rotina nesta nova realidade, quer no teu trajeto casa-escola ou escola-casa, quer quando chegas à escola. Procura usar recursos expressivos. Assina o teu texto. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-18 16:35:12 UTC</pubDate>
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         <title>A preto e branco               Acordo de manhã, ainda de noite. Visto-me calmamente apressada enquanto penso no tempo que estarei a gastar novamente nesta tarefa. Já vestida deparo-me com outro obstáculo por passar, escadas, com cuidado, tento não errar no ritmo da minha própria música, ou virei a parar esparramada no fim da escadaria. Finalmente, chego à cozinha, preparo o meu típico pequeno-almoço enquanto respondo às perguntas que finjo ouvir com cara de sono. Já no segundo andar escovo os dentes, lavo a cara e domo o monstro peludo acima da minha cabeça. Apanho boleia até à escola. Durante uma longa viagem de 10 minutos divirto-me e desfruto de uma liberdade que estará prestes a acabar. Quando chego à escola, despeço-me da minha tia e acrescento um novo acessório ao meu conjunto, um simples pano com 1 elástico em cada lado. Coloco-o e entro num novo mundo rodeado de olhares, onde metade da cara é tudo, um mundo sem expressão, sem cor, um mundo a preto e branco. </title>
         <author>cristinagomes3</author>
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         <description><![CDATA[<div>                                 Maria Silva</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-02 15:39:04 UTC</pubDate>
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         <title>Acordo com a minha mãe a chamar-me, levanto-me da cama, visto-me, acabo de me arranjar rapidamente, vou tomar o pequeno almoço e de seguida pego na máscara acabada de lavar. Vou para o carro e, como sempre, vou para a escola. Pelas janelas do carro, vejo o movimento da cidade, as buzinas dos carros e toda a gente a pôr a máscara por causa desta nova realidade, o que apaga a identidade e o sorriso das pessoas. Chego à escola, vou ter com os meus amigos e o portão da escola abre, todos os dias à mesma hora, e como sempre vamos todos para dentro. À entrada da escola desinfeto as mãos e ajeito a máscara. Vou para a sala de aula e deparo-me com todos os meus amigos de máscara, já não consigo comunicar com eles por expressões faciais a menos que sejamos muito bons nisso ao ponto de conseguirmos comunicar pelos olhos. E assim decorre mais um dia como os outros. Quando passo por amigos, já nem nos reconhecemos, agora, somos apenas mais uns alunos de máscara naquela escola. Quando as aulas acabam, vou para o portão e espero que o meu pai me venha buscar para ir para casa. Quando ele chega vou ter com ele. Depois de mais ou menos quinze minutos, chego a casa, arrumo as minhas coisas, faço a mochila para o dia seguinte e vou estudar. Depois de algum tempo vou tomar banho antes de jantar. Quando acabo de jantar vou lavar os dentes e assim termina mais um dia da minha vida.                          Ana Beatriz Alvelos Miranda  </title>
         <author>cristinagomes3</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-11-02 15:53:50 UTC</pubDate>
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         <title>A minha vida virou um jogo de Terror</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>A minha vida virou um jogo de Terror.<br>Quando os sinos tocam, despeço-me das criaturas que são mais "Grinch" do que seres humanos, desinfeto as mãos, e já sem fôlego, com o nevoeiro que me cega nos óculos, chego ao portão da escola afastando-me dos meus amigos próximos, a sorrir com os olhos.</div><div>Desinfeto as mãos desgastadas, com mais uma tonelada de gel, atravesso a passadeira que sendo tão longa, custa no final chegar, com o medo de ser atropelada fazendo-me companhia. Quando chego à outra margem, olho para o chão e o meu jogo, cujo objetivo é de chegar a casa mantendo dois metros de distância entre mim e os “Grinch-Zombies”, começa.</div><div>No final da intensa fuga, e de toda a cantoria abafada que me separava do senhor aborrecimento, afinal ficar próximos de alguém era tabu, subo as escadas, entro em casa, tiro o filtro protetor que me tornava numa das outras milhares de “Grinchs”, desinfeto e lavo as minhas mãos.<br>Joana Zhu nª21</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-03 19:17:00 UTC</pubDate>
