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      <title>RELICÁRIO POÉTICO by Lai Nepomuceno</title>
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      <description>Relicário poético para a disciplina de Literatura Nacional V - Poemas do Modernismo Brasileiro </description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-03-27 04:24:27 UTC</pubDate>
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         <title>Retrato - Cecília Meireles</title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 04:38:02 UTC</pubDate>
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         <title>Poema essencialmente noturno - Torquato Neto</title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[<div>À falta da pessoa,<br>hoje amarei a ausência também do sentimento antigo<br>e lembrarei que os dias já foram azuis<br>e as noites somente escuras<br>quando desconheciamos a palavra medo<br>e não sentiamos medo.<br><br>Amarei o antigo sentimento da ternura casta<br>palpável, àquele tempo, em mim,<br>distribuida entre os aposentos da casa enorme,<br>os três degraus da entrada<br>o sol nascendo pelos punhos da rede<br>e o muro do colégio das freiras, quente.<br>(que estas lembranças me bastam)<br><br>Porque não ha a pessoa<br>e eu caminho só e triste pelas calçadas do Rio<br>e não chego a nenhum destino, porque não tenho destino,<br>eu hoje amarei a distância que separa eu menino<br>de mim desesperado, aqui<br>e me perderei pelos caminhos enrolados uns nos outros<br>e rolarei de gozo sobre a minha sombra<br>e chorarei depois porque não sei voltar.<br><br>-------------------------------<br>Meu pai cresceu em Amarante, a terra dos gigantes Clóvis Moura e Da Costa e Silva. Eu cresci em Teresina, a capital de concreto, mas nas férias me banhava com as águas do rio e o aconchego dos meus avós paternos, em Amarante. Esse poema de Torquato me faz voltar para essa Amarante, com o ''antigo sentimento de ternura casta''. Há tempos não vou em Amarante, não é mais lugar de aconchego para mim, mas a saudade ficou...Não sei e não posso voltar àquele tempo, hoje minha vida é essencialmente noturna.&nbsp;<br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 04:39:44 UTC</pubDate>
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         <title>Muitas fugiam ao me ver… - Carolina Maria de Jesus</title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[<div>Muitas fugiam ao me ver<br>Pensando que eu não percebia<br>Outras pediam pra ler<br>Os versos que eu escrevia<br><br></div><div>Era papel que eu catava<br>Para custear o meu viver<br>E no lixo eu encontrava livros para ler<br>Quantas coisas eu quiz fazer<br>Fui tolhida pelo preconceito<br>Se eu extinguir quero renascer<br>Num país que predomina o preto<br><br>Adeus! Adeus, eu vou morrer!<br>E deixo esses versos ao meu país<br>Se é que temos o direito de renascer<br>Quero um lugar, onde o preto é feliz.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 04:55:07 UTC</pubDate>
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         <title>XI - Hilda Hilst</title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[<div>Quando terra e flores</div><div>eu sentir sobre o meu corpo,&nbsp;</div><div>gostaria de ter ao meu lado tuas mãos.</div><div>E depois, guardar meus olhos dentro delas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 04:58:20 UTC</pubDate>
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         <title>Paulo Leminski </title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; esta vida é uma viagem<br>pena eu estar<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; só de passagem<br><br>----------------------------------<br>Quando li esse poema de Leminski pensei no meu escrito de 2020. O poema que escrevi carrega no título sua essência: a mudança, a transição, a passagem. Leminski consegue, através de poucas palavras e versos, despertar um sentimento denso de transitoriedade, uma vontade de ficar nessa viagem para sempre.&nbsp;<br>No meu poema, por outro lado, essa visão é intensificada, o tempo é cruel, a passagem é cruel, sabemos que a flecha vai acertar o alvo. A flecha é o tempo, nós somos o alvo.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 05:46:47 UTC</pubDate>
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         <title>Entre fragmentos e fingimentos - Ana Cristina César </title>
         <author>lainpm</author>
         <link>https://padlet.com/lainpm/65o0q2gcaiafadyf/wish/2532541065</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Soneto</strong><br>Pergunto aqui se sou louca<br>Quem quer saberá dizer<br>Pergunto mais, se sou sã<br>E ainda mais, se sou eu<br><br></div><div>Que uso o viés pra amar<br>E finjo fingir que finjo<br>Adorar o fingimento<br>Fingindo que sou fingida<br><br>Pergunto aqui meus senhores<br>quem é a loura donzela<br>que se chama Ana Cristina<br><br></div><div>E que se diz ser alguém<br>É um fenômeno mor<br>Ou é um lapso sutil?<br><br>-------------------------<br>É difícil falar de Ana Cristina Cesar, o motivo de eu ter escolhido a graduação de Letras. No último ano do Ensino Médio ela foi minha musa, minha deusa, minha grande paixão. Devorei Poética, fui devorada pela escrita da Ana C.<br><br></div><div>Engraçado, eu jurava que iria pesquisar e escrever sobre ela, mas hoje pesquiso algo completamente diferente. Acho que é aquela coisa, quando mais perto, mais difícil. Não consigo chegar perto demais da Ana, não me sinto capaz de me colocar na posição de pesquisá-la, por isso contento-me apenas na apreciação.