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      <title>Clonagem do padlet Jogo - versão final para análise by Marina Ambrosio</title>
      <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu</link>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2025-10-02 23:32:48 UTC</lastBuildDate>
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         <title>Carta Contexto</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664781</link>
         <description><![CDATA[<div>Maria é uma mulher negra de 23 anos. Aos 7 anos passou a viver na rua após fugir de casa com a mãe para escapar das agressões sofridas por ambas por parte do então marido e pai de Maria. As duas sobreviviam&nbsp; do dinheiro que conseguiam através de trabalhos nas ruas, como a venda de balas, e mesmo pedindo dinheiro.&nbsp;</div><div>Quando Maria tinha 12 anos, sua mãe faleceu. Maria acabou sendo institucionalizada, vivendo até o fim dos 17 anos em um Serviço de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (SAICA). O período de acolhimento não foi fácil para Maria. Portadora de deficiência intelectual leve, tal elemento não foi identificado pelos técnicos de lá, que achavam que ela não tinha “vontade” de estudar. Maria cresceu no SAICA, assim, sem a possibilidade de uma nova família por ser considerada muito grande para ser adotada. Muitas vezes ela se tornava agressiva diante de tantas coisas que não compreendia ao seu redor. Ao sair do serviço, ela não havia sequer ingressado no ensino médio.&nbsp;</div><div>Os serviços de acolhimento para jovens adultos na condição de Maria são escassos. Ingressou em uma República mas não conseguiu se adaptar, afinal, precisava de ajuda para compreender muitas questões e não tinha condições de conseguir trabalhos que trouxessem independência sem apoio especializado. Maria acaba saindo do serviço e voltando a se encontrar em situação de rua, onde ela entendia melhor as coisas e lembrava dos tempos em que viveu, de certa forma feliz, com sua mãe.</div><div>Nas ruas conheceu André, um homem venezuelano, e logo passou a viver com ele em sua casa. A convivência tinha muitas brigas, e André não deixava Maria esquecer que, se não fosse por ele, ela estaria nas ruas. Agressões verbais eram frequentes, e Maria começou a usar algumas drogas, como forma de manter-se mais calma e não reagir quando André se colocava agressivo, especialmente quando bebia.&nbsp;</div><div>Com 20 anos Maria engravida de André e dá à luz a uma menina. A criança era desejada, mas aquele momento não foi como o esperado. Maria não possuía rede de apoio e não sabia como buscar ajuda. As visitas para o pré e pós natal nunca eram realizadas de uma maneira tranquila para Maria, que não compreendia bem as instruções que eram passadas, e não confiança nos profissionais que a atendiam, que, eram sempre diferentes a cada consulta. Os vocabulários técnicos eram todos estranhos para Maria. Depressão pós parto, disseram. E indicação para tratamento psicológico. Mas não havia vagas de atendimento pelo SUS em sua região e seria preciso esperar.</div><div>André, que já a agredia psicologicamente, passou a humilhar e agredir fisicamente Maria, por entender que ela não cuidava bem da criança. Um dia, após Maria não conseguir levantar para alimentar a criança, que chorava muito, André a expulsa de casa de modo tão truculento que Maria não consegue nem ao menos pegar seus pertences e documentos. De volta às ruas e agora sem sua filha, e com muito medo de André, Maria passa a viver nas ruas do centro da cidade sem saber formas de ter sua filha de volta. <br><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:&nbsp;</strong></div><ol><li><strong>Falar sobre a Maria ser atravessada por múltiplas questões e que isso é muito comum com a poprua.</strong></li><li><strong>Perguntar se alguém já teve algum caso semelhante.</strong></li></ol><div><br><br></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>O Início do Jogo</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664782</link>
         <description><![CDATA[<div>Você sempre via pessoas com coletes da prefeitura e não sabia exatamente do que se tratava. Com muita vergonha e medo por estar nas ruas novamente, não queria falar com muitas pessoas sobre sua história. Diferentes profissionais tentaram falar com você, mas você não se sente à vontade. Às vezes já se escondia ou ia embora quando via esse pessoal chegando. O que poderiam fazer por você? Sem família, expulsa de casa, sem documentos, sem sua filha. A vida tinha perdido o sentido. Só queria beber e esquecer da sua vida. Uma vez gritou com essas pessoas de coletes, disse que mataria quem chegasse perto dela de novo. E por muito tempo ninguém chegou mais perto. Queria ficar sozinha, e, de preferência, morrer o quanto antes.</div><div>Nas últimas vezes que esse pessoal tem aparecido onde você mora, você tem reparado que uma dessas profissionais te olha de longe e às vezes sorri. Às vezes sentia raiva disso. Muitas vezes xingava de longe. Mas um dia, você olha de volta, sem dizer nada. Estava tão cansada de sofrer. Depois disso, essa pessoa foi se aproximando e sorrindo mais de perto e algumas vezes até sentava ao seu lado por um tempo, sem falar nada. Era estranho estar ali, de novo, ao lado de alguém.&nbsp;</div><div>Em um desses dias em que essa mulher sentava ao seu lado, ela te perguntou se você gostava de cor de rosa. Você estava com uma pulseirinha cor de rosa, a única coisa que tinha consigo de sua filha. Nessa hora o coração disparou. Quanta coisa aquela pulseira cor de rosa significava.</div><div>Você sentiu naquela hora uma vontade enorme de conversar. Conversaram sobre&nbsp; muitas coisas. Você finalmente falou o nome de Sol em voz alta novamente, sua filha, de como gostava do cheirinho de bebê dela e que tinha cuidado para que todas as coisas dela fossem cor de rosa, como gostaria de ter tido na infância. Depois de conversarem, a pessoa disse que se chamava Mônica, e que trabalhava em um serviço ali na região. Se você quisesse, ela poderia tentar ajudar a encontrar uma vaga em um centro de acolhida, mas apenas se você quisesse conhecer o novo espaço, as regras. Vocês se despedem, e Mônica disse que gostou de estar com você e que voltaria para conversarem mais.&nbsp;</div><div>Maria não sabia o que queria. Buscar ajuda? Que ajuda? Alguém poderia levá-la para casa? Poderiam buscar Sol? Alguém poderia parar toda aquela dor e angústia que só a bebida era capaz de acalmar? Alguém a aceitaria tão bêbada assim, sem nenhum documento, nenhum papel que provasse nada do que dizia? Fazia tempo que Maria não trocava de roupas ou tomava banho. Alguém iria querer ajudá-la assim? Aquela conversa, a lembrança de sua filha parecia ter mudado algo nela aquele dia. Mas ela não sabia se seria capaz de buscar algo.</div><div><br></div><div><strong>Se você escolhe permanecer nas ruas, escolha a Carta 01</strong></div><div><strong>Se você escolhe buscar o serviço em que Mônica trabalha, para tentar uma vaga escolha a Carta 02</strong> <br><br><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:&nbsp;</strong></div><div><br></div><div><strong>Essa parte da história de Maria evidencia um momento delicado em que ela não tem uma rede de apoio. Daí entramos em duas contradições: a que está em situação de calçada coloca ela mais expostas a vulnerabilidades, principalmente por ser mulher, e também levando em consideração que remete também a vida em que esteve com sua mãe e o fato da rede de acolhimento em sua vida não foi hospitaleira a ela. &nbsp;</strong></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 01</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664783</link>