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         <title>A perda das expressões </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Todos os dias o mesmo episódio da mesma série. Levanto-me da cama, visto-me, tomo o pequeno-almoço, lavo os dentes e entro no carro. Preparo-me para a nova guerra, coloca o farrapo na cara e entro em combate. Logo na entrada o sargento dá as ordens: “Em fila com distanciamento” e logo após borrifa-nos com um líquido misterioso e salvador. Dentro da escola parece um universo completamente diferente. Parece que o vírus provocou uma espécie de mutação genética onde todos os rostos humanos foram modificados e todas as bocas e narizes desapareceram. Acabam as aulas, volto a casa, tiro a máscara. A guerra diária acabou por hoje, mas amanhã há mais. <br><br>Dinis Vilas Boas nº12<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-03 19:32:04 UTC</pubDate>
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         <title>O combate</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Um braço dentro outro fora da cama desligo o despertador, cansada, apronto-me para mais um dia de combate. </div><div>Desço a rua, contorno a rotunda e sigo em passo de desgaste até ao portão da escola. Entro nas trincheiras de agora, ninguém se pode misturar com ninguém. Uns vão, outros vêm. Coloco a única arma poderosa que tenho, nas mãos, e dirijo-me à zona de combate. Quando chego vejo caras despidas, estrelas com pouca luz, o coronavírus era agora como um buraco negro que absorvia os rostos de toda a gente e apenas deixava os olhos. O comandante entra na zona de combate, ouvimos instruções para nos sentarmos. A partir daí sabemos que começará mais um dia difícil. Já dentro da zona de combate os mais queixosos começam por dizer que está muito frio e que não tem jeito nenhum arejá-la durante o decorrer do mesmo; os mais rebeldes trocam ideias de como avançar quando formos atacados, entre si, esquecendo-se que têm um pequeno pedaço de pano atado ao nariz e á boca para não serem confundidos uns com os outros, criando assim uma feira de ideias e por consequência ninguém se consegue entender; por último os que lhes é indiferente quase que adormecem por nem se quer poderem dar um sorriso com liberdade antes do que poderá ser o ultimo dia deles ali. </div><div>Mais um dia desgastante, sem emoção, sem afetos. Ainda não foi desta. Não gosto.<br><br>Ana Rita Gonçalves Nº7<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-03 19:57:07 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/891800282</link>
         <description><![CDATA[<div>Mais um dia como todos os outros, acordo com o despertador, levanto-me sem emoção, vejo a minha família e comprimento-a de uma forma inconsciente, desço as escadas, sinto o desespero dos meus pais pois o meu irmão está atrasado...novamente, entro no carro enquanto reparo nos trabalhadores das obras a reclamarem ao som da rádio. Finjo que percebo as conversas dos meus pais enquanto me despeço ao sair do carro em direção á casa de uma amiga. Ligo-lhe e oiço logo o barulho da porta a abrir. Saímos e deparamo-nos com as multidões a andar rápido enquanto olham para o chão como se fossem máquinas.</div><div>Entramos na escola só consigo ver os olhos no rosto das pessoas, parecem-se com corujas. Toca a campainha e parece-mos formigas em fila indiana á espera de podermos desinfetar as mãos. Sento-me e começo a pensar nas coisas mais absurdas que poderão acontecer no dia, até que os meus pensamentos são interrompidos e começa a aula.</div><div><br></div><div>Ana n3</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-04 20:40:27 UTC</pubDate>
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         <title>O meu quotidiano</title>
         <author>3346911</author>
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         <description><![CDATA[<div>   Todos os dias, acordo às 7:30, visto-me e tomo o pequeno-almoço. De seguida, entro no carro onde está o meu pai à minha espera, pronto para me levar rumo a mais um dia igual aos outros.<br>   Durante o caminho, visualizo pessoas muito sonolentas, ainda a pensar na cama quentinha que deixaram para trás. Um nevoeiro bate no vidro do carro e o meu pai, como sempre, resmunga.<br>   Quando entro na escola, os alunos de cabeça para baixo com passos acelerados e contínuos mais parecem umas máquinas dirigem-se, para a sala de aula. Quase não conheço ninguém com este novo visual que nos arranjaram para nos protegermos do maldito vírus. Chego à sala onde estão os meus colegas a conversar, no entanto tudo parece estranho, pois só vejo os olhos de cada um. Não há um sorriso, um abraço, um beijinho, um simples toque, é tudo muito formal. Pior seria ficar em casa todo o dia, sem poder ver os meus amigos e os meus professores, como aconteceu em Março. Ufa, estava a que não acabava, que ia ficar na minha sala, no meu quarto, na minha cozinha frente a um computador todos os dias.<br>   De regresso a casa após um dia cansativo, diferente, estranho, volto a enfrentar as ruas e as pessoas na cidade. Um vazio predomina no olhar de cada um e as dúvidas multiplicam-se: até quando? <br>                   Margarida Silva; nº23</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-04 21:02:59 UTC</pubDate>
