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      <title>𝙂𝙧𝙪𝙥𝙤 𝙙𝙚 𝙇𝙚𝙞𝙩𝙤𝙧𝙚𝙨 | 𝑴𝒂𝒓é 𝒅&#39; 𝒆𝒔𝒄𝒓𝒊𝒕𝒂 by Graciosa Reis</title>
      <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita</link>
      <description>Este vai ser o nosso  diário de aprendizagem e de partilhas de escrita criativa. (alguns participantes escrevem sem o novo acordo ortográfico) ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................&quot;Quando escrevo mar o mar todo entra pela janela&quot; (Al Berto)...................................................................................................</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2017-02-03 17:26:02 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2026-08-03 17:40:24 UTC</lastBuildDate>
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         <title>Proposta 1: A Viagem de comboio  |  Carolina Palminha | 14.03.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3367851331</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Premissas:</strong> <strong>Amigos, aqui vos deixo um início de texto. Caso vos inspire tentem desenvolvê-lo. </strong></p><p><strong>Sugiro que não nos alonguemos muito. Uma página, ou página e meia seria suficiente.&nbsp;</strong></p><p><br><em>Sentei-me.</em></p><p><em>O comboio pôs-se em movimento.</em></p><p><em>Pelas janelas a paisagem deslizava em tonalidades de verdes, dourados, amarelos das azedas, vermelhos de papoilas e de quando em quando, o casario de um pequeno povoado mostrava-nos, pelo fumegar que saía das chaminés, que ali havia gente, havia vida, gargalhadas ou tristezas, calor ou frio…</em></p><p><em>No interior da carruagem o alegre riso de crianças e o tagarelar dos adultos.</em></p><p><em>Alguns farnéis foram retirados das cestas e um cheiro de fritos e frutos inundou-nos.</em></p><p><em>Tentei abstrair-me, abri o livro e recomecei a leitura.</em></p><p><em>Daí a instantes,</em></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-16 13:48:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Uma Menina Pequenina | Graciosa Reis  15.03.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3367859584</link>
         <description><![CDATA[<p><strong><em>Sentei-me.</em></strong></p><p><strong><em>O comboio pôs-se em movimento.</em></strong></p><p><strong><em>Pelas janelas a paisagem deslizava em tonalidades de verdes, dourados, amarelos das azedas, vermelhos de papoilas e de quando em quando, o casario de um pequeno povoado mostrava-nos, pelo fumegar que saía das chaminés, que ali havia gente, havia vida, gargalhadas ou tristezas, calor ou frio…</em></strong></p><p><strong><em>No interior da carruagem o alegre riso de crianças e o tagarelar dos adultos.</em></strong></p><p><strong><em>Alguns farnéis foram retirados das cestas e um cheiro de fritos e frutos inundou-nos.</em></strong></p><p><strong><em>Tentei abstrair-me, abri o livro e recomecei a leitura.</em></strong></p><p><strong><em>Daí a instantes,</em></strong> uma das crianças aproximou-se de mim, lentamente, com receio de me incomodar e estendeu a sua mãozinha com uma maçã bem vermelha e apetitosa. <br>- Toma - disse ela - também tens fome? Mal tive tempo de agradecer, saltou para o meu lado e metralhou-me com perguntas sobre o livro que estava a ler, de que falava, se tinha desenhos e, de seguida, com um sorriso maroto, pediu-me para lhe ler a história.<br>Quando, finalmente, me foi concedido um tempinho para falar, perguntei-lhe como se chamava e quantos aninhos tinha. <br>- Sou a Beatriz, mas todos me chamam Bia e tenho quatro anos, respondeu a despachar-me com os olhos bem abertos. E a história? Insistiu ela.<br>Expliquei-lhe que o livro que estava a ler não era para a idade dela e que não iria compreender a história, já que tratava de guerra. Li-lhe o título do livro – <em>O Sangue dos Outros</em>, indiquei-lhe o nome da autora (Simone de Beauvoir) e fiz-lhe um pequeno resumo para que ela percebesse que não era má vontade minha. Ela baixou tristemente a cabeça e pediu que lhe lesse então só um bocadinho que não falasse de guerra. É que eu gosto muito de histórias e não tenho livros em casa… <br>Pedi-lhe, então, que fechasse os olhos e que só os abrisse quando eu lhe dissesse. <br>Abri a mochila que levava comigo e retirei um livro. Como ia visitar a família e os sobrinhos, tinha uma vasta gama para lhes oferecer. Sabem, é que faço parte do clube das tias que só oferecem livros. Que falta de criatividade! Oferecer sempre o mesmo! Dir-me-ão.<br>Como dizia, retirei da mochila um livro. Um livro maravilhoso que sabia de antemão que iria agradar a esta menina ternurenta e carinhosa. E comecei a ler:</p><p><em>Era uma vez uma menina muito, muito pequenina</em>… <br>Assim, que ouviu a primeira frase, os seus olhos cresceram e o sorriso iluminou-se. Aquietou-se bem ao meu lado para acompanhar as páginas e observar as ilustrações. <br>No final da história com os olhinhos marejados de lágrimas, lançou os seus bracinhos ao meu pescoço e disse que tinha gostado muito da história da menina que não sabia chorar.&nbsp; <br>- Olha, não me disseste como se chama o livro, nem quem o escreveu – comentou ela, feliz a desenhar com os dedinhos o contorno dos desenhos. <br>- Tens razão, respondi. Chama-se “Os olhos GRANDES da menina pequenina”, foi escrito por Ondjaki, um escritor angolano, inventor de histórias bonitas, e foi ilustrado por Carla Dias. <br>Estávamos felizes, ela com o livro nas mãos, ainda a saborear a história, e eu por ter contentado uma criança com uma simples leitura. <br>De repente, o encanto termina. Somos sacudidas com o berro “Bia, anda já pr’aqui” de uma mãe insensível. <br>Bia olhou para mim, encolheu os ombros, e deixou-se ficar virando e revirando o livro. Disse-lhe que devia obedecer à mãe. Mas ela fingiu não me ouvir e acariciou a imagem da menina da capa do livro.&nbsp; <br>Do outro lado, a mãe insistia no pedido e nos berros. A Bia olhou-me, levantou-se, entregou-me o livro e fechou o sorriso. <br>Devolvi-lhe o olhar e o livro – Podes ficar com ele. É uma prenda minha. Em retorno, recebi o sorriso de uns olhos grandes. <br>Afinal, há no mundo muitas meninas pequeninas com olhos grandes. Ondjaki quando escreveu este livro, sabia que ia encontrar muitas. E eu, hoje, nesta viagem, encontrei a Bia. Uma menina pequenina, de olhos grandes que adora histórias. <br><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-16 14:01:00 UTC</pubDate>
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         <title>Página 64 | Carolina Palminha                  Janeiro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3368040494</link>
         <description><![CDATA[<p><strong><em>Sentei-me.</em></strong></p><p><strong><em>O comboio pôs-se em movimento.</em></strong></p><p><strong><em>Pelas janelas a paisagem deslizava em tonalidades de verdes, dourados, amarelos das azedas, vermelhos de papoilas e de quando em quando, o casario de um pequeno povoado mostrava-nos, pelo fumegar que saía das chaminés, que ali havia gente, havia vida, gargalhadas ou tristezas, calor ou frio…</em></strong></p><p><strong><em>No interior da carruagem o alegre riso de crianças e o tagarelar dos adultos.</em></strong></p><p><strong><em>Alguns farnéis foram tirados das cestas e um cheiro de fritos e frutos inundou-nos.</em></strong></p><p><strong><em>Tentei abstrair-me, abri o livro e recomecei a leitura.</em></strong></p><p><strong><em>Daí a instantes </em></strong>dei-me conta de que alguém se sentara ao meu lado e senti-me observada.</p><p>Olhei e vi uma jovem. Vestido lilás, sapatilhas amarelas, óculos e um gracioso chapéu de palha na cabeça.</p><p>Era magra, rosto bonito, um sorriso fresco e olhos brilhantes.</p><p>Surpreendida, dei-me conta de que aquela figura me era familiar, mas não identificava de onde poderia ser.</p><p>Intrigada voltei à leitura, mas logo um leve toque no braço e uma voz sussurrada, me fez olhar de novo a jovem.</p><p>- Sou eu, não me reconheces?</p><p>- Desculpe, não estou a perceber – respondi.</p><p>- Página 64 desse teu livro. Sou a Marta, personagem dessa tua leitura. Confessa que quase me reconheceste!</p><p>Respondi – Sim, és-me familiar, mas como é isto possível?</p><p>- Tudo é possível! Saltei do livro precisamente nessa página 64. Vou contigo! Gosto de viajar! Não me agrada o destino que o Escritor me reservou.</p><p>- Vou contigo! – repetiu. Deixo ao teu critério o rumo. NÃO TENHO ESCALA MARCADA NEM HORA PARA CHEGAR…como diz Manuel da Fonseca no seu poema “Vagabundos do Mar.”</p><p>E foi assim!!! Também eu não tinha rota marcada, ia ao sabor da maré…</p><p>Fechei o livro e… eu, a leitora e Marta a personagem, começámos ali nesse momento a traçar o nosso próprio rumo, a desenhar o nosso próprio destino.</p><p>E umas vezes de comboio, outras de avião, ou autocarro e até de mochila às costas, calcorreando montes e vales, seguimos felizes durante semanas, apreciando e aspirando os odores da Natureza e confraternizando com quem íamos encontrando.</p><p>Um dia, Marta disse:</p><p>&nbsp;- Agora vamos de barco. Vês aquela ilha lá ao longe? É lá que te quero levar. ILHA DOS SONHOS é o seu nome.</p><p>Uma hora de viagem e chegámos.</p><p>Mar calmo, temperatura amena, muito verde, muita flor e pessoas com ar feliz.</p><p>- Tão aprazível! - disse eu. Quem é esta gente?</p><p>Marta respondeu que eram personagens que como ela, tinham saído dos livros, inconformadas com o destino que os autores lhes reservavam.</p><p>- Olha ali naquele banco de jardim. Vês o jovem casal olhando com ternura os filhos que brincam? São Romeu e Julieta de Shakespeare, refugiaram-se aqui para viverem felizes sem brigas nem mortes.</p><p>E mais além no coreto, não ouves? Canta-se uma área de Verdi. Aqui Aída não morre.</p><p>Ali, repara muitos soldadinhos jovens!</p><p>Fugiram de batalhas onde os autores lhes davam como certa a morte. Não querem ser “O MENINO DE SUA MÃE QUE JAZ MORTO E APODRECE” como nos diz Fernando Pessoa no seu poema. Aqui nesta ilha eles dedicam-se ao bem fazer e a proteger quem deles necessitar.</p><p>E assim Marta me foi contando e mostrando o novo destino de personagens fugidas de livros.</p><p>Por fim disse: - Agora separamo-nos. Aqui é o meu lugar. Tu segues, eu fico.</p><p>Com alguma mágoa concordei. Entendi que era o fim da sua viagem.</p><p>- Toma – disse Marta, estendendo-me o seu chapéu. Leva-o como recordação.</p><p>Acenei um último adeus e voltei para o barco.</p><p>Sentei-me e adormeci.</p><p>O barco pôs-se em movimento… Num solavanco mais brusco, o ruído de alguma coisa a cair despertou-me. Esfreguei os olhos surpreendida e vi que afinal estava num comboio e o livro caíra no chão.</p><p>Não teria passado tudo de um sonho? Apanhei o livro, página 64, não voltaria leitura… Para quê?&nbsp; Mais do que o escritor eu conhecia o destino da personagem.</p><p>No banco ao meu lado um chapéu de palha. O chapéu de Marta.</p><p>Resolvi sair na próxima paragem. O livro ficaria no banco, certamente alguém o tomaria como um esquecimento e o levaria para ler.</p><p>E assim foi!</p><p>Saí deixando o livro aberto na página 64, talvez que um próximo leitor</p><p>tivesse a chance de conhecer Marta…</p><p>Apenas levei o chapéu!</p><p>Não pude deixar de me perguntar “Afinal quem sou? Não serei eu também personagem inconformada procurando fugir de um destino que algum escritor traçou para mim”?</p><p>&nbsp;</p><p>Existimos?</p><p>Ou seremos apenas</p><p>Sonhos refletidos</p><p>Na fluidez</p><p>Das nuvens</p><p>Ou em lagos</p><p>Adormecidos?</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-16 18:55:59 UTC</pubDate>
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         <title>A garota | Adelaide Canas                            20.03.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3419404149</link>
         <description><![CDATA[<p><strong><em>Sentei-me.</em></strong></p><p><strong><em>O comboio pôs-se em movimento.</em></strong></p><p><strong><em>Pelas janelas a paisagem deslizava em tonalidades de verdes, dourados, amarelos das azedas, vermelhos de papoilas e de quando em quando, o casario de um pequeno povoado mostrava-nos, pelo fumegar que saía das chaminés, que ali havia gente, havia vida, gargalhadas ou tristezas, calor ou frio…</em></strong></p><p><strong><em>No interior da carruagem o alegre riso de crianças e o tagarelar dos adultos.</em></strong></p><p><strong><em>Alguns farnéis foram tirados das cestas e um cheiro de fritos e frutos inundou-nos.</em></strong></p><p><strong><em>Tentei abstrair-me, abri o livro e recomecei a leitura.</em></strong></p><p><strong><em>Daí a instantes</em></strong>, abre-se a porta da carruagem e entra uma garota seguida por uma mulher jovem, que avançam no corredor e se sentam exactamente á minha frente, viradas para mim.<br>Voltei ao meu livro… mas, pouco depois, não resisti a observar discretamente as minhas companheiras. A menina tinha uns olhos grandes e vivos numa carita redonda de traços suaves;&nbsp; a boca pequena de desenho perfeito. Apercebi-me de que também ela me espiava por curtos instantes, baixando a seguir os olhos para as suas mãozitas pousadas no seu colo. <br>A mãe – seria a mãe?? … apenas se detectavam parecenças nos mesmos olhos grandes e negros – olhava o exterior seguindo a paisagem que se afastava. Que idade teria? No seu semblante descobriam-se traços de amargura nos cantos da boca um pouco descaídos e nas rugas marcadas na testa. Os seus gestos, ao orientar a criança e no arrumar da mochila ao seu lado, eram suaves e a sua voz era doce, não impositiva.</p><p>A criança parecia-me dócil e pouco faladora. Voltei a fixar-me na minha leitura… Mas tinha a percepção de que a garota continuava a espiar-me… Passado um bom bocado apercebo-me de que a garota levantava a cabeça para a mãe e lhe puxava a manga do casaco.</p><p>A mãe: - Que é, meu amor?<br>&nbsp;- Oh mãe, há quanto tempo que não me mostras o teu buraco por onde eu nasci!!!<br>- Filha, fala baixo.<br>- É verdade mãe! <br>As cabeças nos bancos próximos dos nossos todas se levantaram para aquela mãe que, corada, embatucada, abanava a cabeça.<br>…/…<br>O meu olhar encontrou os seus olhos grandes com alguns vincos laterias. Continuou a abanar a cabeça, e diz-me com certa ânsia:<br>&nbsp;- Ela nasceu por cesariana! …<br><br>O comboio manteve a sua marcha. <br><br></p><p>Fim</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-22 10:08:11 UTC</pubDate>
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         <title>Proposta 2: A agulha e o piano | Graciosa Reis | 23.04.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3422053738</link>
         <description><![CDATA[<p>Abram a imagem para lerem melhor a proposta</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-23 19:35:31 UTC</pubDate>
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         <title>As peúgas de Chopin | Carolina Palminha | Maio 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463055305</link>
         <description><![CDATA[<p>Chopin estava cansado, tinha acabado de compor um dos seus famosos Nocturnos.&nbsp;</p><p>Precisava agora descansar a mente e entregar-se a uma actividade em que os dedos tivessem um dedilhar mais repousado. Lembrou-se, então, que tinha nas suas gavetas algumas peúgas esburacadas.</p><p>Pensou, estão vergonhosas, vou dar-lhes uns pontos. Levantou-se, tomou um copo de água e muniu-se de linhas e dedal que lampeiros e felizes lhe saltaram para as mãos, mas...a Agulha recusou-se a sair do agulheiro.</p><p>- Parece que colou aqui, pensou Chopin surpreendido. E sem nunca na vida pensar ouvir uma resposta, perguntou: -Porque não sais dessa caixa, preciso de ti. Olha aqui as minhas peúgas. Preciso cozê-las, não sejas preguiçosa!&nbsp;</p><p>Então, para grande espanto, uma vozinha fina, aguda, metálica e bocejante fez-se ouvir.&nbsp; (Com o espanto até o dedal saltou do dedo do Chopin começando a rebolar no chão como se dançasse uma das suas Mazurkas).</p><p>-Quero dormir, dizia a Agulha irritada e molengona.</p><p>- Mas onde já se viu Agulha dormir? És um objecto inanimado não tens querer ou não&nbsp; querer.</p><p>Responde a Agulha: -É que não aguento mais ouvir-te! Há horas que estás compondo os teus Nocturnos, e nocturno pressupõe noite, repouso, bocejo, sono...tenho sono! Essas tuas composições deixam-me numa tranquilidade, encantamento e relaxamento que adormeci e NÃO QUERO ACORDAR!&nbsp;</p><p>Sem saber como combater e resolver tão bizarra opinião Chopin regressou ao piano, mas desta vez não foram os dedos que lá pousou, mas sim os cotovelos. Apoiou o queixo nas nas mãos e ficou pensativo procurando uma maneira de resolver o assunto.</p><p>De repente sorriu esperançoso.</p><p>-Ah, esta Agulha surpreendentemente ouve a minha música, então talvez consiga uma solução!&nbsp;</p><p>Ajeitou o banco, os dedos acariciaram as teclas e...tocou uma Valsa!</p><p>E para espanto de tudo quanto era utensílio inanimado, a Agulha saltou do agulheiro e de rodopio em rodopio, sobre o próprio teclado dançou com ligeireza e harmonia a Valsa!</p><p>Terminada a composição a Agulha, ágil bailarina, disse:</p><p>-Vamos lá cozer as peúgas; onde já se viu Pianista de meia rota?</p><p>E eu, autora deste texto termino dando-vos um conselho, "quando quiserdes remendar, alinhavar, cerzir, pespontar, fazer bainhas, pregar botões ou colchetes, ponde uma Valsa de Chopin a tocar e vereis como a Agulha desliza ligeira sobre o tecido, às vezes até&nbsp; de braço dado com o dedal!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-22 10:26:15 UTC</pubDate>
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         <title>Uma Agulha e um Piano | Alina Oliveira | 09.05.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463063521</link>
         <description><![CDATA[<p> Entardecia num dia de sol.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era a casa de uma ilustre família da região.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Margarida, a dona da casa costurava quando alguém a chamou.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Levantou-se, colocou o que estava a costurar em cima do piano que estava ao seu lado e saiu da sala apressadamente.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Junto ao pano que costurava, estava uma agulha brilhante e com um bico aguçado. Esta escorregou e foi cair sobre o velho piano preto.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No silêncio da sala ouve-se um gemido:</p><p>- Ai que me estragas a minha pintura!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pequena agulha mexeu-se, retorceu-se e viu que o queixoso era o velho piano, respondendo em seguida:</p><p>- Não estrago nada. Sou apenas uma pequena agulha inofensiva.</p><p>- Inofensiva tu? Um pedaço de metal pontiagudo… Só serves para cozer roupas velhas e esburacadas. Vais estragar o meu tampo lustroso, talvez caias sobre as minhas teclas e as encraves. Ai que desgraça a minha!</p><p>Eu, um ilustre piano, com um som melodioso que já tocou nas melhores salas de espetáculo…</p><p>Sai daqui agulha atrevida!</p><p>- Piano toleirão, porque dizes isso? Eu tenho o meu mérito! Já costurei roupas dignas de uma rainha, nas mais delicadas sedas, lindos vestidos de noiva, e bordei autênticas obras de arte… Eu também sou artista.</p><p>Indignados um com o outro, a agulha e o piano remeteram-se ao silêncio, ambos desgostosos com o que lhes estava a acontecer.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De repente, algumas vozes se aproximam. Entram dois ladrões na sala exclamando:</p><p>- Aqui só há coisas velhas! Talvez este piano velho nos dê algum dinheiro… Vamos levá-lo…</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aproximam-se do piano, que já estava a ficar aflito.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No momento em que um dos ladrões se aproximou e se preparava para pegar no piano, a pequena agulha contorce-se com todas as suas forças e dá uma valente picadela no ladrão, que grita a plenos pulmões:</p><p>- Aiii! Fui atacado. Vamos embora daqui. Esta casa está assombrada, os objetos mexem-se sozinhos.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Correram dali para fora, com quantas pernas tinham.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O velho piano percebeu o erro que tinha cometido e o valor da pequena agulha. Agradeceu por esta o ter salvo e pediu-lhe desculpa por tê-la subestimado.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tornaram-se bons amigos e a agulhita passou a bordar, dançando como num bailado, ao som de músicas maravilhosas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-22 10:33:59 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>O Fato de Arlequim | Adelaide Canas  | Maio 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463073416</link>
         <description><![CDATA[<p>     Mariana fora muito dotada. Desde criança que os professores, que a ela se foram dedicando, lhe vaticinavam um futuro promissor.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os pais, no entanto, quando ela terminou o curso liceal, insistiram para que ela se dedicasse a fazer um curso superior realista que lhe assegurasse um futuro profissional consistente. Ser “virtuose” na música, como noutros ramos das artes, é uma escassa hipótese. “Pés assentes na terra, Mariana!!”.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi assim que se viu matriculada em Arquitectura. Mas&nbsp; não abandonou os estudos de piano dedicando-lhe religiosamente 3 a 4 horas do seu dia. <br>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As notas, nas várias cadeiras que foi fazendo, eram quase sempre boas ou óptimas. Os pais sorriam encantados com os resultados. <br>&nbsp;&nbsp; Na Faculdade Mariana conheceu Rafael também um aluno brilhante, com o qual se foi familiarizando. Mas, o tempo dedicado ao seu novo amor, foi-lhe tirando tempo ao estudo do piano … E Mariana sentia-se incomodada.<br>&nbsp;&nbsp; A meio do 3.º ano do curso, após longa ponderação, toma duas resoluções: 1.ª deixar o curso de Arquitectura e aplicar-se a fundo ao piano; 2.ª dedicar ao Rafael a atenção e a ternura que por ele sentia, a fim de, logo que possível, as suas vidas se juntassem num projecto de família.<br>E assim foi que os seus progressos no Conservatório foram notórios, avizinhando-se, dois anos depois, a sua apresentação em público com grande espectativa dos mestres. <br>&nbsp;&nbsp; Acontece que Mariana tinha outros dotes…<br>&nbsp;&nbsp; A sua sobrinha Rita, de seis anos, que ela adorava iria ter a sua festa de final do ano onde iria representar. A tia prometera-lhe fazer o traje de Arlequim que ela envergaria. <br>Em vésperas da sua apresentação pública na Gulbenkian, depois de 4 horas seguidas a premir as teclas do seu piano, para aprimorar o concerto de Rackmaminov, se lembrou da promessa feita a Rita.<br>Corre para a sala da costura e senta-se à máquina, disposta a terminar o fato de Arlequim. Colocou o tecido debaixo da patilha, mas num movimento brusco e irreflectido, dispara o mecanismo antes de retirar o dedo indicador da mão esquerda, que apontava o tecido…E a agulha atravessou-lhe a polpa do dedo, manchando de sangue o tecido. <br>&nbsp;&nbsp; Mariana num desespero doloroso, leva o dedo à boca enquanto dos seus olhos saltam duas lágrimas.<br>No dia da apresentação na Gulbenkian, Mariana comparece com um vestido azul escuro, simples, mas distinto, complementado com uma écharpe prateada, que lhe vela os ombros nús, mantendo a mão esquerda resguardada da vista da audiência, nessa écharpe. <br>Logo que os aplausos declinam, senta-se ao piano e a orquestra inicia o concerto. Quando o maestro lhe dá o sinal de entrada, Mariana expõe as duas mãos sobre as teclas e inicia a sua parte. <br>Rafael, sentado na 2.ª fila da plateia, testemunha um zum-zum à sua volta. A pianista apresentava um um dedo da mão esquerda envolto em algo branco que lho avolumava!...<br>A interpretação foi maravilhosa, assertiva e emotiva simultâneamente!<br>Quando agradeceu os aplausos entusiásticos e prolongados, fazendo vénias, poisou sem hesitação a mão esquerda no peito, mostrando o dedo, sem receio, a toda a sala.<br>No dia seguinte as secções culturais de vários diários referiam-se a Mariana Maia, não como uma promessa, mas como uma adquirida grande solista. A televisão oficial havia transmitido em directo o concerto e, como habitualmente, várias vezes foi feito o grande plano do teclado e das mãos da pianista. <br>Nesse dia seguinte ao concerto, nas reuniões e tertúlias de aficionados da Música Clássica, todos referiam a “Pianista do dedo entrapado”.<br>E a Rita fez um figurão com o seu fato de Arlequim.<br><br><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-22 10:42:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A agulha bailarina e o piano encantador | Graciosa Reis | 09.05.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463076420</link>