         <description><![CDATA[<div>Falar com a Mônica foi bom, é verdade. Mas a verdade é que mexer com tudo aquilo não te deixou nada bem. Você tinha se virado até ali sozinha. Por que precisaria da ajuda de alguém agora? Que a deixassem quieta... Que a tivessem ajudado quando ela mais precisava. Quando era jovem, quando morava no centro de acolhida... Você sabia muito bem como as pessoas eram cuidadas nesses lugares. O de adultos, você já tinha ouvido falar. Pulgas nas camas, roubam suas coisas. Não pode beber, não pode sair a noite. Te tiram tudo. É claro que não queria ficar lá.</div><div>Nas próximas vezes que Mônica apareceu, você finge que não a conhece, e não a deixava sentar ao seu lado. Ia se virar como sempre fez. E ia resolver a saudade de sua filha sozinha.</div><div>Você resolveu, então, tentar um diálogo com André. Queria ver Sol, você devia ter algum direito sobre a casa que viveram, ao menos pegar suas roupas. Ela foi andando até a casa onde morava, dormiu em diferentes pontos da cidade até chegar lá. Não se lembrava de como uma ponta à outra da cidade era tão longe, mas foi possível. Quando apareceu na frente de sua casa, chamou por André. Quem abriu a janela foi uma mulher. André sai pela porta, se exalta, aparenta estar alcoolizado e ameaça matá-la caso você volte a procurá-lo. Você não conseguiu sequer ver Sol. Ela estaria lá na casa?</div><div>Maria se vê novamente sem saídas.</div><div><strong>Se você acha que Maria deve permanecer nas ruas, pegue a carta 3 [FINAL]</strong></div><div><strong>Se você acha que Maria deve buscar o serviço em que Mônica trabalha, para tentar uma vaga em um Centro de Acolhida, escolha a carta 02</strong> <em>[se já tentou essa opção, sua única opção neste momento é ficar nas ruas]<br><br></em><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:&nbsp;</strong></div><div><strong>Aqui acho legal pontuar o quanto às vezes falar sobre situações íntimas é algo delicado.&nbsp; Que precisa de um certo tato e que, mesmo que você aja da forma mais delicada possível, no seu fazer profissional você representa uma instituição. Por isso, cada atendimento pode gerar esperança e uma não correspondência dessa esperança pode marcar essa pessoa, trazendo insegurança na rede de atendimento.&nbsp;</strong></div><div><br><br></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 02</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664784</link>
         <description><![CDATA[<div>Você comparece ao Núcleo de Convivência para Adultos em Situação de Rua , após a indicação de algumas pessoas da rua sobre onde era o espaço. É ali que Mônica trabalha. Mônica fica feliz em vê-la e pergunta como pode te ajudar, se você tem fome, se quer tomar um banho. Você estranha tudo à sua volta. As pessoas, o lugar. Você aceita tomar um banho e comer, e passam a conversar um pouco mais sobre sua vida.</div><div>Você conta para Mônica sobre Sol e André com mais detalhes, sobre como gostaria de ver sua filha e sobre como beber tem sido a única coisa que te acalma nesses meses de sofrimento. Mônica te fala aquilo que de alguma forma você já sabia: não será fácil recuperar Sol e sua vida, mas sem dúvidas será mais difícil se continuar bebendo o quanto você está bebendo. Mônica, no entanto, não falar para você parar. Ela te fala sobre substituir a bebida aos poucos, buscar lembrar mais das coisas que te faziam feliz. De todo modo, isso é algo para depois. Mônica começa a tentar organizar com você os próximos passos. A vaga que ela tem a te oferecer hoje é uma vaga de pernoite, apenas. Vocês precisarão tentar uma vaga fixa, o que não é fácil em São Paulo e, ainda, não há filas transparentes para você saber quanto tempo isso vai demorar. Você precisará de documentos novos e até mesmo procurar a Defensoria Pública, para tentar estar com sua filha. Tudo isso parece muita coisa, e você tem medo de desistir. Parece que isso aconteceu com outras mulheres. Será que você terá a mesma força que elas para seguir em frente?</div><div><br></div><div><strong>Se você decidir por voltar às ruas, pegue a carta 03.</strong></div><div><strong>Se você decidir pernoitar num centro de acolhida e buscar ajuda para obter seus documentos e rever sua filha, pegue a carta 04<br><br>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:</strong></div><div><br></div><ol><li><strong>Entrevista assistente social: Em casos como esse percebemos que Mônica fez uma análise sobre as questões de saúde mental e de abuso de alcool como parte do topo. Essa iniciativa é uma forma de olhar para a poprua sem distinguir as demandas sociais das de saúde mental, pois não há uma separação do corpo e da mente.&nbsp;</strong></li><li><strong>A pop rua muitas vezes tem dificuldades em atendimentos, por conta da forma que ela é vista socialmente. Então a aproximação de Mônica foi a chave para Maria.</strong></li></ol><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 3</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