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         <title>Rotina de exaustão</title>
         <author>33485</author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/893201567</link>
         <description><![CDATA[<div>Acordo. Saio da cama atordoada ao fim do segundo toque do despertador. Na casa de banho, depois de colocar um monte de produtos na minha cara, olho para o meu reflexo no espelho e vou comer. Quase que me esqueço de me importar em responder alguma mensagem perdida entre a noite ou de falar com a minha mãe. Prefiro que não me veja assim, sem vida, desgastada. Ignoro estes pensamentos, visto-me, vejo o tempo a passar, saio de casa. As pessoas por quem passo na rua não são mais que rostos sem cara, imagino-os cansados, esperançosos que tudo isto acabe. Infelizmente, é o máximo que as máscaras me permitem ver. Não gosto, parecem distantes, escravos das suas próprias rotinas, assim como eu, que prefiro acreditar ser diferente apesar se não passar de uma igual. Entro na escola já preparada para levar com o desinfetante diário nas mãos, dirijo-me à sala sem interesse algum. Sento-me e espero pelo toque. Suspiro mentalmente, na intenção de me preparar para horas e horas de informação. O tempo passa, o dia também. Quando dou por mim estou de volta a casa, a única diferença é que estou mais cansada. Chego até a ter falta de ar mas relevo. Passo o resto das horas fechada no quarto com poucos motivos para me fazer voltar a sorrir. Percebo a noite ao olhar pela janela, em pouco tempo estou a jantar. Agradeço a comida à mesma mãe que de manhã preferi ignorar. O dia está perto de acabar. Visto o meu pijama e dirijo-me à casa de banho, para mais uma dose de produtos na minha cara, que tenho esperança estarem a fazer algum efeito. Olho para o meu reflexo no espelho, penso, “amanhã é outro dia”. Volto para o meu quarto, deito-me. Fecho os olhos, aguardo o sono chegar até mim em silêncio. De todas as lágrimas que não chorei, de todos os sorrisos que perdi, de todos os problemas que não consegui sequer pensar em resolver, sinto os meus olhos finalmente pesar. Sinto-me exausta e por fim adormeço. No dia seguinte, acordo. <br><br>Joana Miranda, n°20</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 08:30:52 UTC</pubDate>
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         <title>Ah, mais um &quot;dia&quot;</title>
         <author>3330017</author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/893958175</link>
         <description><![CDATA[<div>Ah, mais um dia. Acordo, ou melhor, entro naquela terra confusa, metade sonho metade realidade, comum àqueles que demoram a acordar, e levanto-me. Era suposto já ter energia, mas ao pequeno-almoço as minhas pernas parecem chumbo, e dali a uns minutos já estou tapado com o maldito pano de gangster, que, ironicamente, serve para proteger e não para roubar. No carro, vejo a mesma mistura de paisagem, tão rural como urbana, e, ao sair, dirijo o meu cumprimento habitual, dependendo se se trata do meu pai ou da minha mãe.<br>Chego ao portão da escola, e sigo a procissão fúnebre de olhos deprimidos, cuja cor se perdeu há muito. Entro na aula, vem a professora, e vejo constantemente o olhar, apenas o olhar, de súplica dos meus colegas. Súplica pelo intervalo. Deus rebobina a cassete uns pares de vezes e ouço o último toque da campainha. Depois de um treino na piscina, onde ao menos não preciso do pano, e estou em casa.<br>Ao jantar, revejo mentalmente o episódio secante chamado rotina. Parece que a série está a ficar sem material. Mas olho para o número de infetados e apercebo-me que a temporada ainda nem vai a meio.<br><br>Afonso Vilas Boas nº1  </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 13:55:55 UTC</pubDate>
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         <title>A minha rotina</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/894038676</link>
         <description><![CDATA[<div>Acordo. Levanto-me da cama, e preparo-me para um novo dia. Mas será que um novo dia existe realmente? Para mim, às vezes, parece que o que faço é viver e reviver o mesmo dia repetidamente. O terror da rotina, que transforma Homens em máquinas e o mundo num fardo. Só me resta saber até quando. Vou abrindo a janela do meu quarto, com a esperança de contemplar um sol radiante que inunda todos os cantos. Às vezes, o sol não aparece e defronto-me com um dia cinzento que promete chuva e vento. De seguida, desço as escadas e tomo o pequeno-almoço, que é sempre o mesmo, pois não tenho originalidade para inovar e tenho preguiça para pensar a estas horas da manhã. Volto a subir as escadas para me vestir, lavar os dentes e cara e pentear o cabelo que apesar de o ter esticado no dia anterior