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      <title>O POPULISMO SUL-AMERICANO: LULA (2003-2010) E CHÁVEZ (1999-2013) by </title>
      <link>https://padlet.com/brunagiovanna34/83j5f991ieldogq9</link>
      <description>Nesta breve análise discutiremos as divergências e similitudes entre dois governos populistas latino-americanos. Trabalharemos em perspectiva comparada os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 – 2010) no Brasil e de Hugo Chávez (1999 – 2013) na Venezuela. 

O texto completo pode ser acessado através do link: https://docs.google.com/document/d/1aoV75ZQGp1-kmhWZqZPwXAWCbmGyUDhWs-I4tVSXE7A/edit?usp=sharing</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-10-26 01:52:48 UTC</pubDate>
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         <title>Populismo </title>
         <author>brunagiovanna34</author>
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         <description><![CDATA[<div>Após a Primeira Guerra Mundial estabeleceu-se uma crise do liberalismo e da democracia, levando grupos antiliberais a pensarem um tipo de Estado forte, intervencionista e progressista. Como estratégia para esse processo, surgiu a necessidade, em grupos antiliberais, de pensar a integração das massas para alcançar seus objetivos e evitar possíveis revoltas populares, já que o “fantasma do comunismo” rondava por todo o mundo como ameaça à elite. Segundo Capelato (2010, p. 128):</div><div>Mesmo governantes contrários ao nazi-fascismo procuraram introduzir em seus países um Estado forte, promotor da legislação social e mediador dos conflitos sociais, tendo à sua frente um líder carismático em contato direto com as massas. Alguns regimes da América Latina do pós-30 adotaram essa política, denominada populista por muitos autores</div><div><br></div><div>Assim, muito se discute no campo teórico a validade do termo “populismo” visto que este é repleto de ambiguidades. Porém, configura-se como ambíguo quando pretende-se coloca-lo como conceito capaz de englobar diversas experiências e encaixá-las numa experiência globalizante. Quando não o fazem, autores buscam as singularidades, analisando casos de diferentes temporalidades e espaços, mas esquecendo de conectá-los. Desta forma, caímos numa questão primordial ao se abordar o assunto, responsável por nublar as experiências abordadas pelo populismo: em que medida essas experiências que apresentam como</div><div>traço comum a introdução de uma cultura política baseada na intervenção do Estado e novas formas de controle social podem ser consideradas democráticas porque voltadas para os interesses populares ou autoritárias porque introduziram instrumentos mais eficazes de controle das classes trabalhadoras (<em>idem</em>, p. 129).</div><div><br></div><div>De fato, governos populistas flertaram com as massas populares, buscando atender demandas da classe operária, reforçando e/ou legitimando sindicatos trabalhistas, estabelecendo reformas agrárias – sem necessariamente realizar a expropriação de terras – e reconhecendo a massa como agente histórico/político. Entretanto, em alguns casos flertaram também com a burguesia, possibilitando a concentração de renda na mão de poucos. Ao mediar as relações entre classes, o Estado possibilitou amenizar as tensões, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo ao ser instrumento de contato de sindicatos com empresários, retirou a autonomia dos primeiros e foi se tornando cada vez mais autoritários.</div><div>É válido destacar, entretanto, que tais características citadas acima não são se aplicam a alguns casos. Compreendemos que a generalização dos casos de populismo pode levar à perda do sentido de casos específicos, da mesma forma que a singularização dos fenômenos perde o sentido mais amplo de uma forma política recorrente na América-Latina. Capelato (idem, p. 140) comenta que Canovan (1981) afirmava que não era favorável reduzir os diferentes casos de populismo a uma simples definição ou encontrar uma só essência por trás dos usos do termo, pois ele é usado para abarcar tantos acontecimentos que pode acabar entrando em cheque seu significado, sendo necessário não o abandono do conceito, mas usá-lo com maior precisão. Ainda, deve-se considerar que “populismo” não é usado apenas no âmbito acadêmico, pois tornou-se instrumento de conflitos político-ideológicos, por isso não seria favorável abandonar o estudo do mesmo.