         <description><![CDATA[<p>     Na sala de estar de uma casa acolhedora, iluminada pelo suave brilho do amanhecer, onde o aroma de chá perfuma o ar e as paredes guardam memórias de gerações, vive um piano imponente de madeira polida, com teclas de marfim brilhantes que já sentiram o toque de várias gerações. Ele é o coração do espaço, reverenciado pela sua capacidade de evocar emoções profundas.<br>&nbsp;     Ao lado, numa pequena cesta de costura repousa um bastidor com um bordado e uma agulha pequena, silenciosa e presa no tecido. <br>     Nessa casa, as mãos que enfiam, movem e orientam a agulha são as mesmas que acariciam e dedilham as teclas de marfim. Mãos finas, alegres e cheirosas. As mãos de Maria Eduarda, a senhora da casa. A agulha e o piano gostam delas, sentem-se embevecidos perante tanta agilidade e segurança. <br>     Porém, certo dia, ambos pressentem um nervosismo e uma desmesurada insegurança: a agulha ora fica suspensa e pensativa, ora desliza e cai; o piano, maltratado, solta sons irregulares, desafinados. Esta desorientação prolonga-se no tempo, até que, uma manhã, a sala permanece sombria e silenciosa.</p><p>     A agulha que sempre aspirou a ser bailarina ao som do piano que tanto admira e, secretamente, inveja, suspira de inacção e tédio. <br>     O piano, por sua vez, sente-se inútil e solitário. As suas teclas há muito que não ressoam melodias, que não são acariciadas, que não ouvem aplausos.<br>     Cansada de esperar, a agulha começa a treinar alguns passos de dança, em bicos de pé e devagarinho salta para a direita, salta para a esquerda, experimenta o <em>plié</em>, o <em>tendu</em>, o <em>rond de jambe</em>… Suspira e recomeça… <br>     Mas, certo dia, enquanto ensaia os seus passos sobre o pano de bordado esticado, ouve um gemido, um som mágico vindo do piano, ali mesmo ao seu lado. É uma melodia triste e encantadora. A agulha bailarina não resiste, salta para o chão de madeira e desliza até ele, atraída pela música como se fosse um apelo do destino. <br>- Olá, senhor Piano, diz a agulha, numa voz fina, mas firme. <br>O piano surpreendido, suspende os seus sons, e responde gentilmente.<br>- Olá, senhora Agulha. O que a traz até mim?<br>- Ouvi a sua música e não resisti. Sabe, estou angustiada porque não tenho ninguém com quem conversar, nem nada para fazer. Farta de ficar presa, até já comecei a treinar uns passinhos de dança para ocupar o tempo e sacudir o corpo. Se não for assim, enlouqueço e …<br>- Pois é… sinto o mesmo, atalhou o piano. Confesso que ouvi uma certa agitação e foi por esse motivo que comecei a mover as teclas.<br>- Importa-se que suba até aí para conversarmos melhor? Pergunta a agulha.<br>- Suba, suba. Terei todo o prazer em conhecê-la. Retorque o piano, esboçando um sorriso.<br>     A Agulha esguia e graciosa, não se faz rogada, sobe por aí acima e, sem resistir, começa imediatamente a esboçar uns passinhos hesitantes… <br>     Nesse instante, Piano, o velho cavalheiro, sente algo que jamais havia sentido. A pequena Agulha, com a sua elegância delicada de movimentos leves, desliza sobre as suas teclas como uma estrela num céu escuro, transformando cada nota num afago melodioso, numa poesia viva.<br>     Nesse dia, entre uma agulha e um piano nasceu uma amizade improvável, assente na cumplicidade e no desejo de manter vivo o que, inexplicavelmente, se tornou sombrio. <br>Dia após dia, semana após semana, a Agulha bailarina e o Piano encantador tornam-se inseparáveis. Ela dança, ele toca. Ele tange, ela baila. Ele afina-se, ela eleva-se. Juntos compõem harmonias que ecoam pela sala desabitada. <br><br>E assim, juntos, emergem por entre as cortinas da solidão e do abandono, da dor e do luto. Juntos criam a mais bela dança, uma sinfonia de amor entre a música e o movimento. Um amor selado na melodia do tempo.</p><p><br/></p><p>A agulha bailarina<br>improvisa e treina<br>voltas e reviravoltas<br>intensamente</p><p>O piano encantador<br>desafina a dor<br>nas teclas brancas e pretas<br>perdidamente<br><br>A agulha e o piano<br>juntos<br>tocam e volteiam<br>melodias breves e soltas<br>apaixonadamente</p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-22 10:45:37 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463076420</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Um piano aventureiro | Helena Cabral | 20.05.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3463083192</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tinha-me inscrito neste grupo de escrita criativa e ia para a segunda sessão, animada e muito apressada, quando a caminho da sala de reuniões, vivi&nbsp; um momento insólito que vos quero contar.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Encostado ao fundo de um corredor pouco iluminado, estava um piano vertical de madeira escura, antigo, com o tampo levantado, mas silencioso. Quase invisível.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; “Belo piano!” , pensei. Não resisti a tocar numa e noutra tecla, ao calhas.</p><p>- Ai! Aí não, que me dói! - A voz era rouca e desafinada. Um tanto triste.</p><p>-Um piano falante?!&nbsp; - comentei.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Toquei noutras tantas teclas. E o som era cada vez pior: abafado, entrecortado e rouquíssimo:</p><p>-&nbsp;Para, por favor!” - gemeu o instrumento.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pensei que delirava. Confesso que até transpirei um pouco. E talvez para pôr um pouco de ordem naquela cena absurda, exclamei:</p><p>-&nbsp;Ai …!&nbsp; Querem ver que agora tenho aqui um piano falante?</p><p>- Chiu! Não me assustes. Falo e tenho umas queixas e um pedido a fazer-te. Isto se quiseres ajudar.</p><p>Perante o meu mutismo, continuou:</p><p>- Fui comprado num leilão e, na semana passada, oferecido a esta biblioteca. Não toco há muito tempo porque tenho várias cordas desafinadas. Anteontem veio cá o afinador para me arranjar. Compôs-me uns martelinhos, mas quanto a&nbsp; afinar as cordas, nickles! Não tinha a agulha de afinação. Que voltava no dia seguinte. Até agora, nada.&nbsp;&nbsp; Não terá as ferramentas? Ora, para mim um dia é muito tempo, principalmente porque acreditei no senhor afinador.&nbsp; Não posso mais! Ajuda-me, por favor!</p><p>- Como? Achas que eu tenho alguma agulha que te possa afinar? Eu aqui só leio, oiço e conto histórias.</p><p>- Pronto, isso mesmo! Vais levar-me para outra história.</p><p>- An?</p><p>- Quero ir para a história da “Bela e o Monstro”. É que ele é um pianista maravilhoso. Leva-me daqui para essa história, please! Como é uma história de encantar, começo logo a tocar muito bem. Nem preciso de afinador!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta altura, estar à conversa com um piano já era a coisa mais natural desta vida, mas ainda assim, arrisquei um pouco de normalidade:</p><p>-Isso não é possível. Não posso levar-te daqui para outra história.</p><p>E o piano:</p><p>-&nbsp;Ai não? Então e na história escrita pela Carolina no mês passado? A Marta não saltou da página 64 para um lugar de passageiro ao lado do narrador com quem se fartou de conversar no comboio? Por isso trata mas é de pôr mãos à obra. A escrita tem poderes.</p><p>A voz metia dó, mas mesmo assim era um piano muito fluente e com um discurso muito claro e convincente.</p><p>-És muito aventureiro!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cheia de dúvidas, mas desejosa de dar uma nova vida a este amigo, assim fiz.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>     Passou tempo. O fundo do corredor está agora vazio, mas ficou a grata lembrança deste encontro tão fugaz. E sempre que abro o livro da “Bela e o Monstro”, oiço o som distante e maravilhoso das teclas de um piano muito, muito afinado.</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-22 10:52:20 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 3: A mulher na praia | Graciosa Reis | 26.05.2025                                                             Premissas: A partir das orientações e da imagem fornecidas pelo  escritor João Pinto Coelho, escrever um texto livre. Não é rigoroso cumprir o n.º de palavras sugeridas.  Este desafio foi apresentado pelo escritor, no Facebook (28.08.2024)     </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3467880915</link>
         <description><![CDATA[<p>Querem um desafio a sério? Então leiam até ao fim:</p><p>Há uns dias, vi esta mulher numa praia às moscas. Chegou cedo ao areal, não se despiu, sentou-se, olhou para o mar e começou a escrever.</p><p>Para um romancista, o voyeurismo é tão irresistível como as leituras vorazes, por isso, expondo-me aos vossos insultos, fotografei-a às escondidas.</p><p>Usei zoom para os pormenores, preservo-lhe o anonimato.</p><p>Vejam a sequência das imagens, uma sequência que se repetiu pela manhã fora:</p><p>1 - escreve,</p><p>2 - olha demoradamente sei lá para onde,</p><p>3 - volta a escrever, olha em frente. (o que a detém? Será sintaxe? Será paixão?)</p><p>... e por aí adiante.</p><p>Quem é ela?</p><p>Para quem escreve?</p><p>O que escreve?</p><p>Uma carta de amor? de despedida? Com o que sei desta mulher, pode não passar de uma lista do supermercado.</p><p>Mas não vos apetece propor outra coisa?</p><p>Não vos apetece escrever um conto?</p><p>Se não vos parecer irresistível, por favor, nem tentem.</p><p>Será sempre coisa pequena, 1500 palavras, no máximo.</p><p>Não sei se precisam de detalhes para a vossa história, mas ela escreve a lápis numa folha azul. E pousa-a num romance…</p><p>ou será num livro de poemas?</p><p>E se for num livro de poemas, será provável que um deles, se calhar o de abertura, lhe seja dirigido?</p><p>Já adivinharam até onde podem ir com quatro fotografias?</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-26 19:20:31 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O Caixote das fotografias | Adelaide Canas | Junho 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3493359609</link>
         <description><![CDATA[<p>Tinha-me entregue, finalmente, a uma tarefa há muito tempo programada mas sempre adiada: organizar as fotografias de anos e anos acumuladas em dois caixotes e ainda nos envelopes vindos da revelação (ainda não havia o digital…)<br>Por sorte, tinha escrito em cada envelope a data e o acontecimento retratado (1989 – Rússia e Berlim; 1990 – India e Nepal; 1992 – Nova York; 1994 – Paris – Congresso; …) Inconscientemente sorria ao memorizar os acontecimentos passados.<br>Eis que. De um dos envelopes de 1996 retiro 4 fotos sem relação com o acontecimento referido. Parei com elas na mão e a memória leva-me para outra dimensão…<br>Naquele dia, terminado o turno de 24 horas de Serviço de Urgência, saí do hospital miserável de cansaço e de desânimo. Há dias em que as dúvidas nos preenchem e nos levam a fazer um balanço às nossas actuações e capacidades.<br>Era Outono. O dia cá fora estava tranquilo. O sol aparecia coado por uma neblina. A temperatura do ar era confortável.<br>Meti-me no carro mas não arranquei logo. Apetecia-me estar sozinha e em contacto com a Natureza. Decidi-me pela beira-mar mas uma beira-mar selvagem. Direcção Costa da Caparica. A travessia da ponte foi tranquila; àquela hora o trânsito não incomodava. Chegada à Costa, continuei em direcção às praias mais afastadas e parei na Riviera. Saí do carro e caminhei pela duna em direcção à praia. Maré baixa, praia vazia de gente e de gaivotas. Porém, a uns 50 metros do ponto onde desemboquei, um vulto escuro. Firmei a vista e confirmei tratar-se de uma mulher sentada na areia, imóvel.<br>Sentei-me a olhar o mar, respirando fundo e dispuz-me a fazer o meu balanço…<br>De vez em quando, involuntariamente, o meu olhar poisava naquele vulto que parecia empenhado em qualquer coisa que tinha no colo. Fui reparando que a sua cabeça por vezes se levantava a olhar o mar ou o céu, mas logo se baixava para o seu colo. Firmando melhor o olhar, pareceu-me que escrevia. A certa altura virou a cara na minha direcção e pareceu-me reconhecer alguém… A Mariana! Era ela! &nbsp;Tive o impulso de correr para ela e abraçá-la … mas… espera! Li, há algumas semanas, na imprensa cor-de-rosa, que a notável pianista Mariana Maia estava em processo de separação do marido, o conhecido arquitecto Rafael Mateus!<br>É melhor deixá-la! disse para mim – veio procurar sossego, tal como eu, e está aviver seguramente uma etapa difícil! <br>Levantei-me e iniciei o caminho de regresso à duna. Mas, irreflectidamente, meti a mão na bolsa de onde tirei a máquina fotográfica, que sempre me acompanhava e disparei 3 ou 4 vezes, acionando finalmente o zoom que fixou o seu colo e a sua mão.<br>No regresso a casa fui rememorando o tempo liceal em que, no colégio, éramos quase inseparáveis. Mas a vida levou cada uma no seu rumo e os nossos encontros foram rareando.</p><p>Separei as 4 fotos e fui em busca da velha agenda telefónica. “Será que a família ainda lá vive?” Tentei.<br>- Boa tarde! É da casa da Mariana Maia?<br>- Boa tarde! É sim, mas ela não está. Quem fala? (era uma voz débil, cansada)<br>- É a Luísa Osório, colega da Mariana no colégio. Estou a falar com a mãe, a dona Etelvina?<br>- Sou eu sim! Luísa! Há que tempos!<br><br>Uma semana depois, estava eu sentada numa mesa da pastelaria Versailles, virada para a entrada, esperando a Mariana. Esperei pouco. A sua silhueta em contra-luz não me enganou: era o mesmo andar decidido, o nariz empinado, o olhar vago. Embora me parecesse mais “volumosa”… Levantei-me e ela correu para mim de braços abertos.<br>- Há que tempos!<br>- Há que tempos!</p><p>Desfizémos finalmente o abraço que parecia eternizar-se e desfiámos as histórias das nossas vidas.<br>- Há mais de 20 anos! <br>- Sabes o que proporcionou este encontro?<br>Mostrei-lhe então as fotos tiradas 15 anos atrás. Ela quedou-se com um ar sério e franzindo o sobrolho olhou longamente as fotos sem nada dizer. Eu não quebrei o silêncio. A certa altura olha em alvo, abrindo um leve sorriso melancólico.<br>- “Nesse dia estava a elaborar um longo escrito para o meu advogado… sabes, Luísa, os homens têm sempre a tendência a desculpabilizarem-se uns aos outros…<br>foi com os argumentos que explanei nessa missiva que o orientei no sentido devido para defender aminha posição aquando da minha separação do Rafael.”<br>- “Pois, toma! São tuas as fotos. Fica com elas!”<br><br>Reatámos os nossos encontros e a nossa amizade.<br>Mas os caixotes das fotografias, na minha casa, ficaram outra vez à espera de um novo fôlego.</p><p><br>(escrito com o antigo acordo ortográfico)<br><br><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-17 14:29:20 UTC</pubDate>
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         <title>O mar. Sempre o mar | Graciosa Reis | Setembro 2024</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3493365014</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>Era cedo. O sol ainda se escondia para além das nuvens. O mar, no seu vai e vem, cortava o silêncio de uma praia ainda vazia, ou quase.</p><p>A mulher chegou num passo decidido, estendeu a toalha, descalçou as sandálias e sentou-se. Repentinamente, tirou do saco um livro e abriu-o para retirar as folhas azuis que lá se encontravam. Com um lápis escreveu, riscou o que escrevera, olhou para o horizonte como se ensaiasse as palavras que ia escrever, respirou profundamente, debruçou-se sobre as folhas e escreveu. Escreveu durante uns longos minutos. Riscou, mirou de novo o mar, e voltou a escrever. Pressentia-se a urgência da escrita.</p><p>Maria já antes tinha tentado resgatar no papel as emoções de um longo fim-de-semana passado a dois. O sorriso de M. veio quebrar a monotonia de uma vida arrumada, há muito sem surpresas. Foram três dias de companheirismo, de risadas, de sol, de mar, de desejos saciados. Três dias que passaram num ápice e, provavelmente, sem repetição. <br>M. habitava noutro lugar.</p><p>Sentia necessidade de transpor para o papel tudo o que viveu. Pareceu-lhe a única maneira fiável de manter viva essa memória e, quem sabe, um dia, talvez ousasse enviar uma cópia a M.</p><p>Em casa, no pouco tempo livre que dispunha, tentou fazê-lo mas faltava-lhe a concentração, achava ela. Desculpou-se com o barulho do autoclismo do vizinho ao lado, com a música do adolescente do piso inferior, com a agitação da rua, com o cansaço do dia de trabalho. O papel permanecia virgem, não era capaz de expressar o que sentira, o que vivera.</p><p>Certo dia, levantou-se cedo, não tinha obrigações definidas. Procurou o livro que andava a ler,&nbsp;<em>Mãe, Doce Mar.</em>&nbsp;Há vários dias que não lhe pegava. A cabeça andava desarrumada, as palavras que aí se emaranhavam eram outras. Olhou de novo para a capa do livro e esboçou um sorriso. Pegou nele, colocou no interior as folhas azuis e saiu apressada e convictamente. Como não pensara nisso antes.</p><p>Sentada na praia ainda pouco movimentada, as frases que em casa lhe faltaram, surgiram, primeiro, impetuosas e atabalhoadas. Depois, as palavras alinharam-se com as emoções e foi construindo uma história, a sua, que espelhava os momentos vividos e partilhados naquele engate de verão.</p><p>Quando pensou ter concluído, satisfeita e orgulhosa, olhou em redor, calmamente e avistou um casal deitado lado a lado. Pensou em M. e gostaria que fossem eles, ali, a saborear o sol ainda fraco àquela hora da manhã. Retirou o olhar e o pensamento e viu, mais atrás, um homem sentado numa toalha com uma máquina fotográfica na mão. Se tivesse olhado mais atentamente, talvez, reconhecesse o autor do livro que tinha no colo e que lhe insinuou o caminho. Um homem hábil nas palavras e caçador de instantes, que lhe captou alguns gestos que mais, tarde, serviriam para uma proposta de desafio de escrita ou, quem sabe, para um novo romance.</p><p>Desviou o olhar para o areal e para as ondas que aí se desfaziam suavemente. Respirou a tranquilidade do mar e regressou ao seu texto. Escreveu mais umas linhas, melhorou algumas frases, substituiu algumas palavras. Sorriu aliviada. Perdeu-se nas memórias ainda vivas e alimentou-as com novos ingredientes. Os sonhos eram seus. Ninguém lhos poderia roubar nem mesmo condenar. A sua vida, a partir de agora, alimentar-se-ia de uma nova vitamina. O amor.</p><p>Levantou-se e passeou no areal, mesmo junto ao mar, como se acariciasse a espuma das ondas desfeitas, num agradecimento. Demorou-se na sua quietude.</p><p>Quando regressou à toalha, pegou no saco, calçou as sandálias e retornou a casa. Tomou um banho, escolheu um vestido alegre e saiu.</p><p>Na rua, o sol, agora brilhante, acariciou-lhe o rosto.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-17 14:35:44 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Área não vigiada | Helena Cabral | Junho 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3498125557</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A minha vida é entre marés, que é a melhor forma de se viver. Dias folgados e prazerosos. Água vai, água vem, entre areia, algas e rochas com anémonas, lapas e bivalves&nbsp; e outras tantas criaturas marinhas que me fazem companhia ou ameaçam, assim são os meus dias. Não há monotonia na vida de um caranguejo.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antigamente este areal não era vigiado, e quem o frequentava espalhava-se por ele fora .Há uns anos, espetaram uma bandeira azul e uma outra que varia entre amarelo, verde e vermelho, guarda-sóis e toldos; construíram umas casinhas onde os humanos comem e bebem; e estenderam umas passadeiras que não são para nós.&nbsp; Chamam-lhe praia vigiada. Escapou este recanto onde vivo,&nbsp; mais chegado às rochas, sem bandeiras&nbsp; nem toldos, mas com algum lixo espalhado. O seu isolamento&nbsp; atrai casais, namorados, um ou outro grupo de jovens e alguns solitários como aquela senhora além sentada num montículo de areia perto de uma rocha. Um sítio bem sujinho, por acaso. Fraco gosto.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora eu sou vigilante&nbsp; desta zona sem assistência e cumpre-me ( e a mais quatro caranguejos) fazer saber aos outros seres marinhos destas paragens de algum perigo iminente. (Temos a ajuda de estafetas).</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Agora estou de vigia. Deixa-me cá então aproximar da senhora sentada. Tão delicada que é! Usa um vestido leve e tem os pés na areia. Há um caderno sobre os seus joelhos e o objeto que tem na mão deve ser um lápis. Que imagem tão bonita! Estou embevecido. Vejo agora que pasma fixando um ponto, depois, baixa o olhar para o caderno&nbsp; e com o lápis,&nbsp; zac, zac, zac, escreve ou desenha.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais perto agora: ela observa o lixo! Mas que ideia! Bem, da rocha devo ver o que está no caderno. Vou trepar. Ufa! Valeu a pena o esforço. Espreito e vejo desenhados uma lata e um chinelo. O que se segue? Aos seus pés há uma garrafa de plástico. Mais rabiscos, uma garrafa no caderno. Olha&nbsp; a garrafa evaporou-se! Agora temos aqui milagres?&nbsp; Desta vez desenha um isqueiro. Ups! menos um na areia. Espantoso! É uma limpeza!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ai, vou descer daqui, que esta rocha está seca e quente e eu, já desidratado . Que rica sombra faz o cesto da senhora. Que fresquinho! Não posso é tirar os olhos dela, a ver o que se segue.</p><p>&nbsp;&nbsp; Parou agora para beber água. Que inveja! Lá está ela outra vez parada…pasmadinha, … a olhar para mim! Agora é comigo? Mau!</p><p>&nbsp;</p><p>“Oi! Eu não! Ó senhora, eu não!&nbsp; Está-me a ouvir? Sou um caranguejo, não sou lixo!!”</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ai que ela não ouve ! Pernas para que vos quero,&nbsp; se não, estou perdido!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vou já por aqui abaixo, que este buraquinho húmido é mesmo bom para eu recuperar.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que alívio!</p><p>&nbsp;   Foram espantos, perigos e sustos a mais para um só dia.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agora chega. Vou descansar.</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-22 13:23:26 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>COMO EU VELEIRO… | Carolina Palminha | Junho 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3498254696</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Contaram-me os búzios<br>Que andava no mar<br>perdido ao luar<br>O meu companheiro<br>De velas rasgadas<br>e leme partido</p><p><br/></p><p>Era um amigo<br>Era um companheiro<br>O mastro quebrado<br>O rumo perdido</p><p>Como eu veleiro<br>Em busca de abrigo</p><p><br/></p><p>Recados de espuma<br>De prata e luar<br>Dançando nas ondas<br>Mandava pelo mar</p><p><br/></p><p>Mas um dia a brisa<br>Soprou-me ao ouvido<br>Que não mais se vira<br>O veleiro amigo<br><br>Uma morna tristeza<br>Brandamente me invade<br>De um não sei quê<br>Que nem é saudade</p><p><br/></p><p>E, velas rasgadas<br>o leme partido<br>As ondas<br>Me levam<br>De rumo perdido</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-22 19:15:47 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Viagem de Comboio | Alina Oliveira | Junho 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3503327280</link>