continua ondulado. E aí percebo que não tenho jeitinho nenhum para isso, mas no entanto, faço o mesmo todos os dias. Depois vou ao telemóvel e fico lá um bom pedaço, pois a minha irmã demora trinta mil séculos só a tomar o pequeno-almoço e, eu não posso sair sem ela. Seguidamente, pego na máscara, provavelmente o objeto mais irritante de toda história da humanidade, e saio de casa a caminho da escola. Pelo caminho imagino como será o dia, mas chego à conclusão que não será nada de novo, ouvirei a Catarina a dizer que quer abraçar pessoas, o Diogo a endoidecer por causa de uma borracha inútil, a Benny e a Leonor a dizerem que me querem bater, a Rita e a Sara a coscuvilharem sobre assuntos que nem lembram ao coelhinho da Páscoa e o Afonso a inventar nomes imensamente desnecessários para pessoas que já têm nome. Enfim, às vezes odeio esta rotina mas à medida que ela decorre apercebo-me que a adoro, tirando estas máscaras extremamente antiquadas e desconfortáveis que me fazem doer muito as orelhas e não me deixam ver as caras de ninguém. Aposto de daqui a algum tempo se vir alguém sem máscara nem o reconheço. <br><br>Frederica Neto nº15<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 14:14:00 UTC</pubDate>
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         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/894046658</link>
         <description><![CDATA[<div>Portugal atinge um novo recorde, segunda vaga, casos preocupam autoridades.Enquanto ouço estas palavras preparo o pequeno almoço. Ah, que início de dia promissor! Entro no carro apressadamente, chego à escola,olho para todos ao meu redor. Dezenas de alunos a tapar a cara. Pergunto-me se há alguma criança que sonhava em viver num filme de ficção científica que teve o seu sonho finalmente realizado. Reflito sobre o quanto a nossa vida mudou e quanto os nossos hábitos, mesmo os mais instintivos, vão sofrer alterações duradouras. Reparo nos alunos, nos professores, nos auxiliares. Todos tão diferentes, mas tão iguais. Todos tão focados em encontrar o álcool em gel mais próximo, em afastar-se dos outros.Todos tão desejosos do fim deste inimigo invisível que nos roubou tanto. Vejo, por momentos, a escola como uma área de combate. Todos armados ,mesmo que seja com um frasco mágico e um pedaço de tecido.Todos cansados,das incertezas e das regras intermináveis que devemos cumprir para proteger-nos a nós e à nossa nação.Quem será o próximo a ser abatido? - julgo ouvir - Será o José do 9°D? Eu vi-o, há pouco, a entrar na sala sem desinfectar as mãos. Saio da escola, nada muda assim tanto. Mas de repente, chega o meu bote salva-vidas.Tiro a máscara,consigo finalmente respirar.<br>Benedita Oliveira </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 14:15:45 UTC</pubDate>
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         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/895749234</link>
         <description><![CDATA[<div><br></div><div>Ouço o despertador, volto a dormir, o despertador volta a tocar, volto a dormir, o despertador toca mais uma vez e finalmente me levanto. Visto me ainda ensonada, tomo o pequeno almoço, lavo os dentes e saio de casa. Como sempre estou atrasada e o meu pai espera impacientemente por mim dentro do carro...mais do mesmo.</div><div>Ao chegar á escola coloco o meu farrapo de proteção, desinfeto as mãos ao entrar na sala e deparo-me com a minha turma que mais parece um bando de gatos pretos numa noite escura, comprimento-os com um sorriso nos olhos, sento-me na minha cadeira com um certo distanciamento das pessoas. Ainda é difícil aceitar esta nova realidade que estamos a ver, uma realidade triste e sem expressão, onde os olhares são tudo.<br><br>Joana Silva n19</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 20:15:04 UTC</pubDate>
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         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/896017937</link>
         <description><![CDATA[<div>Drimm. Acordo com o barulho do despertador, ligo as luzes do meu quarto e tento ganhar forças para me por a pé. Já de pé vou para a casa de banho, lavo a minha cara, dou bom dia aos meus pais e volto para a divisão a que chamo quarto. Abro a janela para que entre alguma luz natural e decido começar a vestir-me o que, por vezes, é difícil. Nunca sei o que vestir às vezes passo minutos que mais parecem horas a decidir e acabo por vestir a primeira coisa que vejo à minha frente. Já vestida desço as escadas, tomo o pequeno-almoço e vou para o carro. O caminho para a escola é sempre o mesmo, sempre as mesmas ruas, sempre o mesmo semáforo que fica vermelho às 8:08. Será que estou sempre a viver o mesmo dia?