</div><div>Atualmente, os estudiosos do populismo buscam na história comparada uma forma de superar tais dificuldades teóricas, pois assim “privilegiam as particularidades nacionais e os recortes mais específicos, sem, contudo, perder de vista a totalidade na qual se inserem” (<em>idem</em>, p. 141). Desta forma, é possível compreender as diversas experiências dos populismos em suas especificidades e em seus aspectos comuns. Em sua maioria, essas novas pesquisas privilegiam um novo olhar sobre a massa popular. Não mais vista como instrumento de manobra de políticos, ou como classe inconsciente, agora elas são percebidas enquanto agente históricos capazes de negociar com governantes populistas por seus interesses materiais, políticos e simbólicos. O que decorre após essa negociação é o apoio popular aos líderes populistas e reformas nesses três campos para a classe operária. Entretanto, com o tempo os sindicatos perdem sua autonomia, ainda que haja uma melhoria na qualidade de vida da classe operária. Desta forma, estabelece-se o populismo enquanto um Estado autoritário através da mediação e intervenção na atuação dos sindicatos e na relação com empresas que se opõem. Porém, os líderes sindicais podem ter perdido sua independência perante o Estado, mas receberam maior autonomia sobre sua base. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 01:54:40 UTC</pubDate>
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         <title>Populismo de Lula</title>
         <author>brunagiovanna34</author>
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         <description><![CDATA[No caso brasileiro, uma experiência populista notável é a de Getúlio Vargas, que permanece sempre em pauta quando se trata de populismo, mesmo que seja para comparações. Quando falamos do governo Lula, autores como Marques e Mendes (2006) costumam utilizar o termo “novo populismo”, que para eles sempre comentado em comparação ao de Vargas. Isto se dá pelo próprio movimento da História. A primeira experiência Varguista teria moldes difíceis de se repetirem. Getúlio encontrara um Brasil em situações diversas do de Lula, sua base eram os trabalhadores organizados em sindicatos, suas intenções se davam em levar o país ao progresso industrial. No caso de Lula, embora este já tivesse grande contato com movimentos sindicais, e por estar num partido cuja base era sindical, acabou optando por uma base diferente, a daqueles trabalhadores não organizados em sindicatos, a classe mais desorganizada e pobre.
Lula teria buscado nessa classe desfavorecida e necessitada seu apoio popular, e para conquista-los não optou por reformas estruturais que garantissem a redução da pobreza de forma efetiva, mas sim por uma política compensatórias que garantiam uma melhoria significativa na vida da classe trabalhadora mais pobre. Porém não podia garantir a sua ascensão social, ou redução da miséria, fome, entre outros, para toda a população. O texto de Marques e Mendes (idem) é datado, e é claro suas críticas para com os projetos de Lula que não se sustentaram, sobre sua mudança de rumo projetando-se em caminhos neoliberais, e se tornando submisso aos interesses do FMI e Banco Mundial. De fato, o ex-presidente teve de trilhar caminhos diferentes dos quais ele prometia em seus discursos e do que se esperava do governo petista. Anos depois, podemos analisar com mais clareza os resultados a longo prazo desse governo.
O populismo de Lula manteve seu discurso populista, mas com atitudes contraditórias caiu em descrença. O governo de Dilma Rousseff, indicada de Lula, potencializou o descrédito não apenas para o ex-presidente como para o partido em si, culminando no antipetismo que se tornou evidente, principalmente, nas eleições de 2018 quando o partido foi derrotado depois de muito tempo. Entretanto, políticas de compensação do governo Lula não foram insignificantes, mas se mostraram frágeis com o tempo, e tornou-se claro o óbvio – mudanças estruturais são necessárias para a melhoria de qualidade de vida do povo, caso contrários desmontes como os realizados pelo governo Bolsonaro podem ruir aquilo que já havia sido construído. Alguns projetos do governo Lula ainda existem em 2020, como o Bolsa Família, a ampliação do número de universidades públicas, entre outras. Porém, existem com falhas, desatualizadas ou atualizadas de forma a tornarem-se menos eficientes.
