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      <title>Meu padlet de Leitura by Prô Tati</title>
      <link>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30</link>
      <description>Criado com muito amor</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-06-23 20:19:15 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2026-02-18 02:34:04 UTC</lastBuildDate>
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         <title>SR. Google Pacheco</title>
         <author>tatianev</author>
         <link>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30/wish/637930665</link>
         <description><![CDATA[<div>Quando chegavam ao escritório pela manhã, o <strong>senhor Google Pacheco</strong> sempre estava lá. Sentado a sua mesa ou correndo de um lado para outro, mantinha-se no seu memorável ritmo agitado, produção beirando o frenesi.<br><br></div><div>Os funcionários o admiravam. Era sempre o primeiro a chegar e o último a sair (embora ninguém tenha testemunhado qualquer um destes acontecimentos).<br><br>– Acho que ele dorme no escritório – alguns arriscavam.<br><br></div><div>Outros já apelavam pro exagero:<br><br></div><div>– Dizem que ele nunca dorme.<br><br></div><div>Sr. Google Pacheco. O chefe do departamento de marketing. Baixo e gordinho. Feição inocente, quase boba. Chamava a atenção pelas roupas, sempre de cores vívidas, cintilantes. Geralmente, boné azul, camiseta vermelha, calças amarelas e tênis verde. Às vezes, invertia as cores, mas nunca as abandonava. Roupas estranhas para um homem de nome estranho.<br><br></div><div>Quando era novo na empresa, ainda apenas um singelo desconhecido, causava confusão com seu nome. Liam o crachá e diziam:<br><br></div><div>– Bom dia, sr. Gógle.<br><br></div><div>Ele corrigia, sempre sorridente e simpático.<br><br></div><div>– Não, não. Pronuncia-se Gúgou.<br><br></div><div>– Gúgou?<br><br></div><div>– É a centésima potência do número 10.<br><br></div><div><br></div><div>Até o nome carregava seu estigma de gênio absoluto.<br><br></div><div>O Sr. Google era uma enciclopédia ambulante. Parecia ser senhor de todo o conhecimento. Portador de solução para os mais variados problemas na ponta da língua. Para cada desafio proposto no dia a dia da empresa, vertia um turbilhão de soluções precisas e automáticas.<br><br></div><div>Com sua eficiência derramada a cada suspiro, de auxiliar no departamento de marketing chegou à chefia em poucos meses.  Com o passar dos dias e semanas, a experiência acumulando-se nas veias, parecia saber o que as pessoas queriam antes de terminarem de falar.<br><br></div><div>– Seu Google, o senhor sabe que horas…?<br><br></div><div>– … será a reunião do conselho?<br><br></div><div>– Isso. Isso mesmo.<br><br></div><div>– 16 horas.<br><br></div><div>Era um gênio. Disposição tamanha, não demorou muito e começaram a abordar assuntos mais pessoais.<br><br></div><div>– Sr. Google, preciso de sua ajuda. Como faço para con…<br><br></div><div>– Conquistar sua melhor amiga?<br><br></div><div>– Como o senhor sabe?<br><br></div><div>E derramava soluções. Como se não bastasse a prontidão, começou a oferecer várias opções.<br><br></div><div>– Sr. Google, chocolate dá…?<br><br></div><div>– Espinha? Celulite? Cólica no bebê?<br><br></div><div>– Éééé…<br><br></div><div>– Sono? Dor de cabeça? Azia?<br><br></div><div>– Eu…<br><br></div><div>– Enxaqueca? Energia? Gases?<br><br></div><div>– Isso – disse, ruborizada. – Gases.<br><br></div><div>– Ahá. Você está com sorte, menina!<br><br></div><div>Até o poderoso e inacessível dono da empresa, cuja agenda diária se resumia a constantes viagens de negócio pela Europa, começou a passar mais tempo no Brasil. E quase todos os dias, ia na empresa. Mas nem entrava em sua sala. Já ia direto para a sala do senhor Google. Os curiosos e fofoqueiros discutiam o teor das conversas atrás daquelas portas. Uns diziam que falavam apenas sobre bolsa de valores. Acontecimentos mundiais, tendências econômicas, essas coisas. Outros achavam que a conversa só passeava pela arena dos assuntos pessoais.