<br>Quando chego perto da escola, despeço-me do meu pai, ponho a minha querida amiga máscara e saio do carro. A única coisa que consigo ver são pessoas e olhos. Alguns mostram tristeza, outros alegria, mas a maior parte mostra sono. O caminho até à sala de aula é normalmente bastante solitário e sozinho parecendo até um caminho para um campo de batalha. Ao chegar à sala desinfeto as mãos, pouso a minha mochila e espero o professor chegar. As aulas mudaram bastante agora temos que cumprir o distanciamento entre colegas e professores e todos usamos um novo acessório que por vezes dificulta a nossa comunicação. <br>No fim das aulas sinto me mais alivada ou por vezes stressada só de pensar que toda esta rotina se repete no dia seguinte tal como um comboio, um comboio da vida, que faz sempre a mesma viagem de ida e volta mas nada muda só os passageiros que nele passam.  <br><br>Rita Rente, nº26<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-05 21:43:57 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Mais uma vez acordei com o som daquele despertador repetitivo e irritante, soltei um suspiro ao finalmente levantar-me. Iria ser só mais um dia monótono e sem graça como os outros, então decidi usar uma roupa simples, uma <em>sweatshirt </em>preta com umas calças de ganga escuras. Atei o meu cabelo no clássico rabo de cavalo e arrumei o resto das minhas coisas, logo fiz as minhas higiene pessoais e saí de casa, não costumo tomar o pequeno-almoço em casa. Coloquei a máscara sobre o meu nariz e a minha boca e deixei os elásticos da mesma por trás das minhas orelhas. Todos os olhares que se dirigem a mim até se tornam estranhos por não conseguir ver o rosto dos outros, já não se consegue distinguir um de uma expressão de desprezo, já que só se vê os olhos de todos. Ninguém fica perto de ninguém, todos estão distanciados de todos, álcool em gel é o novo item indispensável que todos trazem, na mão ou na bolsa, todos têm pelo menos uma garrafinha do líquido por perto. Comecei meu caminho em direção à escola e deixei uma música qualquer a tocar nos meus fones, prefiro fingir um ar concentrado em algo, ou fingir-me de  distraída e ignorar conhecidos do que lançar algum sorriso artificial ou ter uma daquelas curtas conversas desinteressantes e chatas, que as velhas do bairro têm só na intenção de mostrar empatia. </div><div><br></div><div>Finalmente, cheguei à escola, entrei na minha sala, saquei os meus materiais da mochila e deitei a minha cabeça na mesa, fingindo uma de atenta às aulas durante o dia inteiro, não estava com humor para realmente prestar atenção a tudo o que acontecia à minha volta, preferia ficar perdida no meu próprio pensamento. Realmente não gostava de conviver com pessoas, até preferia evitar ficar perto de qualquer um, mas quando tinha mesmo que ser, mais uma vez, fingia-me de interessada em tudo o que falar, e esboçava um sorriso um tanto forçado, quase que nem se notava que eu estava a falsificar toda a minha existência, de tão habituada que estava a fazê-lo. </div><div><br></div><div>Depois de várias horas tediosas naquela prisão, mais conhecida como escola, voltei para casa, tomei um banho bem quente, na intenção de relaxar o meu corpo, vesti um pijama quente, logo deitei-me na cama e acabei por adormecer enquanto pensava em tudo aquilo que poderia ter feito ou dito a alguma pessoa para fazer com que se sentisse melhor, mas não fiz. Esses pensamentos afastaram-se logo que adormeci. Se pudesse, mudaria a minha rotina, mas numa época como essas, não dá para fazer nada de diferente. Estou cansada. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-06 14:08:15 UTC</pubDate>
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         <title>Mais um dia...</title>
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         <description><![CDATA[<div>O despertador toca, desligo-o e volto a dormir. Volta a tocar e, por fim, levanto-me. Desço as escadas, dou bom dia aos meus pais e finjo ouvir os seus debates sobre as notícias que passam na televisão enquanto tomo o pequeno-almoço. Subo as escadas, visto-me, dirijo-me à casa de banho ainda sonolenta e quando reparo que estou atrasada, corro para o carro onde o meu pai me espera sossegadamente impaciente. Ah a máscara. Volto a entrar em casa, pego na minha nova melhor amiga e finalmente saio de casa pronta para mais um dia entediante.</div><div>  Durante uma viagem de 10 minutos, penso nas tarefas que terei de cumprir naquele dia quase como se estivesse num jogo. Coloco a minha melhor amiga sobre o meu nariz e a minha boca, entro na escola, que mais me parece um hospital, passo  uma espécie de líquido nas minhas mãos frias e desprotegidas e deparo-me com meios rostos que me cumprimentam sorrindo com os olhos. Dirijo-me para a sala de aula, volto a colocar o líquido nas minhas mãos e sento-me no meu lugar, distanciada das pessoas que gosto, sem as poder abraçar, beijar ou até tocar. Horas depois (que parecem dias mais tarde) acabam as aulas, regresso a casa e  assim que retiro a máscara sinto-me novamente livre.</div><div>     Todos os dias tenho de encarar esta nova realidade. Todos os dias tenho de encarar pessoas com olhares vazios e sem expressão facial. Todos os dias se repetem tal como um disco riscado parecendo iguais ao anterior. Aborrece-me. Não gosto.<br><br><br>Bruna Senra, nº 9<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-06 21:33:17 UTC</pubDate>