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         <description><![CDATA[<div>Você se sentia desiludida, já não sabia mais o que fazer. A vontade de ver sua filha era enorme, ela até estava há alguns dias sem beber. Queria suas coisas, sua filha, sua vida de volta. Mas ficar em um lugar fechada, com muitas pessoas estranhas não fazia nenhum sentido. E quando poderia ver sua filha de novo? Ninguém te dava respostas sobre isso. Ninguém sabia como ajudar.</div><div>&nbsp; Você começou, então a dormir nas redondezas da casa onde morava, e percebeu que a mulher que estava na casa ia para cuidar da criança quando André saía para trabalhar. Após alguns dias observando, Maria aprendeu a rotina nova da casa, os cuidados com Sol. Um dia, quando a cuidadora saiu para fumar na frente da casa, deixando Sol sozinha, você percebe que essa seria a sua deixa. No próximo intervalo em que ela deixa a bebê sozinha para fumar, você pula pela parte baixa que conhece do muro e sequestra sua própria filha. Por sorte, alguém apareceu no portão e ninguém ainda percebeu nada. A bebê está com você novamente e nada pode ser melhor que isso.&nbsp;</div><div>Sem ter para onde ir, você anda muito, nem sabe dizer o quanto andou. Está exausta. Dorme embaixo de um viaduto com sua filha, mas tudo está bem novamente. Ela está com você, você conseguiu pegar algumas poucas coisas dela e tudo parece que vai ficar bem. Um dia, no entanto, você é acordada por uma luz muito forte no rosto. É um policial. Ao lado dele está André, gritando pela Sol, que começa a tentar arrancá-la de seus braços. Você se desespera. Talvez, enfim, sua vida tenha acabado.</div><div><br></div><div><strong>A história de Maria chegou ao final.<br><br></strong>&nbsp;<strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:&nbsp;</strong></div><ol><li><strong>A pop rua muitas vezes tem dificuldades em atendimentos, por conta da forma que ela é vista socialmente. Olhando para Maria a gente percebe que há questões interseccionais, pois ela é negra, com trajetória de rua, sem escolarização. A desconfiança dela das instituições é algo real, pois na luta pela sua filha é muito mais provável que o juiz decida pelo outro lado. A história de Maria que jogamos foi curta, pois a desconfiança que ela tem da rede foi maior do que a esperança de dias melhores. E é esse ponto que ficamos hoje, o quanto nos atendimento nós representamos as instituições, então um atendimento acolhedor pode mudar a história de outras Marias.&nbsp;</strong></li></ol><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 4</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
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         <description><![CDATA[<div>Você resolve pernoitar no abrigo. Foi sua primeira noite sem beber desde muito tempo, e você tem calafrios, muita ansiedade, e no final acaba dormindo vencida pela exaustão. Na manhã seguinte você está mal, muito cansada, como se não tivesse dormido em uma cama e sob um teto. A vaga de pernoite demanda que você acorde bem cedo para o café, leve todas as suas coisas consigo e volte para a fila por volta das 16:00, para tentar, novamente, uma vaga de pernoite.</div><div>	Mônica vê como você está pela manhã e te dá um encaminhamento para o CAPS AD, local onde você deve buscar um tratamento e até mesmo medicação para tentar tratar sua abstinência de álcool. Você, no entanto, entende que aquilo que te é mais urgente é buscar ajuda para se reconectar com sua filha. Mônica te indica que o ideal é você começar pelo CAPS e por seus documentos, mas te dá o endereço da Defensoria Pública mais próxima, afinal, você tem o direito de saber onde pode ir.&nbsp;</div><div><br></div><div><strong>Se você decidir por buscar atendimento no CAPS AD, pegue a Carta 05</strong></div><div><strong>Se você decidir por buscar a Defensoria Pública, pegue a Carta 06</strong>&nbsp;<br><br><strong>&nbsp;INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:</strong></div><div><strong>Pensar a poprua é entender que há um atravessamento de múltiplas demandas, dessa forma, a opção dessa carta é ter que delimitar qual questão se trabalhá primeiro.&nbsp;</strong></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 05</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664787</link>
         <description><![CDATA[<div>Você nem acredita na sorte que teve. Mônica conseguiu para você um atendimento quase que imediato no CAPS. Você vai andando até lá e após se perde um pouco encontra o serviço. Seu atendimento de triagem foi rápido, talvez rápido demais. Lá te contam que você poderá frequentar aos encontros para pessoas na mesma situação que você. Você passa por um psiquiatra e precisará voltar todas as semanas para o tratamento. As informações passadas são rápidas e você está confusa com todas aquelas informações. Entre um atendimento e outro perde seus papeis de encaminhamento, e uma ansiedade enorme começa a tomar conta de você. Uma das profissionais do espaço começa a falar muito alto e lentamente com você, como se fosse surda. Depois você percebe que ela está comentando com um colega que acha que você veio “chapada” ao atendimento. Mas você não usou nada hoje. Você só se sente fraca e confusa.&nbsp; Para que você deveria tomar todos esses remédios? Onde está Mônica? Por que ninguém te explica nada direito? Por que as pessoas te olham assim?</div><div>	Você fica nervosa e sai pela porta deixando seus papeis, seus encaminhamentos e todo o resto lá no CAPS mesmo. Você se perde na volta e dorme na rua, não consegue encontrar o abrigo, está desorientada, não sabe que horas são e se já perdeu a vaga na pernoite hoje.&nbsp;</div><div><br></div><div><strong>Para prosseguir pegue a Carta 07<br><br>POSSÍVEIS INTERVENÇÕES:</strong></div><ul><li><strong>Acho que a intervenção que podemos usar para esse atendimento é a fala de Alderon "Pra escutar melhor, precisa do mínimo de um olhar de onde a pessoa está. Se não, o que está por trás do que é ouvido na escuta não vai ser ouvido. Você pode até anotar, mas não vai entender igual.&nbsp;</strong></li><li><strong>Acho que podemos acrescentar o fato dela não saber o que é o CAPS exatamente e ninguém fazer essa acolhida além da Mônica.</strong></li></ul><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Carta 06</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664788</link>
         <description><![CDATA[<div>Você decide ir até a Defensoria Pública, afinal, você não vai conseguir resolver tudo, e o caminho que Mônica te apresentou parece longo demais até rever sua filha. Documentos, ficar sóbria, para então ir até a Defensoria parecia muita coisa difícil de alcançar em pouco tempo. Sua filha estava crescendo longe de você, e o André era um bom pai por enquanto. Mas e quando ela crescesse? A trataria como tratava você? Fora isso, o lugar da criança é com sua mãe.</div><div>	O prédio da Defensoria era muito longe, e você se desloca pela cidade com um ticket de metrô de ida e volta que Mônica conseguiu para você. Ela disse que com tempo o ideal seria alguém te acompanhar ao atendimento, mas não havia ninguém disponível e você também não queria esperar.&nbsp;</div><div>	Ao entrar, o segurança logo te pergunta se você fez o agendamento pelo celular. Que celular? Você não sabia do que ele estava falando. Ele te explica sobre o agendamento e você fala que o seu atendimento era urgente, que precisava ser atendida. Até as coisas se esclarecerem, que você poderia ser atendida imediatamente, demoram uns 10 minutos, e você já está desgastada com a situação toda. Mas mesmo assim, aguarda ser chamada para atendimento.