Ainda assim, o populismo de Lula foi deveras efetivo para a consolidação dele. Percebendo que não poderia se apoiar nos sindicatos, visto que flertava com políticas neoliberais, o ex-presidente optou por uma outra camada de trabalhadores, mais manipulável – não se pensa aqui em manipulação por questões pejorativas como de capacidades intelectuais, pois esse pensamento seria nada além de elitismo, mas sim em questões materiais, de necessitar receber aquilo que precisam com urgência -, os trabalhadores desorganizados politicamente. Diferente de Vargas, o “novo populismo” de Lula optou por uma estratégia baseada no imediatismo projetando um futuro: dar o necessário para o presente e conferir um futuro melhor. Mas com altos riscos de serem destruídas com o tempo.]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:01:54 UTC</pubDate>
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         <title>Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na ONU</title>
         <author>brunagiovanna34</author>
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         <description><![CDATA[<div>O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursou em 23 de setembro de 2009, quase um ano antes do fim de seu segundo mandato. Sua fala, em perspectiva comparativa, é mais cautelosa do que a de Chávez, entretanto não podemos, de forma alguma, reduzi-la a uma concordância acrítica a situação mundial. Na realidade as críticas de Lula são menos personificadas, menos direcionadas in locu aos EUA, suas críticas são ao sistema capitalista e suas formas cruéis de ação, o que compreendemos como inerentes ao seu funcionamento.  <br><br></div><div>Lula propõe-se a discursar sobre três pontos cruciais que lhe parecem interligadas: a persistência da crise econômica, a ausência de uma governança mundial estável e democrática e os riscos que as mudanças climáticas trazem para todos. Sobre a primeira questão ele afirma que houve uma omissão histórica ao não tratarem sobre as causas da crise de 2008, crise que não foi de apenas ricos bancos, e sim, uma crise, “uma falência” de grandes dogmas. Dogmas insensatos que subjugaram o mundo: a doutrina de que os mercados podiam se auto regularem, sem qualquer tipo de intervenção estatal; a tese da liberdade absoluta para o capital financeiro, sem regras nem transparência; a apologia perversa do Estado mínimo, atrofiado, incapaz de promover um desenvolvimento e o fim das desigualdades; a demonização das políticas sociais; a obsessão de precarizar o trabalho e a mercantilização irresponsável dos serviços públicos.<br><br></div><div>MINISTÉRIO das Relações Exteriores — Brasil. <strong>Discurso do presidente Lula na Onu em 2009.</strong> Disponível em: &lt;https://www.youtube.com/watch?v=jGOX0L-FyWA&gt;. Acesso em: 17 out. 2020.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:09:08 UTC</pubDate>
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         <title>Discurso de Hugo Chávez na ONU</title>
         <author>brunagiovanna34</author>
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         <description><![CDATA[<div>Em 20 de setembro de 2006, Hugo Chávez discursa na assembleia geral da Organização das Nações Unidas, é recebido com muitas palmas e as agradece em um tom amigável e respeitoso. O presidente inicia seu discurso com o livro de Noam Chomsky em mãos, um ato forte e irreverente que nos indica o tom de seu discurso, já que o sociólogo e linguista é conhecido por seus posicionamentos à esquerda, inclusive descreve-se como “socialista libertário” (muitas vezes entendido como um anarcocomunismo) e em diversas oportunidades disserta críticas sobre os Estados Unidos da América. O livro citado é ainda mais emblemático: “O império americano: hegemonia ou sobrevivência” (2004), Chávez não poupa elogios ao livro e afirma que é um insigne trabalho para compreender a “grande ameaça que está sobre nosso planeta: a pretensão hegemônica do imperialismo norte americano”<a href="#_ftn1">[1]</a>, ainda o indica a todos os presentes, principalmente para os norte americanos, para que lhe ajudem a brecar os EUA, pois “o diabo está em casa, estamos com o diabo aqui... O próprio presidente dos EUA, que o chamo de diabo”<a href="#_ftn2">[2]</a>. <br><br>As denúncias do presidente venezuelano vão além, verdadeiramente repletas de uma coragem digna de admiração, afirma que o presidente dos EUA enuncia como se fosse “dono do mundo”, em um comentário avinagrado acrescenta que um psiquiatra não seria demais para o caso do discurso. Isso porque, de acordo com ele, o discurso deu-se como uma receita para a