<br><br></div><div>Independentemente do conteúdo destes encontros a portas fechadas, a empresa só crescia. E os funcionários eram unânimes em admitir: depois da chegada do Sr. Google, a vida de todos eles se tornou mais completa e intensa.<br><br></div><div>Certo dia, o Sr. Google não apareceu para trabalhar. A princípio, pairou uma tensão camuflada no ar. A medida que as horas foram passando, e o Sr. Google não aparecia, fez-se um clima de desespero. Começaram a ligar para o seu celular, mas dava como número inexistente. Alguém tem o telefone da casa dele? O resultado foi o mesmo: número inexistente. Onde ele morava mesmo? Ninguém sabia. O desespero instalou-se no prédio. Ninguém conseguia fazer nada. Ficavam andando de um lado para outro, perdidos. Nem a dona Gertrudes conseguiu fazer o café.<br><br></div><div>Durante dias, ninguém trabalhou. Dúvidas sobre o andamento da empresa – diziam que ações da empresa estavam tendo quedas vertiginosas. Os funcionários sentiam-se curvados ante o peso dos problemas pessoais que não conseguiam resolver sem a ajuda e os conselhos do Sr. Google.<br><br></div><div>Duas semanas depois, e metade deles não mais aparecia na empresa. Dois ou três mergulharam de cabeça no alcoolismo. Outro se jogou da ponte. E o poderoso dono da empresa, quem diria, foi flagrado diversas vezes em prantos, cambaleando pelos corredores fantasmagóricos e mal-iluminados da empresa que veio à falência, dias depois.<br><br></div><div>Quanto ao sr. Google, nunca mais foi visto. Dizem por aí que montou um site e ficou milionário.<br><br></div><div>Mas comprovar mesmo, ninguém nunca comprovou.<br>                   <a href="https://corrosiva.com.br/author/juliano-martinz/">JULIANO MARTINZ</a></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-23 20:29:32 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30/wish/637930665</guid>
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         <title>A viuvinha</title>
         <author>tatianev</author>
         <link>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30/wish/649537203</link>
         <description><![CDATA[<div>José de Alencar<br><br></div><div>[...]<br><br></div><div>— Diga-me do fundo da sua consciência; julga que um pai no desespero podia fazer mais por um filho do que eu fiz pelo senhor?<br><br></div><div>— Juro que não! disse Jorge estendendo a mão.<br><br></div><div>— Pois bem; agora é preciso que lhe diga tudo.<br><br></div><div>— Tudo? . . .<br><br></div><div>— Sim; ainda não conclui. Os seus desvarios de três anos arruinaram a sua fortuna.<br><br></div><div>— Eu o sei.<br><br></div><div>—As suas apólices voaram umas após outras e foram consumidas em jantares, prazeres e jogos.<br><br></div><div>— Resta-me, porém, a minha casa comercial.<br><br></div><div>— Restava-lhe, continuou o velho carregando sobre esta palavra, a sua casa comercial; mas três anos de má administração deviam naturalmente ter influído no estado dessa casa.<br><br></div><div>— Parece-me que não.<br><br></div><div>—Sou negociante, e sei o que é o comércio. Depois que o vi finalmente voltar à vida regrada quis ocupar-me de novo dos seus negócios; indaguei, informei-me, e ontem terminei o exame da sua escrituração, que obtive de seus caixeiros quase que por um abuso de confiança. O resultado tenho-o aqui.<br><br></div><div>O velho pousou a mão sobre a carteira.<br><br></div><div>— E então? perguntou Jorge com ansiedade.<br><br></div><div>O Sr. Almeida, fitando no moço um olhar severo, respondeu lentamente à sua pergunta inquieta:<br><br></div><div>— O senhor está pobre! [...]<br><br></div><div>ALENCAR. José de. A viuvinha. Tipografia do Correio Mercantil. Rio de Janeiro, 1860. p. 21 Disponível em: &lt;https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4658&gt;. Acesso em: 25 mar. 2018. (adaptado)<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-07 21:08:16 UTC</pubDate>
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         <title>Helena</title>
         <author>tatianev</author>
         <link>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30/wish/649539071</link>