</div><div>	Quando chega a sua vez você já está cansada e com um pouco de fome. Quando a pessoa que te atendeu perguntou o que você precisava, você começa a chorar. Não sabe por onde começar. Viveu a vida toda em abrigo, foi expulsa de casa, estava na rua, tem bebido tanto. Está com saudades da Sol, precisa vê-la o quanto antes. Quem te atende pergunta será caso de violência doméstica, de destituição do poder familiar, de reconhecimento de união estável cumulada com separação. O que será que eram todas aquelas coisas? Você não entende nada e não conseguia para de chorar.&nbsp;</div><div>Quem te atende chama uma outra pessoa que vem conversar com você, que fala muito difícil. Agora são duas pessoas falando com você, e você entende cada vez menos as coisas. Ele fala muitas coisas, mas a única que você entende é que sem documentação nenhuma não seria possível ingressar com nenhuma demanda na Defensoria ou no Judiciário, que isso precisaria ser resolvido antes de qualquer coisa. Você começa a ficar nervosa e quando vê está gritando com ele, falando que ele não quer te ajudar a ficar com sua filha. O homem que agora está tem atendendo fala que como não há nenhum psicólogo disponível para falar com você agora, o melhor é você ir embora e se acalmar, e voltar outro dia, antes que ele se recuse a te atender em uma próxima vez.</div><div>Quando você olha para o lado, o segurança que havia permitido a sua entrada está te acompanhando para a saída do prédio. Você grita muita do lado de fora está muito nervosa. Xinga todo mundo, já perdeu o controle de si.</div><div>Você sai pela porta deixando seus papeis, seus encaminhamentos lá mesmo. Você se perde na volta e dorme na rua, não consegue encontrar o abrigo, está desorientada, não sabe que horas são e se já perdeu a vaga na pernoite hoje.</div><div><br></div><div><strong>Para prosseguir pegue a carta 07</strong></div><div><br><strong>POSSÍVEIS INTERVENÇÕES:</strong></div><ul><li><strong>Acho que nessa parte podemos explorar as desconfianças que a poprua tem dos serviços.."</strong></li><li><strong>Sugestão de intervenção- aqui tem duas barreiras explícitas que é a linguagem jurídica e também as múltiplas demandas que a defensora exige. É preciso uma escuta atenta e empatia. Que tente entender a realidade do indivíduo e ouvir as demandas possíveis.&nbsp;</strong></li><li><strong>Perguntar aos defensores se já se depararam com casos de múltiplas demandas na poprua e como lidam com elas? E também perguntar se a questão da linguagem jurídica também foi um incômodo para eles</strong></li></ul><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 07    </title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664789</link>
         <description><![CDATA[<h1><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong></h1><div>	Você acorda na rua sem saber o que fazer. Parece que voltou à estaca zero. O atendimento que você tentou não trouxe os resultados que você esperava. Caberia à você reclamar para alguém? Alguém acreditaria que aquilo que você viveu era algum tipo de violação aos seus direitos? Talvez não…</div><div>	Você começa a rever seus últimos passos e lembra dos motivos que te levaram a buscar o centro de acolhida, Mônica, o CAPS, a Defensoria. Rever sua filha, reorganizar sua vida, ter um lar novamente. Se tivesse ficado quieta na rua não teria sido humilhada novamente. Isso estava fazendo sentido?</div><div>	Você se pergunta tudo isso e volta a caminhar no sentido do centro de acolhida, parece que esse é o melhor jeito de resolver as coisas agora. Buscar a sua vaga novamente, continuar dali de onde parou. Chegando lá, depois de um dia inteiro caminhando, e com fome, Mônica não está. Quem te atende é um homem que você já tinha visto por lá outras vezes. Ele pergunta por que você não tinha aparecido na noite anterior, se tinha o compromisso de comparecer para aquela vaga de pernoite. Você explica que não sabe o que aconteceu, que saiu do atendimento muito abalada, que se perdeu, ficou confusa e acabou dormindo na rua. Ele te responde de um jeito estranho, fala que “isso que dá usar tanta droga”, e que da próxima vez, não vai ter vaga para você.</div><div>Você acha muito estranho ele falar daquele jeito com você, mas parece que já está se acostumando. Você abaixa sua cabeça, pega suas poucas coisas e vai para o refeitório, banho e cama. Muitas mulheres, muito barulho, algumas brigas. Esse é o cotidiano deste espaço, e amanhã será um novo dia para se organizar e lutar por sua filha.&nbsp; &nbsp;</div><div>	 Você adormece com seu ânimo renovado e decide ir fazer seus documentos no Poupatempo no dia seguinte.</div><div><br></div><div><strong>Para prosseguir, pegue a Carta 08</strong></div><div><br><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS&nbsp;</strong></div><div><br></div><ul><li>Trazer a questão de que a poprua é estereotipada, pois não se compreende o estar na rua como fruto das expressões da questão social, mas sim como uma falha das normas sociais. Então automaticamente são postos como criminosos, usuários de drogas e etc.&nbsp;</li></ul><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 08</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664790</link>
         <description><![CDATA[<div>Na manhã seguinte, você consegue um horário para falar com Mônica, que estava no serviço de acolhimento. Ela te explica como fazer para ir ao Poupatempo e tirar uma segunda via dos seus documentos, já que todos ficaram na sua casa, com seu ex-marido. Ela confirma o que a Defensoria afirmou sobre os documentos, que eram necessários ao pedido, e pergunta se lá não te deram nenhum encaminhamento escrito, explicando o motivo pelo qual você precisava dos documentos ou, ainda, um ofício para você levar ao Poupatempo para tirar seus novos documentos. Você responde que não te deram nada disso, e você vê no rosto dela uma certa decepção. Ela faz um pequeno papel escrito que você era atendida por aquele serviço, e explicando detalhadamente o que você precisava e quais documentos. Ela te pergunta se você tem antecedentes criminais ou algo assim, pois já conhece casos de pessoas que passaram por situações péssimas nesses locais em razão disso. Você explica que não possui antecedentes.</div><div>Mônica te dá o documento e você o leva ao Poupatempo. O atendimento transcorre de maneira tranquila, você chega, entra na fila e apenas entrega o papel para o atendente. Pelo visto, Mônica escreveu ali quase tudo que ele precisava saber. Não era simpático, mas as perguntas foram poucas e rápidas. Em algumas horas você saiu com sua segunda via dos documentos em mãos, e tudo parecia estar caminhando para algo melhor e mais tranquilo do que sua vida estava sendo nos últimos meses.</div><div>Você retorna ao centro de acolhida o quanto antes, para garantir a sua vaga. Chegando no espaço você vê algo que te revolta. Aquele atendente que fora tão mal educado contigo estava no quarto feminino, e parecia estar mexendo nas coisas de outras mulheres que estavam acolhidas lá.