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      <title>&quot;Como Pensar Politicamente&quot; by Guilherme Morais</title>
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      <description>Reunião dos pensadores</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-12-25 16:36:32 UTC</pubDate>
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         <title>O Sábio</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Confúcio viveu numa época de grandes conflitos políticos que percorria toda a antiga China. No meio destes fenómenos, Confúcio procurava sempre aconselhar os príncipes de cada reino com as suas ideias de ordem, justiça e harmonia na sociedade. Porém, este foi sempre perseguido. Viveu uma vida de pobreza e de pouco reconhecimento. Tornou-se o professor mais influente da história da China.</p><p>A sua ética foca-se, essencialmente, no ser da pessoa e não nas suas ações. As boas capacidades do homem devem ser demonstrados em ações que resultam no bem. Por outro lado, concentra-se tanto no controlo das paixões e pensamentos do homem, quanto no cumprimento dos rituais e comportamentos sociais.</p><p>Confúcio descreve a sua fase de jornada em busca da virtude. Confúcio apresenta dois exemplos morais: o cavalheiro, que aconselha o ser humano a seguir, e o sábio, que transcende o cavalheiro e a hierarquia social.</p><p>No ramo da política, Confúcio opina que a virtude do governante deve aniquilar as dificuldades do povo. A confiança do povo, para ele, é um alicerce fortíssimo de um bom governo.</p><p>Hoje em dia, as ideias de Confúcio continuam a ser veneradas pelos chineses e o próprio continua a ser uma referência para a China.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-25 16:45:02 UTC</pubDate>
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         <title>O Dramaturgo</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Platão era um dos discípulos de Sócrates e também um grande amigo. Admirava o seu génio e a sua virtude moral. A sua filosofia emerge tanto dos diálogos de Sócrates quanto nos teatros que Platão escrevia. Curiosidade: Quando Sócrates estava a ser sentenciado à morte, este explicava a razão da filosofia existir na vida de cada um e que traria graças a Atenas.</p><p>Platão demonstra os perigos de unir a política com a política. Por um lado, a filosofia, diz, coordena as nossas crenças pessoais e as políticas públicas em busca da verdade. Para o filósofo, atuar com crenças sem fundamento é cair na ignorância e na ilusão. Por outro lado, a política necessita de ações terminantes sem haver qualquer debate filosófico sobre as mesmas.</p><p>Platão apresenta reformas para uma sociedade com uma política justa: igualdade de género, mas para tal facto acontecer tinha que haver a abolição da família tradicional, os governantes das cidades não podem possuir quaisquer bens e famílias, promovendo o bem para toda a cidade e não para si, e, por fim, tornar os governantes filósofos. Estas reformas seriam alvo de ridicularização e de contestação. Para além disso, Platão apresenta a reforma para tornar uma cidade justa com cidadãos justos: expulsar os mais velhos, para que os mais novos tenham uma educação cívica boa.</p><p>Platão apresenta dois tipos de governo: o governo administrado por filósofos de acordo com a sua sabedoria que seria o regime ideal melhor e o governo administrado por governantes que, sendo menos virtuosos, têm que ser submetidos pela força da lei. Ele escolhe o segundo regime visto que os governantes conhecem o poder das leis e os filósofos podem-se corromper pela tirania.</p><p>Em suma, Platão nos seus diálogos apresenta uma série de possibilidades que abrem a nossa imaginação. Imaginem uma cidade justa com cidadãos justos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-25 19:49:41 UTC</pubDate>
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         <title>O Biólogo</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Aristóteles era o discípulo mais importante de Platão. Depois de deixar a academia foi tutor do macedónio Alexandre Magno. Regressou a Atenas e fundou a sua própria escola, o Liceu. Enquanto as tropas de Magno conquistavam territórios desconhecidos, este enviava espécies, vegetais e animais, para o biólogo fazer as suas pesquisas. Aristóteles era um homem multifuncional. Deixou inúmeras contribuições para vários ramos como a política, a meteorologia, a biologia etc. Na Idade Média, Aristóteles viria a mudar o mundo e transformar as religiões.</p><p>Para além de ser o seu mentor, Platão e Aristóteles tinham opiniões e métodos divergentes. Por exemplo, enquanto que o primeiro alcançava a verdade através da teorização, o segundo alcançava-a através dos factos. Por outro lado, Platão acreditava que os filósofos deveriam governar para atenuar os choques de opiniões. Já Aristóteles acreditava que deviam-se separar os filósofos dos governantes. Enquanto que a razão teórica questiona o saber e o conhecimento, a razão prática questiona as suas ações. A ética e a política são ambas ciências práticas, baseadas na experiência de fazer escolhas.</p><p>Na <em>Ética a Nicómaco</em>, Platão esclarece que todas as nossas decisões e escolhas visam o bem. Por si parece absurdo, mas Aristóteles argumenta que as escolhas e decisões parecem boas para o agente. Só alguém com deficiências mentais é que procuraria algo mau. Existem bens, materiais e imateriais, que o ser humano procura como o dinheiro (material), a felicidade e o conhecimento (imaterial).</p><p>De acordo com <em>A Política</em>, a política permite que os cidadãos possam alcançar a verdadeira virtude moral e intelectual. Aristóteles afirma que somos animais políticos com capacidade racional de distinguir o bem e o mal, o justo e o injusto.</p><p>Para compreender uma comunidade política é necessário perceber os constituintes da mesma. O cidadão, com cidadania da própria cidade-estado, é um ser masculino que está disposto a servir cargos públicos tanto para governar quanto para ser governado. As mulheres, crianças e os idosos não estão aptos para tal função. Para Aristóteles, a política funciona de debates, deliberações e decisões por parte dos cidadãos. Os mesmos têm que contribuir, de forma unida, para a sua cidade-estado. Distingue um governo justo, governado pelos melhores, de um governo tirano, uma oligarquia. Só poderemos distinguir uma tirania sem primeiro perceber o que é um rei-justo. Por isso, os regimes justos devem ter prioridade sobre os injustos. Por outro lado, Aristóteles afirma que a classe proveniente dos governantes importa, considerando uma oligarquia um governo de ricos a governar ricos e uma democracia um governo de pobres a governar pobres. Assim, devemos moderar os maus governos e, acima de tudo, melhorá-los.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-25 20:46:06 UTC</pubDate>
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         <title>O Realista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>As invasões bárbaras assolavam o Império Romano no ocidente e adiantou o processo de este se colapsar. Muitos romanos atribuíram a culpa aos cristãos, pois estes proclamavam valores morais como: igualdade, fraternidade, submissão e humildade. Estes eram contra a guerra.</p><p>Santo Agostinho, bispo de Hipona, ficou também traumatizado com a queda do império. Ele próprio acompanhou o ruir do império. Para defender os cristãos de todas as acusações, o bispo apresenta uma série de argumentos: a corrupção, que já existia antes do império cair, os cristãos são cidadãos de duas cidades, a cidade de Deus, o amor a Deus é o pilar essencial da mesma, e a organização política onde nascem, o amor do eu é o pilar essencial da cidade, onde em ambas têm que contribuir positivamente.</p><p>Santo Agostinho admirava e, ao mesmo tempo, criticava Platão. Enquanto que o filósofo acreditava que o corpo era a fonte de todo o mal, o bispo argumentava que culpar os nossos corpos era atribuir a culpa a Deus, ao Criador. Deste modo, os governantes de Platão não estavam impunes de todo o mal (perversidade espiritual) e assim não são totalmente virtuosos.