         <description><![CDATA[<p>O comboio entra num túnel escuro e por momentos, parece que a vida se apaga, até que se vislumbra um pequeno foco de luz, ao fundo, que vai crescendo conforme nos aproximamos.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os viajantes prosseguem a viagem em silêncio como se apreensivos por algo que possa acontecer.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O comboio segue o seu caminho, no entanto há algo diferente. A paisagem que antes era alegre e colorida; agora é cinzenta e triste.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Repentinamente o comboio para num apeadeiro.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os viajantes começam a descer da carruagem, olhando em redor, sem saber onde estão e o que fazem naquele lugar triste.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reparam também que os habitantes daquele lugar também têm um ar triste e vivem rodeados de soldados armados.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acerco-me de uma mulher que passava carregando um cesto e pergunto-lhe onde estamos.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mulher olha para um lado e para outro como se estivesse receosa e diz-me que estamos num lugar governado por um tirano que mantém o seu povo infeliz, a trabalhar de sol a sol, sem liberdade para circular, falar com alguém, ou tomar as suas próprias decisões.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Também os livros foram queimados e proibida a leitura àquele povo que apenas podia ter acesso a alguma leitura disponibilizada pelo governo.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A mulher seguiu o seu caminho, sempre com o ar triste.</p><p>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Olho em volta. Os outros viajantes tentavam perceber o que estava a acontecer; o comboio continuava parado na gare, sem dar sinal de que fosse continuar a viagem.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sentei-me num banco da estação, servi-me da minha merenda e dei por mim a pensar como é que ia fazer para sair daquele lugar, quanto antes.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Repentinamente um apito estridente, fez com que eu desse um salto do banco onde estava sentada.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O comboio chegara ao destino, olhei em volta, tudo estava tal como eu conhecia. As cores, os cheiros, o riso das crianças.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adormeci e tive um sonho mau, pensei eu.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas é um sonho que não quero voltar a sonhar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-26 19:50:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 4:  A Onda  | Carolina Palminha | 01.07.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3507564224</link>
         <description><![CDATA[<p>Amigas/os!</p><p>Diz-se que escrever é uma espécie de terapia, então porque não aproveitar o tempo livre?</p><p>Pegue num lápis e numa folha em branco e livremente faça um texto (duas, três páginas ou...menos, muito menos...)</p><p>Prefere uma sugestão?</p><p>Lá vai!</p><p>"O MAR ESTÁ LEVEMENTE ENCRESPADO E PEQUENAS ONDAS VÊM BATER NA COSTA ARENOSA. O SENHOR PALOMAR ENCONTRA-SE NA PRAIA, DE PÉ, E OBSERVA UMA ONDA..."</p><p>(Leitura de uma onda, excerto de um texto de Ítalo Calvino, no seu livro PALOMAR).</p><p>&nbsp;E Você, amigo/a o que observa?</p><p>Boas férias, boas observações e...boas inspirações!!!</p><p>E cumprimentos meus e do senhor PALOMAR.&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-01 19:29:09 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3507564224</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Primeiro encontro | Helena Cabral | Julho 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3585895303</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>&nbsp;“[...] <em>Crianças brincam nas ondas pequeninas</em></p><p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E com elas em brandíssimo espraiar</em></p><p><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em volutas e crinas brinca o mar”</em></p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sophia, “<em>Beira-mar</em>”</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;- Quem és tu que me salpicas, me molhas os pés e marulhas ao meu ouvido?</p><p>&nbsp;- Sou uma onda e sou do mar.</p><p>&nbsp;- Sou uma criança e sou da terra.</p><p>&nbsp;- Anda! Mergulha e nada em mim. Eu refresco-te, embalo-te e trago-te de volta à beirinha.</p><p>&nbsp;- …</p><p>&nbsp;- Não tenhas medo. Por agora estou calma e lenta. Não vês?</p><p>&nbsp;- Até pareces de vidro!&nbsp; Vejo tão bem a areia, as conchas e as pedrinhas…</p><p>&nbsp;- Vá, experimenta!</p><p>&nbsp;- Que bom! Sinto-te a passar-me nos braços, nas pernas, a pentear-me …</p><p>&nbsp;- Vês?</p><p>&nbsp;- …Tão limpa e fresca, macia e salgada…</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigada, Onda ondulante. Gosto de ti.</p><p>-&nbsp;&nbsp;Fico contente. Olha, um abracinho?</p><p>-&nbsp;&nbsp;Como é isso?</p><p>-&nbsp;&nbsp;Aprende a ver: Baixo-me um pouco e rodeio-te as pernas como quem faz um laço. É o meu abraço.</p><p>-&nbsp;&nbsp;Ah… gostei muito.</p><p>-&nbsp;Mas agora vai-te chegando para o guarda-sol. A maré está a subir e eu posso ficar agitada e até agressiva. Adeus. Vem na maré baixa.</p><p>-&nbsp;Venho, sim. Até amanhã.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-15 17:04:23 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Vejo-te | Carolina Palminha | Setembro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3587671916</link>
         <description><![CDATA[<p><strong><em>“O mar está levemente encrespado e pequenas ondas vêm bater na costa arenosa. O senhor Palomar encontra-se na praia, de pé, e observa uma onda”</em></strong> (Palomar, de Ítalo Calvino)</p><p>&nbsp;</p><p>Também eu cheguei à praia, sentei-me no areal e comecei a escrever…</p><p>&nbsp;</p><p>Vejo-te</p><p>Neste silêncio de Mar</p><p>Que hoje se fez lago</p><p>Vejo-te</p><p>Na onda</p><p>Que agora inesperadamente</p><p>Se enrolou</p><p>E explodiu na rocha</p><p>Vejo-te</p><p>Nas dunas salpicadas</p><p>De verdes tons</p><p>Vejo-te</p><p>No abraço do jovem par</p><p>Que não resistiu</p><p>Ao sereno encanto do dia</p><p>Vejo-te</p><p>Neste “te” indefinido</p><p>De não sei quem</p><p>De não sei donde</p><p>Que a maré embala</p><p>Talvez perdido…</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-16 13:15:53 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Espuma das Dúvidas | Graciosa Reis | Setembro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3587686726</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Texto breve inspirado em Ítalo Calvino, com um toque de humor e inspiração política.</p><p>Num tempo em que até o mar parece hesitar, este exercício criativo acompanha o senhor Palomar, personagem de olhar minucioso e pensamento inquieto, enquanto observa o vai e vem das ondas. Mas há alguém que o observa também: uma narradora cúmplice, sentada na areia, que vê no seu gesto uma metáfora para o país à beira das eleições. Entre a espuma e o silêncio, entre o olhar e o voto, nasce este texto de hesitação universal e muito pessoal.</p><p><strong><em>“O mar está levemente encrespado e pequenas ondas vêm bater na costa arenosa. O senhor Palomar encontra-se na praia, de pé, e observa uma onda”</em></strong> com a solenidade de quem está a tentar decifrar um programa eleitoral redigido na gramática da espuma.</p><p>Eu, sentada a uns metros, observo Palomar. Ele observa o mar. O mar, por sua vez, parece ocupado demais, a repetir-se para reparar em nós. A cena tem algo de coreográfico: a onda avança, recua, avança, recua, ora discreta ora vigorosa, como um candidato em campanha, cheio de promessas e pouco consistente.</p><p>Palomar não pisca. Mantém o olhar na onda. Eu já pisquei vinte vezes, e até já limpei os óculos. Ele permanece imóvel, como se o seu corpo fosse apenas um suporte para o olhar. A onda aproxima-se com mais vigor. Molha-lhe os pés. Ele não reage. Eu reajo por ele, num reflexo solidário. Mas ele continua firme, como quem acredita que o mar só revela os seus segredos a quem não se deixa influenciar por sondagens.</p><p>A próxima onda hesita. Palomar também. A espuma suspende-se por um instante. <br>Ele murmura: <br>— Esta onda... está indecisa. <br>Eu sorrio. Claro que está. Aproximam-se as autárquicas. Até o mar parece dividido entre manter o rumo ou votar na mudança. A espuma recua, como quem não quer comprometer-se. Palomar franze o sobrolho, talvez a tentar perceber se a ondulação é mais virada para o centro ou para a esquerda.</p><p>O vai e vem das ondas torna-se hipnótico. Há uma cadência, uma espécie de respiração do mundo. Palomar parece tentar sincronizar-se com ela. Eu tento sincronizar-me com Palomar, mas ele está num fuso horário diferente. Talvez esteja a contar as ondas como votos. Ou a tentar perceber se alguma delas é populista.</p><p>No fim, quando o sol começa a mergulhar no horizonte e a praia se pinta de dourado, Palomar dá um passo atrás. Olha para os pés molhados. Olha para mim. E diz, com a serenidade de quem passou o dia inteiro a conversar com o infinito:</p><p>— Acho que esta última... estava quase a decidir-se.</p><p>Eu sorrio. Talvez estivesse. Ou talvez fosse só mais uma onda. Mas mesmo entre espumas e incertezas, há sempre um momento em que é preciso escolher. &nbsp;<br><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-16 13:23:45 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3587686726</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Mar encrespado | José Lobato | Setembro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3587698582</link>
         <description><![CDATA[<p>Naquela noite de vácuo negro e infinito, soltam-se rugidos de um mar encrespado em fúria...em fúria esmagado por negras nuvens...rasgadas por raios de fogo tracejante, lançadas pelo punho poderoso de um Poseidon possuído na raiva de ser de novo confrontado por aqueles que se recusam a repousar no interior do seu reino e que não desistem, na sua procura sem fim pela eternidade. Espíritos dos mais épicos dos guerreiros, feitos imortais, voltavam a desafiá-lo, sulcando o seu território à proa de navios fantasmagóricos. Rumo ao Olimpo...rumo à eternidade, navegavam os destroços da nau Trinidad e do galeão Revenge...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-16 13:29:34 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3587698582</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A 0nda da Vida | Alina Oliveira | Setembro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3592513696</link>
         <description><![CDATA[<p>Como uma onda, também a vida vai e vem.</p><p>Há dias calmos, luminosos, em que as horas passam serenamente.</p><p>Depois chegam os dias escuros, tempestuosos, em que as ondas se revoltam, qual dragão em fúria, lançando nuvens de chamas que se agitam formando tornados que tudo arrastam.</p><p>É nestes dias tenebrosos que, como um diamante precioso, um amigo nos dá aquele conforto, que só ele nos pode dar.</p><p>Tudo o que precisamos é daquele lugar, com o mar como cenário e daquele grupo com quem rimos, com quem choramos as nossas mágoas quando é preciso e que nos dão a mão e nos ajudam a sair da tempestade.</p><p>Neste mar de tempestades e bonanças, a alegria da partilha e de partilhar aquilo de que todos gostamos, ajuda-nos a enfrentar outras tempestades, mas sempre com a amizade e a alegria que é, ao fim ao cabo a FELICIDADE.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-18 18:20:55 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 5 :  As Rosas  |  Graciosa Reis | 20.09.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3595255221</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-09-20 18:37:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Vozes entrelaçadas por uma rosa | Graciosa Reis, Alina Oliveira, Carolina Palminha, Helena Cabral, José Lobato, Adelaide Canas | Outubro 2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3635587168</link>
         <description><![CDATA[<p>Recebemos todas uma rosa cor-de-rosa. Idênticas. Mas bastou o silêncio entre o gesto e o olhar para que cada uma começasse a ver a sua como única. </p><p>A minha tinha uma pétala ligeiramente dobrada, como quem hesita antes de se abrir. Fotografei-a. Várias vezes. Na cafetaria, contra o livro, em cima da mesa. Em casa, na jarra onde permanece ainda. Como quem tenta fixar um instante antes que ele se dissolva. E talvez tenha sido aí que a frase me atravessou: “Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que a fez tão importante.” E então comecei a perder tempo. A cheirá-la – tinha um perfume tímido, quase hesitante; a observar-lhe o tom — não era um rosa qualquer, era uma rosa com memória.&nbsp;</p><p><strong>E enquanto cada um se perdia no tempo da sua rosa, outras memórias começaram a florir.<em><br></em></strong>Aquela rosa aveludada e macia foi pousar na jarra sobre a minha secretária de trabalho.&nbsp; Exalava um doce perfume e despertou em mim alguma nostalgia. Reavivou-me memórias e transportou-me àquele lugar, lá atrás, onde vive a infância.&nbsp;<br>Repentinamente, como que por magia, senti que voava para aquele lugar&nbsp;distante e pousava naquele jardim onde estavam os melhores amigos e onde as brincadeiras davam lugar às risadas.&nbsp;<br>O sol brilhava. No ar havia um perfume difundido pelas rosas do jardim.&nbsp;<br>Aquele local e aquelas memórias ficaram guardados no lugar mais recôndito do meu coração, que é onde ficam guardados os momentos felizes.&nbsp;<br><strong>Mas nem todas as rosas chegaram intactas ao fim do dia. E foi aí que o gesto ganhou ainda mais sentido.</strong></p><p>Não o digo por nos ter oferecido a todas uma bela rosa, digo-o porque acredito nisso:&nbsp;</p><p>“O nosso colega José tem cara de boa gente! Coração amável, sensível e solidário!”&nbsp;</p><p>E, assim, Todas regressámos a casa com aquele perfumado e delicado presente.&nbsp;</p><p>Todas, pensava eu! Meti a minha num saco pendurado na minha cadeira de rodas, é que prefiro andar de “descapotável” 😉&nbsp;</p><p>Cheguei a casa e preparei a jarrinha onde iria depositar a bela rosa. Mas…onde estava ela??? Perdera-a no caminho. Daquela Flor, apenas, o caule restou. A corola tinha caído e ficara pelo caminho. Senti pena, mas sonhei…sonhei acordada; quem sabe se alguma alma solitária não a apanhou do chão como um providencial presente que lhe alegrasse o coração?&nbsp;</p><p>Acredito que sim! José, o teu presente não foi em vão. Vês como todas as colegas lhe deram o devido e merecido valor, falando dela com carinho?&nbsp;</p><p>Até uma rosa perdida&nbsp;</p><p>Pode ter o seu condão&nbsp;</p><p>Trazer brilho a um olhar&nbsp;</p><p>Alegrar um coração&nbsp;</p><p>&nbsp;<strong>Mesmo quando se perde uma rosa, algo nela permanece — talvez o convite para continuar a sonhar.</strong></p><p>Olhei bem para a minha rosa. Bela e rara. E que força!! Não era só o perfume, era tudo: era também a sua cor rosa vivo, as pétalas macias e quase carnudas e o seu volume. De onde veio uma rosa assim? A certeza nunca tive, mas na sua companhia viajei até um maravilhoso jardim botânico com uma profusão de plantas inimaginável.&nbsp; ·&nbsp;</p><p>O José, colega leitor e ainda mais sonhador, sabia perfeitamente que o que ali levava para oferecer às companheiras de leitura era muito mais do que um coletivo de rosas reduzidas à habitual função de prenda delicada. Ele sabia&nbsp;dos seus mistérios. Por exemplo, da memória que as tornava únicas. Mas calou o seu segredo, a ver o que viria depois, o que as colegas lhe contariam.&nbsp;&nbsp;</p><p>&nbsp;E soube do jardim florido e fresco para onde a Graciosa foi levada pelo perfume tímido e singelo da sua rosa delicada; que a memória da segunda rosa, com o seu aroma leve e doce, transportou a Alina para o saudoso tempo feliz de brincadeiras de infância num jardim; do destino aventureiro da rosa fugitiva da Carolina e do poema que lhe dedicou e dos meus passeios num maravilhoso jardim botânico por terras desconhecidas pela mão da minha flor.&nbsp;</p><p><strong>E foi então que compreendemos: José não ofereceu apenas flores, ofereceu passagens para mundos interiores.</strong></p><p>&nbsp;Era para ser só uma simples rosa...e, afinal, de uma simples rosa desabrochou uma cascata sublime e bela de sensações, emoções, sentidos... Que enigmático poder é este? Que poder é este que todos nós temos de, através de um pequeno gesto, poder transformar as cores do mundo aos olhos dos outros...aos olhos nossos?</p><p>Não, não...talvez fosse muito mais do que uma simples rosa...talvez um reconhecimento por tudo aquilo que representam pelo facto de serem mulheres... talvez um testemunho inspirado na vossa grandeza de seres tão sensíveis e especiais...como que entidades mágicas, por tão longínquas e inatingíveis à minha humilde condição lógica e racional, comum à nossa condição de homens.</p><p>Ou talvez...ou talvez represente apenas um pedido de desculpas de um <em>homo sapiens</em>, com um atraso de 300 mil anos, por todos os males que vos causámos...medos, maus-tratos, violência primária, escravatura, filhos que vos matámos em guerras que inventámos...quando vos condicionámos e manipulámos egoisticamente...quando vos silenciámos por não suportarmos ouvir a voz da razão, o grito da sensatez.</p><p>Ou talvez...ou talvez essa rosa represente apenas a celebração do começo de uma nova época do nosso Clube de Leitura... o que também não é nada pouco, quando sabemos ser esse o portal encantado de entrada para uma realidade paralela, onde nos é permitido voar e sonhar em conjunto...&nbsp;&nbsp;</p><p><strong>Cada história contada devolveu à rosa o seu mistério. E o que parecia simples revelou-se profundo.</strong></p><p>&nbsp;Se uma rosa oferecida</p><p>despertou tanta emoção</p><p>&nbsp;isso demonstra que a vida <br>seja curta ou mais comprida</p><p>se ancora no coração</p><p>&nbsp;</p><p>Não é uma rosa só cor<br>nem só cheiro de certeza<br>encerra tanta beleza…<br>É uma dádiva de amor<br>um gesto de gentileza.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-16 09:56:10 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 6: Celebrar Al Berto | Graciosa Reis | 25.10.2025  </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3650277059</link>
         <description><![CDATA[<p>Eremitério</p><p>5</p><p><br></p><p>mais nada se move em cima do papel<br>nenhum olho de tinta iridescente pressagia<br>o destino deste corpo</p><p><br>os dedos cintilam no húmus da terra<br>e eu<br>indiferente à sonolência da língua<br>ouço o eco do amor há muito soterrado</p><p><br>encosto a cabeça na luz e tudo esqueço<br>no interior dessa ânfora alucinada</p><p><br>desço com a lentidão ruiva das feras<br>ao nervo onde a boca procura o sul<br>e os lugares dantes povoados<br><strong>ah meu amigo<br>demoraste tanto a voltar dessa viagem</strong></p><p><br>o mar subiu ao degrau das manhãs idosas<br>inundou o corpo quebrado pela serena desilusão</p><p><br>assim me habituei a morrer sem ti<br>com uma esferográfica cravada no coração</p><p><br></p><p><br></p><p>in, <em>Uma Existência de Papel</em> - Eremitério - poema 5</p><p>Al Berto</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-25 15:49:29 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ah meu amigo  | Celina Arroz | 30 Outubro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701149277</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Ah meu amigo</strong>, tantas saudades eu tive tuas neste tempo tão longo para mim! Estamos em novembro. Partiste no final do verão. Passaram dois meses, quando me dizias que a estadia na Bretanha seria por uns dias, com a ausência do teu olhar e da tua mão, de pele aveludada e de toque tão terno e tão leve que mais parece uma folha de papel.</p><p><br/></p><p>Foram dias e horas intermináveis a olhar o <strong>mar </strong>da janela, junto à minha secretária de madeira, herança do meu avô. Escrevi, escrevi e rasguei, rasguei tantas palavras!</p><p><br/></p><p>Durante a noite, nos intervalos das chávenas de café, procurava ver o mar revolto quando o vento sibilante assobiava na sombra <strong>noturna</strong> da madrugada. De dia, ao final da tarde, sentado para começar a escrever, quando a <strong>luz</strong> ténue do sol se esbatia no azul-marinho do oceano, com tonalidades esverdeadas das <strong>algas</strong> entrelaçadas nas cristas das ondas que se espraiavam na areia húmida da praia, imaginava-te em frente do cavalete com o pincel na mão, embebido em tinta escarlate, cor que tanto gostas. A pintar as <strong>mulheres</strong> que a sociedade sacode como moscas varejeiras que perturbam o olhar de uma burguesia hipócrita e velhaca (sobretudo os homens!). As mulheres que navegam na miséria humana nas franjas da sociedade tão desigual, sempre foi uma <strong>obsessão</strong> da tua pintura.</p><p><br/></p><p>Finalmente chegaste. Ontem à noite quando os pássaros tinham deixado de chilrear, tocava o telefone. Ouvi a tua voz trémula de saudade, o meu corpo tenso nestes longos dias relaxava e debruçava-se à janela com o cigarro entre os dedos, o coração a palpitar como uma gaita de foles e a boca ansiosa por te beijar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 13:49:27 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Celebrar Al Berto | Alina Oliveira | 7 Novembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701155125</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<strong>Ah meu amigo</strong></p><p><strong>demoraste tanto a voltar dessa viagem</strong>.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deixaste que o <strong>mar</strong> inundasse as minhas noites e me cobrisse com as <strong>algas </strong>num <strong>noturno</strong> e agitado estado de inquietação.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A minha vida sempre foi repleta de estados de alma que alternadamente tocam a <strong>luz </strong>da felicidade e a negritude da dor.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando estás ausente a saudade e a <strong>obsessão </strong>louca de saber de ti.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fazes-me falta, com o teu sorriso aberto e franco e as tuas palavras sempre prontas a iluminar a minha vida.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sinto falta dos teus poemas.</p><p>De ouvir-te ler os poemas que dedicas às <strong>mulheres </strong>da tua vida. Aquelas mulheres que cuidam de ti, que se preocupam contigo, que te amam. Esse amor maternal que só as mulheres sabem dar.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Demoraste tanto a voltar dessa viagem,</p><p>mas agora estás aqui e a nossa amizade perdurará até à eternidade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 13:54:49 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ah meu amigo | Carolina Palminha | 12 Novembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701161833</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>ah meu amigo</strong></p><p><strong>demoraste tanto a voltar dessa viagem”</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong></p><p>Segui com olhos já de saudade a estrada líquida que o veleiro que te levava traçava nas águas calmas deste mar de luz que o sol nascente iluminava e tornava ainda mais sereno.</p><p>Depois…foi esperar, esperar que voltasses.</p><p>Desenhando pegadas na areia fina salpicada de algas, como uma obsessão percorria, dia a dia, a praia.</p><p>E assim foi passando o tempo. Os olhos quase líquidos de tanto mar. Os meses e os anos sucediam-se e eu continuava esperando.</p><p>Outras mulheres, elas também chorando ausências, olhavam</p><p>esperançadas aquele que era um mar de muitas partidas e poucas chegadas.</p><p>Finalmente um Outono trouxe-te! Não foi o mar!</p><p>Sentada num rochedo senti uma mão que pousava no meu ombro e uma voz que dizia: - Sabia que estarias aqui. Cheguei!</p><p>Ficámos sentados sem palavras. Para quê palavras se há silêncios que tanto dizem?