<br><br></div><div>Esse poema é um dos meus preferidos, um soneto lindo, que parece refletir a natureza da autora: soneto, mas versos brancos. Conseguimos ver a inquietudo do eu lírico em uma poesia de escrita fragmentada, que borra as barreiras entre a vida e a obra da autora.&nbsp; Aos poucos o eu lírico se revela, criando uma sensação de intimidade, por causa das confissões. Mas apesar de utilizar seu nome, será esse eu lírico, de fato, a própria Ana C.? Difícil dizer, principalmente em uma escrita tão irônica e tão cheia de jogos de fingimentos e ilusões.&nbsp;<br><br></div><div>No fim, o que podemos dizer é que Ana Cristina Cesar foi ambas as coisas: um fenômeno mor e um lapso sutil. Tão sutil que sua passagem por aqui foi breve, uma vez que se foi tão jovem, mas um fenômeno mor pela grandiosidade de seu ser e de suas escritas. &nbsp;<br><br></div><div><br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-27 05:54:32 UTC</pubDate>
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         <title>A flor e a náusea [Carlos Drummond de Andrade]</title>
         <author>lainpm</author>
         <link>https://padlet.com/lainpm/65o0q2gcaiafadyf/wish/2534257476</link>
         <description><![CDATA[<div>Preso à minha classe e a algumas roupas,<br>vou de branco pela rua cinzenta.<br>Melancolias, mercadorias espreitam-me.<br>Devo seguir até o enjoo?<br>Posso, sem armas, revoltar-me?<br><br></div><div>Olhos sujos no relógio da torre:<br>Não, o tempo não chegou de completa justiça.<br>O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.<br>O tempo pobre, o poeta pobre<br>fundem-se no mesmo impasse.<br><br></div><div>Em vão me tento explicar, os muros são surdos.<br>Sob a pele das palavras há cifras e códigos.<br>O sol consola os doentes e não os renova.<br>As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.<br><br></div><div>Vomitar esse tédio sobre a cidade.<br>Quarenta anos e nenhum problema<br>resolvido, sequer colocado.<br>Nenhuma carta escrita nem recebida.<br>Todos os homens voltam para casa.<br>Estão menos livres mas levam jornais<br>e soletram o mundo, sabendo que o perdem.<br><br></div><div>Crimes da terra, como perdoá-los?<br>Tomei parte em muitos, outros escondi.<br>Alguns achei belos, foram publicados.<br>Crimes suaves, que ajudam a viver.<br>Ração diária de erro, distribuída em casa.<br>Os ferozes padeiros do mal.<br>Os ferozes leiteiros do mal.<br><br></div><div>Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.<br>Ao menino de 1918 chamavam anarquista.<br>Porém meu ódio é o melhor de mim.<br>Com ele me salvo<br>e dou a poucos uma esperança mínima.<br><br></div><div>Uma flor nasceu na rua!<br>Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.<br>Uma flor ainda desbotada<br>ilude a polícia, rompe o asfalto.<br>Façam completo silêncio, paralisem os negócios,<br>garanto que uma flor nasceu.<br><br></div><div>Sua cor não se percebe.<br>Suas pétalas não se abrem.<br>Seu nome não está nos livros.<br>É feia. Mas é realmente uma flor.<br><br></div><div>Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde<br>e lentamente passo a mão nessa forma insegura.<br>Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.<br>Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.<br>É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 02:39:36 UTC</pubDate>
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         <title>Mãos dadas [Carlos Drummond de Andrade]</title>
         <author>lainpm</author>
         <link>https://padlet.com/lainpm/65o0q2gcaiafadyf/wish/2534271087</link>
         <description><![CDATA[<div>Não serei o poeta de um mundo caduco.<br>Também não cantarei o mundo futuro.<br>Estou preso à vida e olho meus companheiros.<br>Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.<br>Entre eles, considero a enorme realidade.<br>O presente é tão grande, não nos afastemos.<br>Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.<br><br></div><div>Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,<br>não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,<br>não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,<br>não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.<br>O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,<br>a vida presente.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 02:50:04 UTC</pubDate>
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         <title>O Último Poema - Manuel Bandeira</title>
         <author>lainpm</author>
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         <description><![CDATA[<div>Assim eu quereria o meu último poema<br>Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais<br>Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas<br>Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume<br>A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos<br>A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 02:53:24 UTC</pubDate>
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         <title>A cidade - H. Dobal</title>
         <author>lainpm</author>
         <link>https://padlet.com/lainpm/65o0q2gcaiafadyf/wish/2534292559</link>
         <description><![CDATA[<div>Esta cidade sem poeira de vida<br>se fecha. Se prende, se tranca<br>em mil unidades de desespero.<br>Esta cidade<br>desolada isolada<br>ilha de poeira morta<br>subverte o silêncio<br>submerge os soluços. </div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 03:05:52 UTC</pubDate>
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