manutenção do projeto de dominação, exploração e saqueio ao povo de todo o mundo. Ainda alerta que o país norte americano exporta seu modelo de democracia (entre aspas): uma democracia das elites, que funciona a base de armas e bombas, uma ditadura imperialista. Chávez em lucidez e bravura defende a si e a Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, que são retratados como extremistas, mas ele nega, afirmando que são apenas o povo que luta por seus direitos, pela soberania das nações, pela plena liberdade, lutam contra o imperialismo. Em um fôlego de esperança a todos, enfatiza que sempre irão existir, sempre irão insurgir contra tais injustiças, sendo a causa dos pesadelos do “presidente imperialista”. <br><br><br></div><div><br><a href="#_ftnref1">[1]</a> Tradução livre. <a href="#_ftnref2">[2]</a> Tradução livre.</div><div><br>NODAL - Noticias de América Latina y el Caribe.<strong> Discurso do presidente Hugo Chávez na ONU em 2006.</strong> Disponível em: &lt;https://www.youtube.com/watch?v=Flm6ZqPr2AQ&gt;. Acesso em: 17 out. 2020.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:10:52 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>brunagiovanna34</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:25:03 UTC</pubDate>
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         <title>Bibliografia </title>
         <author>brunagiovanna34</author>
         <link>https://padlet.com/brunagiovanna34/83j5f991ieldogq9/wish/860244712</link>
         <description><![CDATA[<div><br>ARENAS, Nelly. <strong>La Venezuela de Hugo Chávez: rentismo, populismo y democracia.</strong> Nueva Sociedad, Número 229, 2010.<strong> </strong></div><div><br>CAPELATO, Maria Helena Rolim. <strong>Populismo latino-americano em discussão</strong>. O populismo e sua história: debate e crítica. Organização: Jorge Ferreira. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, p. 127-165.<br><br></div><div>GOMES, Ângela de Castro. <strong>A política brasileira em busca da modernidade: na fronteira entre o público e o privado</strong>. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz (org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, v.4. p. 546.<br><br>MARQUES, Rosa Maria; MENDES, Áquilas. <strong>O social no governo Lula: a construção de um novo populismo em tempos de aplicação de uma agenda neoliberal</strong>. Brazilian Journal of Political Economy, v. 26, n. 1, p. 58-74, 2006.<br><br></div><div>MOTTA, Rodrigo Patto Sa. <strong>Cultura Política e ditadura: um debate teórico e historiográfico</strong>. UFMG. Belo Horizonte. 2018.<br><br></div><div>NEVES, Rômulo Figueira. <strong>Cultura Política e Elementos de Análise da Política Venezuelana</strong>. Brasília: 2010.</div><div><br>PARGA, Francisca Rafaela. <strong>O líder e a massa no populismo latino americano</strong>. Ameríndia, Volume 2, Número 2/2006. <br><br></div><div>PERUZZOTTI, Enrique;  TORRE, Carlos de la. <strong>El retorno del pueblo: Populismo y nuevas democracias en América Latina</strong>. Flacso. Quito, 2008.<br><br>ROSA, Renato Nascimento da. <strong>O neo-populismo na America Latina</strong>: <strong>o caso da Venezuela</strong>. 2008.<br><br>SANTOS, Luís Cláudio Villafañe G. <strong>A América do Sul no discurso diplomático brasileiro</strong>. Revista Brasileira de Política Internacional. 2005.<br><br></div><div>SEABRA, Raphael. <strong>A revolução venezuelana: chavismo e bolivarianismo</strong>. Sociedade e cultura, vol. 13. Universidade Federal de Goiás. Goiânia, Brasil, 2010, p. 211-220.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:27:32 UTC</pubDate>
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         <title>O Populismo Chavista</title>
         <author>brunagiovanna34</author>
         <link>https://padlet.com/brunagiovanna34/83j5f991ieldogq9/wish/860254315</link>
         <description><![CDATA[<div>A Venezuela é um país rentista. De acordo com Arenas (2010), o país é organizado através de um petro-Estado, no qual sua principal fonte de renda é a exploração petroleira, devido ao fato de este não ser capaz de assumir tarefas, tanto técnicas, como gerenciais, ou seja, ser industrializado não seria uma opção. Este modelo estatal foi organizado em diferentes maneiras no decorrer dos séculos XX e XXI, tornando-se mais fortificado no comando de Hugo Chávez. De acordo com a autora, a transformação desta matéria-prima em principal ator econômico no país acarretou a fragilidade das instituições políticas e sociais. <br><br>A concomitância da crise do modelo econômico com as agrupações políticas implicava um limite ao sistema e o impedia de funcionar satisfatoriamente e, desta maneira, propondo-se a mudar a estrutura democrática e econômica, Chávez conseguiu assumir a presidência da Venezuela em 1999. <br><br>O programa político de Chavéz era baseado no bolivarianismo, no qual a soberania latino-americana deveria ocorrer para que os países imperialistas não conseguissem proveito dos recursos naturais dessas terras. Sua meta seria implantar o "Socialismo do século XXI", que contaria com a participação direta do povo na política.