&nbsp;<br><br>Na hora você grita assustada pois não imaginou que alguém estaria lá, ainda mais um homem, no quarto. Ele olha para você enfurecido com seu grito, e logo chegam outras pessoas no quarto para ver o que estava acontecendo e o vêem ali, onde, afinal, ele não deveria estar.&nbsp;</div><div><br>Na manhã seguinte a gerente do serviço veio conversar e te perguntou o que tinha acontecido naquele momento. Você fica em dúvida. Se falar que havia visto aquele funcionário mexendo nas coisas de outra acolhida, poderá ficar em uma situação complicada. Por outro lado, o funcionário já estava te olhando com cara de quem parecia querer se vingar a qualquer momento desde o ocorrido na noite anterior, e você temia por sua segurança.</div><div><br></div><div><strong>Se você optar por falar que nada aconteceu, pegue a carta 09</strong></div><div><strong>Se você optar por fazer uma denúncia do comportamento do funcionário, pegue a carta 10</strong>&nbsp;</div><div><br><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS</strong></div><ul><li>Visualizar quais são as escolhas das pessoas e, caso votem em não denunciar, perguntar se alguém quer justificar. Sondar se há uma insegurança nas instituições.</li><li>Pontuar que é uma escolha difícil, pois a poprua enquanto grupo é deslegitimada o tempo todo, então firmar uma denúncia pode acabar sendo forma de impedir um direito</li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 09</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664791</link>
         <description><![CDATA[<div>Você pensa rápido. É melhor dizer que nada aconteceu, afinal, no que isso poderia te ajudar? Te atrapalhar, no entanto, poderia muito. Você sabe o que acontece quando alguém denuncia alguma coisa nesses espaços: é perseguida, expulsa… vai saber. O melhor é&nbsp; falar que nada aconteceu e seguir…</div><div>Na sequência você se direciona ao CAPS AD para novamente, buscar um atendimento. desta vez, você chega lá e por coincidência é um dia de atendimento exclusivo para mulheres. Que diferença isso fez. Você se sente mais à vontade ao estar junto a mulheres, você se identifica mais fácil e consegue ouvir muitas histórias que parecem muito com a sua. Você sente que na próxima vez vai conseguir se soltar mais. Você sai com o encaminhamento para algumas medicações para ansiedade e abstinência. Você não entende muito bem para que servem cada um daqueles remédio mas vai tomar&nbsp; e ver onde vai dar. O próximo passo já sabia. No dia seguinte iria para a Defensoria.</div><div><br></div><div><strong>Para prosseguir, pegue a carta 13</strong></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 10</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664792</link>
         <description><![CDATA[<div>Tudo parecia muito estranho. A gerente te chamar para explicar o que ele estava fazendo no quarto. O que você tinha a ver com isso? A verdade é que também era um absurdo ele ali no quarto, mexendo nas coisas dos outros. O que ele queria? Fora isso, você se sentiu exposta, um homem sozinho no quarto, você entrou e se assustou.</div><div>De maneira detalhada você explica o que aconteceu. Que entrou no quarto, que viu que ele mexia nas coisas de alguém. De quem era a mochila ou o que ele buscava, você não sabia. Só sabia que ele fez uma cara de bravo quando você gritou assustada e desde então te olha com uma cara esquisitíssima, muito ameaçadora.&nbsp;</div><div>Na sequência você se direciona ao CAPS AD para novamente, buscar um atendimento. desta vez, você chega lá e por coincidência é um dia de atendimento exclusivo para mulheres. Que diferença isso fez. Você se sente mais à vontade ao estar junto a mulheres, você se identifica mais fácil e consegue ouvir muitas histórias que parecem muito com a sua. Você sente que na próxima vez vai conseguir se soltar mais. Você sai com o encaminhamento para algumas medicações para ansiedade e abstinência. Você não entende muito bem para que servem cada um daqueles remédio mas vai tomar&nbsp; e ver onde vai dar. O próximo passo já sabe, no dia seguinte, iria para a Defensoria.</div><div><br></div><div><strong>Para prosseguir, pegue a carta 11</strong></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 11</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664793</link>
         <description><![CDATA[<div>Chegando no centro pop, você entra com as suas coisas. Você não tem uma vaga de pernoite fixa, então precisa ficar na fila, arranjar uma vaga. Pulga, muquirana, tudo tem nesse lugar. É meio estranho ser tratada como bicho desse jeito. Na entrada você cruza com aquele funcionário que te olha com um sorriso estranho. Você janta, toma banho, guarda suas coisas. Quando está quase para deitar quando, então, dois funcionários entram no quarto feminino e falam que houve uma denúncia de entrada de drogas e bebida no centro de acolhida. Começam a mexer de leve nas coisas das outras mulheres e de repente vêm em sua direção. Mas você não tinha nada disso, estava tranquila. Um deles vem por trás de onde você estava deitada e diz “mas o que é isso aqui hein”?. Ele tira uma garrafa de cachaça e um pacote que parecia ser maconha debaixo de onde você tinha colocado suas coisas para deitar. Você começa a gritar, aquilo não é seu! Que injustiça. Você o empurra para longe e começa a gritar, falar que aquilo era uma covardia, você tinha acabado de chagar do banho, não era seu, você nem estava bebendo por esses dias. No que você o empurra ele segura o seu braço, você coloca a unha no braço dele. Ninguém poderia te segurar assim, não depois de tudo que passou. A confusão se instaura, de repente então todos os agentes do espaço no seu quarto. Você está expulsa. Se ficar aqui mais um minuto vamos chamar a polícia.</div><div>Você não acredita no que está acontecendo. Você vai ser expulsa? No meio da noite? Dormir na rua? Mas você não fez nada! O único agente que não estava ali pra ver o que estava acontecendo era justo aquele que você tinha denunciado. Safado.Devia ter montado toda a cena. Você, incriminada por algo que não fez, estava expulsa do centro e acolhida no meio da noite. Você sai vagando pelas ruas e resolve dormir no primeiro canto mais protegido&nbsp; vê. A vontade de beber é grande. Você tem medo de tomar os remédios que te deram no CAPS e apagar ali. Sabe lá o que poderiam fazer contigo. Fora isso, não sabia se poderia acabar perdendo a hora. No final, você acaba dormindo.&nbsp;</div><div>Logo que o sol nasce você se dá conta que está na sarjeta novamente. Tudo repassa como um filme na sua cabeça. Mais uma violência. Uma arbitrariedade. Mesmo com seus documentos, tratamento iniciado, talvez você não tenha forças para seguir.