</p><p>A política, para o bispo, não estava incluída no jardim do Éden, ou seja, não nasceu da boa natureza. Argumenta que a política é um instrumento para controlar os pecados do homem. Por outro lado, define o conceito de organização política, afirmando que é "uma multidão de seres racionais unidos em torno de um acordo comum sobre os objetos do seu amor". Santo Agostinho, acerca do realismo político, afirma que a missão de governo é punir os criminosos em vez de prosperar virtudes morais e intelectuais. A virtude, para Santo Agostinho, baseia-se na qualidade das nossas intenções mais internas. Enquanto que as leis humanas só julgam as intenções externas, só a lei de Deus é que julgar as nossas intenções e motivações. Assim, a organização política humana deve procurar a paz em vez de criar virtudes e justiças.</p><p>O realista reflete que existem membros da Cidade de Deus fora da Igreja Cristã e membros da Cidade do Homem dentro da Igreja Cristã. Teorizou a união das mesmas, só que chegou à conclusão de que só poderia haver uma sociedade cristã. Com isto, na vida política, os cristãos devem ser respeitados e independentes.</p><p>Assim como não se deve separar o trigo do joio, os membros das duas cidades não devem ser separados. Os membros de ambas as cidades devem prosperar e ajudar, ou seja, o trigo e o joio devem crescer juntamente. Os cristãos deviam ser bons cidadãos pois sentiam o dever religioso de obedecer a governos justos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-25 21:56:03 UTC</pubDate>
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         <title>O Imã</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Al-Farabi era um homem que menosprezava o lucro financeiro e o poder político e, desta forma, era uma pessoa humilde que não possuía grandes ambições. É uma referência hoje em dia, tanto para cristãos, árabes e judeus, pois tornou-se no maior filósofo muçulmano. Foi acusado de infiel, pois tentou aplicar o antigo ideal de filósofo-rei na política islâmica.</p><p>Vivia-se numa época de que a verdade só era comprovada de acordo com a Bíblia e o Alcorão. As pessoas não questionavam. O mundo islâmico dividia-se entre os racionalistas, que eram céticos em relação às Escrituras, e os fundamentalistas religiosos, que insistem na verdade das Escritura. Já Al-Farabi não se enquadrava em nenhum destes. Este sempre procurou um centro entre estes. Honrava as verdades das Escrituras como da filosofia antiga "humanista islâmico", sendo, consequentemente, atacado por ambos os lados. Para além disso, dizia que Maomé tinha a essência filosófica nas suas profecias e que as obras de Platão deveriam ser estudadas com o mesmo cuidado que o Alcorão, para estabelecer termos de comparação nas mais diferentes audiências. </p><p>O islâmico era um amante da filosofia e da política de Platão, argumentando que os governantes devem possuir conhecimento teórico e prático. Acredita também que um filósofo deverá governar a organização política e que a razão deverá governar a sociedade. Para além disso, crê que existem pessoas para governar e outras para serem governadas. Tal como Platão, Al-Farabi sintetiza os governos viciosos e corruptos que se dedicam à riqueza, à honra, ao prazer e à conquista. Devemos reformar as nossas instituições para que uma organização política se baseia na filosofia. Al-Farabi, assim como Platão, recorre às artes para dar às verdades filosóficas um estilo atraente.</p><p>Al-Farabi justifica a autoridade do profeta, dizendo que os princípios filosóficos apresentados nas Escrituras são de autoridade divina, ou seja, enquanto que o filósofo necessita de investigações, ao profeta foi-lhe dado por Deus todos os princípios da filosofia. A verdade religiosa é apenas conhecida pelos profetas e pelos filósofos.</p><p>Enquanto que Platão e Aristóteles afirmam que uma sociedade ideal deve viver numa cidade pequena e com poucos habitantes, Al-Farabi argumenta a fundação de uma nação com uma etnia e cultura únicas. Também apresenta a fundação de um império de nações que, ao contrário de Aristóteles, seria governado com várias línguas, culturas, etnias etc.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-26 11:42:30 UTC</pubDate>
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         <title>O Legislador</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 1160, Maimónides viveu uma época de fanatismo que percorreu o Sul de Espanha e o Norte de África. Os almóadas obrigavam os judeus a mudar a sua religião para o islamismo ou eram mortos. O filósofo cedeu às tradições e às orações islâmicas, mas fugiu para o Cairo onde o judaísmo era tolerado. Tornou-se um dos filósofos judeus mais reverenciados, porém ele tentou reformar a tradição judaica, o que o tornaria num segundo profeta. Com isto e devido à sua presunção, os livros deles foram queimados na Europa. Quando chegou ao Cairo, tornou-se chefe de toda a comunidade política judaica no Egito, estabelecendo laços com outras comunidades da mesma religião. Apesar de não exercer propriamente uma função política, ganhou mais experiência do que grande parte dos filósofos.</p><p>Tal como Al-Farabi, Maimónides procurou um centro entre o fundamentalismo religioso e o racionalismo cético. Acreditava que Aristóteles tinha semelhanças com a lei judaica e vice-versa, ambos defendem que o amor intelectual por Deus é o ponto mais alto da virtude humana. Argumenta também que os profetas hebreus são filósofos que sujeitam as leis e as promessas bíblicas a análise e crítica. Deste modo, a filosofia grega não está muito distante da tradição judaica.</p><p>Maimónides apresenta Deus como ser invisível, que não tem emoções e só existe no pensamento. O ser humano não tem capacidade intelectual e precisa de absorver a ideia de um Deus com uma forma humana.</p><p>Maimónides na sua filosofia mostra-se judaico e filósofo na sua jurisprudência. Aceita o facto de obedecermos às leis bíblicas naturais como: não matar, não roubar, respeitar os pais etc., mas questiona a obdiência às leis bíblicas convencionais como: não misturar leite e carne ou linho e lã. Por outro lado, Aristóteles diz que o respeito virtuoso pode levar à arrogância e à humildade e, em contrapartida, Maimónides, com argumento da Bíblia, refuta, afirmando que existe um meio termo e que uma pessoa não pode ser muito arrogante nem muito humilde. Para além disso, Aristóteles distingue o intelecto de um estadista e de um filósofo. De outra forma, Maimónides eleva o intelecto de um profeta que é superior a qualquer ser. A perfeição intelectual produzida por um filósofo e a produção imaginativa de um estadista, quando combinadas, criam o intelecto de um profeta. Com isto, só o profeta é que tem capacidades para ser um filósofo-rei, neste caso, Moisés torna-se num governante platónico. Tal como Al-Farabi, argumenta que o profeta torna-se divino quando aperfeiçoada a sua virtude moral e intelectual.</p><p>Maimónides sistematizou toda a lei judaica, mas como este não tinha nenhuma autoridade política, a Tora Mixná (síntese da lei judaica) apresentou-se como um simples sumário sem nenhuma utilidade. Seria uma refundação do Moisés bíblico, ou seja, trazer os valores que o profeta implementou. Porém, este fenómeno trouxe mudanças na interpretação da lei judaica. Abriram-se portas para a filosofia radical da religião bíblica e vice-versa.</p><p>Hoje em dia, Israel está dividida entre aqueles que procuram a verdade na razão e na ciência e aqueles que procuram a verdade nas leis bíblicas. Judeus e Muçulmanos estão em guerra e, foi graças a Maimónides, que se construíram elos entre os povos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-26 13:00:17 UTC</pubDate>