<br>Arenas (idem) afirma que seu governo apresenta características populistas através da negociação clientelista com as massas da população. Chávez utilizou a renda petrolífera como financiamento dos diversos programas sociais que desenvolvera e, para autora, tal ação seria apenas uma maneira de agradar ao povo e continuar no poder. Além de Arenas existem outros autores que se dispõem a falar do populismo chavista e um exemplo de representação do que fora este governo pode ser visto no trabalho de Seabra, <br><br></div><blockquote>Dois corolários têm levado alguns estudiosos a definir o chavismo como um regime populista. De um lado, as condições de ascensão do chavismo ao poder, como resposta à crise institucional prolongada e à perda de representatividade dos partidos políticos tradicionais. De outro, as características da condução política nacional, fortemente personalizada, como é o caso do discurso nacionalista, anti-oligárquico e anti-imperialista, que frequentemente resgata os próceres da pátria com uma visão ético-moralista, identificando- se com eles: e, principalmente, a atração especial dos setores populares, estabelecendo com eles uma relação razoavelmente mediada por estruturas organizativas. Para esses estudiosos, o populismo chavista firma-se em determinada forma de discurso político. (SEABRA, 2010, p. 128).</blockquote><div><br>Arenas (idem, p. 82), utilizando o trabalho de Carlos de la Torre (2010, p. 146), aponta que o chavismo seria um "populismo radical" caracterizado pelo "pelo nacionalismo, rejeição aos padrões neoliberais e a promessa de refundação nacional a partir do estabelecimento de uma democracia direta, com alternativa as decadentes e corruptas instituições liberais".<br><br>De acordo com Manoel (2020), o governo de Chávez é caracterizado como uma "democracia protagônica" onde a representação deveria ser feita por uma minoria e não maioria, como ocorre na democracia burguesa. Através de uma Assembleia Constituinte com ampla participação popular foi organizada a nova forma de comando do Estado. Diferentemente da democracia burguesa que decide o conteúdo da Constituição e tem apenas nas eleições a participação popular, no governo chavista ocorria o oposto; através da construção coletiva da "Carta Magna", o povo escolheu meios da lei os proteger. A representação por uma minoria seria marcada pelo grande controle do Estado que visava se articular para conseguir atender a maior quantidade de grupos possível. <br><br>A américa latina experienciou vários modelos políticos, e ao surgir o liberalismo, este encontrou uma vantagem porque conseguiu se desenvolver  tanto em estados democráticos quanto em regimes autoritários. A Venezuela tinha uma das democracias mais antigas do continente, e ali o neoliberalismo mais se desenvolveu. <br>Segundo Rosa (2008), com o enfraquecimento do Estado e das instituições políticas sob influencia das novas medidas econômicas adotadas, houve um choque social muito grande,  uma vez que a população estava acostumada a receber a proteção do Estado, e passara a se desiludir e a perder interesse pela política. <br>A base para a implementação do neoliberalismo estava pronta, mas fracassou com o surgimento do “chavismo”. A população da Venezuela descrente dos agentes políticos elegeu para presidente da República um candidato que estava fora do meio político, com uma campanha de governo antineoliberal. <br>Com a queda do muro de Berlim e junto dele do Socialismo e o Liberalismo, e na contramão o crescimento do neoliberalismo, logo associaram ao governo chavista, que se diz antineoliberalista, como um novo neosocialismos que se baseia no antigo modelo soviético se adaptando as necessidades do continente.<br>Entretanto o governo instaurado por Chávez está mais próximo do populismo do que do socialismo. O populismo é um governo que centraliza o poder que negocia direto com o povo, dessa forma todas as demandas políticas que o legislativo não aprovava o presidente utilizava de consulta popular. Há, então, no governo chavista um líder presidencial carismático, que recorre a decretos executivos, e a legitimação plebiscitária da autoridade, juntamente de uma retórica anti-partidarista, e discurso messiânico. Há ainda quem o compare com Mussolini, pois o presidente estava sempre criando algum problema com um suposto inimigo externo para justificar todos os problemas da Nação.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-10-26 02:33:55 UTC</pubDate>