</div><div><br></div><div><strong>Se você optar por ficar na rua, pegue a carta 12</strong></div><div><strong>Se você optar por ir para a Defensoria, pegue a carta 14&nbsp;</strong></div><div><br>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:&nbsp;</div><div>Aqui podemos conectar com nossa atuação como clínica no comitê poprua sobre como catalogamos os desligamentos e são inúmeras as denúncias de desligamentos injustos nos centros de acolhida. Também citar as visitas aos centros de acolhida. Perguntar aos defensores se tem notado situações semelhantes a essa.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Carta 12</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664794</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Você se resigna. A verdade é que nada disso era pra você mesmo. Sozinha no mundo, sua alegria é estar hoje junto da sua bebida. Não tem chances de ver sua filha, não tem paz nem onde finalmente aceita buscar ajuda. Te tratam como lixo, você se comporta como a sociedade espera: digna, denuncia coisas erradas, e é só porrada que você leva. Chega. Você volta para o local onde estava dormindo nas últimas semanas, se alguém te falar que ir para centro de acolhida é bom, você vai dar uma na cara.&nbsp;</div><div>Você volta pro seu canto e para a sua rotina. Pedir o mínimo para seguir bebendo, e aguentar a vida e essas frustrações todas.</div><div><strong>A história de Maria chegou ao final.<br><br>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS:</strong></div><ul><li>Trazer o quanto a insegurança nas instituições, não vem do nada. Trazer as denúncias que chegaram para a Clínica no ano passado em que ocorreram desligamentos ilegítimos em meio a pandemia.&nbsp;</li><li>&nbsp;Falar sobre o quanto a única pessoa que fez uma escuta atenta e buscou não só entender Maria, mas também se fazer ser entendida foi Mônica. Colocar que os demais atendimentos se construíram sem que se buscasse entender se de fato Mônica está entendendo as informações.</li><li>Perguntar se alguém quer falar algo sobre a trajetória de Maria.&nbsp;</li><li>Finalizar trazendo que a escuta qualificada é uma ferramenta de afirmação de direitos, mas que esses atendimentos só mudariam a relação de Maria com as instituições, contudo a questão dela é afetada pela estrutura social. Machismo na relação, falta de políticas públicas de moradia, racismo institucional e etc.&nbsp;</li></ul><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 13</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664795</link>
         <description><![CDATA[<div>Você voltou para a Defensoria. Aquele segurança que te expulsou daquela vez está lá, e você finge que não o conhece. Vai dar de louca mesmo, fazer o quê. Se ficar sendo boazinha o povo pisa mesmo, você sabe. Você chega lá no atendimento e dessa vez tem tudo que precisa: documentos, receita do CAPS AD que está em tratamento. Você traz também um papel da Mônica, que fala que você está acolhida.</div><div>Quem te atende é outra pessoa,uma moça loira bem alta. Ela te pergunta o que você precisa da DPE. Você fala o que quer: ter sua filha, ter sua casa de volta. Simples assim. Pega toda aquela papelada que você trouxe e coloca na mesa dela. Ela começa a mexer em cada um deles com uma cara de nojo, é verdade. Ela abre cada um deles - afinal, você tinha dobrado eles bem pequenininhos para caber no seu bolso e você não perder de jeito nenhum - e alguns estão um pouco úmidos. Mas tudo bem. Ela pede para tirar cópias de tudo, e te explica o que pode ser feito. A Defensoria iria abrir um procedimento para conseguir visitar sua filha, conseguir a guarda seria difícil, afinal, você está em situação de rua. Mas e a casa? Bom, você não tem papel nenhum e também não sabe dizer quanto tempo ficou com André. A casa é alugada. Poderiam pedir uma pensão para ele. Ele não tem carteira assinada. Como provariam o quanto ele recebe e o quanto ele poderia ajudar?&nbsp;</div><div>Bom, a verdade é que ela veio até aqui e as esperanças para rever sua filha Sol estavam desaparecendo no horizonte. Você não lembra de tudo. Escuta muitas frases distantes, vai ficando confusa, respondendo aquilo que consegue. A ação para a guarda demora - você precisa de comprovante de residência - não tem né, tá no abrigo - precisaria ser encaminhada para um programa de moradia do município - quem faz isso é a secretaria, precisa cadastro - não, não é aqui que faz - precisa arranjar emprego também - mas quem vai empregar alguém na rua, mãe de criança pequena? - não sei, precisa ver, não é aqui dona - ele te agredia? - Mas agredia muito? Mas você nunca fez BO? - mas tinha alguma testemunha? Não né.. Aí fica difícil… De repente não agredia tanto assim né.&nbsp;</div><div>Você começa chorar. Você se dá conta que era melhor ter baixado a cabeça mais um pouco, ter tentado mais com André. Sua vida acabou no dia que ele te agrediu e expulsou de casa. Deve ter falado pra sua filha que você morreu. Sabe que você não tem ninguém no mundo para olhar por você. A moça que está te atendendo chama outro de gravata, que chama outra pessoa que te leva para uma outra sala para você se acalmar. Ele fala que você tem muitas demandas não jurídicas, mas que a jurídica, das visitas para a sua filha, eles iriam começar a tentar algo. Não te davam certeza nenhuma. Mas e todas as outras coisas? Bom, essas não poderiam ser resolvidas aqui e cada uma delas precisava de um encaminhamento próprio, ir a um lugar próprio da prefeitura.&nbsp;</div><div>Você sai de lá com um papel na mão, falando para você voltar daqui dois meses. Afinal, você não tem celular, não tem residência fixa, e esse era mais ou menos o tempo que demorava para começar a fazer a ação e de repente ter alguma ideia de data de algo. Você sai triste e desiludida. Eles iam te ajudar, mas aquilo tudo parecia muito pouco, e muito distante. Uma frase do atendimento ficou na sua cabeça “de repente ele não te agredia tanto… já que você nunca fez BO”. Talvez fosse isso mesmo.&nbsp;</div><div>Você já tinha ouvido de algumas colegas de quarto que afinal, o que ela tinha passado não era tão grave assim, que devia correr atrás dele. E essa ideia volta à sua cabeça…</div><div><br></div><div><strong>Se você optar por tentar buscar André, pegue a carta 15</strong> &nbsp;</div><div><strong>Se você optar por retornar ao centro de acolhida, pegue a carta 16</strong></div><div><strong>INTERVENÇÕES POSSÍVEIS&nbsp;</strong></div><ul><li>Perguntar sobre as violências contra a mulher e o fato da negação de que Maria sofria agressões foi uma faísca para que ela pensasse em voltar para André.&nbsp;</li></ul><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 15</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664796</link>