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         <title>O Harmonizador</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>São Tomás de Aquino decidiu ingressar na religião ao frequentar a ordem dos pregadores dominicanos. Colegas e professor ficaram espantados ao ver um jovem nobre a vestir o hábito. A família era contra a decisão de Tomás, mas por várias tentativas, desistiram e deixaram-no seguir a sua vocação. Com isto, na obra <em>Suma Teológica </em>Aquino argumenta que os pais deveriam ter autoridade limitada perante os filhos. Se os filhos escolherem casar ou juntar a uma ordem religiosa, os pais não têm qualquer intervenção.</p><p>A Europa vivia numa disputa de fontes de conhecimento, desde a filosofia antiga (Platão e Aristóteles) até à religião bíblica (cristianismo). Com isto, S. Tomás de Aquino sintetizou a filosofia antiga com afirmações bíblicas, ou seja, juntar Atenas com Jerusalém "humanismo cristão". </p><p>Tal como Al-Farabi e Maimónides, Aquino acredita que Deus é o criador da razão humana e da revelação. À medida que o homem vai descobrindo factos da natureza de acordo com a ciência, os mesmos têm que se apresentar nas Revelações. Se não acontecer, põe-se em causa a ciência e a religião.</p><p>S. Tomás de Aquino mostrou que a filosofia e a religião são compatíveis ao descobrir que as virtudes naturais: justiça, sabedoria, coragem e moderação estavam patentes na Bíblia. Os humanos dependem destas virtudes para a construção e manutenção de uma sociedade. Também descobriu as virtudes sobrenaturais: a fé, a esperança e o amor. Os fundamentalistas seculares defendem que apenas necessitamos das virtudes naturais para viver e, em oposição, os fundamentalistas defendem que apenas precisamos das virtudes sobrenaturais. Já Aquino, defende que necessitamos de todas as virtudes, pois umas não substituem as outras.</p><p>Aquino apresenta a lei natural da consciência humana e a lei bíblica que só desta forma é que conseguirá compreender a lei de Deus. Argumenta que o ser humano é capaz de distinguir o bem do mal (lei natural da consciência humana) e que também que Deus relata muitas verdades morais (lei bíblica). Como a consciência do ser humano é falível e não pode ter a certeza de certos factos, a lei bíblica oferece a verificação da própria consciência. Estes fornecem-nos princípios gerais de orientação, mas são infalíveis para o complexo da vida moderna, necessitando de regras e punições especificas, pois a consciência não nota grandes detalhes.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-26 15:07:23 UTC</pubDate>
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         <title>O Patriota</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nicolau Maquiavel viveu durante o Renascimento italiano. Ambicionava ser governante da cidade de Florença ao partilhar a sua obra (O Príncipe), que retrata tudo o que sabia sobre política, com o governante que já estava a governar. Porém, este foi ignorado. Contudo, Nicolau era patriota para com Florença. Ele representava Florença em qualquer parte da Europa. Para além disso, Maquiavel teve uma vida perturbada: foi exilado, torturado, expulso da vida política, endoideceu e acabou por morrer.</p><p>A política de Nicolau Maquiavel era áspera e cruel, por vezes. O próprio aconselhava os governantes a ignorarem a ética e a buscarem, a qualquer custo, o poder político. Ele tolerava o assassínio, o engano e a guerra como formas de atingir e conservar a glória do seu poder. Criticava os tiranos que formavam reinos curtos e fracos, mas gabava os impérios fortes e resistentes. Para o próprio, era melhor fracassar do que um reino não ter glória política. Enquanto que os antigos (Platão, Aristóteles, S. Agostinho) consideravam que a crueldade e a imoralidade eram destrutivas para a humanidade, Maquiavel considerava-as essenciais para preservar a glória política. Numa situação onde um governante precise de escolher entre vários males, o correto seria escolher o menos pior, mas para Nicolau, o governante tinha de escolher um mal que evitasse um mal ainda maior, sendo um consequencialista, ou seja, os fins justificam as ações. Maquiavel pretendia redefinir a moralidade para conseguir promover os fins que desenvolve. Um político ser frágil, para Nicolau, pode originar consequências catastróficas. Pretendia também redefinir o conceito de virtude com o objetivo de tornar a crueldade, a astúcia e o engano formas de alcançar o sucesso político, contrariando a definição clássica. As virtudes antigas que foram construídas pelo cristianismo e por Cícero são, para Nicolau, eram corrosivas e irrealistas. Compara a política como um mundo de lobos selvagens e que a adesão de um cordeiro, seria desastroso. Os homens são ingratos, inconstantes, mentirosos, enganadores e cobiçadores. Porém, a fortuna conduz o homem ao caos e à miséria.</p><p>Em suma, Nicolau Maquiavel defendia que os políticos deveriam ignorar a ética e a moralidade e buscar a glória política, incessantemente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-27 11:41:29 UTC</pubDate>
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         <title>O Absolutista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Quando a Guerra Civil inglesa se instalava, Thomas Hobbes fugira para a França com medo que uma catástrofe acontece-se. Enquanto que Aristóteles dizia que o homem interessava-se na vida política devido à sua natureza e à paixão pela justiça, Hobbes argumenta que é o medo que incentiva o homem a tomar atitudes. Viveu numa vida de fugas e de muitos inimigos devido às suas opiniões. Morreu até aos noventa e um anos.</p><p>Thomas Hobbes era cético no que dizia respeito ao alcance das verdades morais e religiosas. Argumentava que cada pessoa acha bom ou justo aquilo que lhe agrada e acha mau e injusto aquilo que lhe não agrada. Compara as leis morais a unidades de medida. Deste modo, Hobbes afirma que tal como as unidades foram criadas pelo homem e podem ser diferentes entre sociedades, assim as leis morais também podem mudar entre sociedades. Para definir o que é justo, moral e bom, para salvar o homem de conflitos políticos, religiosos e morais, Thomas Hobbes argumenta que o ser humano necessita de uma autoridade política, um soberano. Não importa quem seja, o mais importante é que existem "comandos". Senão, só nos resta o caos e a morte.</p><p>Hobbes teorizou que o direito deve estar acima do bem, paralelamente às definições clássicas. Levantou o <em>Leviatã- </em>o todo-poderoso Estado. O bem mais consensual é a vida e é a prioridade, para Hobbes, em relação a outros bens como as virtudes morais, por exemplo, pois nunca irão ser consensuais. Seria necessário um soberano a que o homem obedeça para evitar conflitos violentos.</p><p>Thomas argumenta que o homem nasceu incapaz para a sociedade e que reina no homem o desejo de controlar e manipular os outros. Temos vontade inacabável de alcançar a glória que só acaba com a morte. Isto explica o facto de vivermos num mundo de constante violência. Necessitamos, mais uma vez, de uma autoridade que "tome as rédeas" e que confira a ordem e que conserve a paz. Sem esta autoridade, viveríamos no medo. O político de Hobbes é autoritário e apenas interfere na paz dos seus súbditos. Mas se a vida é um direito consensual, então quando um homem for preso, automaticamente ele pode escapar ou quando um soberano obriga o homem a alistar no exército, ele pode fugir, já que a vida é um bem consensual e não pode pô-la em risco. Com isto, Hobbes não é totalmente absolutista.</p><p> Hobbes acreditava que qualquer pessoa racional preferia submeter-se a alguém que lhe impusesse a ordem e a paz do que viver num mundo de guerra. A paz e a segurança devem ser assegurados, acima de tudo, por um soberano.</p><p>Thomas Hobbes opõem-se a Aristóteles no sentido da sua política afirmando que a mesma é irrealista e errada ao argumentar que as ideias têm consequências. Para além disso, contrapõe-se ao filósofo grego, defendendo que o homem e a mulher são iguais e, consequentemente, poderão servir como plenas soberanas.</p><p>Em suma, o público alvo de Hobbes eram as pessoas que sentiam medo como ele (Guerra Civil) e que temiam a própria morte e, com isto, aceitavam um político que conferisse a paz e a segurança.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-27 20:34:27 UTC</pubDate>
