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      <title>Concurso de Poesia by Lucilina Daniel</title>
      <link>https://padlet.com/lucilinad/Poesia</link>
      <description>Natal</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-12-01 17:53:57 UTC</pubDate>
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         <title>Poemas de Natal</title>
         <author>lucilinad</author>
         <link>https://padlet.com/lucilinad/Poesia/wish/1923451779</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Uma canção de Natal</strong> de Alberto Caeiro<br><br>Um meio-dia de fim de primavera<br>Tive um sonho como uma fotografia.<br>Vi Jesus Cristo descer à terra.<br>Veio pela encosta de um monte<br>Tornado outra vez menino,<br>A correr e a rolar-se pela erva<br>E a arrancar flores para as deitar fora<br>E a rir de modo a ouvir-se de longe.<br><br>Tinha fugido do céu.<br>No céu tinha que estar sempre sério<br>E de vez em quando de se tornar outra vez homem<br>E subir para a cruz, <br>Com uma coroa toda à roda de espinhos<br>E os pés espetados por um prego com cabeça,<br>E até com um trapo à roda da cintura.<br><br>Um dia que Deus estava a dormir<br>E o Espírito Santo andava a voar,<br>Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.<br>Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.<br>Com o segundo criou~se eternamente humano e menino.<br>Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz<br>E deixou-o pregado na cruz que há no céu<br>E serve de modelo às outras.<br>Depois fugiu para o sol<br>E desceu pelo primeiro raio que apanhou.<br><br>Hoje vive na minha aldeia comigo.<br>É uma criança bonita de riso e natural.<br>Limpa o nariz ao braço direito,<br>Chapinha nas poças de água,<br>Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.<br>Atira pedras aos burros,<br>Rouba a fruta dos pomares<br>E foge a chorar e a gritar dos cães.<br>E, porque sabe que elas não gostam<br>E que toda gente acha graça,<br>Corre atrás das raparigas<br>Que vão em ranchos pelas estraadas<br>Com as bilhas às cabeças.<br><br>A mim ensinou-me tudo.<br>Ensinou-me a olhar para as coisas.<br>Aponta-me todas as coisas que há nas flores.<br>Mostra-me como as pedras são engraçadas<br>Quando a gente as tem na mão<br>E olha devagar para elas.<br><br>Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.<br>Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.<br>Ele é o humano que é natural,<br>Ele é o divino que sorri e que brinca.<br>E por isso é que eu sei com toda a certeza<br>Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.<br>E a criança tão humana que é divina<br>É esta minha quotidiana vida de poeta,<br>E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,<br>E que o meu mínimo olhar<br>Me enche de sensação,<br>E o mais pequeno som, seja do que for,<br>Parece falar comigo.<br><br>A Criança Nova que habita onde vivo<br>Dá-me uma mão a mim<br>E a outra a tudo que existe<br>E assim vamos os três pelo caminho que houver,<br>Saltando e cantando e rindo<br>E gozando o nosso segredo comum<br>Que é o de saber por toda a parte<br>Que não há mistério no mundo<br>E que tudo vale a pena.<br><br>A Criança Eterna acompanha-me sempre.<br>A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.<br>O meu ouvido atento alegremente a todos os sons<br>São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.<br><br>Damo-nos tão bem um com o outro.<br>Na companhia de tudo<br>Que nunca pensamos um no outro,<br>Mas vivemos juntos e dois<br>Com um acordo íntimo<br>Como a mão direita e a esquerda.<br><br>Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas<br>No degrau da porta de casa,<br>Graves como convém a um deus e a um poeta,<br>E como se cada pedra<br>Fosse todo um universo<br>E fosse por isso um grande perigo para ela<br>Deixá-la cair no chão.<br><br>Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens<br>E ele sorri, porque tudo é incrível.<br>Ri dos reis e dos que não são reis,<br>E tem pena de ouvir falar das guerras,<br>E dos comércios, e dos navios<br>Que ficam fumo no ar dos altos-mares.<br>Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade<br>Que uma flor tem ao florescer<br>E que anda com a luz do sol<br>A variar os montes e os vales<br>E a fazer doer aos olhos os muros caiados.<br><br>Depois ele adormece e eu deito-o.<br>Levo-o ao colo para dentro de casa<br>E deito-o, despindo-o lentamente<br>E como seguindo um ritual muito limpo<br>E todo materno até ele estar nu.<br><br>Ele dorme dentro da minha alma<br>E às vezes acorda de noite<br>E brinca com os meus sonhos.<br>Vira uns de pernas para o ar,<br>Põe uns em cima dos outros<br>E bate as palmas sozinho<br>Sorrindo para o meu sono.<br><br>Quando eu morrer, filhinho,<br>Seja eu a criança, o mais pequeno.<br>Pega-me tu ao colo<br>E leva-me para dentro da tua casa.<br>Despe o meu ser cansado e humano<br>E deita-me na tua cama.<br>E conta-me histórias, caso eu acorde,<br>Para eu tornar a adormecer.<br>E dá-me sonhos teus para eu brincar<br>Até que nasça qualquer dia<br>Que tu sabes qual é.<br><br>Esta é a história do meu Menino Jesus.<br>Por que razão que se perceba<br>Não há de ser ela mais verdadeira<br>Que tudo quanto os filósofos pensam<br>E tudo quanto as religiões ensinam?</div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-12-01 17:57:29 UTC</pubDate>
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