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         <title>E tocou, saio da sala na companhia dos mesmos, a caminho de casa, alguns acompanham-me até ao fim, outros vão virando, indo pelos seus caminhos. Ao passar por todos aqueles conhecidos com caras desconhecidas, começo a sentir-me obrigada a habituar-me a esta nova realidade, como se houvesse uma parede entre as pessoas e as suas emoções, exatamente como robôs. Chego a casa. Vou direta à varanda para me descalçar, a seguir para o meu quarto. Fico um bom tempo perdida nas redes sociais até que ganho coragem para me levantar e começar a estudar. Ainda à espera que a minha mãe chegue a casa para ir ajudar a pôr a mesa. Depois de jantar tomo banho e vou para a cama.  </title>
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         <description><![CDATA[<div>Catarina Macedo nº10</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-07 15:42:28 UTC</pubDate>
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         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Desço a rua, espero o autocarro, ao longe ouço o som dos saltos altos da vizinha de cima que vem apressada para apanhar boleia da amiga, chega à minha beira e só por obrigação diz o famoso "Bom dia", também só  por obrigação respondo, ainda com uma voz sonolenta. De repente começasse a aproximar o autocarro a chiar como uma "traineira velha". Como ao sair de casa já tinha colocado a máscara, pego rapidamente no passe e entro. Deparo-me com uma realidade devastadora, cada um no seu canto no telemóvel ou então a olhar pela janela como se fosse um caminho que nunca tinham visto. Neste para arranca finalmente chegamos a Barcelos. Começa tudo a levantar-se e com alguma ordem saí-mos, vimos para a escola e cada um vai para a sua sala. Chego à sala desinfeto as mãos e entro, sem nada para fazer sento-me a conversar com os meus colegas sempre com aquele pano  na nossa cara. Ao longo do tempo a turma vai chegando e o professor também e pronto mais um dia de aulas com uma nova realidade COVID-19.<br><br>Ana Luísa Pereira Nº5</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 09:29:07 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Acordo de manhã, tomo o pequeno almoço, lavo os dentes. Sinto que esqueci de algo passo a mão na cara, vejo que falta a máscara volto para trás. Finalmente consigo sair de casa, entrou no carro a caminho da escola vejo gente, errando por não usar máscara, ao chegar na escola vejo toda a gente com máscara. Como se fossemos para uma mesa de cirurgia ou tivéssemos numa calamidade de saúde que em tempos passados parecia impossível. Mas agora a realidade da máscara é mais aceite, mas ainda é estranho termos uma perceção reduzida das emoções das outras pessoas, olha-se para a esquerda gente com máscara, para a direita gente com máscara. O que me surpreende mais não é o uso das máscaras, mas sim quem não as usa.<br><br></div><div>As pessoas que não usam máscara só mostram o individualismo presente na sociedade moderna, pois não usam máscara, mesmo sabendo que podem transmitir a doença para as partes mais frágeis da sociedade. Porque só piora mais os problemas da sociedade como a mal distribuição de dinheiro, a população envelhecida e um sistema nacional de saúde pouco desenvolvido.<br>Henrique Ribeiro da Fonte nº18</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 10:17:16 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>O barulho pela casa começa a ouvir-se. Finalmente “acordo” de um sono que já tinha acabado. A luz espalha-se pelo quarto assim que se abre a persiana. Não sei se estou realmente a ver o que tem á minha volta ou se são apenas as memórias do espaço em que estou a passar na minha cabeça pois mal consigo abrir os olhos. Começo a preparar-me para mais um dia exaustivo e certamente repetitivo. Lavo a cara e os dentes. Acho que só agora é que estou verdadeiramente a ver o que está à minha volta. Visto-me, penteio-me, desço para a cozinha. Como de costume, arranjo o meu lanche e chá e despacho-me para ir para o carro. Volto para trás pois esqueço-me de que preciso de máscaras. Vou rapidamente para o carro pois nesta calmaria, já começou a ficar em cima da hora e ainda à uma viagem até ao próximo destino. Finalmente chego à