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         <title>O Puritano</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>John Locke, tal como Thomas Hobbes, presenciou a Guerra Civil inglesa que lhe trouxe uma vida agitada. Fugira para os Países Baixos várias vezes, devido à Guerra Civil, perseguições etc, foi expulso de Oxford, lugar onde dava aulas de medicina e foi acrescentado à lista negra do rei Jaime. Sucedeu-se uma reviravolta, onde os neerlandeses ajudaram os ingleses a derrubarem o regime absolutista. Regressou à sua pátria onde escreveu obras que defendia a liberdade, igualdade, tolerância religiosa e um governo constitucional limitado. Locke teve um papel fundamental nas revoluções que iriam acontecer.</p><p>Ao contrário do mundo de guerras do filósofo Thomas Hobbes, John Locke construiu um mundo que era instável e inconveniente, mas, ao mesmo tempo, aceitável. De acordo com Locke, nós somos livres e donos dos nossos próprios corpos, ao contrário da filosofia de Aristóteles, mas não existe um Estado que defenda e que legisle estes direitos, consequentemente, torná-los-á frágeis. Por outras palavras, o homem necessita de um governo limitado para legislar e conservar os direitos inalienáveis. Argumentava, também, que Deus ofereceu o mundo ao homem para que trabalhasse, para que tirasse benefício próprio. O mundo, argumentava, era para os homens "racionais e industriosos", ou seja, trabalhavam e impunham objetivos para crescerem economicamente e assim possuírem o bem-estar. Deixaram de ser um "presente" dado por Deus e passaram a ser indivíduos privados, devido ao trabalho que exerceram. O homem torna-se num indivíduo privado de si e das coisas que fabricou, mas precisa de se defender daqueles que não o respeitem. A criação de um governo com um sistema de leis, justiça criminal e poder suficiente para proteger os direitos naturais é essencial para preservar a propriedade privada do homem. Por outro lado, John defende que, em último recurso, o homem poderá roubar o excesso dos outros em caso de fome, por exemplo. Caso contrário, o Estado tem o dever de punir.</p><p>John Locke admirava o governo, pois era algo criado pelo homem e não por Deus que defendia os seus interesses. Enquanto que Hobbes argumentava que o homem deve render-se a um soberano, Locke defendia que este poderia trair os seus subservientes. Se por acaso, o político deixe de cumprir as obrigações estabelecidas (Defender a vida, a liberdade e a propriedade), os seus subservientes estão livres de deixar de obedecer. O político tem que governar em função do seu povo.</p><p>Thomas Hobbes e John Locke defendiam que o governo só é legítimo se o seu povo o consentir. Porém, Hobbes defende uma pessoa soberana (absolutismo), enquanto que Locke defende uma legislatura eleita (parlamentarismo). Por outro lado, Hobbes defende que a revolta contra o Estado é o caos supremo, enquanto que Locke defende que a sociedade não necessita de um Estado para sobreviver. Para além disso, Hobbes argumenta que para enfrentar o desacordo religioso, é necessário que os representantes estatuais afirmem-se a uma única igreja. Já Locke, defende a separação da Igreja e do Estado e a tolerância religiosa. Em paralelo, defendia que os ateístas e os católicos romanos não deveriam ser tolerados pelo Estado. Afirmava que as promessas, os juramentos e os acordos são ineficazes sem uma crença em Deus e que tivessem subdivididos entre o Estado e a Igreja, respetivamente.</p><p>Em suma, John Locke teve um papel fundamental na época em que viveu e no mundo atual onde vivemos, devido à defesa dos direitos inalienáveis e à rejeição do absolutismo na Inglaterra. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-28 11:49:13 UTC</pubDate>
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         <title>O Cético</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>O Iluminismo decorria ao longo da Europa e David Hume era um exemplo na Escócia. O seu ceticismo era vivível em assuntos como filosofia e religião e, ao questionar a existência de Deus, os milagres, a imortalidade da alma e o pecado original, fez com que pagasse pelos seus atos. Foi rejeitado por várias Universidades, devido às suas crenças. Foi condenado à morte acusado de subverter a religião e, consequentemente, a moralidade, tal como Sócrates. Hume não era implicitamente ateu, só tinha dúvidas da existência de Deus e argumentava que seria impossível afirmar e negar. Foi mais tarde absolvido e hoje em dia continua a ser tema para debates entre defensores e críticos. Ganhou popularidade na Inglaterra e no estrangeiro não pela sua famosa obra (<em>Tratado da Natureza Humana</em>), mas sim pelos volumes da <em>História de Inglaterra.</em></p><p>Hume, no seu Tratado, afirma que a razão é inútil no que diz respeito ao facto de a mesma não dizer algo de importante sobre Deus, justiça, ética ou da beleza. A razão é fraca e ineficaz, pois não incita a ação humana e nem coordena o pensamento. A mente é uma tábua rasa onde as impressões sensoriais são absorvidas, consequentemente, não possuindo ideias inatas. A mente humana limitava-se a comparar impressões sensoriais e a relacionar umas com as outras. Hume argumentava que Deus não servia de fonte de conhecimento moral, devido à dúvida da sua existência e à desconfiança da Bíblia. Ao contrário de Aristóteles, afirmava que era impossível extrair valores morais de factos naturais, ou seja, não podemos saltar de declarações descritivas ("Ela é uma mulher") para declarações prescritivas ("Portanto, devia ser permitido que votasse") sem qualquer explicação de como uma deriva da outra (Lei de Hume).</p><p>Hume acreditava que os sentimentos morais surgem naturalmente da simpatia humana. Ao contrário de Hobbes, Hume pensava que os humanos são naturalmente empáticos, o que nos leva a sentir as emoções dos outros.</p><p>Segundo Hume, aprovamos naturalmente características e ações que beneficiam os outros devido à nossa simpatia inata. Esta simpatia sustenta virtudes naturais como a caridade, a bondade e a humanidade. O homem confia no hábito e nas inclinações naturais para alcançar a forma moral sem necessitar de Deus e da razão. Este comportamento é natural e não signifique que seja certo ou errado.</p><p>David Hume distingue virtudes naturais, caridade e bondade por exemplo, das virtudes artificiais, como a justiça, que servem para resolver problemas práticos. Acreditava também que o sentimento de benevolência só se fazia sentir nas pessoas mais próximas, mais queridas, porém o sentimento que o ser humano tem por si mesmo é de preferência "insaciável, perpétua, universal e diretamente destrutiva da sociedade". Para controlar estas situações, o homem criou governos com o objetivo de corrigir a partir de regras imparciais de justiça. Hume, por outro lado, recusava tanto as virtudes cristãs (celibato, jejum e a penitência) como as espartanas, defendidas por Maquiavel e Rousseau, e argumentava que as virtudes deviam mitigar-nos do que insensibilizar-nos para tornar a vida mais fácil e agradável a todos.</p><p>No mundo da política, Hume, com a sua atitude cética, desconfiava de esquemas políticos ambiciosos e projetos políticos. Optava por reformas moderadas e pragmáticas em vez de idealismos políticos ou de revoluções violentas. Só concordaria em usar estas se houvesse caso de tirania ou de opressão que necessitem de força maior. As instituições e os governantes deveriam manter a paz e não oprimir nem explorar os seus subservientes para alcançar a obediência dos mesmo. Pelo seu conservadorismo, as suas obras foram proibidas na Universidade de Virgínia e o partido Whig considerava as suas obras como propaganda <em>tory</em>.</p><p>David Hume acreditava numa sociedade educada, urbana e moderada, pois evitava o fanatismo e o conflito e encorajava a humanidade do ser humano. Defendia a liberdade de imprensa, a tolerância religiosa, comércio privado e o voto alargado numa Constituição equilibrada e descentralizada.</p><p>Em suma, David Hume defende, ceticamente, que os nossos sentimentos são a fonte das nossas crenças para os fins que pretendemos alcançar, tornando-o cauteloso, inovador e conservador.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-28 14:49:18 UTC</pubDate>
