<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>Ideias pouco (ou nada) polidas by Raquel Boavista</title>
      <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos</link>
      <description>Na sua essência, coisas relacionadas, ora com o design gráfico, ora com a educação e o artístico: numa tentativa de perceber melhor isto de (vir a) ser professora de Artes Visuais &amp; Lda. @fbaup | @fpceup</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-02-27 20:16:33 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2023-01-19 13:21:01 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url>https://padlet.net/icons/png/1f995.png</url>
      </image>
      <item>
         <title>Ir ao cinema sozinha no meu dia de aniversário</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248679178</link>
         <description><![CDATA[<div>«Devemos procurar dez verdades e rir dez vezes durante o dia, senão, o estômago — pai da aflição —, incomoda-nos» (<em>Siberia</em>, 2020, Abel Ferrara).</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-27 20:21:45 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248679178</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Martelos e pregos, ou seja, 2+2=4</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248681190</link>
         <description><![CDATA[<div>«Se eu lhes ensinasse um jogo de xadrez, tudo o que aprenderiam seriam vitórias, derrotas, e que tudo é um jogo. Ou seja, se só lhes dermos um martelo, tudo lhes parecerá um prego» (<em>Arrival</em>, 2016, Denis Villeneuve).<br><br>A importância de que, se só ensinarmos a profissão, o dia-a-dia, o mais lógico, o mais prático, não conseguiremos passar disso. Isto relaciona-se com os objetivos, cada vez mais atuais, de educar para um futuro que — apesar de inteiramente desconhecido — é, miraculosamente, previsto, definido e garantido. Sim, as certezas são, de certa forma, absolutas. Ou seja, não queremos de todo educar para a incerteza e para a dúvida. 2+2=4. Outras vezes esse futuro está alojado no próprio presente, ou uns meses à frente. Percebemos quais são as tendências de mercado e arriscamos as formações extra, as pós-graduações em jeito de workshops, justificadas na procura desse mercado. Quase colocamos em causa toda uma educação prévia que fomos nutrindo ao longo dos anos. Pessoalmente, eu mesma fui "cobaia" deste sentimento de desespero, de querer remar a favor da maré. O ano passado cheguei mesmo a inscrever-me num curso (caríssimo) de UI/UX Design. Fui salva pela pandemia! Ainda no fluir dessa necessidade de utilidade, quer fosse profissional (no caso do primeiro exemplo) ou social (no caso do exemplo que se segue), candidatei-me ao MEAV — Mestrado em Educação de Artes Visuais do 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário (sim, gigante...). E aqui estou eu, a tentar descortinar tudo e a aproveitar todas aquelas notas (que mais tarde passaram a lembretes para não ficarem tão perdidas no espaço e no tempo) que surgem quando estou a ver filmes, a ouvir música, a tomar banho, a dormir, a sonhar, a conduzir, enfim, em todo lado.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-27 20:23:36 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248681190</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Seguir a receita do bolo</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248699033</link>
         <description><![CDATA[<div>Na escola, enquanto aluna, sempre entreguei bugalhos, quando o/a professor/a pedia alhos. Era mais forte do que eu. Tal como nas receitas de bolos. Começo com a iniciativa total de cumprir à risca o que lá diz. Sem que me aperceba muito bem, algures pelo caminho, começo a inventar, a trocar ingredientes, a mudar porções. Na maior parte das vezes, o bolo fica bom, mas não óptimo. Mesmo assim e, apesar de me auto-assegurar que da próxima vez vou cumprir as regras, acabo sempre por inventar novamente. O mesmo acontece com projetos de design. Tento sempre contornar o máximo possível o que é exatamente pedido... Continuando com a ideia da receita do bolo, a minha mãe torce sempre o nariz quando digo que experimentei uma nova receita ou que mudei ali um ingrediente: “Lá estás tu”. Porventura, não parece ser assim tão mau — não ser uma fiel seguidora de receitas de bolos. Será um indício de que (ainda) há esperança em mim — principalmente com o novo “fardo” que me espera? Traduzindo por miúdos: a funcionária do Estado vs. a professora revolucionária.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-27 20:38:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248699033</guid>
      </item>
      <item>
         <title>&quot;Oh professora!&quot; ou &quot;Mãããeeee!&quot;</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248703240</link>