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         <title>Cultura política</title>
         <author>brunagiovanna34</author>
         <link>https://padlet.com/brunagiovanna34/83j5f991ieldogq9/wish/860312950</link>
         <description><![CDATA[<div><br>A utilização do conceito de cultura política é relativamente recente, ainda mais se pensarmos em Heródoto, ainda assim ele vem sendo utilizado por diversos estudiosos nas ciências humanas. Sendo utilizado em ensaios culturais; de avaliações de que traços culturais constituem-se em uma variante causal, por exemplo, da pobreza de algumas sociedades até avaliações de que o problema só será solucionado quando as soluções forem feitas diante das especificidades de cada sociedade. À vista disso, para discorrermos sobre cultura política nada mais justo que mencionarmos o que este conceito significa, ou melhor, o sentido que daremos a ele neste trabalho:<br><br></div><blockquote>podemos sintetizá-lo como um conjunto de atitudes, crenças, valores e sentimentos assumidos ou latentes, presentes de maneira generalizada na sociedade, que dão ordem e possibilitam a construção de significados para um processo político, pondo em evidência as regras e pressupostos nos quais se baseia o comportamento, a orientação para a ação, as atitudes e as opiniões de seus atores, resultado tanto de processos originários de socialização, ou seja, o repertório cultural prévio no qual o indivíduo se insere – e ao qual adere afetiva e cognitivamente –, como da experiência política desses indivíduos ao longo de sua vida. (KUSCHNIR, 1999 apud NEVES, 2010, p. 128)</blockquote><div><br></div><div>Alguns apontamentos devem ser evidenciados para que não haja dúvidas ou considerações apressadas, os aspectos da cultura política geram uma estrutura coletiva não apenas de valoração da realidade, mas, e principalmente, como elemento de dotação de sentido, sendo verdadeiros ou não, para as experiências e o comportamento dos membros da sociedade analisada. Tais elementos influenciam mutuamente as relações, não sendo necessariamente de causa e efeito e em diversas gradações de influência.</div><div><br>Nos apoiando em Neves (2010), tão somente nele, traremos ao debate os quatro elementos constitutivos da cultura política venezuelana. O primeiro deles é a baixa produtividade da sociedade “seja da atividade econômica privada em geral – indústria, agropecuária, serviços – seja da burocracia estatal” (idem, p. 14). Obviamente, isso não se refere a todos os setores da economia, um exemplo é a indústria petroleira, trata-se de uma média, de acordo com o autor. O segundo é sobre o espaço dos militares na vida política do país. Por mais que a Venezuela tenha sido considerada como um exemplo para os irmãos latinos de democracia até 1998. Ainda assim, estes 40 anos livres de ditadura foram os únicos governos que não foram protagonizados por militares, desde o período da independência.<br><br></div><blockquote>“Seja pela avaliação de Simón Bolívar de que a os militares encarnavam os melhores valores republicanos para erigir a nova nação que se formava – mesmo porque, ao final da guerra de Independência, o poder de fato estava nas mãos dos militares combatentes e não havia muitos civis ilustrados suficientemente para tomar as rédeas da nação e impor valores democráticos sobre os interesses dos líderes militares dominantes à época” (idem, p.15)</blockquote><div><br></div><div>Neste aspecto, poderíamos traçar um paralelo com o conceito de soldado-cidadão de José Murilo de Carvalho (1987), trazendo que uma subjugação dos militares e sua relação com a cidadania, gerou uma frustração “por ser militar, era um cidadão de segunda classe e que devia assumir a cidadania plena sem deixar de ser militar ou, nas formulações mais radicais, exatamente por ser um militar”. Sendo assim, inverteram o processo e apropriaram-se da cidadania como se fossem ainda mais importantes e necessários para a manutenção de um bem estar-social. Sentem-se poderosos o suficiente para eliminar qualquer tipo de contestação, qualquer tipo de crítica ao plano, rapidamente incorporado, de progresso.