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         <title>O Cidadão</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>A 1ª parte de vida, Rousseau passou por dificuldades. Era órfão, pobre, desconhecido e com pouca educação. Já na 2ª parte de sua vida, tinha-se tornado num dos filósofos mais influentes da história com vastas obras sobre os mais variados temas. O seu túmulo foi colocado no Panteão de Paris como um pai impulsionador da Revolução Francesa de frente do seu inimigo, Voltaire.</p><p>Era um homem de paradoxos, ou seja, ele defendia um argumento nas suas obras, mas na vida real fazia o oposto. Por exemplo, ele era contra revoluções, mas inspirou os líderes da Revolução Francesa, Robespierre e Saint-Just.</p><p>Foi devido a Rousseau que o homem, hoje em dia, valoriza a sinceridade e a autenticidade em vez das virtudes clássicas. O seu modo de pensar acerca da bondade humana natural, foi considerada anticristã por rejeitar o pecado original e, com isto, Jean-Jacques chegou à conclusão que a corrupção social é a origem de todo o mal. Defendia que as crianças deviam ser educadas não pelos homens, mas sim pela própria natureza. O homem come quando tem fome, dorme quando tem sono, deixando de parte as convenções sociais. Com isto, foi considerado bárbaro pelos habitantes de Paris. Rousseau rejeitava a riqueza e vivia uma vida simples, porém ele comprovou a sua hipocrisia ao trepar os Alpes só para apreciar a paisagem.</p><p><em>O Contrato Social </em>(obra de Jean-Jacques Rousseau) foi proibido de andar em circulação na Europa, mesmo na sua cidade natal, Genebra. Rousseau Teve que fugir de país em país, pois toda a Europa estava contra ele. Instalou-se na Inglaterra, nação e cidadãos que não suportava, mas estes ofereceram abrigo.</p><p>Tal como Locke e Hobbes, Rousseau, inicialmente, construiu um mundo onde o ser humano era egoísta por natureza. Porém Locke e Hobbes argumentavam que o interesse próprio racional seria suficiente, mas Rousseau contrapõe-se ao argumentar que cada membro da sociedade deve identificar interesses próprios comuns com os interesses públicos, tal como se fazia na Roma Antiga e na Antiga Esparta.</p><p>Declara que o homem nasceu livre, mas em todo o lado anda acorrentado. Argumenta que uma relação de escravatura entre o soberano e o súbdito é a definição de tirania em que o poder é imposto pelo poder e não pelo direito. Cidadão, para Rousseau, é aquele que legisla as leis e permanece sujeito às mesmas. Por outras palavras, cada indivíduo é dono de si mesmo e só obedece a si próprio. Thomas Jefferson acreditava que "o governo que governa menos governa melhor", mas Rousseau defende o fortalecimento do governo. Impor limites a um governo legítimo seria por em causa o direito político. A partir daqui formou uma objeção a Thomas Hobbes ao declarar que o mesmo defendia um soberano ilegítimo. Por outro lado, Rousseau defendia a soberania popular ao afirmar que os cidadãos questionam a vontade comum em vez da vontade própria. Mas para tal acontecer seria necessário transformar os homens em cidadãos. Argumenta que os cidadãos têm, obrigatoriamente, compromissos com a organização política, ideia inspirada em Maquiavel. Os dois filósofos acreditavam que o cristianismo não serviria para tal facto acontecer, pois defende o serviço e a submissão. Por outro lado, é necessário um legislador cuja função é invocar Deus para convencer o povo a ignorarem o bem próprio e optarem para o bem comum. Mas Rousseau concluíra que estes princípios políticos seriam improváveis de se tornarem realidade em grandes cidades-estados, só nas cidades-estados gregas é que teriam alguma hipótese.</p><p>Jean-Jacques Rousseau viu-se desiludido com a sua sociedade contemporânea e concluiu, tornando-se pessimista, que não existe esperança. Na sua obra <em>Devaneios de Um Caminhante Solitário </em>chega à conclusão que o homem virtuoso devia isolar-se e distanciar-se para não ser "contaminado" com os vícios.</p><p>Em suma, Rousseau influenciou os seus contemporâneos e a nossa sociedade de hoje. Tornou-se numa referência para a filosofia e continua a ser alvo de estudo. Defendeu a soberania popular e impulsionou a Revolução Francesa. É devido a ele que a sinceridade e a autenticidade é valorizado pelo homem hoje em dia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-28 18:31:07 UTC</pubDate>
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         <title>O Contrarrevolucionário</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Edmund Burke assistiu à Revolução Francesa na sua maior idade. Foi um britânico ligado à política, mas perdeu o seu cargo devido à sua defesa a causas impopulares. Tal como Rousseau, Burke tinha também um pensamento paradoxal e difícil. Era liberal e, no entanto, atacou a Revolução Francesa na sua obra <em>Reflexões sobre a Revolução em França</em> ou ele era irlandês, mas defendia a constituição inglesa, por exemplo.</p><p>Nas Reflexões sobre a Revolução em França, Burke, para além de atacar a Revolução, também elabora a sua perspectiva sobre política e sociedade. Edmund Burke acreditava que o governo deveria ser prático e não abstrato. Quando estas duas essências misturavam-se, era perigoso. Com isto, argumentava que devia-se governar de acordo com práticas e costumes tradicionais e estes evoluem sucessivamente, em vez de teorias derivadas da razão. As prescrições políticas devem ser analisadas para identificar a sua bondade ou maldade, em vez de a sua veracidade ou falsidade.</p><p>Edmund Burke acreditava nos princípios universais de justiça e equidade naturais, mas não aceitava o facto de o homem ser capaz de raciocinar de forma simples e direta através destes direitos abstratos e da Constituição política universal que ele próprio criou. Argumenta que serão necessários as tradições e os costumes para conseguir entender os direitos abstratos e aplicar na vida do homem. Cada sociedade interpreta de maneira diferente o sentido de justiça, liberdade e igualdade. Dá o exemplo do rei inglês não respeitar a Magna Carta (1215), documento antigo inglês com direitos consuetudinários, ao não respeitar as queixas dos colonos americanos. Defendia uma evolução política sucessiva e casuística para evitar revoluções violentas. Por outras palavras, seriam as pequenas mudanças, os pequenos ajustes que conservariam a estrutura incrementada e o núcleo essencial. Burke ignorava as teorias políticas e interessava-se por um governo pragmático capaz de estabelecer a paz, a ordem e uma boa governação a longo prazo. Quanto mais um governo durasse, para Burke, mais fiável e duro se tornaria. No caso do seu país, a Inglaterra demonstrou-se perfeitamente dura e fiável, mas tinha de se proteger das revoluções que decorriam na Europa, pois Burke acreditava em ações totalmente previsíveis e desastrosas. As ideias de Burke eram contra as ideias de Platão, ao afirmar que a ideia do filósofo grego acreditar que o governante necessita de matemática é absurda. Aproximava-se mais a Aristóteles com pensamento prático no mundo político em vez de pensamento filosófico e acreditava na prudência como principal virtude política.</p><p>Por um lado, elogia a Revolução Gloriosa que expulsou o rei Jaime de Inglaterra e da Escócia e por sua vez o absolutismo, mas, por outro lado, critica a Revolução Francesa que aniquilou o Antigo Regime ao matar os absolutistas regentes. A primeira revolução ficou concentrada precisamente na Inglaterra e Burke concordava com Locke que a Revolução Gloriosa era uma intervenção necessária para preservar a antiga Constituição da Inglaterra contra as tendências despóticas do rei Jaime. Para Burke, a Constituição Britânica, com seu equilíbrio delicado entre o rei, os lordes e os comuns, evoluiu por meio de um processo lento de tentativa e erro, compromisso e pragmatismo, e deveria ser mudada apenas com grande cautela e humildade. Já os traços da Revolução Francesa espalharam-se por toda a Europa e, de acordo com Burke, tornava-se uma praga ou um vírus. Os primeiros governantes limitaram-se às filosofias iluministas e a princípios abstratos. O filósofo culpou as ideias das figuras mais conhecidas do Iluminismo, devido à queda da autoridade política e da ordem social na França. Este pensamento tornou-se mais acentuado nas próximas décadas.</p><p>Edmund Burke destacava duas noções essenciais do papel dos representantes eleitos. O primeiro, delegado, tinha a função de divulgar a vontade do povo no Parlamento e o segundo, provedor, é o uso da consciência para o bem da nação. Burke argumentava que o Parlamento devia concentrar-se no interesse comum e não em interesses particulares. Burke elogiava o facto de só cinco por cento da população inglesa poder votar e Rousseau criticou esta atitude. Muitos políticos, hoje em dia, afirmam serem tanto delegados como provedores.</p><p>Em suma, Edmund Burke mostrava-se pragmático e rejeitava a teorização em relação à política. A humildade é um fator essencial na sabedoria política, porém a Revolução Francesa levou-o à ilusão de uma espécie de salvação por parte de "senhores". Foi alvo de objeções por parte de Marx e de Wollstonecraft.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-29 18:12:22 UTC</pubDate>