</p><p>E ombro a ombro, mão na mão, a noite foi chegando.</p><p>- Vamos enfeitar a noite, disse ele.</p><p>Pegaste na tua viola e tocaste. Cantámos a nossa canção “A Menina do Mar”.</p><p>As estrelas acenderam-se pontuando aquele céu nocturno de milhares de pirilampos mágicos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 14:00:50 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Vigílias em Desassossego | Graciosa Reis | 10 Novembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701167385</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>(<strong> </strong>Em ressonância com a obra <em>Vigílias</em> nasce este texto que prolonga a vigília em desassossego.)</p><p><br></p><p><strong>Ah meu amigo <br>demoraste tanto a voltar dessa viagem...</strong> <br><br>Como te esperei — ansioso, desolado.<br>Deambulando pelas ruas, procurava-te no rosto fechado das <strong>mulheres</strong> sentadas à soleira das portas, espiando o crepúsculo da vida.<br>Nada. Absolutamente nada. <br>Sentado na areia, desejava que as <strong>algas</strong> te arrastassem até mim. <br>Na mesma posição, ocupado em memórias fugazes, apenas perturbado pelo silêncio sibilante das ondas, vivi dias lentíssimos… sem ti.</p><p>A saudade, feroz, atormentava-me o coração e ofuscava a <strong>luz</strong> radiante do sol que se espelhava no <strong>mar</strong> — único confidente do meu desassossego.<br>A espera tornou-se <strong>obsessão</strong>, a inquietude dos dias invadiu-me e tornei-me, como tu, um rosto louco, <strong>nocturno, </strong>em continuada vigília.</p><p>Agora que regressaste, afasto a melancolia e recupero o ensejo de preencher a folha de papel que há muito aguardava a tinta capaz de lhe dar sentido.<em> <br></em>“ESCREVO-TE A SENTIR tudo isto<br>e num instante de maior lucidez (…)”</p><p>Promete que não voltas a partir... <br>Preciso de ti — aqui, continuamente. <br>Só contigo saberei justificar esta existência de papel.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 14:05:53 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ah meu amigo | José Lobato | 26 Novembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701178765</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Ah meu amigo, demoraste tanto a voltar dessa viagem </strong>e desejei tanto, mas tanto, ter percebido...</p><p>&nbsp;</p><p>Afinal porque partiram assim as <strong>algas </strong>do meu <strong>mar</strong>? Do nada, a noite caiu de uma vez só, abrupta e incomplacente sobre o meu mar...este definhou...agora vazio de sal, vazio de cor, vazio de vida...vazio de tudo...vazio de nada. Do mar salgado apenas sobraram as lágrimas...o mar extinguir-se-ia, não fora aquela pequena <strong>luz nocturna</strong> a cintilar <strong>obsessivamente </strong>mais que todas as outras, no seio de uma galáxia oceânica de estrelas algas ou de algas estrelas. Juro-te que naveguei e escrutinei em cada recanto deste mundo, e sem descanso, todos os homens, todas as <strong>mulheres </strong>e todo e qualquer ser vivo na vã esperança alimentada por uma qualquer crença desesperada em uma celestial reencarnação, nunca vivida, nunca creditada, pelo menos que tenhamos conhecimento até hoje...o sangue e o oxigénio escoaram-se do meu corpo acelerado pelo ritmo incessante de palpitações cardíacas descontroladas e... </p><p>e então rendido, só no descanso dos sonhos te resgatei e consegui finalmente desabafar convulsivamente “Ah meu amigo, demoraste tanto a voltar dessa viagem”.</p><p>&nbsp;</p><p>E desejei tanto, mas tanto, ter percebido...</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 14:15:50 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Internamento | Helena Cabral | 27 Novembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701230589</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Ah meu amigo</strong></p><p><strong>demoraste tanto a voltar desta viagem</strong></p><p>&nbsp;</p><p>        Como uma <strong>alga</strong> que o <strong>mar</strong> leva e traz, aqui estou entre parêntesis e anseio pelo teu regresso. Há quanto tempo!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Já lá vão três meses desde o acidente, e as visitas, frequentes a princípio, foram rareando. Mas não me sinto sozinho e aqui não se está mal. Há boas terapeutas e cuidadoras, <strong>mulheres</strong> tão jovens e ao mesmo tempo tão competentes, dedicadas e afáveis, que nos animam e levam os nossos progressos mais longe. Sinto gratidão.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui aprende-se a viver devagar, com paciência e a dar tempo aos pensamentos. Já não corro atrás do tempo, pois o tempo é todo meu. Da minha <strong>obsessão </strong>por viver com intensidade e em vertigem ficou-me a forte determinação para me reerguer desta condição limitada.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vence o medo de me veres assim e visita-me. Tenho para partilhar contigo um céu imenso, ora diurno e azul, ora <strong>nocturno</strong> e ponteado com a <strong>luz </strong>das estrelas sobre o alto de Santiago. Traz-me as tuas histórias e vem ouvir o que tenho para te contar, que assim nenhum sairá de mãos vazias.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fico à espera.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 15:02:25 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Maré d&#39;escrita  |  27.Nov.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3701480012</link>
         <description><![CDATA[<p>De hoje em diante, somos 𝓜𝓪𝓻é 𝓭' 𝓮𝓼𝓬𝓻𝓲𝓽𝓪</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-11-27 21:13:59 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 7:  Memórias acesas em mantas de vozes | Graciosa Reis | 30.11.2025</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3703737014</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-11-30 15:41:57 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Manta de RetalhEcos | Graciosa Reis  | 5 Dezembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3732200270</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Eu passava horas a mover as figuras do presépio. Até que um dia</strong>, como se fosse a manipuladora de um teatro secreto, escolhi fazer diferente. O burro precisava de férias, coloquei-o em cima da televisão. O pastor sorridente juntou-se à vaca desconfiada, enquanto a ovelha indagava o céu de papel azul. O anjo, cansado de vigiar, mudava de lugar todas as noites, e os reis magos descansavam no sofá como se fosse paragem de viagem.</p><p>Entre risos e invenções, o camelo reclamava da falta de almofada, o cão refugiava-se na fruteira, as bagas vermelhas de azevinho brilhavam como pontos de fogo e o musgo guardava o cheiro da floresta molhada. Mas ao fundo, na cozinha, já se adivinhava o perfume doce das filhoses e dos sonhos, misturado com o lume da lenha e vozes familiares.</p><p>Foi então que Maria, curiosa e atenta, se afastou e caminhou até à biblioteca. Entre prateleiras silenciosas, escolheu livros para ler ao menino Jesus, como se cada página fosse um gesto de carinho, uma história guardada para embalar o tempo.</p><p>Havia também a expectativa silenciosa de surpresas embrulhadas em mistério, como se a noite trouxesse tesouros escondidos. E eu, sentada no chão, ria baixinho das novas posições das figuras, ao mesmo tempo que sentia que aquele <strong>cenário </strong>era uma parte de mim.</p><p>Não era apenas arrumar peças — era bordar segredos invisíveis, inventar diálogos, e guardar no coração lembranças que voltavam sempre, como se a mesa fosse palco de mundos<strong> </strong>eternos, feitos de doçuras e alegria.</p><p>Hoje, estas histórias fazem parte da minha manta de <em>retalhecos</em>, feita de ecos e ternura, como se cada gesto devolvesse lembranças guardadas — aquelas que voltam a acender-se sempre que o presépio ganha voz.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-12-24 16:42:11 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A ALDEIA DA FELICIDADE | Alina Oliveira | 2 Dezembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>A árvore parecia maior do que a própria sala. As luzes piscavam como se soubessem segredos guardados há muito. </strong>Então dirigi-me para a janela da sala a observar as folhas que esvoaçavam com o vento.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi quando, repentinamente, do meio dos arbustos surgiu um pequeno duende com ar assustado.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Corri para a rua no meio de toda aquela ventania e procurei o pequeno duende, que fui encontrar agarrado à árvore maior do jardim e perguntei:</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - O que se passa pequeno Duende? Estás bem?</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Estou bem, o vento arrastou-me até aqui.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Vou-te ajudar, vem comigo!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dirigimo-nos para casa e após as apresentações, o pequeno duende disse-me que se chamava Alegria e que vivia numa aldeia de duendes, algures numa história. Que o vento o trouxe até ali e só alguma magia o poderia levar de volta.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Magia. Eu não era nenhuma feiticeira, não ia conseguir levar o Alegria de volta.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi quando na árvore da minha sala o inimaginável aconteceu. As luzes começaram a piscar de forma rápida e alternada, até que pararam e á minha vista surgiram as luzes que ficaram acesas e que nitidamente escreviam a palavra “LIVRO”.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - É isso! – pensei.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo procurei nas minhas estantes, o livro que levaria Alegria de volta a casa.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre histórias de aventuras, cavaleiros, fadas, fábulas e outras mais surgiu um título que chamou a minha atenção “A Aldeia da Felicidade”.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retirei o livro da estante e comecei a ler as primeiras palavras: “Naquele dia, na aldeia da Felicidade, onde todos têm nomes felizes…”.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi então que a sala foi inundada por uma luz intensa e o pequeno duende entrou numa espiral dizendo:</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Conseguiste! É este o caminho para casa. Obrigado.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Descobri nesse dia que o caminho da leitura nos leva à aldeia da Felicidade. O duende entrou na sua história e eu fiquei feliz por fazer parte dela.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-12-24 16:45:39 UTC</pubDate>
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         <title>CAOS NO ANO ZERO | José Lobato | 22 Janeiro </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3760267074</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Eu passava horas a mover as figuras do presépio.</strong> <strong>Até que um dia,</strong> uma voz saída do silêncio que caracteriza todos os presépios...sim, porque um presépio é um local de veneração sagrada e apesar de toda aquela azáfama, os figurinos que por ali andam respeitam-se e ninguém grita com ninguém, o que mais estranho é, quando a cena decorre no Médio Oriente onde judeus e árabes se digladiam entre si e já há vários séculos. E nem por lá vejo os romanos que obrigassem à imposição da ordem.</p><p>Procuro perceber de onde vem aquela voz, resmungona e mal disposta – podes parar de uma vez por todas com tanta mexida, é que já chateia, a hora do nascimento está quase a chegar e assim ninguém se consegue organizar. Cada vez que fecho os olhos para descansar e depois os abro fico zonzo de tanta mexida: são as ovelhas que ora sobem, ora descem a montanha; são os reis magos que atropelam os agricultores, atravessados no seu caminho, guiados por uma estrela e como tal sem escolha alternativa; já agora e a propósito dos reis magos, o Baltazar voltou para África e agora são só os dois, depois de se conhecer o resultado das Presidenciais, lá se foi a mirra; são os moinhos de vento que vêm para os vales, quando sabemos que aí nem sequer bule o vento; são os padeiros a alimentarem os fornos no meio da montanha, como se o pão acabado de sair do forno tivesse tempo de chegar aos clientes na aldeia, sem entretanto ficar duro; são os pastores muito pequeninos colocados ao lado de ovelhas gigantes, numa total insensibilidade ao factor escala; é o burro e a vaca que ora estão dentro da barraca, ora estão fora e que só percebo quando tirito de frio...porquê, porquê sempre tanta mexida? Decide-te e mexe tudo de uma vez só, acabamos por nos adaptar à tua escolha e podemos então fazer planos para levar a nossa vidinha sossegados; finalmente... finalmente deixa-me dizer-te que já chega de tanto musgo verde, tão pouco fiel à areia e deserto desta zona, é que nem as pessoas nem os animais, pela falta de hábito, percebem como caminhar no meio de tanto musgo verde, alto e fofo.</p><p>Aproximo-me mais e percebo que o menino Jesus embora ainda deitado nas palhinhas, de braços rechonchudos e abertos e pernas rechonchudas e cruzadas, bochechas rosadas de anjo barroco continuava a resmungar - com tanto frio, nem percebo o que faço aqui nu e estendido, com luzes por todo o lado a piscar durante a noite e sem conseguir dormir, quando só vou nascer daqui a uns dias...poupem-me a isto, até porque me disseram que a crucificação seria só para daqui a 33 anos...&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-01-22 11:29:08 UTC</pubDate>
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         <title>O PRESÉPIO | Carolina Palminha | 10 Dezembro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3760585020</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>EU PASSAVA HORAS A MEXER AS FIGURINHAS DO PRESÉPIO. ATÉ QUE UM DIA… um sussurrar me despertou a atenção.</p><p>Havia um burburinho naquele espaço coberto de verde e macio musgo.</p><p>As ovelhinhas balindo, corriam de um lado para o outro.</p><p>A água de um fictício riacho deslizava suavemente para nenhum lado.</p><p>As velas do pequeno moinho giravam como se alguma brisa as agitasse.</p><p>O burrico e a vaca, ajeitando-se no estábulo, trocavam entre si leves mugidos e zurros como se conversassem.</p><p>Então…do lado nascente duas figuras se aproximavam. Era uma mulher montada numa mula e um homem que, a pé, seguia a seu lado.</p><p>Junto ao estábulo pararam e deitaram sobre as palhinhas uma criança.</p><p>- Aqui estará quentinho-disse a mãe.</p><p>E ali ficaram velando o sono calmo do Menino!</p><p>Mais tarde, já a noite chegava, três homens aproximaram-se trazendo ouro, incenso e mirra.</p><p>O céu iluminou-se de mil pirilampos mágicos!</p><p>É o que conta a lenda!!</p><p>E eu, recordo e agradeço à Prima Mariana que quando eu era criança, vinha do seu monte, carregada de musgo e pedras, para me ajudar a fazer o Presépio.</p><p>Obrigada!!! Tornaste mais doce e aconchegante a minha meninice!</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-01-22 15:26:11 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title> A ceia inesperada | Hélio Búzio | 22 Janeiro </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3761861679</link>
         <description><![CDATA[<p>A árvore parecia maior do que a própria sala. As luzes piscavam como se soubessem segredos guardados há muito. Uma luz quente e acolhedora saía da lareira à esquerda como única fonte que ilumina a sala e, de forma impossível, tornavam-na numa visão ainda mais mágica, pelo menos até aos irmãos verem a mesa.</p><p>Era uma simples mesa de madeira, com duas cadeiras apenas, mas o que estava sobre a mesa, num instante, tornava-se o centro dos seus mundos.</p><p>Uma panela a fumegar.</p><p>Sem uma única palavra, os irmãos apressam-se a chegar à mesa, Irina suportando o irmão enquanto este se debatia com a sua perna ferida. Uma vez lá, ela volta a ajudá-lo a sentar-se numa das cadeiras e, sem cerimónia, destapa a panela.</p><p>Sim, não era a sua imaginação, era mesmo o cheiro da sopa de cogumelos e borrego que a avó deles lhes costumava fazer.&nbsp;</p><p><br></p><p>Com a concha que se encontrava em cima da mesa, serve uma porção generosa para o seu irmão e outra para si, deixando ainda bastante sopa dentro da panela. Isac parte um grande pão bem cozido com as mãos, ignorando a faca, tal como o pai deles o faria. Passa-lhe o primeiro bocado e depois arranca outro para si.</p><p>Diante do seu prato, Irina pára por um momento, vendo o deleite do seu irmão. Dá colheradas fartas e rápidas, parando entre elas para partir algum bocado maior de carne com os dentes ou para molhar o pão que tem na outra mão no seu prato e dar uma dentada tímida apenas onde tem molho. O peito de Irina transborda para fora dos olhos, mas ela luta por não fazer qualquer som que perturbe o irmão, baixa rapidamente a cabeça e coloca a primeira colher na boca.</p><p>O sabor leva-a para um tempo diferente, um tempo perdido: risos, os chinelos da avó a chinelar sobre o chão de pedra, bolachas no forno, brincadeiras no quintal, um abraço secreto que só ela sabia dar. Pequenos riachos descem sobre as suas bochechas, mas ela nunca pára de comer.</p><p>De panela quase vazia, os dois irmãos recostam-se nas suas cadeiras, ambos sorrindo um para o outro.</p><p>— Achas que ficam zangados? — pergunta Isac, com o rosto transformado em preocupação.</p><p>— Não! — responde Irina, sentindo agora o mesmo que o irmão, mas não o querendo deixar transparecer.</p><p>— Alguém fez esta sopa, e nós comemos quase tudo… — ele deixa no ar, olhando em redor com receio.</p><p>— Não te preocupes, mano, quem tem uma casa assim não se vai preocupar com uma sopa! — ela afirma, tentando demonstrar-se confiante, mas as perguntas do irmão começam a preocupá-la cada vez mais.</p><p>Isac ia recomeçar a falar quando, subitamente, a luz da sala muda. As chamas da lareira reduzem de forma drástica, levando os irmãos a olharem nessa direção para terem uma visão que os deixa de queixo caído.</p><p>A chaminé da lareira começa, no topo, na parte que interliga com o tecto, a dilatar, expandindo e esvaziando como um balão. Esse efeito, desloca-se de forma descendente pela chaminé até que umas botas surgem na abertura da lareira, depois umas pernas de calças vermelhas e então a lareira expande uma última vez e cospe um homem idoso para o chão de madeira, que aterra sentado.</p><p>Todo vestido de vermelho e com um saco dessa mesma cor sobre o ombro. O homem levanta-se sorrindo para as duas crianças, com a sua longa barba branca tingida de fuligem.</p><p>— Ah, Irina, Isac, eram mesmo quem eu andava à procura! — diz o homem em tom caloroso.</p><p>— Pai na…</p><p>— Chiu… — interrompe o homem. — Ninguém pode saber que eu aqui estou, aliás, vocês também já deviam estar deitados. — diz, sem perder o tom caloroso, levando-a a pensar de repente que era mesmo isso que deveriam ir fazer, afinal já era bem tarde.</p><p>— É verdade, mas onde? — responde Irina, mas quando se vira para olhar para a sala, num dos cantos encontra-se uma larga cama junto ao chão, cheia de almofadas, com as cobertas abertas, como que convidando-a a enroscar-se.</p><p>— Já tenho sono — diz Isac, bocejando.</p><p>Irina faz um movimento para se levantar, mas aí o homem, agora diante deles, coloca o seu grande saco vermelho sobre a mesa.</p><p>— Não sem antes aqui levarem uma coisinha! — diz cantarolando.</p><p><br></p><p>Na cara do seu irmão aparece um sorriso tão grande como ela não via há meses e, sem se dar conta, também na sua cara nasce um igualmente enorme.</p><p>— Para o meu grande craque, uma fabulosa bola de futebol! — diz o homem, tirando uma bola de dentro do saco e colocando-a nas mãos esticadas do seu irmão, que a abraça de imediato.</p><p>— E para ti, minha querida, a boneca mais bonita que consegui trazer! — diz o homem, entregando-lhe uma linda boneca loira, de caracóis e com um vestido vermelho, perfeita, mas…</p><p>— O que se passa, Irina, não gostas da boneca? — pergunta-lhe o homem, sentindo a tristeza do seu coração.</p><p>— Nada, senhor… — ela consegue dizer.</p><p>— Ah! — ele diz apenas e, colocando uma mão dentro do saco, remexe-a lá dentro, produzindo sons que se assemelham a tudo um pouco. Tira-a finalmente uma moldura com uma foto dos seus pais, aquela que ela adorava daquele dia de verão, na festa da colheita.</p><p>As suas mãos trémulas seguram-na hesitantes, e ela abraça-a, mordendo o lábio.</p><p>— Obrigado — agradece, com a sua voz a sair num tom sumido.</p><p>O braço do seu irmão cobre-a sobre o ombro, também ele fungando em tremor.</p><p>— Bem, tenho de ir embora, mais casas para onde ir. Para a cama convosco — diz, sem perder o seu tom caloroso.</p><p>Isac corre para ele, abraça-o e depois segue para a cama. Irina aproxima-se e dá um forte abraço ao redor do pescoço do homem.</p><p>— Eu sei que não és ele mas… obrigado — diz-lhe Irina ao ouvido.</p><p>Quando o homem a olha, continua com o seu sorriso, um brilho sagaz nos seus olhos dourados.</p><p>— Que menina esperta tu és, minha querida, agora toca de ir dormir.</p><p>Ela sorri-lhe uma última vez antes de ir para a cama e, quando se deita, já não está ninguém na sala além deles.</p><p>Os dois ficam em silêncio, pasmados com tudo o que se passara, mas cansados que estão, deixam-se ficar sem trocar mais nenhuma palavra.</p><p>Acordam com a linda cor da manhã a entrar pela janela, chamando-os a sair da cama. Comem o pequeno-almoço que está sobre a mesa: bolos de maçã, leite e pão com queijo.</p><p>Despem os seus pijamas e vestem as suas roupas lavadas e sem buracos. Depois calçam os sapatos e saem para a rua.</p><p>Isac não podia esperar para jogar com a sua bola. Irina leva a sua boneca na mão e a moldura apertada debaixo do outro braço.</p><p>No exterior, os irmãos não encontram escombros, mas antes um lindo prado florido&nbsp; de todas as cores que continua para lá do que a visão alcança. Sobre eles, nem uma nuvem cobre o céu azul e o sol traz no seu brilho um calor que conforta e&nbsp; convida. Nesse dia, correm e brincam como antes.&nbsp;</p><p>Sorriem e riem, não choraram nesse dia, nem nunca mais.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-01-23 11:58:00 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 8: Página em branco | Graciosa Reis | 23.01.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3761866800</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-01-23 12:04:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Valha-me Deus (e os outros também) | Graciosa Reis | 27 Janeiro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3802052157</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p><strong>Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia.</strong> <strong>Sentas‑te e debruças‑te para o caderno de capa preta.</strong> </p><p>Abres na primeira página em branco. Lês, relês e voltas a ler as premissas para a redacção do texto que se supõe ser criativo e sentido. </p><p>O peso dos poetas‑fantasmas bloqueia‑te a inspiração. Pensas longamente. Pegas na caneta de tinta azul, insinuas o primeiro gesto de escrita. As palavras permanecem mudas. Amaldiçoas quem propôs este exercício.</p><p>- Valha‑me Deus! - Exclamas.</p><p>Segue‑se um silêncio tão espesso que até os teus pensamentos parecem andar descalços para não o perturbar. Pressentes um sorriso sarcástico dos deuses Al Berto, Eugénio, Sophia e Fernando, reunidos no Olimpo como quem assiste a uma peça experimental. E Baco, claro, está com eles! Não por devoção, mas porque nunca perde uma oportunidade de servir um bom néctar.</p><p>- Valha‑me Deus! - Repetes, angustiada, enquanto ecoa uma gargalhada e um “Ah, ah, ah! Débrouille‑toi, ma chère!”. Só pode ser Al Berto. Se fosse o Fernando, tê-lo-ia dito em inglês, com aquele ar de quem sabe sempre mais do que tu.</p><p>- Valha‑me Deus ou valham‑me os deuses! - Insistes, já sem saber a quem te diriges.</p><p>Esboças a palavra AMOR sem convicção, riscas, suspiras. Não se pode começar assim, pensas. </p><p>O desespero instala‑se e, no fundo, sabes que não é só o exercício que te pesa. Há dias em que escrever parece um acto de resistência, e hoje é um deles.