escola depois de uma viagem com carros mais adormecidos que eu. Assim que chego vejo corredores calmos pois já soou o toque para a primeira aula. Caminho até à sala de aula, e por mais que já tenham começado algumas aulas, consigo ver por entre as portas vários olhares. Pois olhares, a única coisa que realmente conseguimos ver, às vezes vazios e sem ideia do que ali fazem, mas são estes olhares que ainda nos permitem pelo menos adivinhar como uma pessoa se sente, ou talvez não. Depois destes longos corredores finalmente chego à sala. Entro, sento-me e preparo-me para o que vai ser as próximas longas horas do meu dia. Ouvir pessoas a falar sobre coisas que talvez nunca mais me vou lembrar que aprendi enquanto todos à minha volta só mostram os olhos e eu, discretamente, tento desvendar como realmente se sentem por detrás daquelas máscaras.<br><br>Catarina Peixoto nº11</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 10:30:41 UTC</pubDate>
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         <title>Francisco Machado n°14</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Pego nas chaves e saio de casa, passo pelos trolhas, que mesmo apesar de estarem em conjunto parecem estar cada um no seu sonho. Chego à escola, encontro os olhos de sempre. O olhos 1, 3 e 7 chegam primeiro, logo a seguir chega os olhos 4. Rapidamente, a sala enche-se de 29 olhos. Hora após hora apenas muda um dos olhos para, sem motivação dos outros 28 olhos, tentar ensinar algo. Acabou? Acaba a última aula e os olhos deslocam-se para a saída. Volto para casa, finalmente já não sou uns olhos. Faço aquilo que alguns dos olhos mandaram como trabalho para casa. Tento fazer alguma atividade para esquecer que no próximo dia vou voltar a ser só uns olhos. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 11:58:48 UTC</pubDate>
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         <title>Francisco Machado n°14</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/901442430</link>
         <description><![CDATA[<div>Pego nas chaves e saio de casa, passo pelos trolhas, que mesmo apesar de estarem em conjunto parecem estar cada um no seu sonho. Chego à escola, encontro os olhos de sempre. O olhos 1, 3 e 7 chegam primeiro, logo a seguir chega os olhos 4. Rapidamente, a sala enche-se de 29 olhos. Hora após hora apenas muda um dos olhos para, sem motivação dos outros 28 olhos, tentar ensinar algo. Acabou? Acaba a última aula e os olhos deslocam-se para a saída. Volto para casa, finalmente já não sou uns olhos. Faço aquilo que alguns dos olhos mandaram como trabalho para casa. Tento fazer alguma atividade para esquecer que no próximo dia vou voltar a ser só uns olhos. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 11:58:58 UTC</pubDate>
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         <title>Mais um dia igual aos outros</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Desço as escadas, entro no carro, espero, paciente, que chegue à escola. Entro, estendo  à mulher muda as mãos para ela as desinfetar e vejo a  metade do rosto dos funcionários, alunos e professores. Enquanto estou na aula olho para a frente e para os lados e penso que estou numa cama de dentista. Saiu para o intervalo e saiu da cama de dentista, finalmente consigo ver a outra metade do rosto das pessoas enquanto essa lancha. Volto a entrar para sala e volto à cama de dentista. No fim das aulas, entro no carro, chego a casa, subo as escadas, e sento-me para almoçar. No final da tarde, equipo-me para ir treinar. Volto a descer as escadas, entro no carro e espero até chegar ao local do treino. Quando o treino acaba volto para casa. Subo a escadas e vou tomar banho. Acabo de tomar banho e sento-me para jantar. Janto, faço a mochila para o dia seguinte e vou lavar os dentes. Lavo os dentes e deito-me na cama para o fim de mais um dia igual aos outros.</div><div><br>Rafael Fernandes nº25 9ºD</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 12:31:02 UTC</pubDate>
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         <title>Leonor Rodrigues nº22 9ºD</title>