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         <title>A Feminista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Mary Wollstonecraft era uma jovem inglesa, antiga governante e professora primária que tinha fugido para a França, palco de uma das maiores revoluções. Escritora independente que defendia a igualdade de género, mas a sua época não o permitia. Quando a França declarou guerra à Grã-Bretanha, vários nacionalistas ingleses foram presos com a acusação de serem espiões e contrarrevolucionários. Wollstonecraft sobreviveu e acompanhou várias almas a serem destroçadas, pois eram "inimigos do Estado". Por outro lado, não perdera a esperança nos princípios fundamentais da revolução e demonstrou confiança ao defender um "reinado de razão e paz". Morreu no trabalho de parto da sua filha Mary com trinta e oito anos.</p><p>As mulheres viviam uma vida muito limitada pelas convenções sociais e pelas normas da época. A mulher não tinha uma educação digna, não tinha acesso a cargos e a profissões e nem tinha quaisquer direitos quando se casava com o marido. Vivia uma vida doméstica "acorrentada", onde não poderiam demonstrar o seu verdadeiro valor e nem alcançar os seus sonhos. Wollstonecraft casou-se e teve filhos por pressão social e trabalhou como governanta ao serviço de uma família aristocrata da Irlanda, o que lhe desagradou, afirmando ser desonroso e repressivo. Wollstonecraft tornou-se uma referência para posteriores feministas.</p><p>Na obra Uma Vindicação dos Direitos dos Homens, Mary defende as virtudes simples da classe média como o trabalho árduo, a frugalidade, a modéstia, a razão e a autodisciplina. Defende também os valores do Iluminismo como a razão, o progresso e a igualdade que usa como defesa para com os argumentos de Burke, tais como a tradição, o privilégio aristocrata e a monarquia hereditária. Acreditava, tal como Rousseau, que a sociedade possuía falhas ao destacar a hipocrisia e a infelicidade que impulsionaram a Revolução Francesa. Argumentava que seria necessário, primeiramente, uma reforma moral fundamental e, seguidamente, uma reforma política expressiva e infalível.</p><p>Para a defesa dos direitos das mulheres, Mary apresentava o casamento e a família como principais causas da opressão das mulheres e estes estavam relacionados com questões políticas convencionais. As atitudes socias foram levadas para debates políticos. Como não existiam políticas impulsionadoras da emancipação da mulher, Wollstonecraft defendia uma revolução radical que aniquilasse os costumes tradicionais e a própria cultura. Teria que ter mais impacto que a Revolução Francesa, pois Wollstonecraft pensava que a Revolução traria fortes mudanças, e teria que alterar, fundamentalmente, as relações entre marido e mulher na esfera privada que, consequentemente, iriam ser tratados da mesma maneira numa "amizade cívica", onde ambos os sexos cooperam conjuntamente. Denunciava o casamento convencional como relação de submissão e de obediência por parte das mulheres perante os homens. Afirma que a educação, a formação e a vida doméstica construiu barreiras na mente das mulheres, tornando-as apenas agradáveis para o homem. A mente ficou subdesenvolvida e fraca. Com isto, Mary pretende fortalecer a mente feminina e tornar as mulheres independentemente capazes de agir e pensar por si mesmas. A delicadeza, a sensualidade e o refinamento da mulher tinham-nas tornado frágeis e dependentes dos homens.</p><p>Wollstonecraft defendia uma educação mais rigorosa para as mulheres. Publicou <em>Pensamentos sobre a Educação das Filhas</em>, que apresentava a honestidade, a autodisciplina e a razão. Apesar de ter como referência, nesta obra, Rousseau, dedicou o seu segundo livro a criar objeções às suas ideias convencionais ocidentais. Rousseau acreditava que às mulheres faltavam-lhes o espírito de justiça e, devido a isto, deveriam ser mantidas na esfera privada. Wollstonecraft argumentava que as mulheres eram negadas na esfera pública e por isso não possuíam esse espírito. Teorizava, tal como Platão, uma educação igual perante ambos os sexos que incentivava o pensamento por análise e as competências práticas e visava vidas independentes para lá dos costumes tradicionais e também a participação ativa nos deveres da cidadania. Os princípios iluministas também devem ser aplicados no casamento, na família e no trabalho. Um sexo não vive sem o outro.</p><p>Em suma, Mary Wollstonecraft defendia a igualdade de género na sociedade. Os homens não são maiores nem mais fracos que as mulheres, são todos iguais. Visava melhores oportunidades para a mulher e virtudes essenciais para o bom funcionamento da sociedade e teve grande impacto no final do século XVIII. Mary continua a ser estudada por especialistas e também por feministas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-29 21:39:04 UTC</pubDate>
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         <title>O Purista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Immanuel Kant era natural da Prússia e viveu uma vida "pacata", ou seja, tinha sempre uma rotina, não se aventurava muito e viveu sempre na sua cidade natal, Königsberg. Foi atacado pelo rei francês, devido à sua postura anticlerical e admiração pelas revoluções e exigiu que Kant parasse de publicar obras. Este cedeu até à morte do monarca francês. Esta atitude admirou muitos, pois defendia que ele deveria ser livre e dedicar-se à verdade. Argumentava que podia utilizar a razão para mostrar a verdade, explicar e até criticar as leis e os poderes estabelecidos ao público. Porém, afirmava que o homem deveria seguir a razão, mas também obedecer às leis e aos éditos. Ele não queria ter o mesmo destino de Sócrates.</p><p>Apesar de ter vivido o Iluminismo, Kant argumentava que a revolução era ilegítima e infundada e que o ser humano deve obedecer a qualquer lei e que as rebeliões são destruidoras e desestabilizadoras da ordem social. Tal como Hobbes, mais vale um péssimo Estado com leis malignas, que o homem tem de obedecer, do que não haver Estado e nem leis. Os governos podem ser criticados, mas nunca abatidos. Já Locke defendia que o homem tem o direito de desobedecer quando os governantes ignoram o pacto original que permitiu a sociedade política. Immanuel Kant acreditava que era traição e deveria ser punido com a morte. Por outro lado, defendia a proteção da Constituição e que a sociedade devia prestar-lhe obediência. Todavia, nenhum político está acima da lei e que não pode obrigar os seus subservientes a praticarem atos imorais. Se caso se verificar, deverão ser julgados e não punidos, contudo, a sociedade tem de prestar obediência.</p><p>A razão humana é a lei moral acessível para todos os seres racionais. A racionalidade do homem dá-lhe unicidade, sendo um fim em si mesmo e não em outro fim. Rousseau atribui dignidade ao homem e com isto, Kant argumenta mais uma vez que o homem deve ser um fim para o próprio e não para outro. Se o último caso acontecesse, seríamos apenas instrumentos. Os governantes devem ter este imperativo moral em conta.</p><p>A moralidade, de acordo com Kant, deve ser obedecida incondicionalmente, pois consiste em leis absolutas e obrigatórias que são autênticas e claras. Defendia que a política deve-se adaptar à moralidade. Acreditava no papel da cautela e da flexibilidade dentro da moralidade. O importante para Kant é a intenção das boas ações e não as suas consequências, pois não estão ao alcance do homem. Enquanto que Maquiavel acreditava na mentira como indispensável na política, Kant contrapunha-se ao afirmar que dever-se-ia dizer a verdade, mesmo que isso custasse bens. Para Kant, mais valia permanecer em silêncio do que mentir.