<br><br></div><div>O terceiro elemento diz respeito à veneração da figura de Simón Bolívar, o “libertador” é cultuada no país intensamente, um heróis nacional, um conglomerado de qualidades que todo cidadão digno almeja ter, ou melhor, deve ter: coragem, nacionalismo, bravura. O símbolo da união das Américas, “a combinação perfeita das virtudes de estadista e de cidadão” (idem, p. 15). Esse culto tornou-se claramente um elemento de legitimação de muitos discursos políticos, o que antes havia vindo da população, Chávez foi um desses que utilizou, em uma proporção gigantesca, como a República Bolivariana de Venezuela. <br><br>O quarto e último elemento trabalhado por Neves é a radicalização dos discursos políticos na Venezuela, que tem suas raízes na extrema desigualdade social e a relação entre civis e militares, ele afirma:<br><br></div><blockquote>Esse quadro, entretanto, pode ter raízes mais antigas, a começar do período de formação do Estado venezuelano e das guerras de independência. A consequência mais aparente dessa radicalização é o processo de luta pelo poder dentro do país: o diagnóstico é o de que os diversos grupos políticos têm projetos de país excludentes, que não apenas se contrapõem dentro das regras do jogo político, mas almejam o desaparecimento dos outros grupos ou, na melhor das hipóteses, não leva minimamente os interesses do grupo opositor em consideração na proposição dos projetos políticos. (idem, p. 16) </blockquote><div><br>Retomando a discussão sobre a validade de pontuarmos sobre cultura política, Motta (2018) esclarece que momentos de crise evocam um apelo aos clássicos, mesmo que não seja uma relação direta, quase que a emergência dos produtos nos leva a conhecer os produtores. Por isso, muitos estudos atuais discutem a formação da sociedade brasileira, seus pontos bases, o autor trabalha com a definição de cultura política sendo “conjunto de valores, tradições, práticas e representações políticas partilhadas por determinado grupo humano, que expressa/constrói identidade coletiva e fornece leituras comuns do passado, assim como fornece inspiração para projetos políticos direcionados ao futuro” (2018, p. 114). O autor cita alguns elementos que possuem notável incidência na política brasileira, são eles: patrimonialismo; cordialidade; paternalismo; autoritarismo; personalismo; clientelismo, pragmatismo e as mais interessantes entre elas, a conciliação e acomodação. <br><br></div><div>Expandiremos alguns destes elementos, o primeiro deles é o personalismo: trata-se da primazia dos laços pessoais em detrimento das relações impessoais. Os brasileiros tendem a privilegiar a fidelidade de laços parentescos, de amizade, de compadrio ou de proximidade (falsa ou não) à revelia de normas universais, concretizando uma baixa adesão a projetos políticos ou de instituições impessoais, identificam-se com pessoas e não com projetos políticos. Se pensarmos em comparação com a Venezuela, o cenário mais próximo é o de radicalização do debate político, em que os governantes tendem a destruir o legado de seu antecessor. Como o eleitor brasileiro vota em uma pessoa, não em seu plano de governo, é de fácil absorção que todo o espólio seja descartado. Em nossa atualidade podemos perceber isso com o atual presidente Jair Messias Bolsonaro que tenta de inúmeras formas apagar as conquistas petistas, por mais breves que elas sejam. <br><br></div><div>Uma outra característica que é central da cultura política brasileira é a acomodação, ou melhor, arranjos de acomodação. Muito citada entre obras estrangeiras que tem por objeto o Brasil e pelas próprias produções nacionais, refletir sobre isso faz com que percebamos um fator que já faz parte do senso comum. Nossa independência foi sem grandes conflitos e integração de Dom Pedro II, em sua ditadura Getúlio Vargas integrou aparelhos de esquerda e até mesmo legislações sociais, assim como em diversas outras ocasiões de grande relevância para a história do país. Nesse aspecto Motta (2018) traça a história da formação deste, ele afirma que diversos estudos desde o século XIX tratam o brasileiro como um indivíduo de índole pacífica, “ordeiro e pacífico”, a fim de despolitizar setores populares e os manterem excluídos do poder. Sendo assim, uma estratégia de natureza ideológica tornou-se cultura, tornou-se comum um afastamento do cenário político, uma aceitação ou uma não rebelião em relação à sua exclusão no processo. </div>]]></description>
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         <title>América Latina </title>
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         <title>Amados até o &quot;fim&quot;?</title>
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