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         <description><![CDATA[Acordo com o som da persiana a abrir e a minha mãe a dar-me os bons dias. Saio da cama, sem vontade nenhuma e preparo-me para mais um dia de tortura ou tranquilidade. Depende dos dias. Digo à minha irmã para se despachar, como se não o fizesse todos os dias, e apresso-me para tentar não chegar atrasada. Pego na minha mochila e no meu novo acessório e saio pela porta. Deparo-me com várias pessoas que não estão a usá-lo e penso no facto de, hoje em dia, isso ser quase tão trágico como mulheres a andar de calças no século XIX. Sendo que não usar máscaras devia ser bastante mais dramático. Quando chego à escola ponho a conversa em dia com os meus amigos e tento percebê-los mas tudo o que consigo ouvir são murmúrios atrapalhados e palavras soltas que não fazem sentido. Só vejo os seus olhos, e sempre me disseram que os olhos eram o espelho da alma, no entanto desvendar os seus segredos revelou-se mais difícil do que parece. Ouço os professores a falar, olho pela janela e tento fazer com que o tempo passe mais rápido. Quando as aulas finalmente acabam, desinfeto as mesas, um novo passo da rotina, e vou para casa. Penso em talvez ir dar uma volta pela cidade, para passar o tempo, mas em vez disso olho pela janela e penso quando poderei fazer tudo o que eu gosto normalmente outra vez. Mas afinal este é o novo normal e não o posso evitar.]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 16:32:49 UTC</pubDate>
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         <title>Sara Félix nº27 9ºD</title>
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         <description><![CDATA[<div>Toca a campainha, ouve-se o barulho das cadeiras a arrastar, os gritos daqueles que ficam muito felizes por ter acabado mais um dia daquilo que chamam de tortura. Passo pelo portão e, ao contrário de antigamente, não me preocupo se tenho de passar o cartão ou não, tenho a estranha sensação de saudade, de algo que nunca fiz. Saio da escola, penso nesta saudade e como os tempos mudaram em pouco mais de sete meses, olho em volta e, mesmo que já estivesse habituada tenho um terrível choque entre os pensamentos e a realidade. Todos de máscara, como se houvesse um gás mortífero no ar, não se sabe quem fala, canta, está calado ou mesmo quem murmura palavras de ajuda e sofrimento, mal se percebe aquilo que os outros dizem. Antes de tudo isto,   dizia-se que dava facilmente para ler as pessoas pelos olhos, quando felizes, tristes, apaixonadas e sempre achei tudo isto engraçado, agora só o faço por extrema necessidade. O meu caminho para casa, mesmo que vá quase sempre acompanhada é a matutar em tudo isto, um pensamento triste e solitário, que permanece na minha mente juntamente com a palavra “Porquê?”. Depois chego à conclusão, que se não fosse isto seria outra coisa que culparíamos pelos nossos erros e dias mais difíceis, pois esta é a escapatória que é usada por qualquer ser humano, sem exceção.</div><div> <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 17:24:20 UTC</pubDate>
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         <author></author>
         <link>https://padlet.com/cristinagomes3/8cqy6ynau74irfhx/wish/901924980</link>
         <description><![CDATA[<div>Espero silenciosamente que os meus colegas passem pela porta, olho mais uma vez para a cara da minha professora, o seu rosto já não me é familiar, e numa tentativa de decifrar as suas feições, tentando olhar através deste novo distúrbio que é a máscara e fico perdida nos meus pensamentos. <br>Quando finalmente decido sair da sala, desinfeto as mãos com este novo acessório que é o álcool em gel, tão peganhento e com um cheiro tão forte que o meu nariz se recusa a deixar entrar este novo intolerável aroma. <br>Saio da sala e reparo que os alunos que descem as escadas apertadas, relembram-me dos soldados nas trincheiras dos quais falamos em história. Também eles usavam proteções faciais quando os temíveis ataques de gás se alastravam. <br>O meu primo aparece e cumprimenta-e é fazemos as nossas palhaçadas habituais que para os outros parecem mera idiotices. <br>De repente lembro-me de que o meu pai está à espera no carro e dirijo-me ao portão a uma velocidade que eu me consideraria incapaz de obter. <br>Já no carro, ouço na rádio as mais recentes notícias de como outro lar se tornou num terrível destino para os idosos que lá moravam. Depois a voz do jornalista é cortada e a música que já deu umas sete vezes naquele mesmo dia volta a tocar. <br>Eventualmente chego a casa, desinfeto as mãos com aquele líquido viscoso de novo, abraço a minha mãe, pego na minha gata, acaricio o meu cão e dou de comer ao meu coelho. <br>As próximas horas passam rápido, o estudo que habitualmente faço torna-se em algo automático e em vez de ficar aborrecida com o facto de que o tenho de fazer, nem sequer noto esta ação diária. <br>Finalmente quando me apercebo estou outra vez na cama, a pensar em todos os erros que cometi na minha vida, se talvez eu tenha feito a diferença na vida de alguém, e acabo por adormecer. Acordo, então, para apenas repetir a mesma rotina. Estou exausta. <br>Simone Oliveira, n°28 </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-08 17:57:10 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Guilherme Rodrigues n 17</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-09 13:22:00 UTC</pubDate>
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