</p><p>Immanuel é contra o paternalismo, onde o soberano obriga os seus subservientes a cometerem atos contra a sua vontade, e refuta ao destacar o respeito pela dignidade humana. Por outro lado, Kant afirma que a felicidade é subjetiva e vaga e os Estados não se devem preocupar na felicidade da sociedade, e assim, cada cidadão deve procurar a sua felicidade. Apresenta a razão como impulsionadora de um Estado que permita a felicidade individual. A liberdade individual, atingida por um regime justo e por uma Constituição, deverá ser protegida e, forçosamente, impedida dos seus impedimentos. Kant defendia os direitos e liberdades individuais da democracia, regime que desconfiava. Estava mais interessado em formar um Estado constitucional, com leis morais e reguladoras que restringissem o poder político e que os direitos dos cidadãos fossem protegidos. O governo ideal, para Kant, é a mistura de liberdade, democracia representativa e autoridade no que deverá ser controlado por uma minoria de homens, contudo, as mulheres podem ser consideradas cidadãs passivas, ou seja, não participam ativamente na política.</p><p>Kant propôs a união de todas as nações para assegurar a paz e que todos os cidadãos têm o dever de a divulgar, pois é equivalente à lei moral universal que dirige a razão humana. Acreditava no alcance, lentamente, da paz mundial suprema.</p><p>Em suma, o legado de Immanuel Kant ressoa-se até hoje com temas acerca da justiça global e direitos humanos. Defendia a dignidade individual e, com isto, o homem não precisa de se submeter a ninguém. Defendia que o homem, sobre nenhuma hipótese, deve mentir, ao contrário de Maquiavel, que defendia que o político deve mentir para atingir a sua glória. Continua a ser estudado e a ser tema de debates nos dias de hoje. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-30 14:22:32 UTC</pubDate>
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         <title>O Agitador</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Thomas Paine, filósofo apoiante da abolição da monarquia, presenciou a Revolução Francesa e argumentou que o rei não deveria ser condenado à morte, mas exilado para os Estados Unidos. Foi detido e preso, contudo, mais tarde fora libertado pelos seus apoiantes e este nunca mostrou desapontamento perante a Revolução, como Wollstonecraft. Tal como Wollstonecraft, criticou veemente Edmund Burke que antes da revolução admiravam-se um ao outro, porém a mesma fez com que tomassem caminhos diferentes.</p><p>O legado de Paine contribuiu para a revolução das treze colónias britânicas na América e também para a Revolução Francesa. Vivia uma vida modesta, sem querer receber os direitos das suas obras e divulgava as suas ideias radicais profissionalmente. Por onde quer que passasse Paine, ele "agitava" as pessoas.</p><p>Thomas Paine aconselhou aos colonos que cortassem laços com a monarquia inglesa, pois argumentava que esta estava dirigida para a tirania e corrupção, e que formassem uma república baseada na soberania popular. Defendia princípios como a liberdade, a igualdade e a democracia e também que fossem utilizados por governos. A fundação dos Estados Unidos seria um fenómeno radical e impulsionaria o mundo a caminhar para a liberdade e o republicanismo. A forma de governo iria basear-se na razão, na igualdade, e nos direitos naturais.</p><p>Tal como Rousseau, Paine defendia a soberania popular e ignorava o facto de os seus cidadãos possuírem educação ou propriedade, porém, só os homens é que poderiam votar para elegerem os seus representantes. Defendia o controlo da vontade popular e que se submetesse o propósito do Estado: defender os direitos naturais dos membros do próprio Estado, tal como Locke afirmava.</p><p>Paralelamente a Locke, Thomas Paine afirmava que a sociedade não estava dependente de um governo, e que esta surgiu para satisfazer as necessidades das pessoas e, posteriormente, o governo surgiu para controlar os seus vícios. A sociedade sem governo é preferível do que um governo a destruir os direitos naturais da mesma. </p><p>De acordo com Paine, o governo só surge para proteger os direitos naturais e estes foram facultados por Deus, ou seja, a base moral de um governo é divina, na perspectiva de Paine. O filósofo acreditava num Deus criador universal, benevolente e racional. As duas únicas fontes do verdadeiro conhecimento eram a razão e a evidência, demonstrando o seu lado crítico para com as outras religiões e arruinando a sua reputação nos Estados Unidos. </p><p>Thomas Paine foi acusado pelos americanos como "sujo ateuzinho", mas Paine era contra o ateísmo e o fanatismo. Foi criticado por David Hume devido aos seus princípios éticos e políticos. Mas, Paine e Hume concordavam que o comércio era uma força essencial na história do ser humano. Quando dirigidas e administradas pelos governos, permitia a regulação dos interesses concorrentes, integrar a sociedade e promover o bem-estar humano. Admirava o comércio como forma de unir nações e criticava os governos que exploravam os bens da sociedade para enriquecerem. Defendia a confiscação da propriedade privada, um sistema de tributações para construir barreiras na riqueza e financiar a segurança social, os seguros públicos, a educação pública grátis para os mais pobres e pensões para os idosos. Também advogava que os jovens de vinte e cinco anos tivessem direito a quinze libras com o propósito de atingirem o sucesso. Com estas medidas, Thomas Paine inspirou-se na esquerda e na extrema-esquerda, para atingir o bem-estar dos cidadãos. Hume e Rousseau acreditavam acreditavam que as virtudes republicanas não combinavam com uma sociedade comercial. Hume preferiu o comércio e Rousseau o republicanismo. Hoje em dia é difícil discordar de ambos, tendo em conta a supremacia do comércio nos Estados Unidos. A mistura que Paine criou não é hoje plausível.</p><p>Em suma, Thomas Paine foi um filósofo decisivo para duas das maiores revoluções que impactou o mundo (americana e francesa). Defendia, parcialmente, a soberania popular e a indepêndencia da sociedade perante o Estado, por exemplo. Paine continua a inspirar muitos nos dias de hoje e é alvo de debates e pesquisas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-30 16:33:46 UTC</pubDate>
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         <title>O Místico</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>As invasões francesas estavam a assolar a Europa e Georg Hegel, um filósofo alemão que se afirmava como detentor de todo o conhecimento, via Napoleão como o "Espírito do Mundo". </p><p>Hegel argumentava que os acontecimentos da vida devem ser percebidos ao olhar para o passado. Defendia também que a história humana decorre em função do espírito divino na procura da liberdade humana. Os governantes, as classes sociais, as nações e os impérios mostram-se diante do tribunal e do julgamento da história. Frequentemente, o mal parece submeter-se ao bem, contudo nada acontece por acaso e todos os acontecimentos são progressos para a liberdade humana. A Revolução Francesa, por exemplo, acabou por destruir a ordem feudal, exibindo a personalidade humana, porém, de acordo com Hegel, foi negativa e destrutiva, pois não trouxe um regime novo. Napoleão Bonaparte fez com que a revolução não fosse em vão.</p><p>Hegel era contra o imperialismo e o feudalismo tradicional. Defendia um Estado constitucional com raízes das tradições prussianas da monarquia, da burocracia e da agricultura, que protegesse a igualdade e a liberdade. Tinha o Estado da Prússia como referência. Hegel apresenta uma teoria totalizadora da política que abrange a família, a moralidade, os costumes, o comércio, a lei e o governo e foi mal compreendida devido à sua semelhança com o totalitarismo de Hitler e Estaline. Hegel admiraria tanto o fascismo quanto o comunismo, pois foram dois regimes que aniquilaram as antigas aristocracias da Prússia e da Rússia, abrindo as portas para a democracia social moderna. Hitler, de acordo com Hegel, impulsionou a formação da democracia na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e o filósofo defende que atingiu-se, de forma inesperada, a liberdade humana. Georg Wilhelm Friedrich Hegel tenta explicar tudo, o que leva a achar a algumas pessoas que na verdade não explica nada.