         <description><![CDATA[<div>Machado de Assis<br><br></div><div>Capítulo II<br><br></div><div>No dia seguinte, foi aberto o testamento com todas as formalidades legais. O conselheiro nomeava testamenteiros Estácio, o Dr. Camargo e o Padre Melchior. As disposições gerais nada tinham que fosse notável: eram legados pios1 ou beneficentes, lembranças a amigos, dotes a afilhados, missas por sua alma e pela de seus parentes.  <br><br></div><div>Uma disposição havia, porém, verdadeiramente importante. O conselheiro declarava reconhecer uma filha natural, de nome Helena, havida com D. Ângela da Soledade. Esta menina estava sendo educada em um colégio de Botafogo. <br><br></div><div>Era declarada herdeira da parte que lhe tocasse de seus bens, e devia ir viver com a família, a quem o conselheiro instantemente pedia que a tratasse com desvelo2 e carinho, como se de seu matrimônio fosse. [...] <br><br></div><div>Ao espanto sucedeu em ambos outra e diferente impressão. D. Úrsula reprovou de todo o ato do conselheiro. Parecia-lhe que, a despeito dos impulsos naturais e licenças jurídicas, o reconhecimento de Helena era um ato de usurpação3 e um péssimo exemplo. A nova filha era, no seu entender, uma intrusa, sem nenhum direito ao amor dos parentes; quando muito, concordaria em que se lhe devia dar o quinhão4 da herança e deixá-la à porta. Recebê-la, porém, no seio da família e de seus castos afetos, legitimá-la aos olhos da sociedade, como ela estava aos da lei, não o entendia D. Úrsula, nem lhe parecia que alguém pudesse entendê-lo. A aspereza destes sentimentos tornou-se ainda maior quando lhe ocorreu a origem possível de Helena. Nada constava da mãe, além do nome; mas essa mulher quem era? em que atalho sombrio da vida a encontrara o conselheiro?<br><br></div><div>Helena seria filha de um encontro fortuito5, ou nasceria de algum afeto irregular embora, mas verdadeiro e único? A estas interrogações não podia responder D. Úrsula; bastava, porém, que lhe surgissem no espírito, para lançar nele o tédio e a irritação. D. Úrsula era eminentemente severa a respeito de costumes. A vida do conselheiro, marchetada6 de aventuras galantes, estava longe de ser uma página de catecismo; mas o ato final bem podia ser a reparação de leviandades amargas. [...]<br><br></div><div>Disponível em: &lt;http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&amp;co_obra=2091&gt;. Acesso em: 03 abr. 2018.<br><br></div><div> <br><br></div><div>1 Pio: caridoso<br><br></div><div>2 Desvelo: dedicação<br><br></div><div>3 Usurpação: possuir algo sem direito<br><br></div><div>4 Quinhão: parte que toca a cada um na repartição de uma herança<br><br></div><div>5 Fortuito: quando algo acontece casualmente<br><br></div><div>6 Marchetada: enfeitada<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-07 21:11:33 UTC</pubDate>
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         <title>O PRIMEIRO BEIJO</title>
         <author>tatianev</author>
         <link>https://padlet.com/tatianev/7a5fmtonkkbbmh30/wish/649541368</link>
         <description><![CDATA[<div>Clarice Lispector<br><br></div><div>Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.<br><br></div><div>- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:<br><br></div><div>- Sim, já beijei antes uma mulher.<br><br></div><div>- Quem era ela? Perguntou com dor.<br><br></div><div>Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.<br><br></div><div>O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.<br><br></div><div>[...]<br><br></div><div>A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.<br><br></div><div>E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes, mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.<br><br></div><div>[...]<br><br></div><div>LISPECTOR, Clarice. O primeiro beijo. Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Editora Rocco. 1971. Disponível em: &lt;https://www.pensador.com/frase/MjE4MTI1/&gt;. Acesso em: 10 abr. 2018.(adaptado).<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-07 21:15:41 UTC</pubDate>
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