         <description><![CDATA[<div><br></div><div>Você resolve voltar para André. É isso. Era o melhor jeito de conseguir ver a Sol novamente. Ninguém te dava uma saída melhor. Era melhor aguentá-lo enquanto ela ainda era pequena, e depois daria um jeito. Como é que ia arranjar casa, trabalho, se cuidar. Quem iria contratá-la? Ia acabar naquelas vagas que você faz faxina 20 horas por dia, chega morta, e o salário não paga nem a condução. Nunca iria conseguir pagar aluguel assim. Você reúne suas forças e vai até a casa onde moravam. Você bate na porta, não sabe se está com medo, se está feliz por ver a Sol. Você não sabe o que pode te acontecer. André abre a porta. Ele te recebe como se nada tivesse acontecido alguns meses antes. É verdade que você está bem, sóbria. Talvez ele note isso. Você vê a Sol e sua vida fica plena novamente. Você não vai abrir mão disso, você vai conseguir dessa vez.&nbsp;</div><div>	Depois que a pequena dorme, você pergunta para André se vocês podem tentar de novo, e ele diz que sim. Que se ela estivesse mudada, ele a aceitaria. Mas precisaria reconhecer que não estava cuidando direito da Sol, que não estava sendo uma boa esposa. Você diz que era tudo verdade, você chora muito,mas talvez não por isso. Ele te trata de maneira carinhosa.</div><div>	Você iria dormir de novo na sua casa, isso parecia até um sonho. André começa a beber, te oferece uma cerveja, você não aceita. Ele toma muitas. No final da noite já está te perguntando para quantos caras você teria “dado” nesse tempo desaparecida, que ele era muito bom de te aceitar de volta. Que deveriam dizer na rua que ela tinha tido um surto, que estava em uma casa de gente louca todo este tempo. Você concorda. Ao menos ele não estava te batendo. Amanhã seria outro dia, e um dia muito melhor sob um teto, e junto de sua filha.</div><div><strong>A história de Maria Chegou ao Final<br>&nbsp;<br>INTERVENÇÕES POSSIVEIS</strong></div><ul><li>Trazer o quanto a insegurança nas instituições, não vem do nada. Trazer as denúncias que chegaram para a Clínica no ano passado.&nbsp;</li><li>&nbsp;Falar sobre o quanto a única pessoa que fez uma escuta atenta e buscou não só entender Maria, mas também se fazer ser entendida foi Mônica. Colocar que os demais atendimentos se construíram sem que se buscasse entender se de fato Mônica está entendendo as informações.</li><li>Perguntar se alguém quer falar algo sobre a trajetória de Maria.&nbsp;</li><li>Finalizar trazendo que a escuta qualificada é uma ferramenta de afirmação de direitos, mas que esses atendimentos só mudariam a relação de Maria com as instituições, contudo a questão dela é afetada pela estrutura social. Machismo na relação, falta de políticas públicas de moradia, racismo institucional e etc</li></ul><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Carta 14</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664797</link>
         <description><![CDATA[<div>Você voltou para a Defensoria. O segurança te encara bruscamente como já te conhecesse e soubesse que você seria um problema. Você chega lá no atendimento e tem tudo que precisa: documentos, receita do CAPS AD que está em tratamento. Você traz também um papel da Mônica, que fala que você está acolhida. Mas você vai ter que explicar o que aconteceu, aquela injustiça toda, e ver se há algo que eles podem fazer.</div><div>Quem te atende é uma moça loira bem alta. Ela te pergunta o que você precisa da DPE. Você fala o que quer: ter sua filha, ter sua casa de volta. Simples assim. Pega toda aquela papelada que você trouxe e coloca na mesa dela. Ela começa a mexer em cada um deles com uma cara de nojo, é verdade. Ela abre cada um deles - afinal, você tinha dobrado eles bem pequenininhos para caber no seu bolso e você não perder de jeito nenhum - e alguns estão um pouco úmidos. Mas tudo bem. Ela pede para tirar cópias de tudo, e te explica o que pode ser feito. A Defensoria iria abrir um procedimento para conseguir visitar sua filha, conseguir a guarda seria difícil, afinal, você está em situação de rua. Mas e a casa? Bom, você não tem papel nenhum e também não sabe dizer quanto tempo ficou com André. A casa é alugada. Poderiam pedir uma pensão para ele. Ele não tem carteira assinada. Como provariam o quanto ele recebe e o quanto ele poderia ajudar?&nbsp;</div><div>Você explica também tudo que aconteceu no centro de acolhida. A violência, a mentira, que aquele funcionário tinha inventado tudo aquilo. Era tanta coisa para falar que ela nem sabia como fazer.</div><div>Bom, a verdade é que ela veio até aqui e as esperanças para rever sua filha Sol estavam desaparecendo no horizonte. Você não lembra de tudo. Escuta muitas frases distantes, vai ficando confusa, respondendo aquilo que consegue. A ação para a guarda demora - você precisa de comprovante de residência - não tem né, nem tá mais no abrigo - precisaria ser encaminhada para um programa de moradia do município - quem faz isso é a secretaria, precisa cadastro - não, não é aqui que faz - precisa arranjar emprego também - mas quem vai empregar alguém na rua, mãe de criança pequena? - não sei, precisa ver, não é aqui dona - ele te agredia? - Mas agredia muito? Mas você nunca fez BO? - mas tinha alguma testemunha? Não né.. Aí fica difícil… De repente não agredia tanto assim né. E o abrigo? Isso não tem o que fazer. Eles podem te tirar se quiser. Mas você não podia nem se defender? Como chegaria em um novo abrigo agora? Sobre isso, era só na central de vagas, no CREAS, a moça parece que não sabia muito bem onde você precisava ir, mas uma coisa ela tinha certeza: a defensoria não tinha nada o que fazer sobre sua expulsão do abrigo.</div><div>Você começa chorar. Você se dá conta que era melhor ter baixado a cabeça mais um pouco, ter tentado mais com André. Sua vida acabou no dia que ele te agrediu e expulsou de casa. Deve ter falado pra sua filha que você morreu. Sabe que você não tem ninguém no mundo para olhar por você. A moça que está te atendendo chama outro de gravata, que chama outra pessoa que te leva para uma outra sala para você se acalmar. Ele fala que você tem muitas demandas não jurídicas, mas que a jurídica, das visitas para a sua filha, eles iriam começar a tentar algo. Não te davam certeza nenhuma. Mas e todas as outras coisas? Bom, essas não poderiam ser resolvidas aqui e cada uma delas precisava de um encaminhamento próprio, ir a um lugar próprio da prefeitura.&nbsp;</div><div>Você sai de lá com um papel na mão, falando para você voltar daqui dois meses. Afinal, você não tem celular, não tem residência fixa, e esse era mais ou menos o tempo que demorava para começar a fazer a ação e de repente ter alguma ideia de data de algo sobre a audiência para tentar rever sua filha. Você sai triste e desiludida. Eles iam te ajudar, mas aquilo tudo parecia muito pouco, e muito distante. Uma frase do atendimento ficou na sua cabeça “de repente ele não te agredia tanto… já que você nunca fez BO”. Talvez fosse isso mesmo.&nbsp;</div><div>Você já tinha ouvido de algumas colegas de quarto que afinal, o que ela tinha passado não era tão grave assim, que devia correr atrás dele. E essa ideia volta à sua cabeça…</div><div><br></div><div><strong>Se você optar por tentar buscar André, pegue a carta 15</strong> &nbsp;</div><div><strong>Se você optar por retornar para as ruas, pegue a carta 17</strong></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 17</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664798</link>