</p><p>Mas então, uma voz doce sussurra‑te ao ouvido: - Pensa no tempo presente. Aproxima‑se um dia de decisões importantes. O dia 8 de Fevereiro. Relaciona‑o com a data que hoje se assinala: Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.</p><p>- És tu, Calíope? Minerva? - Perguntas, aturdida.</p><p>- Não importa quem sou. Debruça‑te para a página que ainda tens em branco e verás que um poema surgirá.</p><p>E assim, retomas a caneta de tinta azul. A página continua branca, mas já não te intimida tanto. Talvez fosse do sussurro, talvez fosse da presença silenciosa dos poetas que, apesar das gargalhadas, sempre te empurram para a palavra certa. Ou talvez fosse apenas a consciência de que, mesmo quando tudo parece vacilar, há sempre uma frase que nos salva.</p><p>Como tens em ti ainda alguns sonhos do mundo, respiras fundo, voltas a alinhar as canetas, como se esse gesto tivesse algum poder mágico e deixas que as palavras surjam. </p><p>As primeiras chegam tímidas, mas vêm cheias de memórias. Outras trazem urgência. E então, quase sem dares por isso, o poema começa a escrever‑se a si próprio:</p><p><br/></p><p>Porque vivemos tempos difíceis,<br><strong>as palavras secretas vêm cheias de memórias.</strong></p><p>Porque a democracia parece vacilar,<br><strong>é urgente destruir certas palavras.</strong></p><p><strong>Porque os outros se calam mas tu não,<br></strong>é urgente reacender a voz que permanece.</p><p>Não podemos ficar na indecisão,<br>nem suportar a gritaria que nos rouba o silêncio.</p><p>Porque não podemos ignorar o passado,<br><strong>aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade.</strong></p><p>E assim, no exacto lugar onde o medo treme,<br>o gesto de escrever torna-se resistência.</p><p><strong>É urgente o amor, é urgente permanecer.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-02-25 15:38:58 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Palavras Secretas | Conceição Sequeira | 18 Fevereiro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3802088406</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>"Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia.</p><p>Sentas-te e debruças-te para o caderno de capa preta. "</p><p>&nbsp;</p><p>Lá fora a chuva não pára. O dia acordou triste, tal como tu.</p><p>Olhas a janela, que se abre à tua frente, e esfregas as mãos geladas. Fixas a capa preta do teu caderno. <br>&nbsp;- Abres? Não abres? <br>Abriste, e duas folhas em branco estão ali, à tua espera. À espera que as adornes de palavras, vírgulas, pontos de interrogação, reticências e pontos finais. <br>- Vá! Não percas tempo! Escolhe a caneta e lança-te a elas! &nbsp;Entrega-lhes aquele grito que sobe dentro de ti. Derrama sobre elas as lágrimas que te sufocam.</p><p>Surge então o dilema da escolha da caneta. Qual das três servirá melhor ao teu desejo? Talvez a preta combine bem com a tristeza que te habita. E, assim, a agarras, entre os dedos gelados, sem que saibas por onde começar...</p><p>Então, como por milagre, a caneta preta toma a iniciativa e desata a preencher as folhas brancas, com as palavras secretas escondidas dentro de ti: o Amor que não aconteceu, porque a vida assim o quis, os caminhos percorridos na senda desse amor impossível, os sonhos e os despertares para a realidade... Recordações de fugazes momentos de ilusão. Involuntariamente, o teu braço e a tua mão seguem o movimento da caneta, num frenesim e, o frio que te tolhia começou a desaparecer, ao ritmo a que as palavras nascem no bico da caneta preta. <br>A pouco e pouco as palavras tristes dão lugar a outras menos sombrias, mais doces, mas ainda secretas e a caneta preta escreve: " as palavras secretas vêm cheias de memórias " , umas vezes más, outras nem tanto... As palavras secretas também trazem boas memórias, com sabor a sal, cheiro a algas e a maresia, memórias azuis! e, de repente, &nbsp;a caneta preta especa ali , no ponto de exclamação !</p><p>Está na hora de mudar e agora não tens dúvidas ao escolher a azul, pois é a que melhor combina com o mar, com o céu e com a Paz que ambos te transmitem. <br>É com determinação que a seguras e continuas a escrever... Recordas, com nostalgia, ainda menino, as brincadeiras à beira-mar, construindo castelos de areia, e os momentos de contemplação, olhando as vagas desfeitas em espuma sobre os teus pés. Na juventude, é o pôr-do-sol alaranjado que te faz ficar à beira-mar, até tarde. Regressas à hora em que os pescadores se aproximam, para uma noite de solene espera ao luar.<br>E os dias vão correndo, sem sobressaltos, e tu sentes que "aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade" ! E vives da forma mais intensa essa liberdade que é tua e daqueles que te seguem. <br>És livre e feliz, sem dares por isso, pois o teu desejo de novos horizontes, numa perpétua evasão e busca desassossegada, não te deixa ficar no lugar a que pertences de verdade. Tu imaginas que só o Mundo será capaz de preencher e saciar os teus sonhos... <br>Engano teu! O Mundo é um lugar sombrio, onde muitos se perdem, buscando as suas utopias, tal como tu. <br>Sem que te apercebas, passas a escrever com a caneta vazia ... E é ela que te levará a escrever os teus mais belos poemas, que só tu poderás ler, pois eles continuam fechados dentro de ti.</p><p>Perdes-te nos lugares mais sombrios que se cruzam no teu caminho, partilhas a tua tristeza com desconhecidos, tão tristes como tu, e a caneta vazia vai escrevendo... escrevendo sobre a tua dor , sobre o teu desalento , sobre o teu desejo de te encontrares . Mas não, tu não estás nesses lugares, tu ficaste lá atrás, onde viveu aquele menino feliz que gostava de contemplar as ondas, o céu e o voo das gaivotas...</p><p>É hora de regressar a um lugar que, afinal, também já não existe, pois tudo mudou, durante a tua ausência. Tudo? Não!</p><p>Ainda tens o mar, o vento, o sol e as gaivotas à tua espera. A casa também já não existe, mas isso que te importa, se tens as ruas para caminhar, o céu estrelado para te cobrir, as asas das gaivotas para poderes voar e as ondas, para escutarem a tua poesia?&nbsp;</p><p>Sobre uma mesa jaz um caderno de capa preta à tua espera e uma caneta de tinta preta, pronta a ser usada. Tu que "tens em ti todos os sonhos do mundo" !</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-02-25 16:02:05 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>SONHO DE ESCRITA  | Alina Oliveira | 19 Fevereiro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3802094305</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia.</strong></p><p><strong>Sentas-te e debruças-te para o caderno de capa preta.</strong></p><p>Tal como a terceira caneta, também na tua mente existe um vazio. Um vazio imenso, de imagens, de cores, de cheiros, de memórias.</p><p><strong>É urgente destruir certas palavras. </strong>Palavras que te fazem sofrer, que te magoam, que te doem na alma.</p><p>Palavras negras como intolerância, ódio, guerra, medo devem ser banidas do teu dicionário.</p><p>Então surgem as memórias límpidas e claras como uma manhã de sol. Aquele mar de prata que cintila no horizonte, o cheiro das flores que crescem no jardim, o riso das crianças a brincar no parque.</p><p>É tempo de te desafiares e de partilhares o que te vai na alma. As palavras surgem, agrupam-se e formam frases que dançam ao som da brisa marinha.</p><p>Vais escrever, vais dar voz aos que não a têm, vais sentir que podes chegar mais e mais além, que podes mudar o mundo.</p><p>&nbsp;<strong>Porque os outros se calam mas tu não. </strong>Tu podes mostrar que sim, existe um mundo melhor e todos podemos fazer parte dele.</p><p>Vem para aqui, porque aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade.</p><p>Vem comigo embarcar nesta viagem mágica. A viagem que nos leva onde queremos chegar.</p><p>Sim tu és livre, tu podes porque t<strong>ens em ti todos os sonhos do mundo.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-02-25 16:06:29 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A ignorância será mesmo uma bênção? | Hélio Búzio | 24 Fevereiro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3802097392</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente.<br>Uma com tinta negra, outra com tinta azul.<br>A terceira está vazia.<br>Sentas-te e debruças-te sobre o caderno de capa preta.</strong></p><p><br/></p><p>Observo o vazio.</p><p><br/></p><p>Um pequeno compasso<br>e um rugido corre por mim!<br>O dique chamado rotina cede, catastrófico.<br>No turbilhão, seguro apenas uma fina linha,<br>debato-me para a manter,<br>essa pequena luz,<br>depois uma emoção,<br>depois um pensamento,<br>uma questão.</p><p><br/></p><p>A ignorância será mesmo uma bênção?<strong><br></strong>O clichê ignora os amantes da verdade.</p><p><br/></p><p>Desconhecendo o passado,<br>trilhei caminhos<br>entre estrada e terra,<br>entre ideais e valores,<br>sobre obra tua.<br>Todas as contendas,<br>pelo espírito que teima à intolerância,<br>nas ações, nas palavras.</p><p><br/></p><p>Podias ter sido mais uma sombra<br>confortável,<br><strong>porque os outros calam, mas tu não</strong>.<br>Ar em vibração tem poder,<br>empurra um povo para a frente.<br>As ideias são remédio ou veneno,<br>então tem de haver quem se erga,<br>que mostre o outro lado,<br>até contra a violência,<br>especialmente contra a violência…<br><strong>porque é urgente destruir certas palavras,<br></strong>palavras que nunca somente o são.</p><p><br/></p><p>Que loucura é esta?<strong><br></strong>Ver a realidade, mas sonhar,<br>e não só sonhar,<br>viver!<br>Viver exige dor; a dualidade é sempre inescapável.<br>Então olhos caem sobre olhos,<br>pés caminham sobre pegadas,<br>no reconhecimento do passado<br>surge uma prece ao futuro.<br>Ousa através do medo:<br>o que é não tem de o ser.<br><strong>Tens em ti todos os sonhos do mundo.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-02-25 16:08:54 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>SOMOS TODOS ÁFRICA | José Lobato | 26 Fevereiro</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3803667671</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p><strong>Primeiro alinhas as canetas de tinta permanente. Uma com tinta negra, outra com tinta azul. A terceira está vazia. Sentas-te e debruças-te para o caderno de capa preta, </strong>capa negra. Capa negra que encerra formas, paixão, liberdade, alegria, cânticos, raízes, línguas, cheiros, ritmos, natureza e de todas as cores...de todas as cores de pele resultante da fusão das cores de tantas tintas. É dentro dessa capa negra que tudo principia, é daí que todos partimos, é daí e é sob ela que viveremos, mesmo não o sabendo ainda. E sempre que nos cruzamos com palavras secretas, <strong>as palavras secretas vêm cheias de memórias</strong>, que só muito epidermicamente recordamos, mas com as quais conseguimos sentir crescer um inexplicável latejar orgânico de ligação com aquelas raízes comuns.</p><p>Amor, fusão, uno, compaixão, tolerância, perdão, universal, empatia e suporte... todas as outras palavras, todas as outras palavras já as condenei ao desterro do meu reino afectivo, <strong>é urgente destruir certas palavras.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Porque os outros se calam mas tu não.</strong>..quando vês na ingenuidade da massa informe de novos crentes a repetição de um caminho tantas vezes trilhado na passagem da nossa espécie por este local... por agora, sinto como nunca o vosso, nosso palpitar cardíaco acelerado, respiração descompassadamente ofegante, ânsia de afirmação, o grito e a violência sem causa, o desejo massificado, o manipular, o influenciar, o poder de cegar, de criar realidades paralelas, de novos e promissores conceitos de justiça e felicidade... ao poder, ao poder...todos ao poder...mas o poder será só para alguns - e já agora se possível também para mim - ninguém nos conseguirá travar e quando... e quando repetirmos a imersão no inverno da alma e a sua travessia na  escuridão... emergiremos das sombras para regressar então, e uma vez mais, à nossa melhor essência.</p><p><br/></p><p>Este é o tempo em que os homens renunciam, mas tu não...<strong>é urgente o amor, é urgente permanecer..</strong>.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-02-26 15:35:48 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 9: Vamos ℙ𝕠𝕖𝕞𝕒𝕣 | Alina Oliveira | 26.Fev. 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3804071207</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-02-26 20:17:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Guadiana | Conceição Sequeira | 01 Março</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830656730</link>
         <description><![CDATA[<p>Do espelho líquido<br>que prende o céu e o verde das margens,<br>se liberta o cheiro da hortelã e do poejo<br><br>É o rio no seu caminhar...<br>este rio antigo,<br>que conviveu com tantas gentes<br>vindas de mundos desconhecidos <br>e distantes<br><br>O mesmo que me escutou<br>nas solitárias manhãs de Inverno,<br>por entre neblinas<br>Manhãs sombrias<br>de tristeza calada<br><br>O rio da minha infância<br>onde mergulhei feliz<br>nas tardes calmas<br><br>O rio prateado das noites de verão<br>que a ponte abraça<br>coberto de estrelas e luar<br><br>onde as nossas cantigas se misturavam <br>com o coaxar estridente das rãs&nbsp; e o clamor das <br>cigarras<br><br>É o mesmo rio que tanto encantou<br>os olhos do meu Pai,<br>que não se cansou de o fotografar<br>de todos os lugares, de todas as cores,<br>em todas as estações ...<br><br>Nos dias de cheia,<br>sob um manto de neve...<br>pintado de verde ....<br>ou deslizando suave, até&nbsp; ao vau .<br><br>O "fotógrafo" amava o rio,<br>tanto como amava o castelo<br>a mesquita e a torre do relógio<br>as gentes da sua terra,<br>os seus Amigos ...<br><br>A todos guardou, <br>amorosamente<br>nas suas fotografias.<br>&nbsp;<br>Pequenos "tesouros" <br>um legado de amor<br>verdadeiros Poemas<br><br><br><sup>(Esta divagação começou com uma fotografia, que tirei há muito, num passeio de barco no Guadiana &nbsp;e depois ganhou "asas" e foi-se transformando numa viagem pelas memórias ... por fim, as saudades fizeram o resto... </sup></p><p><sup>Dedico-a ao&nbsp;meu Pai ... à sua memória e à sua paixão...&nbsp;que, hoje, também é a minha ...)</sup></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 16:27:33 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A um jasmim | Helena Cabral | 03 Março </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830662444</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Vejam o jasmim</p><p>e as suas folhinhas trémulas</p><p>sussurrando conversas</p><p>no vento e na brisa.</p><p>Rente ao muro</p><p>permanece</p><p>à espera da flor e do seu perfume</p><p>e não sabe</p><p>que é uma lição</p><p>de paciência.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 16:32:47 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Poemar é amar | Graciosa Reis | 08 Março</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830667242</link>
         <description><![CDATA[<p><br>Alinho as canetas - as de tinta permanente - <br>como quem encosta o ouvido ao mar <br>para escutar o que ainda não sabe dizer. <br>Alinho-as de novo, <br>devagar, <br>como quem prepara um pequeno ritual.</p><p><br/></p><p>É Março e a maré impõe-se. <br>Mulher e Poesia <br>tocam-se como duas ondas que se reconhecem.</p><p><br/></p><p>Há uma maresia a soprar pelas páginas, <br>um rumor de vozes que não se calam, <br>mesmo quando o vento tenta apagar-lhes o nome.</p><p><br/></p><p>Há um sopro de Lorca a atravessar a mente: <br>“A poesia não quer adeptos, quer amantes.”</p><p><br/></p><p>O mar entra pelas palavras <br>e as mulheres entram pelo mar. <br>Mareamos juntas: eu, a poesia, a maresia, <br>as vozes antigas, benevolentes.</p><p><br/></p><p>Os poetas-fantasmas pairam sobre a página, <br>trazem versos húmidos, <br>uma espuma invisível que permanece.</p><p><br/></p><p>E penso nas mulheres <br>que escreveram contra a corrente, <br>que guardaram a luz, <br>que desbravaram a onda para que eu <br>pudesse chegar aqui.</p><p><br/></p><p><em>Poemar</em> é amar. <br>E amar é deixar que o mar me atravesse <br>como quem sussurra: continua.<br><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 16:37:34 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>MULHER | Alina Oliveira | 11 Março</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830669282</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Descobre mulher o teu caminho.</p><p>Procura entre os dias de canseira,</p><p>entre os que cuidas e não cuidam de ti.</p><p>Descobre quem és,</p><p>De que matéria és feita.</p><p>Tens que ser perfeita.</p><p>Tens que ser mulher.</p><p>Casa arrumada,</p><p>Roupa lavada,</p><p>Filhos cuidados,</p><p>E tu em bocados.</p><p>Não pode ser,</p><p>tens que te erguer,</p><p>tens de estar linda,</p><p>bem maquilhada,</p><p>é tudo ou nada.</p><p>No final do dia,</p><p>Mas que alegria,</p><p>Podes ser tu…</p><p>Não, não podes…</p><p>Fazer o jantar, arrumar a casa</p><p>e quando dás por isso,</p><p>estás desgastada…</p><p>Respira fundo,</p><p>Carregas no ventre todo o amor do mundo.</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 16:39:44 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Gaivota | Carolina Palminha | 11 Março </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830678844</link>
         <description><![CDATA[<p>Se uma gaivota</p><p>Voasse</p><p>Levando o meu</p><p>Pensamento</p><p>Sem saber o que </p><p>Fazer </p><p>Sem hesitar decidia</p><p>Ir entregá-lo </p><p>Ao vento</p><p><br/></p><p>E o vento</p><p>No seu bailar</p><p>Não sabendo o que </p><p>Fazer</p><p>Sem hesitar decidia</p><p>Deixá-lo cair</p><p>No mar</p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 16:48:41 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ribeira de Moinhos | Gracinda Guedes | </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3830918124</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p>Ribeira de moinhos,</p><p>outrora canto de água viva,</p><p>corrias leve entre pedras e musgo,</p><p>dando vida a quem te seguia.</p><p>&nbsp;</p><p>Nos teus murmúrios dançavam os dias,</p><p>as margens vestiam-se de verdura,</p><p>e os moinhos rodavam sonhos</p><p>ao ritmo da tua doçura.</p><p>&nbsp;</p><p>Hoje calaste-te em silêncio triste,</p><p>teu leito chora seco e nu,</p><p>alguém te roubou o sopro da vida,</p><p>&nbsp;alguém te afastou do que eras tu.</p><p>&nbsp;</p><p>Falta o brilho, falta o som,</p><p>falta o espelho do céu em ti.</p><p>Falta-nos a tua presença</p><p>que ensinava a resistir.</p><p>&nbsp;</p><p>Que voltes a correr, ribeira querida,</p><p>livre, clara, como outrora.</p><p>Que a água te reencontre</p><p>e a esperança renasça agora</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-18 21:41:32 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Proposta 10: Vamos recordar... | Alina Oliveira | 21.Mar.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3834301711</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-03-21 17:51:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3834301711</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A Chuva Cai | Celina Arroz | Março 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3839989948</link>
         <description><![CDATA[<p>Respiro a tarde melancólica,</p><p>de inverno cinzento e chuvoso.</p><p>Da varanda vejo a linha do horizonte,</p><p>não nítida, mas presente.</p><p>&nbsp;</p><p>Os pássaros piam lamentos,</p><p>por não poderem poisar e cantar.</p><p>&nbsp;</p><p>A chuva cai.</p><p>&nbsp;</p><p>Fecho a porta, observo o céu,</p><p>prateado de nuvens cor de basalto,</p><p>prevejo o mundo que aí vem,</p><p>negro de bátegas sem liberdade.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-25 20:51:50 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Auto de Fé | Alexandra Santana | Março 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3839993837</link>
         <description><![CDATA[<p>Que mãos são estas que me apertam por dentro e não me deixam respirar?</p><p>Que mãos são estas que não me deixando viver também não me conseguem matar?</p><p>Fui eu sim, que percorri todos estes caminhos até chegar aqui.</p><p>Sempre acreditando que viver tem que ser mais do que um simples sinal de que não morri.</p><p>Da vida tento levar apenas o bem, segura e crente do amor da grande mãe.</p><p>Por acaso fui eu que decidi nascer? Há quem diga que sim, quem diga que não, há quem só pense em morrer.</p><p>Da vida levo e continuo somente a levar, o bem de quem toca a minha e o bem que à dos outros consigo acrescentar.</p><p>Despida de ilusões e em processos de resgate de paz, vou caminhando com coragem, medo mas segura de que sou capaz.</p><p>O caminho é longo e contudo tão breve.</p><p>Não há tempo, não há espaço para que a vida antes do tempo nos leve.</p><p>O caminho, esse, é sempre em frente, sempre a andar,</p><p>A vida não espera e é urgente amar.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-03-25 20:57:43 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>S/título | Hélio Búzio | Março 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3851989294</link>
         <description><![CDATA[<p>Passo a passo, as trevas inundam-me.<br>Apenas o fumo incerto ou a cristalização do medo?<br>Este é o momento prometido ou apenas a conclusão óbvia?<br>Estará apenas a acontecer outra vez<br>ou será a última vez?<br>Não são somente perguntas, mas antes tormentas:<br>demónios que me atormentam,<br>dançando alegremente o corridinho sob o meu coração.</p><p><br></p><p>Todos o vemos,<br>a escalada inevitável...<br>O que estás a dizer?<br>Como assim inevitável? Nós somos os demais,<br>nós somos a maioria!<br>Como continuamos a baixar a cabeça,<br>a deixar as mãos agrilhoadas,<br>a entregar?!<br>É tudo uma mentira:<br>o poder,<br>a impotência.<br>É uma ilusão, uma que subsiste enquanto a cremos.<br>Não a temos de aceitar.<br>Nós devemos rejeitá-la.<br>Ou serão as trevas já sol posto?</p><p><br></p><p>Não, não cedas ao peso sobre a cabeça.<br>A mão que te vira o rosto<br>é confortável,<br>mas não nos salvará!<br>Sentados nas nossas pedras,<br>pequenas ou grandes,<br>as ondas virão por todos.</p><p><br></p><p>No alto das montanhas,<br>nos seus ninhos dourados de sangue,<br>os abutres julgam-se a salvo,<br>que, na mudança das marés,<br>os altos tronos os defendam,<br>salivando pelo festim de cadáveres,<br>incautos da potência das vagas incandescentes.</p><p><br></p><p>Acelerando, acelerando,<br>mais o peso de eventos históricos se soma.<br>Não podemos ser espectadores,<br>deixar nas mãos de algum pretendente a S. Sebastião.<br>Figuras idealizadas são apenas isso:<br>abaixo o altar!</p><p><br></p><p>Ascende,<br>primeiro a mente,<br>de seguida, ergue as mãos.<br>Segue a luz no limiar do espírito,<br>essa é a estrela-guia.<br>Depois treina,<br>pois o seu uso foi levado ao atrofiamento.<br>Segura o momento,<br>não há quem seja mais merecedor.<br>Passo a passo,<br>forja um verdadeiro futuro,<br>realiza o potencial<br>da irmandade chamada<br>humanidade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-03 15:15:41 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O MILAGRE DA VIDA | Alina Oliveira |  07 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869162865</link>