         <description><![CDATA[<div>A palavra “professor/a” parece equiparar-se à de “mãe” ou “pai”. Em todas as outras situações, parecemos estar mais inclinados a chamar pelo nome próprio. Ninguém chama: “Oh irmão”, mas sim: “Oh João”. Eu, pelo menos, nunca ouvi semelhante. O mesmo acontece com qualquer outro elemento da família: irmã, primo/a, sobrinho/a. Quando vamos a um qualquer sítio, optamos por nem sequer enveredar pelo proferir do nome próprio ou da função/profissão da dita cuja pessoa. Cingimo-nos a um “você” oculto, em tons de boa educação. Quanto aos nossos inúmeros professores, que fomos acumulando ao longo de uma vida de escola, nunca nos tentámos a chamar o nosso professor pelo nome próprio: ultraje! Talvez num ambiente mais adulto: mas isto somente quando percebemos que as nossas idades — a do aluno e a do professor — já são próximas. E, mesmo assim, dependendo do à-vontade do professor! Ou seja, este ato de chamar pelo professor é um tudo ou nada semelhante ao da mãe e do pai. Chamamos ambos por necessidade, tanto com carinho como com alguma relutância ou, mesmo até, revolta — quando somos confrontados com algo que não fizemos: “Raquel, foste tu que deixaste isto desarrumado?” ou “Raquel, porque é que não fizeste os trabalhos de casa?”. A relação parece estar imbuída no mesmo misto de carinho e de disciplina.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-27 20:42:09 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248703240</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Lee Krasner?</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248706701</link>
         <description><![CDATA[<div>Descobri uma artista — Lee Krasner — a partir de uma aplicação Google: Arts &amp; Culture*. O nome não fez soar nenhum sininho cá dentro, mas as cores cativaram: o verde e o rosa. A artista em questão foi casada com o Jackson Pollock, o que a fez cair, quase inevitavelmente, no esquecimento, segundo as informações da nova (para mim) aplicação. Automaticamente senti-me revoltada com o assunto, apesar de também ser minha, parte da culpa — a de não saber nada sobre Lee Krasner. Instintivamente, passou-me pela cabeça lecionar uma história da arte no feminino. Poderia fazer isto? Esquecer todos os outros e basear-me nos "filmes série b" da Arte? É, provavelmente, uma hipótese a considerar. Fica aqui a ideia.<br><br>* sobre esta aplicação, ainda hei-de debitar, mais à frente, alguns pensamentos.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1004627135/9d6fa4ce42a23a3d6b9afdfdd20f1195/Captura_de_ecra__2021_02_27__a_s_20_52_05.png" />
         <pubDate>2021-02-27 20:44:49 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1248706701</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Ciúmes</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1249742344</link>
         <description><![CDATA[<div>Às vezes, parece que toda a retórica que se desenvolve à volta das artes e da educação artística está imbuída em ciúme. Passo a explicar. Assumimos que não existe génio artístico, nem dom, nem jeito, nem vocação. Mesmo assim, somos aquele/a amigo/a que seguiu as artes e a quem chamam, carinhosamente: artista. Porém, não estamos contentes ou satisfeitos. Quando assistimos a uma qualquer pessoa ser chamada de artista sem o merecer ou quando não vemos o nosso trabalho artístico reconhecido. Ou seja, visto que todos nós podemos ser artistas (será?), que não há nenhum génio por detrás disso e que já nem nos esforçamos por desenhar um retrato realista, somos considerados, cada vez menos, como artistas "a sério"... E, portanto, temos de encarar as artes de outra forma. Quase como que, ao mesmo tempo que queremos partilhar com todos a nossa banda favorita, não aceitamos que, de repente, esse alguém — que a adotou do nada, recentemente, sem conhecer os primeiros álbuns — seja merecedor de gostar da "nossa" banda. Não queremos emprestar as artes a nada nem a ninguém — a não ser ao nosso mundo incompreendido ou difícil de compreender. Somos irreverentes e queremos ser únicos. Por isso, "gozamos" com a terapia pela arte, a auto-salvação artística. "Gozamos" com tudo aquilo que qualquer um, na escola, pode fazer (a partir das artes). Queremos transformar as artes numa outra coisa qualquer, a que só nós, artistas "por direito"*, temos/podemos ter acesso. Um pouco como os bairros <em>artsy</em> em Londres que mudam de sítio sempre que começam a ser demasiado <em>trendy</em>. O segredo parece estar nesse não alcance do artístico ao comum mortal. Talvez, precisamente por já não nos conseguirmos assumir/afirmar como especiais através da nossa técnica, temos de fazer valer outra(s) coisa(s).<br><br>* A artistas "por direito" entendem-se aqueles e aquelas que estudaram durante anos e anos para o (poder) ser. Ou, mais sucintamente, quem andou em Belas Artes.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-28 10:46:06 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1249742344</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Artista</title>
         <author>raquelboavista</author>
         <link>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1250453341</link>
         <description><![CDATA[<div>Só para não esquecer a ideia (a necessitar desenvolvimento): a palavra artista, abrange em si mesma, os dois géneros — feminino e masculino. De momento não me lembro de uma outra profissão onde possamos, orgulhosamente, não ser distinguidos binariamente. Oh, lá está, a do designer. Mas essa não podemos levar tão em consideração como a do artista, pois trata-se de um estrangeirismo, importado do inglês, e cuja tradução para português, quase ou mesmo nunca (talvez apenas pelos formulários de preenchimento de formação e ocupação do centro de emprego) acontecem: desenhador gráfico.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2021-02-28 17:38:58 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/raquelboavista/desabafos/wish/1250453341</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