         <description><![CDATA[<div>Saindo da Defensoria, não te resta muita alternativa. Você vai em uma boca de rango ali perto, e consegue almoçar. Você resolve dormir perto do CAPS, para manter o acompanhamento. A vontade de beber está grande, ainda mais com toda essa frustração. Você está com seus documentos e suas coisas, e vai dormir abraçada todo dia nos seus documentos e no seu papel da Defensoria. Rever sua filha dependia disso. Como você está ansiosa, e tem medo que eles não te achem caso você seja chamada para alguma audiência, você vai todo dia na defensoria para saber se seu caso andou. Mas ele nunca andou. Você segue com o tratamento no CAPS, e eles acabam de colocando em outra vaga dessas pernoite, em um lugar mais longe. Dessa vez você já aprendeu. Vai baixar a cabeça e não vai ver mais nada de errado. Nem ninguém. Vai esperar sua vez e ver se consegue ver sua filha de volta.</div><div>Já passaram dois meses, e ainda não teve audiência de nada. Você está na fila da moradia, não conseguiu nenhum trabalho. Você se sente um pouco dopada com os remédios que está tomando, também não sabe se conseguiria trabalhar. Você não vê saída, mas também não sabe o que fazer. Muitos dias a vontade de beber é muito grande, você acha que vai desistir de tudo, mas ainda se apega na ideia de rever Sol. Você sabe que o pessoal te desliga após 6 meses de acolhimento. Falam que é para você buscar a sua autonomia. Você não sabe o que acontecerá com seu futuro, mas vai seguir tentando um trabalho e ficar sem beber. E esperar o dia de poder rever sua filha.&nbsp;</div><div><br><strong>A história de Maria chegou ao final.</strong>&nbsp;<br><br><br></div><ul><li>Trazer o quanto a insegurança nas instituições, não vem do nada. Trazer as denúncias que chegaram para a Clínica no ano passado em que ocorreram desligamentos ilegítimos em meio a pandemia.&nbsp;</li><li>&nbsp;Falar sobre o quanto a única pessoa que fez uma escuta atenta e buscou não só entender Maria, mas também se fazer ser entendida foi Mônica. Colocar que os demais atendimentos se construíram sem que se buscasse entender se de fato Mônica está entendendo as informações.</li><li>Perguntar se alguém quer falar algo sobre a trajetória de Maria.&nbsp;</li><li>Finalizar trazendo que a escuta qualificada é uma ferramenta de afirmação de direitos, mas que esses atendimentos só mudariam a relação de Maria com as instituições, contudo a questão dela é afetada pela estrutura social. Machismo na relação, falta de políticas públicas de moradia, racismo institucional e etc</li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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         <title>Carta 16</title>
         <author>ambrosiomarina13</author>
         <link>https://padlet.com/ambrosiomarina13/77arn3v5f8bl07eu/wish/2229664799</link>
         <description><![CDATA[<div>Você volta para o abrigo um pouco decepcionada. A única coisa que poderia fazer agora é esperar. Você está com seus documentos e suas coisas, e vai dormir abraçada todo dia nos seus documentos e no seu papel da Defensoria. Rever sua filha dependia disso. Moradia, saúde, as agressões que viveu. Nada disso eles poderiam resolver. Que coisa louca. Quem poderia te ajudar então?</div><div>Você segue no centro de acolhida e depois de um tempo consegue uma vaga fixa. Você ainda tem medo daquele funcionário. Ele te olha estranho e você não se sente segura por lá. Mas é isso que pode fazer. A vaga fixa tem uma duração de seis meses, depois parece que eles te desligam. Nesse meio tempo você precisa se tratar, conseguir emprego, conseguir casa, ou ficar pulando de abrigo em abrigo. A situação não é boa, mas você entendeu que é o que dá pra ser por agora. Você não terá sua filha de volta, mas quem sabe poderá visitá-la. É esperar que você precisa.&nbsp;</div><div>Em alguns meses você volta para a defensoria e falam que vai ter uma audiência de conciliação. Nesse dia você quase não consegue chegar. Foi pro lugar errado, e depois descobriu que não podia entrar de chinelo no fórum. Ficou combinado que você poderia fazer visitas supervisionadas no Conselho Tutelar. Na sua ausência, André tinha feito vários BOs afirmando que você maltratava a Sol, que era louca. A pessoa que te atendeu falou que era difícil provar outra coisa, e era melhor aceitar isso, era o que tinha. As visitas seriam quinzenais e supervisionadas. São dias felizes, mas a depressão de deixá-la depois te dá muita vontade de beber.</div><div>Você está forte. Depois de 6 meses na linha, talvez consiga começar a ajudar o pessoal que faz atendimento a outras pessoas em situação de rua. O salário é baixo, mas você não se imagina conseguindo um trabalho com outra coisa. No final das contas, você saiu da rua mas não parece que saiu da rua. Não há muitos caminhos abertos, mas você segue aguardando uma vaga em moradia, o tratamento psicológico que te encaminharam, e já quase não se incomoda mais com a gritaria no centro de acolhida. Você já falou na defensoria várias vezes que essa coisa de 6 meses no centro de acolhida é estranho demais, e que essa fila de moradia ninguém nunca viu. Eles falam que não podem fazer nada, Daqui a pouco vão te desligar e você vai ter que pular para outro. Mas é melhor isso que ficar na rua.E esse é o único jeito de ainda conseguir ver Sol.</div><div><strong>A história de Maria chegou ao final<br><br></strong><br></div><ul><li>Trazer o quanto a insegurança nas instituições, não vem do nada. Trazer as denúncias que chegaram para a Clínica no ano passado em que ocorreram desligamentos ilegítimos em meio a pandemia.&nbsp;</li><li>&nbsp;Falar sobre o quanto a única pessoa que fez uma escuta atenta e buscou não só entender Maria, mas também se fazer ser entendida foi Mônica. Colocar que os demais atendimentos se construíram sem que se buscasse entender se de fato Mônica está entendendo as informações.</li><li>Perguntar se alguém quer falar algo sobre a trajetória de Maria.&nbsp;</li><li>Finalizar trazendo que a escuta qualificada é uma ferramenta de afirmação de direitos, mas que esses atendimentos só mudariam a relação de Maria com as instituições, contudo a questão dela é afetada pela estrutura social. Machismo na relação, falta de políticas públicas de moradia, racismo institucional e etc</li></ul><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-24 09:05:51 UTC</pubDate>
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