         <description><![CDATA[<p>      Naquele tempo os dias aconteciam mais devagar.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na pequena vila de Sines todos se conheciam. Homens e mulheres na sua labuta diária, viviam com um espírito de amizade e entreajuda.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um dia ao raiar da aurora, Jacinta saiu de casa com uma cesta de roupa para lavar nos rios. Era lavadeira de profissão, para ajudar o marido, pescador.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os tempos eram difíceis para os pescadores que durante o inverno passavam muitos dias sem poderem pescar.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jacinta, a caminho do seu destino e como habitualmente fazia, passou em casa da amiga Maria das Dores:</p><p>- Vizinha Dores! Bom dia!</p><p>- Bom dia Jacinta, já vais para a labuta?</p><p>- Temos que fazer pela vida. Os ganhos do mar são poucos e temos que pôr o pão na mesa.</p><p>- O teu marido foi para a faina?</p><p>- Sim. Saiu de madrugada.</p><p>- Mas já estás tão carregada mulher…</p><p>- Há de ser o que Deus quiser. Até mais ver.</p><p>- Até logo Jacinta. Vai com Deus!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jacinta seguiu o seu caminho, carregando nos braços a cesta com roupa, no ventre o filho que já pesava e no semblante as agruras da vida.            Seguiu por entre os chorões e as camarinheiras, direito aos rios, pequenas lagoas onde as lavadeiras lavavam a sua roupa e a das freguesas.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tempo passou. O sol já resplandecia no horizonte e a vida continuava no pulsar dos dias.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao longe as ondas batiam nos rochedos, ecoando um cântico com tanto de belo como de um Adamastor enfurecido.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aproximava-se a hora do meio dia e Maria das Dores preparava a açorda para o almoço, quando ouviu chamar:</p><p>- Dores! Anda cá Dores! Vem ver o que eu trago aqui…</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria das Dores correu para a porta. Lá fora estava a Jacinta com a cesta da roupa. Dores espreitou para dentro da cesta e qual menino Jesus na manjedoura, estavam as bochechas miudinhas e coradas de um menino roliço acabado de nascer.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jacinta dera à luz sozinha entre a mata e os canaviais, com uma coragem inimaginável. Própria de uma mãe.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era a rudeza da vida que dava a estas mulheres a força para enfrentarem todas as vicissitudes.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A natureza a espalhar magia.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O milagre da vida a acontecer no seu melhor.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-15 18:09:17 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Uma história de AMOR  | Conceição Sequeira | 07 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869166632</link>
         <description><![CDATA[<p>Sinto que cresci ouvindo contar histórias, pois, naquele tempo, a tradição era essa. Havia sempre alguém, normalmente uma avó, cheia de paciência e sabedoria, que se prestava a contar uma história. E eu era uma menina que sabia ouvir avidamente, não só porque adorava a narrativa, mas também a companhia da narradora.</p><p>Como eu gostava daquelas horas mágicas em que viajava por bosques encantados, castelos perdidos, casinhas no meio da floresta e planaltos fustigados pelo vento e pela neve!</p><p>A minha Mãe também fazia a sua parte, lendo-me os livros que o meu pai me trazia da Biblioteca itinerante e jamais esqueci o primeiro grande livro que ela me leu, noite após noite, devia eu ter 5 anos de idade:</p><p><em>Heidi</em>, de Johanna Spyri, numa edição dos anos 50. Como eram bons aqueles serões, à braseira, ouvindo as aventuras da pequena Heidi e seus amigos Pedro e Clarinha, na voz inesquecível da minha mãe... !</p><p>Das minhas avós recebia as versões orais dos contos tradicionais: A Branca de Neve , O Capuchinho Vermelho, A Menina dos Fósforos, O Touro Azul, O Polegarzinho e tantos outros<strong>.</strong></p><p>Havia também a "menina" Cremilde, uma amiga dos meus avós, que fazia renda e contava histórias divinamente. Todas as semanas ia passar um dia lá em casa e esse dia era "uma festa" para mim: histórias, poemas, adivinhas, não falhava nada... ! Ela também devia gostar muito de mim, pois, quando faleceu, no lar onde passou os últimos anos da sua vida, deixou-me uma caixinha, cheia de manuscritos: muitas quadras, orações, cartas... Guardo-a com muito carinho.</p><p>E assim fui crescendo, ao ritmo das histórias e dos livros, que cedo comecei a ler. Frequentadora assídua da Biblioteca itinerante da Gulbenkian, li muito, muito mesmo ...! Livros indiferenciados: da aventura ao romance, policiais, crónicas e Banda Desenhada... os clássicos também.</p><p>Lembro o Verão de 1971, em que fiquei doente, com varicela e aproveitei para ler &nbsp;os seis volumes dos Miseráveis. Continuo a amar uma boa história, e foi por isso que me tornei ouvinte assídua de alguns podcasts. Normalmente, tomo o pequeno-almoço ouvindo os meus preferidos e foi assim que me chegou a história que vos vou relatar, contada na primeira pessoa:</p><p>Trata-se de um menino, vamos chamar- lhe Cláudio, nascido numa família disfuncional, criado ao Deus dará, pelos bairros da periferia da Amadora. O pai, traficante de sucesso, pouco quis saber do filho, que ficou entregue à mãe, pessoa instável, que vivia mudando de lugar. A criança vagueava pelas ruas desses bairros, desamparada e testemunhando cenas impróprias para a sua pouca idade. Passou fome, frio e falta de Amor... Roubou para comer, buscou comida no lixo, mas só mais tarde compreendeu a dimensão das suas carências. Nos seus 5/6 anos, sentia que era aquele o seu mundo e ia-se desenrascando. Até que iniciou o seu percurso escolar, no bairro da Cova da Moura, onde então vivia, entregue aos cuidados (?) de uma avó alcoólica...</p><p>Foi aí que a sua vida começou a mudar, graças à Professora atenta que lhe coube em sorte, uma alma boa, como ele se lhe refere. Essa professora rapidamente se apercebeu das carências do Cláudio e levava-lhe refeições para colmatar as falhas das mesmas durante o fim-de- semana ou ao jantar. Pediu permissão para o levar a sua casa, por breves períodos e não mais se afastou da vida daquele menino.</p><p>Até que um dia, os próprios moradores do bairro da Cova da Moura fizeram uma denúncia à Escola e à Segurança Social, sobre a vida errante que o Cláudio levava: desprotegido e carenciado, tal era a evidência... ! E mais uma reviravolta aconteceu: foi retirado à mãe e institucionalizado, num colégio de freiras. Aí o menino (7/8 anos) viveu "escravizado", como ele recorda, tendo que descascar batatas, de manhã à noite, ajudar nos trabalhos do campo e rezar infinitamente (estas coisas que ele refere são, naturalmente as que mais o marcaram e que melhor recorda). O tratamento, no Colégio, era rigoroso, com banhos de água fria, para os quais formavam em fila e despidos. Objectos pessoais eram poucos e guardados na única gaveta de uma mesinha de cabeceira ao lado de uma cama de ferro, numa grande camarata... (não é o único caso de maus tratos em instituições religiosas católicas que oiço contar e isso deixa-me sempre triste e cheia de dúvidas...) Não é fácil retirar crianças desses locais, segundo diz o Cláudio, mas a Professora Paula não baixou os braços e fez tudo o que estava ao seu alcance para retirar o Cláudio de lá. Acabou sendo adoptado por Paula e sua família. A "minha querida mãe Paula", como ele se lhe refere, carinhosamente.</p><p>Aí deu-se a grande mudança na vida do Cláudio, que ele soube aproveitar, não sem passar por momentos de grande surpresa, no início, pelas inúmeras novidades com que se defrontou, que lhe causavam espanto e o faziam compreender como tinha vivido mal até então... Foi à praia pela primeira vez, nunca tinha ido a um restaurante, não sabia como era andar de elevador... "Ganhou" 2 irmãos mais velhos e a figura paternal surgiu também na sua vida. Foi aí que começou a compreender a importância de ter um pai. Até então, o pai, era somente aquilo que a mãe lhe dizia sobre o seu pai biológico, muito pouco abonatório.</p><p>Tal como a sua mãe Paula o salvou, também ele tem como objectivo de vida poder salvar alguém... retirar uma criança da rua e dar-lhe uma vida digna, que venha a ter sucesso e o encha de orgulho, como ele fez em relação aos seus pais adoptivos.</p><p>Cláudio, graças à educação que teve e aos recursos que lhe foram dados, atingiu um patamar de sucesso no mundo da moda. É hoje um muito conceituado Manequim internacional ao serviço das melhores Agências, pelo mundo fora. Mas não vive à sombra desse sucesso. Ele voltou aos bairros onde viveu e desenvolve, junto das comunidades, projectos de empoderamento e valorização. Tal como foi possível para ele, quer mostrar aos outros, que vivem dentro do Bairro, como pode ser possível para eles também. A par deste trabalho para a comunidade, sonha voltar a África, se possível ao seu país de origem, Cabo Verde, onde gostaria de criar um Império que propiciasse o empoderamento das pessoas.</p><p>É pai de uma menina, que ama acima de tudo e a quem educa, a par com a mãe, de quem está separado, mas têm uma relação de verdadeira amizade. Segundo ele, a mãe da sua filha tem feito um trabalho excepcional como mãe e a ela só tem que agradecer.</p><p>Resumindo, Cláudio é hoje em dia um jovem de sucesso e também um ser humano valoroso, tudo graças à sua Professora, agora sua Mãe Paula, que não desistiu dele... " Olhou-o e disse para si própria: eu AMO esta criança " !</p><p>O Amor sempre será a razão para que uma história triste possa vir a ter um final Feliz...</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-15 18:12:22 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869166632</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A história que Abril abriu | Graciosa Reis | 08 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869175066</link>
         <description><![CDATA[<p>A proposta de Maré d’Escrita, deste mês, consiste em escrever uma história que nos tivesse sido narrada. E, porque Abril regressa sempre com a sua luz inquieta, sobretudo nestes tempos sombrios, fui buscar um episódio que me habita há muito.</p><p>A história que me contaram começa num sofá em França, no dia 25 de Abril de 1974.</p><p>Eu era jovem, guardo ainda uma memória esbatida do instante, lembro o silêncio dos meus pais diante da televisão como se tivessem medo de respirar e desfazer a notícia. Absorviam as palavras do jornalista, as imagens que mostravam tanques, soldados, cravos nos canos das espingardas… </p><p>Lisboa acordara em liberdade, e os cravos tinham vencido, sem sangue.<br>Quando a notícia terminou, o meu pai falou, ou melhor, sussurrou, como quem abre finalmente uma ferida antiga: <br>- Minha filha, esperávamos tanto por isto. Vivemos anos duros, em Portugal. Tínhamos trabalho nas fábricas, sim, mas mal pago. Nunca passámos fome porque sabíamos esticar o nosso dinheirito e a horta e a quinta do avô Agostinho davam-nos o resto. Mas o trabalho consumia-nos. O barulho dos teares deixava-me à beira da loucura, e a tua mãe passava horas dobrada sobre um corte de tecido. <br>Mas o pior era o medo. Havia olhos e ouvidos por todo o lado. Bufos escondidos em cada esquina. Um amigo nosso foi chamado ao posto da Guarda e voltou espancado, sem saber porquê. Foi aí que percebemos que já não podíamos ficar.</p><p>O tio João, que vivia em França, insistira tantas vezes para irmos com ele, mas recusámos sempre, não tínhamos passaporte e não queríamos pô-lo em risco.<br>Nesse ano, finalmente, cedemos. Depois da violência sobre o nosso amigo, começámos a ponderar. Eu e a tua mãe pensámos em tudo o que o nosso entendimento simples alcançava. Eras pequena e nunca falámos à tua frente, com medo de que, sem querer, deixasses escapar uma palavra.</p><p>Em Agosto de 1969, partimos no carro do tio. Foi uma aventura perigosa; atravessámos as fronteiras (Vilar Formoso e Irun/Hendaye) a pé e por caminhos de mato, orientados por um homem que não conhecíamos. Não éramos os únicos…<br>Quando, de novo no carro, quer em Espanha quer em França, sempre que víamos uma brigada, o coração apertava com receio que nos mandassem parar. Mas chegámos. Chegámos bem. E, mesmo sem sabermos a língua, começámos uma nova vida: escola, trabalho, uma casa. Devemos muito ao tio João e à sua família.</p><p>Por isso, esta notícia já não nos toca directamente, mas estou feliz. Muito feliz. Só espero que tudo acabe em bem, no nosso país…</p><p>Depois calou-se. Ficou ali, suspenso, com o olhar preso a um lugar que só ele via. Quando, finalmente, se virou para a minha mãe, os dois tinham lágrimas a correr devagar. Abraçámo-nos. Rimos. Chorámos. Como se a liberdade também fosse nossa.</p><p>Hoje, passados cinquenta e poucos anos, recordo essa conversa, talvez com falhas, com acrescentos, e sinto que a sombra regressa. Há ruído que confunde, há inocentes que morrem. A ganância volta a vestir-se de autoridade. A mentira volta a parecer verdade.<br>Estamos a perder a clareza. Estamos a perder a liberdade.</p><p>Por tudo isso, é urgente ler - e dar a ler - Saramago, Levi, Anne Frank, Vercors, Wiesel, Kertész, Arendt e tantos outros que nos legaram o seu testemunho. Para que a memória não se apague. Para que a escuridão não avance sem resistência. <br>Não podemos cair na indiferença.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-15 18:19:07 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>HISTÓRIAS DO 25 DE ABRIL DE 1974 | Carolina Palminha | 07 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869179965</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>&nbsp;</p><p>Iniciei a minha atividade como professora em Alvalade do Sado, anos 73/74.</p><p>Pois é, coincidiu com o 25 de Abril!</p><p>A terra fervilhava de revolucionários muito ativos nas suas reivindicações.</p><p>Faziam "limpeza" a tudo. Até tivemos reuniões na Escola que, pelo que se dizia, também devia ser "limpa".</p><p>Desistiram! Pensaram que depois ficariam sem ter quem ensinasse as crianças a ler e a escrever.</p><p>Acontece que num determinado dia houve uma Manifestação em que toda a população desfilou pelas ruas de bandeiras e punho no ar gritando Unidade!!! Unidade!!!</p><p>No dia seguinte, um aluno entrou na sala e disse-me muito feliz:</p><p>Professora, ontem também fui à Manifestação, mas eu não gritava igual a eles.&nbsp;</p><p>Eu dizia:&nbsp;</p><p>Unidade!!! Dezena!!!!&nbsp;</p><p>Unidade!!! Dezena!!!</p><p>Unidade!!! Dezena!!!</p><p>Não pude deixar de rir com a inocência daquela infantil consciência política.</p><p>Olhem se eu já tivesse ensinado a Centena???...</p><p>&nbsp;</p><p>(História verídica que para sempre me ficou na memória)</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-15 18:23:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O luto de um bandolim | Helena Cabral | 09 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869184849</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;Dos nossos pais, avós e bisavós chegam-nos histórias singulares como esta que achei tão bonita e ao mesmo tempo triste, e que guardo com muito carinho.</p><p>Numa tarde de sábado em casa dos meus avós paternos, jogando às escondidas com os meus irmãos e primos, acabei por entrar numa espécie de despensa&nbsp; ao fundo do corredor. Nesse dia não estava fechada à chave. A luz coada pelo vidro fosco da porta deixava ver algumas caixas, livros velhos, uma mala de porão, um guarda-fatos, um lavatório de quarto, dois instrumentos musicais antigos, ambos sem cordas, e outros objetos que não recordo. “Que violinhas tão giras! Gostava de pedir esta para mim”, pensei. Mas faltou-me a coragem e não falei no assunto aos meus avós.</p><p>Já em casa, contei ao meu pai o que tinha descoberto e perguntei-lhe se um um dos instrumentos podia ser para mim, para eu aprender a tocar.</p><p>-&nbsp; Isso são coisas muito antigas da tua avó: um bandolim e uma viola da terra. Se quiseres,&nbsp; eu ensino-te e tocas&nbsp; na minha viola - foi a resposta.</p><p>- Mas a avó toca alguma coisa?</p><p>&nbsp;Então ele contou esta história surpreendente que passou a mostrar-me uma avó bem diferente da que eu conhecia.&nbsp;</p><p>- Tu sabes, tua avó morava com os pais e mais três irmãos na Ribeirinha. O pai era professor e músico e ela tocava muito bem&nbsp; bandolim. Dizem, porque eu nunca a vi nem ouvi tocar. Num belo dia, o pai, teu bisavô, resolveu emigrar para a América e levou o filho mais velho à experiência. Sabes que naquela altura as viagens dos Açores para a América não eram como agora. Além de caras eram muito demoradas. As pessoas escreviam cartas que custavam a chegar. Ainda hoje no&nbsp; folclore açoriano há&nbsp; músicas que falam da separação e da saudade. Bom, os dois foram ficando por lá, e o teu bisavô acabou por morrer sem voltar a S. Miguel. A tua bisavó e os filhos que cá ficaram sofreram um desgosto enorme. A tua avó nunca mais tocou bandolim. Foi guardado. E a viola da terra teve o mesmo destino.</p><p>- Que desperdício! Foi como se os instrumentos ficassem de luto… - comentei.</p><p>- Foi mais ou menos isso. Então quando queres começar?</p><p> Fiquei com tantas perguntas por fazer…&nbsp; Nunca falei neste assunto à minha avó, embora passasse a vê-la de outro modo. E hoje tenho muita pena de nunca lhe ter dito quanto a admirava e por não lhe ter agradecido o seu sorriso tão doce e &nbsp;todo o carinho que nos dava.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-15 18:27:48 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3869184849</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Nascer sem Razão | Alexandra Santana | 16 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3871254853</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando lhe contou a história do seu nascimento, espantado e com um sorriso irónico o amigo disse-lhe: “Isso quer dizer que não tens explicação científica!” Ambos riram, ao que Alexandre respondeu “pois, sei lá, se calhar”.</p><p>Muitos anos mais tarde, estudando a história da sua linhagem, dos homens e mulheres que a custo de muito sofrimento e violência ergueram as suas casas, vidas e educação dos seus filhos e filhas, Alexandre percebeu que nunca se está aqui por acaso.</p><p>Existindo ou não explicação científica, o acaso ou qualquer outra coisa acaba por dar sentido ao nosso nascimento, vida.</p><p>Com os anos passa a vida e com a vida vamos também nós passando, o nascimento fica cada vez mais longe e a morte mais perto, isto&nbsp; é tanto mais real conforme vemos os outros partir.</p><p>E foi nessas circunstâncias pesadas e ao mesmo tempo belas que a verdadeira efemeridade da vida se manifestou para Alexandre, que jurou pela memória e honra dos seus antepassados que seria através da sua vida que iria cortar o sofrimento desses padrões ancestrais e construir uma vida cheia de beleza e paz, para si, para os seus e para os que de lá de cima nos foram colocando aqui.</p><p>“Somos todos filhos do sol, ou seus bastardos, como diria Urbano Tavares Rodrigues, no livro com o mesmo nome”, conforme pensou isto rendeu-se com um sorriso à luz do sol que ainda brilhava no céu, no banco onde estava sentado.</p><p>Vale a pena andar por aqui. Mesmo sem explicação cientifica.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-16 20:29:40 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A sedutora Dama Negra | José Lobato | 16 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
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         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Vem, vem e aceita o convite para desfrutar de um fim de semana inesquecível na companhia da sedutora Dama Negra, vem sentir o prazer, a adrenalina de estares tão perto e de não teres qualquer poder de arbítrio...este fim de semana ser-te-á permitido ouvir o sussurro sedutor da noite eterna, olha-me nos olhos e conduzo-te lá, lá ao silêncio eterno da ausência e do vazio de vácuo...vais implorar por nunca teres aceitado. <em>Too late,</em> <em>welcome to the Hades...</em></p><p>Um casal que das entranhas da terra parte para Norte, um bebé por nascer e uma tragédia que deixa o futuro de todos em suspenso...no ar soa uma primeira gargalhada crepuscular que não se ouve...estes são os dias que não quis. O escárnio das sombras começa a apertar-se num cerco irrespirável.</p><p>Da escuridão asfixiante das entranhas da terra, onde reina pacientemente a Dama Negra, refugio-me na superfície, na liberdade do céu infinito. Do voo de um avião que cai e que não voltará a descolar, na luta de uma jovem experiente piloto de guerra, incapaz de enfrentar a brisa traiçoeira da Tecelã do Fim.</p><p>Contaram-me...contaram-me que um dia, um avião fretado descolou por um amor traído, por uma paixão não correspondida, um carro que arde e uma explosão num hangar. A dúvida primeiro, uma arma apontada, a sobrevivência num salto sem espaço, sem tempo, um voo sem esperança. A luta no cockpit, uma arma retirada, um avião que se despenha. O desistir de alguém que só quis na verdade sonhar e amar, amar com todo o seu ser uma mulher, aos seus olhos uma deusa. Corre, corre na pista, que parece não ter fim, corre ainda, corre sem esperança, agora cercado, os olhos daquela bela mulher, perdem-se numa distância &nbsp;cada vez mais longínqua, ecoa uma gargalhada do abismo, um tiro seco e a Dama&nbsp; Negra vitoriosa reclama aquela alma devorada pela paixão.</p><p>Um sorriso predador lascivo revelava-me que ainda não acabara...enlouquecido, fujo, fujo do sonho, fujo para Sul, para o meu mundo e regresso às profundezas da terra e a um choque impotente de nada poder fazer perante um corpo devorado por um monstro de aço e pedra, um anjo jovem que espera tranquila no seu canto, um casamento que nunca chegará. Uma luta contra o tempo, eu e os meus guerreiros não permitiremos que a Arauta do Fim possa reclamar mais esta alma inocente. Não a conseguimos ver aproximar-se de nós, mas uma brisa à sua passagem, carregada de um quase cheiro que todos reconhecemos, sem nunca o ter vivido, anunciava uma estranha memória do fim. Lutávamos ainda desesperadamente, estrangulados por um tempo que se esvaía arrastando consigo aquele ser ainda vivo e já no cruzar limite das portas do Hades quando a Dama Negra o abraçava no seu manto negro, resgatamos enfim o amor do seu regaço negro rasgando-o na nossa raiva .</p><p>Num sorriso de escárnio, partiu por fim...deixando-me o pressentimento de um regresso prometido... </p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-16 20:36:14 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Avô | Sónia Marcos | 16 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
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         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Corro por entre poças, apanho caramujos...enfio-os no boné. <br>Contemplando as grandes falésias, sonho trepar ao cume e pôr uma bandeira de colonização. <br>Apanho algas e misturo com os caramujos que apanho na maré no baldinho de plástico. Sonho.<br>&nbsp;É tão grande o meu sonho. <br>Vou descalça queimando os pés na árida areia. <br>Vou contente. <br>Levo navalheiras. Camarões. <br>Trago sonhos, caramujos e algas. <br>Brinco contigo. <br>Sou feliz, ensinas-me que os polvos são fugidos e as moreias mordem. <br>Há moreias entre as pedras, há sargos para apanhar à cana. <br>Os pesqueiros existem na tua visão dominante sobre os cantos e recantos da costa. Apanhas ouriços e fazes uma boneca. <br>Chucha de massa de ouriço numa meia de vidro faz uma bolinha atrevida e mentirosa enganando sargos. <br>Uma chucha? Uma boneca? <br>Sim! <br>Escrevo para todas as crianças de classe saberem. <br>Sou tão feliz a teu lado! <br>Corro pulo. Rio. <br>Vou à Maré todas as manhãs. <br>Avô! <br>Mas estamos em 2026, já não se apanha polvos, nem moreias na costa. <br>Existem alguns caramujos e mexilhões… <br>São catados como ouro por ignorantes. <br>Lapas? Sim lapas. … <br>Mas o que mais falta em 2026 é não estares presente fisicamente. <br>Avô.. mostra o caminho para te encontrar pois um dia partirei….</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-04-16 21:00:13 UTC</pubDate>
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         <title>Proposta 11: Quem sou eu? | José Lobato | 17.Abr.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3872638597</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-04-17 16:24:19 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Em memória da nossa amiga Dra. Adelaide | 06.Maio.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3902754232</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>Hoje, despedimo‑nos de uma leitora incansável, uma companheira de palavras e de silêncio, alguém que fez do nosso clube de leitura e de escrita criativa um lugar mais vivo, mais atento, mais humano.</p><p>A sua presença era feita de escuta, de curiosidade, de generosidade. Lia com o coração aberto, escrevia com coragem e sabedoria, partilhava sempre com aquela serenidade que nos ensinava a abrandar.</p><p>Fica o vazio da cadeira onde se sentava, mas fica também o rasto luminoso das conversas que provocou, das histórias que inventou, dos livros que amou e partilhou connosco.</p><p>Em nome de todos os elementos do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Sines, agradecemos o tempo que caminhou ao nosso lado. Que a memória dela continue a ser uma página que não se apaga.</p><p><br></p><p>Sines, 6 de Maio de 2026</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-07 18:46:49 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A Guerreira | Janine Massano | 22 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910947565</link>
         <description><![CDATA[<p>Ela nunca acreditou que a sua história fosse digna de ser contada — e talvez seja exatamente por isso que ela merece ser lida.</p><p>Desde cedo, mostrou uma curiosidade inquieta e uma vontade silenciosa de ir além do óbvio. Enquanto muitos seguiam caminhos previsíveis, ela preferia fazer perguntas difíceis, explorar o desconhecido e desafiar os limites que lhe eram impostos. </p><p>Não foi um percurso fácil: houve dúvidas, falhas e momentos em que tudo parecia parar. Mas foi precisamente nesses instantes que se revelou a sua maior força — a capacidade de recomeçar.</p><p>Ao longo dos anos, construiu não apenas experiências, mas uma visão única sobre o mundo e sobre as pessoas. Quem a conhece reconhece-lhe uma combinação rara: determinação sem arrogância, ambição com consciência e uma autenticidade que não se aprende — nasce com ela.</p><p>&nbsp;A sua história não é feita apenas de conquistas, mas de lutas e transformação. É o retrato de alguém que continua em evolução, que não se conforma e que acredita que ainda há muito por descobrir, criar e deixar como marca.</p><p>Ler sobre ela não é apenas conhecer uma pessoa. É, de certa forma, encontrar perguntas que também pertencem a quem lê — e talvez até algumas respostas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:37:30 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Um sonho desfeito | Conceição Sequeira | 23 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910952814</link>
         <description><![CDATA[<p>Era o mês de Agosto de 1973 e o calor não dava tréguas. Nesse ano não tive férias.&nbsp; Monte Gordo ficou à minha espera...&nbsp; e eu em Mértola a trabalhar. O meu primeiro trabalho remunerado: Proposta de Tesoureiro da Câmara Municipal, por um mês, enquanto o detentor do lugar gozava as suas férias.&nbsp; Antes, tinha terminado os exames do 7.° ano, em Beja, e deixado uma cadeira para Setembro, a Matemática!<br>Mal sabia eu que nunca mais pararia de trabalhar e que os sonhos teriam que ficar para sempre adiados.<br>Filha única,&nbsp; nasci&nbsp; e cresci&nbsp; na pacatez de uma pequena vila, perdida e esquecida, na margem direita do rio Guadiana. O tempo ali tinha parado há muito...&nbsp; </p><p>Desde o encerramento das Minas de S. Domingos que vivíamos à sombra do passado. Nada de novo ou importante&nbsp; acontecia. Seguíamos o ciclo das estações do ano, numa previsibilidade pendular.<br>No entanto, havia uma magia latente que nos fazia acreditar no futuro.<br>Muito criança ainda recordo o meu pai:<br>- Maria (era assim que ele me chamava), vamos passear ao castelo?<br>E lá ia eu muito feliz... Subia à torre de menagem&nbsp; ouvindo o meu pai contar histórias de Fenícios Gregos, Cartagineses, Romanos e Árabes, como se os tivesse conhecido. Segundo ele dizia, debaixo daquela encosta jaziam adormecidas&nbsp; outras Mértolas, com outros nomes: Nova Tyro, Myrtilis Júlia e finalmente a nossa Mértola. Envolvida nestas histórias fantásticas eu acreditava piamente que a minha terra iria um dia ser um lugar importante, conhecido e visitado, por gente vinda do mundo inteiro. Das entranhas daquela encosta&nbsp; surgiria, à luz do sol, a vila imaginada pelas histórias do meu pai.<br>E assim aconteceu...<br>Depois de uma infância feliz, veio uma adolescência mais conturbada, onde os momentos de tristeza me acompanharam por mais tempo do que eu merecia, mas isso é uma história que fica para depois.<br>E eis-me de regresso ao primeiro parágrafo desta Introdução: um 1.° trabalho, um verão escaldante a tentar estudar Matemática e uma dúvida persistente: o que irei fazer a seguir?<br>Havia um sonho guardado para concretizar...<br>Havia um caminho&nbsp; que eu queria percorrer, mas esse caminho transformou-se num atalho sinuoso e depois num beco sem saída ...<br>Alguém pegou nele mais tarde, usando a força que me faltou e está tudo bem!</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:42:25 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>(Auto)biografia | Carolina Palminha | 24 Abril 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910958834</link>
         <description><![CDATA[<p>Resolvi escrever este texto, espécie de (auto)biografia para que me fiqueis a conhecer melhor, aquilo que estará para além do visível.</p><p>Quem sou eu afinal ou quem fui. Muitos se interrogam sem coragem para perguntar, pensando certamente que isso me causará algum transtorno.</p><p>Aqui vos deixo, sem inibições e com simpatia o meu testemunho de vida.</p><p>Anos 50!</p><p>Eu era uma menina alegre e brincalhona, vivaça e ladina. Vivia no Monte dos Mariais com a minha avó.</p><p>Nos dias festivos íamos passear à Quinta da Dona Rita, lugar bonito e bem cuidado. A dona permitia que lá se passeasse e merendasse, sem nada se destruir, claro.&nbsp;</p><p>Lembro-me bem, teria eu 8 anos, que num desses dias ao regressar, um grande e inesperado cansaço se instalou em mim.</p><p>Como me pesavam as pernas!!!</p><p>Algum dos adultos se deu conta de que algo estranho se passava comigo. Levaram-me ao médico. Lembro-me de o meu pai me levar ao colo.</p><p>O médico&nbsp;diagnosticou febres intestinais. Eu piorava até que se descobriu que era uma Paralisia Infantil. Ainda não havia vacinas para tal e um surto se tinha espalhado, chegando até mim.</p><p>- Porque me escolheu, a mais tarde chamada Poliomielite?</p><p>Todos pensaram que já não haveria solução, tal a gravidade do estado a que chegara. Pensou-se mesmo que levarias a tua avante e eu não escaparia.</p><p>Todavia, passados meses, fui recuperando alguns movimentos, a alegria e a força de viver.</p><p>Que eu era levada da breca, sempre resistente e perseverante, (dizia a doença em surdina)</p><p>- Ora vês? Apesar das dificuldades, estudei, tirei o meu curso de Professora, tornei-me independente, gostei da minha profissão trabalhando durante 31&nbsp;anos. Aposentei-me e hoje tenho direito à minha Reforma que me permite viver desafogadamente.</p><p>- Pois é, Poliomielite. Na verdade, deixaste-me com sequelas e essas sim, se vão agravando agora com a idade. Mas trabalhei com alegria, arranjei muitos Amigos, viajei, conheci mundos. Apaixonei-me e desapaixonei-me. Nunca casei e nem isso tem importância. Do que sinto falte é do&nbsp;aconchego&nbsp;de um carinho.</p><p>Vi ternura em muitos olhos, mas nunca ninguém com coragem para partilhar a vida com uma pessoa com deficiência e talvez fosse melhor assim. Provavelmente não iria dar certo.</p><p>- Olha Pólio, causaste muito transtorno à minha vida, mas também me obrigaste a lutar corajosamente para fazer de mim uma pessoa corajosa, lutadora, forte e persistente.</p><p>Acho que venci esta batalha, mas não posso dizer que tenha tido prazer em conhecer-te!</p><p>Maio de 2026 e Carolina é o meu nome.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:47:23 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Quem sou eu? | Helena Cabral | 04 Maio 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910963917</link>
         <description><![CDATA[<p>       Neste Clube de Escrita Criativa não têm faltado aventuras. Os temas são por vezes tão inesperados, que levam tempo a aterrar e a pessoa dá consigo, como eu estou agora, com o caderno aberto, a página em branco e uma caneta na mão, enquanto dou voltas e mais voltas em busca duma ponta por onde pegue no começo do texto pedido. Uma autobiografia! Mas primeiro, a sua introdução. Não está fácil. É que também procuro <em>as </em>razões para a escrever. A ideia é boa, e nem será difícil planear um texto&nbsp; que refira datas e acontecimentos importantes da minha vida; que&nbsp; inclua familiares ascendentes, descendentes e colaterais;&nbsp; amigos e&nbsp; conhecidos e terras onde vivi. Porém gostaria de incluir algo&nbsp; extraordinário…</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E começa a busca!</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em miúda, impressionada pelos espectáculos de Circo, queria&nbsp; vir a ser trapezista. Ora, nem um mortal sabia dar. Sonhei ser bombeira&nbsp; ou aviadora. Nem lá perto cheguei.&nbsp; Desejei ser mergulhadora. Fiquei-me pela natação. Lá ia mergulhando e nadando debaixo de água, de olhos abertos, e já era bem bom! Ainda&nbsp; seguindo a paixão pelo mar e seus mistérios, tive a ideia de um dia ir num veleiro por esses mares fora, visitar terras desconhecidas e exóticas, na companhia de&nbsp; amigos.&nbsp; Não aconteceu. Frequentei aulas de vela e já&nbsp; me dei por feliz.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ideias e fantasia não me faltavam. E assim de sonho em sonho fui crescendo, sem nunca me aborrecer, pois se nem tudo&nbsp; tinha na realidade, havia os sonhos e um futuro por viver.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas uma coisa eu concretizava, e fazia-o&nbsp; com muito gosto: nos dias mais cinzentos,&nbsp; com o meu lápis e o meu caderno, inscrevia encantos na minha vida.&nbsp; Qualquer episódio passava a ser extraordinário. Ora surgia um momento de beleza, ora um acontecimento engraçado, um ou outro ternurento ou até misterioso. Por que razão o fazia, nem&nbsp; sabia bem.&nbsp; Não era intencional. O certo é que me&nbsp; iluminava e coloria a rotina. Ficou-me esse hábito até hoje, e raramente me aborreço.&nbsp;&nbsp;</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, como já disse, neste texto não contarei nada de muito&nbsp; notável, mas fá-lo-ei com graça. E prometo que se o começarem a ler, só pararão na última página.</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:51:34 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Regresso ao passado | Alina Oliveira | 07 maio 2026  </title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910966793</link>
         <description><![CDATA[<p>     Casaram no primeiro dia de Janeiro do ano de 1967.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria Albertina e Domingos. Ela trabalhava na secretaria da Casa dos Pescadores de Sines. Ele pescador de profissão, perdera a mãe muito cedo, ainda criança e seguira as pegadas do pai e do avô, todos pescadores.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cerimónia realizou-se com o mar no horizonte, na Capela da Nossa Senhora das Salvas, padroeira dos pescadores de Sines.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na boda estiveram os familiares mais próximos que encheram o quintal da vizinha Perpétua. Fotos com uma grande figueira por cenário e um bolo de noiva que foi trazido de Grândola, no comboio da vila, pela noiva, a irmã da noiva Zézinha e pela prima e companheira de aventuras e risadas, a Gabriela.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um casamento muito feliz, com uma vida partilhada nos dias bons e nos dias maus.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Primavera do ano seguinte, dois de Abril (Dia de nascimento de Hans Christian Andersen, autor de conhecidas histórias infantis e também Dia Internacional do Livro Infantil), seria um presságio? Nasce a primeira filha do casal.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decidiram chamar-lhe Alina Isabel, o que fez com que a avó Doroteia rumasse a casa da vizinha Lucinda para perguntar se não se importava que a neta tivesse o mesmo nome da sua filha. A vizinha Lucinda parece que não se importou e assim ficou Alina, uma criança muito feliz e rodeada de muito amor.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fica o convite para quem quiser conhecer e escrever a história da Alina, com uma vida repleta de aventuras, amor, família, amigos e muito para contar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:53:52 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>INSTINTO | José Lobato | 09 Maio 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910970250</link>
         <description><![CDATA[<p>4 anos...não podia ter mais de 4 anos. Aquele corpo pequeno muito magro, cabelos negros e olhos grandes em tom castanho de mel, deitado numa cama de tubos de ferro branco, coberto por um único lençol de linho branco, num quarto de paredes obsessivamente brancas com armários brancos de portas e janelas brancas numa terra branca sobre um fundo negro. E no entanto...e no entanto um cheiro a éter, típico dos hospitais. Cheiro extremado pelo calor húmido e abafado do ar tropical negro africano junto da fronteira com o Congo. Confuso, observava atento o vai e vem daqueles fantasmas de bata branca que o rodeavam numa dança caótica, tentando perceber a rotina dos seus movimentos e qual o momento certo para escapar. De súbito, e estranhamente, o quarto onde se encontrava ficou vazio. Suspendeu a respiração. Encostou a boca contra o lençol, para não camuflar com o som da sua respiração ruídos próximos provenientes de algum movimento fora do seu campo de visão que o pudesse surpreender...nada. Através da porta branca entreaberta do quarto nada via também, nem ouvia qualquer ruído de passos sempre apressados daqueles fantasmas. Não ficaria ali nem mais um segundo...chegara a altura. Respirou fundo, mas silenciosamente, depois, depois e sem pensar mais nas consequências do seu acto, afastou cuidadosamente o lençol. Num salto felino ficou de pé, junto à cama. Apercebeu-se do seu frágil equilíbrio. Hesitou...mas não havia mais tempo, era agora ou nunca.</p><p>Ainda descoordenado, correu desenfreadamente, sem olhar para trás. De pijama e descalço evaporou-se pelos labirínticos corredores daquela prisão, onde desaguavam todos os outros quartos. Correu, tropeçou e voltou a correr, sem se perder, guiado pelo instinto do cheiro da terra, o cheiro da liberdade que o chamava do lado de fora daquelas paredes. E finalmente ofegante chegou à última porta, aquela que se abriria para o espaço infinito. Abriu-a e abaixo dela, os últimos seis ou sete degraus de umas escadas de colunas brancas curvilíneas estilo colonial, ainda o separavam da terra vermelha. Sem medir e sem sequer pensar, para não dar tempo ao tempo do medo que o tolheria e o faria hesitar, quis engolir aquele espaço num único salto e voou por cima dos degraus brancos.</p><p>Demasiados degraus para uma ave tão pequena e caiu no solo vermelho de barro. Pijama sujo. Joelhos esfolados e um sabor a sangue nos lábios. Alma livre. Atordoado, levantou-se de um salto. Sacudiu as asas e percebeu que continuavam lá. Ave ferida, fugiu com toda a energia que ainda lhe sobrava. Era altura de arriscar tudo e assim mergulhou na selva que o cercava, mergulhou na noite, mergulhou nos seus medos. O pai que sempre ficara com ele, deixara-o por uma noite só, mas ao sentir-se abandonado longe de casa, longe dos seus, longe de tudo...decidiu evadir-se. Fantasmas, tal qual matilhas de cães farejadores, perseguiram-no sequiosos por fazer cumprir a ordem e a disciplina e mergulharam atrás de si na selva. Procuraram-no desesperadamente rasgando o manto denso da noite com movimentos frenéticos de longas espadas de luz. Bom seria que antes de qualquer onça, pudessem ser eles a capturar aquela “peste em forma de gente pequenina”. Cada minuto que passava contava e estava contra eles. A selva e os seus perigos noturnos não iriam permitir que aquela amostra de gente pudesse sobreviver por muito tempo. Passadas algumas horas, feitas de incontáveis minutos, finalmente encontraram-no. Entregou-se sem resistência com um ligeiro sorriso triunfalista num rosto de criança sujo de sangue, sujo de terra. Sem o saber, aprendera ali que a liberdade raramente se pede, conquista-se com pequenos gestos audazes.</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:57:07 UTC</pubDate>
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         <title>Há histórias que começam em silêncio | Gracinda Guedes | 11 Maio 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910972664</link>
         <description><![CDATA[<p>- Há histórias que começam em silêncio.<br>Não porque lhes faltem palavras, mas porque a vida, tantas vezes, lhes ensinou cedo demais o peso do mundo.</p><p>Esta é a história de uma menina diferente.<br>Uma menina que nasceu numa família simples, marcada pelas exigências da vida e pelos dias longos de trabalho. Ainda pequena, aprendeu que crescer nem sempre espera pela idade certa.</p><p>Tinha apenas quatro anos quando viu partir a sua avó — o primeiro grande amor da sua vida, o colo onde encontrava ternura, proteção e paz. A ausência daquela mulher deixou um vazio impossível de explicar numa criança tão pequena, mas também lhe deixou uma herança invisível: a capacidade de amar profundamente.</p><p>Enquanto outras crianças brincavam livremente na rua, ela passava horas à janela, observando os risos dos amigos, os jogos improvisados, a vida a acontecer lá fora. Dentro de casa, permanecia fechada para que a família pudesse trabalhar. A infância foi-lhe escapando devagarinho, entre paredes silenciosas e responsabilidades demasiado grandes para mãos tão pequenas.</p><p>Cedo começou a ajudar nas lides domésticas. Aprendeu a cuidar, a servir, a dar de si aos outros. E talvez sem perceber, começou ali a construir a mulher em que se tornaria mais tarde: resiliente, generosa e profundamente humana.</p><p>Casou muito nova com aquele que via como o seu príncipe encantado. Mais do que um sonho de amor, o casamento representava também uma porta aberta para um mundo diferente daquele onde crescera — um mundo onde pudesse finalmente respirar liberdade, construir o seu próprio caminho e encontrar um lugar onde se sentisse verdadeiramente feliz.</p><p>A vida, porém, nunca se revelou fácil. Trouxe desafios, sacrifícios e dias difíceis. Mas trouxe também as maiores bênçãos do seu coração: dois filhos, os seus maiores tesouros, razão de muitos sorrisos e de toda a sua força. E mais tarde, como um presente generoso do destino, chegaram quatro netinhos maravilhosos, que lhe devolveram o brilho da infância e a certeza de que o amor continua sempre a multiplicar-se.</p><p>Grande parte da sua vida foi dedicada à família — o seu porto seguro, o seu maior foco, o centro de tudo aquilo em que acredita. Mas o seu coração nunca se limitou apenas aos seus. Caminhou pela vida de mãos abertas ao próximo, dedicando-se de forma solidária a instituições de apoio aos mais desfavorecidos, acreditando sempre que ninguém cresce verdadeiramente sozinho.</p><p>E porque nunca teve medo de servir, aceitou também o desafio de ser deputada municipal (ainda que por um curto período de tempo). Fê-lo com humildade, sentido de responsabilidade e uma vontade sincera de contribuir. E diga-se, sem favor algum, que não deixou o seu crédito por mãos alheias: cumpriu o seu compromisso da melhor forma que sabia, com honestidade, dedicação e consciência tranquila.</p><p>Hoje, já passados muitos anos, continua de coração desperto para novas experiências, novos caminhos e novas formas de evoluir humanamente. Continua a acreditar que a vida só faz sentido quando vivida com altruísmo, empatia e amor pelos outros.</p><p>Mas esta história não pode ter um fim.</p><p>Porque aquela menina que um dia ficou à janela ainda vive dentro da mulher que se tornou. Ainda espera amar mais, ser amada sem medida e sorrir muito para a vida que Deus lhe concedeu.</p><p>E enquanto houver esperança no coração, haverá sempre mais um capítulo por escrever.&nbsp;</p><p>Esta sou eu, com carinho...</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 15:59:21 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Samica, alguém! | Graciosa Reis | 26 Abril  2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3910994880</link>
         <description><![CDATA[<p>Quero que esta introdução agarre quem a lê, do primeiro rabisco ao último arrepio literário. Ora, convencer um leitor (entenda-se por leitor aquela pessoa que gosta mesmo de ler) não me parece tarefa difícil. Afinal, conto com o apoio dos meus poetas fantasmas, sempre prontos a soprar frases ao meu ouvido, e com as minhas canetas permanentes, que escrevem sozinhas quando eu me distraio.</p><p>Difícil, difícil, é motivar a geração polegar, essa gente que nunca pegou num livro (bom, evitemos radicalismos: quase nunca). Pois bem, é para ela que vou orientar este texto. Se não a convencer, ao menos que lhe faça cócegas literárias.</p><p>“<em>Je est un autre</em>.” A célebre frase de Rimbaud parece-me um bom princípio para introduzir a minha biografia, porque me revejo nela e porque os meus poetas fantasmas insistiram que a usasse, sob pena de me riscarem o rascunho com as tais canetas permanentes.</p><p>E se Rimbaud dizia que o <em>eu é um outro</em>, eu acrescento que às vezes esse outro tem vários nomes.</p><p>Eu, Graciosa Reis, e heterónimos me confesso. Não no sentido pessoano, não inventei biografias paralelas, nem datas de nascimento, nem estilos literários autónomos. Os meus “heterónimos” nasceram de outra fonte, do erro humano, essa força criativa que transforma Graciosa em tudo menos Graciosa. Já fui Generosa, Graciete e até Preciosa (ainda hoje não sei se era carinho, lapso ou provocação). E Grace… ah, mas esse é especial. Foi-me oferecido por um grupo de alunos e, como tudo o que nasce da imaginação estudantil, pegou que nem fogo. Os amigos adoptaram-no e no meu blogue assino mesmo por Grace. É o único heterónimo que escolhi manter, talvez porque me dá um certo ar internacional, ou porque me lembra que, às vezes, os outros vêem em nós coisas que nós próprias ainda não vimos.</p><p>Um dia, porém, fartei-me dos equívocos. Peguei num rectângulo de cartolina, escrevi: PUM! PUM! PUM! Basta de Preciosa! Eu sou a Graciosa e preguei-o na lapela. (Os meus poetas fantasmas aplaudiram. As canetas permanentes sublinharam. Acharam que era performance artística.)</p><p>E agora? Agora chega a parte difícil: falar de mim. Mas vamos lá tentar agarrar os polegarzinhos antes que deslizem para outra aplicação.</p><p>Fui menina e moça; rabina e roliça; tagarela e curiosa; quiseram que fosse mulher do lar, mas preferi ser mulher da escola e dos livros; e assim permaneço! Mulher livre e com tendência para fugir das gavetas onde me tentam arrumar. E os livros… Esses foram sempre a minha verdadeira pátria. Ensinaram-me a pensar, a duvidar, a rir, a resistir, a ser mais do que esperavam de mim. Se hoje rabisco uns textos, pequenos esquisses, como os do meu velho caderno onde desabafo sem pedir licença, é porque antes li, e continuo a ler como quem respira.</p><p>Tive uma filha, plantei árvores e semeei palavras aqui e ali, como quem espalha migalhas literárias, pelo que posso afirmar que quase cumpri a máxima do poeta cubano José Martí.</p><p>Falo francês, mas não toco piano. Ufa! Escapei por pouco à catalogação de “jovem de família burguesa”. (Aqui, os meus poetas fantasmas franziram o sobrolho, mas aceitaram.)</p><p>Então, afinal, quem sou eu? A minha filha, em 2004, para um trabalho escolar, escreveu: “Conheci-a pessoalmente quando ela tinha 28 anos e, desde então, vivemos sempre juntas. Há quem diga que somos parecidas; talvez tenha herdado um pouco dos olhos redondos dela, verdes acastanhados, ou o formato da cara (meio oval, meio redondo). Pensando bem, até é capaz de ser…”</p><p>“Chega!”, decretaram os meus poetas fantasmas, esses editores do além que me riscam frases quando estou a revelar demais. E, já agora, lembraram-me que a palavra “chega” é muito apreciada pelos polegarzinhos, como se isso fosse argumento literário. Eu, que tenho alergia à palavra (e não só à palavra…), respirei fundo e deixei-a ficar, para lhes dar esse pequeno triunfo.</p><p>Portanto, se querem saber mais… avancem umas páginas e os polegarzinhos que façam um esforço, vá.</p><p>Bom, mas respondendo à pergunta “quem sou eu?”. &nbsp;A minha resposta evidente é: “Samica, alguém!”, &nbsp;a famosa réplica de Joane, o Parvo, no <em>Auto da Barca do Inferno</em>. É esta a descrição que me acompanha nas redes sociais. E, verdade seja dita, nunca me senti tão bem representada.</p><p>Portanto, queridos polegarzinhos, façamos um trato simples, pousam o telemóvel por cinco minutos e eu deixo-vos entrar na minha biografia. Prometo que, ao contrário das vossas aplicações, não vos peço atualizações, só atenção. E, quem sabe, talvez descubram que virar páginas pode ser bem mais excitante do que deslizar o dedo no ecrã.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-05-13 16:17:26 UTC</pubDate>
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         <title>Proposta 12: Da minha janela ... | Graciosa Reis | 15.Maio.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3914294837</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-05-15 16:05:00 UTC</pubDate>
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         <title>Proposta 12 Extra: Poemar com as palavras | Graciosa Reis | 15.Maio.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3914295780</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-05-15 16:06:07 UTC</pubDate>
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         <title>Da Minha Janela… | Gracinda Guedes | 01 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948595949</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>Há qualquer coisa de mágico na vista da minha janela. Talvez seja a forma como as pequenas casas brancas e amarelas repousam umas ao lado das outras, como peças de um cenário pintado à mão. As chaminés erguem-se timidamente sobre os telhados, como velhos contadores de histórias que já viram milhares de amanheceres e noites estreladas.</p><p>No meio dessa paisagem tranquila existe um pequeno jardim que parece guardar a alma da primavera. Mesmo nos dias mais silenciosos, há vida escondida em cada folha, em cada flor, em cada movimento suave do vento. </p><p>É um lugar pequeno, mas cheio de infinito.</p><p>E depois… aparece o arco-íris.</p><p>Surge no céu como um portal secreto, desenhando cores sobre o horizonte e transformando o comum em extraordinário. Quando o vejo, imagino que para lá das nuvens existe um reino encantado, onde o tempo anda descalço e os sonhos crescem livres como árvores antigas. Um lugar onde as casas ganham luz própria ao cair da noite, onde os jardins escondem caminhos invisíveis e onde cada cor do arco-íris abre a porta para uma nova aventura.</p><p>Às vezes fico apenas a olhar, em silêncio, como quem observa um pedaço de magia acontecer diante dos olhos. E percebo que a minha janela não mostra apenas a rua, as casas ou o céu — ela mostra-me que ainda existem mundos capazes de nascer da imaginação de quem nunca deixou de acreditar no encanto das coisas simples.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:25:14 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Duma janela generosa | Helena Cabral | 02 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948598079</link>
         <description><![CDATA[<p>É de uma janela generosa deste 2.º andar que habito, que me deleito com um cenário belo e invulgar.</p><p>Sentada no sofá frente à janela sou presenteada com as copas sempre verdes deste bosque meu vizinho, contra um céu que vai do rosa matutino ao laranja&nbsp; poente, passando pelo azul mais ou menos intenso, sem desprezar o nublado, nem&nbsp; o das noites escuras, ou&nbsp; claras, de lua e estrelas.</p><p>&nbsp;E não acaba aqui.</p><p>&nbsp;Fica à&nbsp; minha porta uma das ruas principais&nbsp; desta terra, que vai dar às saídas para Sines e Santiago, passando pela escola, para onde e de onde se movem&nbsp; diariamente romarias de alunos, professores e outros trabalhadores, tanto a pé ou de trotineta, como de carro e de camioneta. Nesses momentos a rua é som, cor e agitação. Fora isso, abranda. E temos horas de sossego e quase silêncio.</p><p>&nbsp;Contudo há o pinhal majestoso, com o seu chão de areia e caruma, rosmaninho e alecrim, por conta da bicharada, uns escondidos, outros também com horas de grande alarido. E são&nbsp; pombos e rolas, andorinhas, gralhas, pardais,&nbsp; e outros voadores que&nbsp; não sei nomear.</p><p>Mas nem só as aves e as pessoas animam este bairro… Há uma vida muito própria nos estendais com roupa de vários tamanhos e feitios esvoaçando nas alturas. Nas horas mais ventosas, são panos que adejam e cumprimentam; pernas de calças que chicoteiam o ar, se torcem e destorcem como em abraços, enrodilhadas&nbsp; como&nbsp; numa zaragata. E o que dizer das mangas das camisas acenando para as suas colegas dos outros estendais, ou então das saias e vestidos enfunados, dançando em rodopio de festa? É tão engraçada e comunicativa esta lavandaria animada de movimento…</p><p>&nbsp;&nbsp; E talvez, nas horas de quietude deste bairro cor-de-rosa, as únicas notas de vitalidade sejam aéreas e esvoaçantes: as aves no pinhal, e a roupa nos estendais.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:29:35 UTC</pubDate>
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         <title>Da minha janela, eu vejo... | José Lobato | 08 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948602807</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>&nbsp;</strong>A janela é uma fronteira...a fronteira entre um mundo natural, a pulular e a dançar numa festa da vida permanentemente partilhada entre todas as outras espécies, e o nosso mundo humano. O nosso mundo seguro, confortável, desconectado, egóico, solitário e triste.</p><p>A minha janela é a plateia a partir da qual contemplo o palco da vida onde tudo acontece, onde plantas, insetos, animais, rios, florestas, oceanos e céus interagem numa dança coreográfica perfeita e harmónica e aonde, nós humanos, já pertencemos no passado. Encerrámo-nos em gavetas de betão onde as janelas não passam de um sedativo para almas aprisionadas. Desiludidos, hoje olhamos tristes através dessas janelas e não percebemos, afinal onde errámos, afinal o que aconteceu para chegarmos aqui, se nós, a espécie dominante, éramos até os mais inteligentes e vergámos tudo ao nosso redor para nos servir.</p><p>Desde tempos remotos evangelizaram-nos, de que nós, humanos, seríamos o centro do universo e essa ilusão fez-nos perder o foco da essência da vida e do equilíbrio entre todos os que coabitam este planeta, com exatamente os mesmos direitos que nós. Crescemos descompensadamente, saltámos fora da cadeia natural, a que pertencíamos como espécie, e hoje continuamos a destruir tudo o que ainda existe nesse palco, porque continuamos numa procura incessante e implosiva do sempre mais, do mais prazer, do mais poder e sobretudo do mais reconhecimento.</p><p>E com isso, perdemos por fim, a capacidade de observar verdadeiramente a beleza que nos envolve e de nos questionarmos sobre os mistérios da vida e sobre os mistérios da finitude. Subestimámos todas as outras espécies, também elas com a capacidade de sentir como nós, de ter afetos, sentimentos, memória e consciência, banalizámos o voo mágico do colibri, a complexa arquitetura dos formigueiros, a comunicação sonora das baleias, o amor e a dor desesperante de uma mãe pelo seu bezerro separado dela à nascença, para que nós pudéssemos desfrutar do sabor de um copo de leite.</p><p>E deste modo acabámos completamente sós...e depois de tudo, e depois de tudo continua ainda a ser a Natureza, a única que nos poderá verdadeiramente resgatar de nós próprios e fazer-nos regressar à nossa mais genuína essência. </p><p>Abre a janela...abre a janela e junta-te à festa, todos eles ainda aqui estarão à tua espera, desde que abdiques de os continuar a escravizar...</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:35:14 UTC</pubDate>
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         <title>A MINHA JANELA PARA A VIDA | Alina Oliveira | 08 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
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         <description><![CDATA[<p>Da minha janela, eu vejo o mundo.</p><p>O mundo como ele é.</p><p>Vejo pessoas que passam, na azáfama diária.</p><p>Crianças e jovens que vão a caminho da escola.</p><p>Adultos apressados para os seus trabalhos.</p><p>Idosos com tempo para apreciar a vida.</p><p>Também vejo as árvores que florescem na Primavera, os canteiros floridos, animais que brincam e passarinhos nos seus ninhos.</p><p>Vejo o sol de Verão e a chuva de Inverno.</p><p>Vejo o que me alegra, mas também o que me entristece.</p><p>&nbsp;O sofrimento e a dor de algumas pessoas, provocados pela inconsciência de alguns.</p><p>Cada um tem a sua história.</p><p>Todos temos dias felizes e dias tristes.</p><p>Vidas diferentes que passam pela minha janela.</p><p>Da minha janela, eu vejo o mundo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:38:47 UTC</pubDate>
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         <title>O QUE VEJO DA MINHA JANELA! | Carolina Palminha | 08 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948613813</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>&nbsp;</p><p>Mulher feiticeira</p><p>Lua tecedeira&nbsp;</p><p>Com dedos de bruma</p><p>E fios prateados&nbsp;</p><p>Teces rendilhados</p><p>Cortinas&nbsp;</p><p>Que enfeitam&nbsp;</p><p>Janelas abertas</p><p>Nas marés&nbsp;</p><p>Desertas</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:41:07 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Das Janelas | Carolina Palminha | 08 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948614457</link>
         <description><![CDATA[<p>Um sol amarelo&nbsp;</p><p>Pintou o areal&nbsp;</p><p>O mar&nbsp;</p><p>Recuou</p><p>E não lhe fez mal</p><p>&nbsp;</p><p>A gaivota&nbsp;</p><p>Voava</p><p>Num espanto</p><p>Intrigada</p><p>Que bonita estava</p><p>A praia enfeitada</p><p>&nbsp;</p><p>Se eu fosse uma flor</p><p>Queria ser assim&nbsp;</p><p>Enfeite de praia</p><p>E não de jardim&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:42:20 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Da minha janela | Conceição Sequeira | 09 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948616702</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando acordo e abro a janela, passo do mundo dos sonhos para a vida, que surge mal coloco o olhar no horizonte...&nbsp;</p><p>Este acordar para a realidade, é o meu ritual de todas as manhãs, em que sinto que estou viva e agradeço.&nbsp;</p><p>Depois, nos dias que começam devagarinho, fico ali, frente ao rectângulo, olhando a rua, presa na moldura, com as suas casas caiadas de branco, telhados cor de tijolo, chaminés rendilhadas e, ao fundo, o azul... céu e mar ! Olhando o cenário à minha frente eu vejo... e vendo, eu viajo, vou mais longe nas asas da imaginação.&nbsp;</p><p>Entro nos barcos que pousam no horizonte, e vou à aventura, pelo mar revolto, em busca de novos mundos. Vejo as nuvens brancas acasteladas, no céu, e logo ali descubro uma panóplia de formas de animais, flores ou&nbsp;divindades que me olham, gigantes, lá do alto. Passa uma gaivota que me leva a sobrevoar a cidade e me deixa ficar numa ilha deserta onde os raios de sol são a minha companhia e o&nbsp;vento o meu confidente...&nbsp;</p><p>Conto-lhe das minhas saudades de quem já partiu, da minha infância longínqua e de uma outra janela... pequenina e à beira da rua. A ela me debruçava e as pessoas que passavam todas me conheciam e me davam os bons dias.&nbsp;</p><p>Nas noites de verão, por ela entrava o canto dos grilos e das cigarras. Pela manhã entrava a voz dos pássaros e o cantar do galo... No mês de Janeiro, o lamento dos gatos da vizinhança, nas suas investidas amorosas. Era a vida lá fora que vinha ter comigo através da minha pequena janela... e, através dela, eu saltava para a rua livremente, para agarrar a vida e perseguir os meus sonhos de menina ...&nbsp;</p><p>Então, de repente, há um cheiro a sal e a maresia que desperta os meus sentidos.&nbsp;</p><p>Olho a imensidão e procuro os fantasmas que o&nbsp;tempo levou. Esta janela é um cais de silêncio e&nbsp;espera. Contemplo o além, enquanto o peito se&nbsp;enche de uma doce melancolia.&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:46:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Da minha janela, vivo o MAR! | Graciosa Reis | 10 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948619633</link>
         <description><![CDATA[<p>&nbsp;</p><p>Da minha janela avisto uma imensidão de telhas alaranjadas, onduladas como um campo de barro, mescladas de paredes brancas onde a luz se demora. </p><p>Vejo, ainda, a casa do Gama - grande, forte, vigilante - como se guardasse histórias secretas, como se respirasse devagar para não perturbar o silêncio da rua. </p><p>Mais abaixo, o porto estende-se devagar, e as gruas levantam os seus braços metálicos, desenhando no ar gestos lentos, quase coreografados, enquanto os barcos repousam dos ventos. E, por vezes, quando as nuvens se abrem ou o nevoeiro se distrai, adivinha-se ao fundo a silhueta de uma pequena montanha, como um segredo que o horizonte revela apenas a quem vigia.</p><p>Da minha janela vejo, ainda, o bailado das gaivotas como um volteio caprichoso que ora parece coreografia, ora pura insolência, acompanhado pelo seu tagarelar azucrinante, tão persistente que às vezes me pergunto se não o fazem de propósito só para testar a minha paciência.</p><p>Mas esta visão, tão nítida e tão arrumada, não é a que me prende. O que me leva diariamente à minha janela é outra imensidão, que não cabe no enquadramento da moldura nem se deixa domesticar pelas linhas das casas, nem pela agitação das gruas, nem tampouco pela agitação das aves.</p><p>É o azul. Um azul que muda de humor ao longo do dia: ora prateado e tímido, ora feroz e brilhante, ora espesso como tinta derramada. É o brilho que ilumina mesmo quando o céu se fecha. <br>Da minha janela, não observo apenas o mar, vivo-o. Ele entra comigo, espalha-se pela sala, mistura-se com o cheiro do café, com o som dos passos, com a respiração das manhãs. Há dias em que parece chamar-me pelo nome; outros em que apenas me olha, paciente, como quem sabe que voltarei sempre. <br>Da minha janela, o mar é mais do que paisagem. É a presença apaziguadora que me alimenta e inspira.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-10 19:51:16 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948619633</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Poemar com as Palavras |  10 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948622470</link>
         <description><![CDATA[<p>Nesta apresentação constam os textos dos mareantes que ousaram <strong><em>Poemar palavras.</em></strong> Para aceder, basta abrir a imagem e deslizar as páginas. </p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads-usc1.storage.googleapis.com/169435102/901059e7190337326cac4aecc5ea8b65/Poemar_com_as_Palavras_2.pdf" />
         <pubDate>2026-06-10 19:57:51 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3948622470</guid>
      </item>
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         <title>Da Minha Janela | Alexandra Santana | 11 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3950011118</link>
         <description><![CDATA[<p>Da minha janela vejo o marmeleiro em flor e em fruta. O mesmo que passou o Inverno triste como cinzento do céu.</p><p>Da minha janela vejo os velhotes sentados no banco, às vezes sozinhos, outras vezes acompanhados mas sempre em busca de qualquer coisa que os retire da solidão e</p><p>lhes traga alento aos olhos, à alma.</p><p>Vejo as flores dos canteiros, ora beijadas pelo sol ora tocadas pelo luar, e penso como é bom ter voltado a viver aqui.</p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2026-06-11 16:17:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Da minha janela... | Janine Massano | 11 Junho 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3950160779</link>
         <description><![CDATA[<p>Da minha janela... Oiço o vento, o suspiro invisível do mundo, o toque que não se vê, mas se sente na alma. </p><p>É poesia em movimento: o mensageiro do céu que despe as árvores, dança com o mar e sussurra segredos aos ouvidos de quem ousa parar para escutar. </p><p>Da minha janela chupo mais do que açúcar, uma mistura de cores e aromas, enrolado nas memórias da infância, que se vai derretendo lentamente .&nbsp; </p><p>E é da minha janela que pego num punhado de folhas costuradas onde me perco guiada apenas pela tinta e pelo ritmo das frases. Não convém esquecer daquele conjunto de tecido adaptado à cabeça que só é usado a quem o deixa encaixar,&nbsp; usado nas mais adversas condições atmosféricas, esteja chuva ou sol. </p><p>Da minha janela... Vejo um casal de namorados embrulhando-se na arte de despir a alma sem sentir frio. O vizinho está no quintal lendo a transformação dum monte de papel num espelho do mundo e numa máquina do tempo. </p><p>Da minha janela... Vejo que a bússola dos que vagueiam sem norte nem sul é o coração do céu, a alegria do amanhecer; aquele que aquece as almas e nos tira da escuridão. Depressa se torna no farol de luz que navega pelo mar da escuridão . É o mapa das marés e das gravidezes também.&nbsp; Para a observar, depressa pego num olho de metal e cristal que beija o infinito e transforma o silêncio do céu noturno num espelho das nossas origens. É esta a minha janela.</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-11 20:23:52 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Proposta 13: Texto narrativo | 14.Junho. 2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3952254585</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2026-06-14 14:32:16 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Almoço convívio | 30.Junho.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3968978892</link>
         <description><![CDATA[<p>Almoço convívio do nosso grupo de leitores. Boa companhia; palavras simpáticas; miminhos especiais; partilhas de leituras e conversas cruzadas.<br>A repetir 👌📚📚      </p><p><br/></p><p>As palavras da Alina:</p><p>Aqui estamos mais uma vez a celebrar o livro e a leitura.</p><p>Celebramos a partilha e a união em volta dos livros, mas também laços que se estreitam e amizades que se constroem e perduram no tempo.</p><p>Maria da Luz, empatia desde o primeiro dia, uma amizade que tem criado raízes.</p><p>Adoro as “Carolinices” da Carolina, não consigo ficar indiferente e é sempre um prazer os momentos que partilhamos. É diversão garantida com a sua boa disposição.</p><p>Graciosa, o meu braço direito, mas também o esquerdo, que nos trouxe a sua experiência e com quem tenho aprendido tanto.</p><p>Maria José, descobrimos que as nossas vidas se iam cruzando sem sabermos e somos quase família.</p><p>Zé, uma amizade da juventude e que a leitura aproximou.</p><p>Conceição, o que senti desde o primeiro dia foi como se nos</p><p>conhecêssemos de longa data, muito fácil a amizade.</p><p>Querida Janine, conheço-te desde que eras pequenina. A vida trouxe-te provas muito duras, mas tu és uma menina forte e tenho a certeza que vais ser muito feliz no grupo.</p><p>Gracinda, Helena e Silvina, estão recentemente no grupo e tenho a certeza que vamos ter momentos muito felizes.</p><p>Não posso esquecer as nossas amigas Assunção e Adelaide, que já não estão entre nós, mas sempre no nosso coração. Eram aquelas que com a sua força e sabedoria me sabiam confortar nos meus dias mais difíceis. As suas palavras eram magia e davam-me a vontade de continuar.</p><p><br/></p><p>Sinto que ainda temos muitas aventuras para viver juntos e é incrível como os livros e a leitura podem mudar as nossas vidas.</p><p>Juntos sinto que podemos transformar o mundo num Mundo melhor.</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2026-06-30 19:54:20 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3968978892</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Proposta 14: Texto Non-Sense | 10.Julho.2026</title>
         <author>graciosa_reis</author>
         <link>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3979128935</link>
         <description><![CDATA[<p>Quinta-feira [14:19, 09/07/2026]&nbsp; | <strong><em>WhatsApp </em></strong>– Grupo de leitura  (consultar ficheiro Word)</p><p>&nbsp;</p><p><br/></p><p>Que iniciativa gira! Muito bom</p><p>Adorava participar</p><p>Que bela iniciativa e fácil de concretizar 😍</p><p>E precisamos de coelho, ovelha…porque uma galinha eu posso arranjar😂</p><p>Eheheh. Fazemos um piquenique literário</p><p>Olha os animais</p><p>Mas nós prescindimos dos animais. Quem tiver cão ou gato, pode levar. Só esses. 🤣🤣</p><p>Só falta a relva ...</p><p>Temos de descobrir um campo</p><p>E precisamos de coelho, ovelha…porque uma galinha eu posso arranjar</p><p>Original…mas a IA tb pode andar por ali</p><p>Concordo ... são coelhos a mais</p><p>Ainda nos comem os livros</p><p>Não Graciosa ... Eles vão é pedir emprestados ...</p><p>Eles são devoradores &nbsp;E roedores</p><p>Ainda vamos escrever sobre isto</p><p>Eles são devoradores</p><p>Algumas de nós tb "devoram"</p><p>piquenique literário com coelhos</p><p>Algumas de nós tb "devoram"</p><p>Ya!!</p><p>Olha os animais</p><p>Sempre temos os javalis que se passeiam por Santiago e Santo André... Em Sines não se atrevem?</p><p>Vai ser um festim</p><p>Na Ribeira de Moinhos sim. Por vezes vou às pinhas ou aos espargos quando é tempo e vejo a devastação no pinhal! E outro dia vi um coelho! Mas ele assustou-se mais do que eu</p><p>Vegetação envolvente, aqui, não temos muita</p><p>Pois, aí é diferente. Mas as galinhas e os coelhos já animam. E ainda chamam a comadre</p><p>Sempre temos os javalis que se passeiam por Santiago e Santo André... Em Sines nao se atrevem?</p><p>Ainda não. Temos gaivotas</p><p>Vocês são muito criativas. Nada que não pudesse vir a acontecer. Mas para termos essa bicharada toda à nossa volta era mais fácil as vacas criarem asas.</p><p>Mas se as vacas criarem asas, vão afugentar as gaivotas.</p><p>Por favor, por favor não deixem as vacas criar asas...isto com as gaivotas já é mau demais!</p><p>Sim, tem razão. Já temos uma pandemia suficiente</p><p>Muito bem. Se já tenho a varanda suja, imaginem as descargas vacarinas</p><p>Tal e qual!</p><p>Que animação... Ausentei-me um bocadinho e já temos vacas voadoras ... Não tarda nada até entra um porquinho a andar de bicicleta...</p><p>Quem sabe</p><p>Eu tenho uma gaivota em idade de&nbsp; infantário…no meu quintal</p><p>E os progenitores a tomarem conta dela e de mim. Ando de varapau em punho para me defender, se necessário.</p><p>Aqui perto da minha casa há duas, que caíram do telhado onde nasceram, e ali estão no quintal com os pais sempre a "falar" para elas, aflitos porque não as conseguem pôr a voar...</p><p>Temos de chamar o gato do Sepúlveda, que ele trata do assunto</p><p>Gosto de animais, mas se fossem passear para outro lado…fecharia o portão!!!</p><p>(História da gaivota e do gato que a ensinou a voar para mim das mais bonitas que li)</p><p>E não me ponham estendida na relva porque depois não conseguem levantar-me!!!!</p><p>Carolina e o seu (bom) humor…</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2026-07-10 16:37:47 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/graciosa_reis/diariodeaprendizagem_MaredeEscrita/wish/3979128935</guid>
      </item>
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