</p><p>Hegel acreditava que quando duas ideias se opunham, a tese e a antítese, é possível encontrar um meio termo mais elevado, a síntese. Usa o exemplo da <em>Antígona</em>, de Sófocles, onde um governante proíbe de sepultar um traidor e Antígona, irmão do traidor, contrapõe-se, pois a lei divina a incentiva. Outro exemplo, Sócrates foi condenado por impiedade e por corrupção da juventude e afirma que só seguiu a sua consciência. Hegel argumentava que tanto o traidor quanto Sócrates devem ser mortos, pois é impossível encontrar um meio termo para ambas as situações. Só com o princípio cristão universal da inviolabilidade é que os conflitos podem ser evitados. Apenas os Estados modernos é que facilmente conseguiriam prevenir estes acontecimentos com a proteção e conservação dos direitos da comunidade como os direitos da consciência individual. Hegel possuía uma visão de como lidar com os conflitos nas sociedades liberais, especialmente entre os direitos individuais e os costumes das comunidades. Chegou a criticar Kant e Hobbes, pois teorizavam políticas ao focar nos indivíduos e nos direitos abstratos. Argumentou também que ao criar um "eu sem obstáculos" sem contexto social e atribuindo-lhe direitos como a igualdade e a liberdade expressão, criam-se conflitos na sociedade, devido a faltas de barreiras nos direitos. Hegel defende que a sociedade funciona dentro dos limites dos direitos com o intuito de colaborar nas comunidades organizadas e também na família, no exército, nas empresas, por exemplo. Critica a Revolução Francesa por deliberar excessivamente a igualdade, a liberdade e a fraternidade.</p><p>Georg Hegel apresenta, primeiramente, que se deve começar por pensar nos costumes e hábitos das comunidades em vez dos direitos em si, a menos que os mesmos esteja integrados nas práticas diárias das pessoas. Seguidamente, é necessário entender a razão por detrás das nossas tradições com o objetivo de ajudar na liberdade humana. Para além disso, os direitos devem ser integrados naturalmente nas práticas e costumes diários das pessoas. Afirma que o racional atualiza a liberdade humana. Ou seja, aquelas práticas que não promovem a liberdade podem ser reformadas ou substituídas. Hegel teoriza direitos contextuais que funcionam na realidade das famílias, das corporações e dos Estados. Ao contrário de direitos universais ou gerais das pessoas, idealiza direitos "universais concretos" como diretos dos trabalhadores, dos cristãos, dos pais e dos cidadãos, por exemplo. Os costumes tradicionais particulares e as instituições deverão ser percebidas e alteradas para aliar a direitos universais e os direitos abstratos devem ser posto em prática em tradições e costumes particulares. Com isto, os debates sobre o aborto tendem a dividir as opiniões de cada um. Tanto a mulher quanto a criança têm direitos, direito à autonomia da mulher e direito à vida da criança, e seria necessário tomar uma decisão.</p><p>Em suma, Georg Wilhelm Friedrich Hegel defendia que as nossas consequências devem ser levadas em conta se olharmos para o passado e que é possível encontrar um meio termo para duas situações opostas. Influencia, em parte, a humanidade e continua a ser estudado até aos dias de hoje.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-30 21:03:56 UTC</pubDate>
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         <title>O Fundador</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Após a Revolução Americana, as treze colónias juntaram-se na Convenção Constitucional para combater as fragilidades dos Estados Unidos América. James Madison era delegado da Virgínia e aprendeu tudo sobre governos federais e republicanos. O seu legado resume-se ao seu conhecimento, através de livros, e à sua experiência política. Thomas Jefferson, terceiro presidente dos EUA, era uma referência para Madison, que posteriormente tornar-se-ia no quarto presidente dos EUA. As ideias de Madison inspiravam-se no seu ídolo, contudo também num forte realismo acerca da natureza humana e numa percepção sobre a dinâmica das instituições. Por exemplo, Jefferson acreditava que cada geração deveria escrever a sua própria Constituição e, de certa forma, faria com que não se guiassem por leis que os seus antepassados criaram. Mas, James Madison acreditava que a sociedade devia guiar-se por uma lei básica e fixa, ou seja, por uma Constituição que não tivesse constantemente a ser mudada.</p><p>James Madison veio a possuir um pessimismo de Santo Agostinho, defendendo que o egoísmo não podia ser aniquilado da pessoa, mas sim atenuado. Com isto, o homem não pode confiar plenamente no poder de um governante. Kant afirmou que para controlar o poder, uma Constituição bem estruturada poderia funcionar com uma "raça de demónios". Madison discordou, defendendo que se, por acaso, faltasse a virtude cívica entre a sociedade e os políticos, infringiria qualquer Constituição.</p><p>James Madison dedicaria a sua carreira ao transformar o governo popular com a liberdade individual, ou seja, como criar um governo maior sem haver tirania em relação com à minoria. Estas minorias estavam mais bem protegidas por um monarca.</p><p>James Madison defendia uma república democrática e criticava a democracia pura ao argumentar que os cidadãos não poderiam demonstrar os seus interesses de forma direta, pois levaria à tirania, tal como na antiga Atenas. Com isto, Madison preferia uma democracia representativa com um representante a divulgar os interesses dos cidadãos que atenuaria as suas paixões interiores.</p><p>O estadista dedicou uma carreira a deitar por terra axiomas e práticas políticas tradicionais. Primeiramente, criticava o facto de a sociedade necessitar de uma religião para ser politicamente unida. Tanto Madison quanto Jefferson impuseram a liberdade religiosa no estado da Virgínia. Defendiam que o pluralismo religioso criaria melhores Estados e melhores Igrejas, e que uma única religião prejudicaria tanto o Estado quanto a Igreja. A liberdade religiosa fez com que o cristianismo se estabelecesse de forma mais eficaz. Seguidamente, outro axioma seria o facto de as comunidades políticas terem de ser pequenas e homogéneas. Com isto, vários defensores dos direitos dos EUA opuseram-se a Madison e defendiam veemente que os Estados, tal como as cidades-estados, deveriam ser pequenos. Madison mostrou que a história dessas pequenas cidades resumia-se às suas quedas devido a conflitos internos como: ricos e pobres, credores e devedores, católicos e protestantes. Para melhorar esta situação, Madison argumenta que é preciso aumentar o número de fações. Ao aumentar a diversidade da comunidade política evitaria conflitos entre comunidades. Numa nação e numa sociedade tão grande e diversificada, cada cidadão não terá apenas uma identidade, mas várias. Madison aceita as dificuldades das fações, contudo existem órgãos responsáveis para evitar estes conflitos como a justiça, por exemplo. Outro axioma seria a existência de um soberano na comunidade política. Um soberano define a soberania, a autoridade, o poder ilimitado, por exemplo. James Madison distinguiu o poder nacional do estadual ao argumentar que ambos possuíam poder, só que dividido em vários ramos e nenhum é mais soberano que o outro. Porém, Madison sabia que os membros destes ramos poderiam ambicionar mais poder e argumenta que os políticos defenderiam a qualquer custo o seu cargo, não necessariamente por lealdade à Constituição, mas para salvaguardar as suas próprias posições. Madison deixaria a ambição tomar as rédeas do homem e garantir o controlo do poder. </p><p>James Madison ficou conhecido como o pai da Constituição dos Estados Unidos, devido ao seu intelecto na Convenção Constitucional e por ter redigido as Leis dos Direitos na Constituição.</p><p>James Madison reconhecia que era hipócrita ao defender a liberdade e os direitos humanos e ter escravos. Tanto Madison quanto Jefferson eram alvo de acusações violentas por defenderem uma coisa e na verdade praticarem o oposto.</p><p>A sua Constituição não prevê partidos políticos, mas também não haveria capacidade de governar. Os partidos destroem os controlos do exercício do poder.</p><p>Madison permitiu que os cientistas políticos e os economistas incentivassem as pessoas a fazerem o certo como: dador de órgãos e sangue. Estruturou-se, prudentemente, as instituições para que as pessoas façam o certo pelas razões erradas. Por outro lado, abandonou-se a linguagem do carácter moral e da virtude cívica. Até aos dias de hoje ainda não existiu nenhuma instituição que se concentrasse no controlo da falta de virtudes cívicas essenciais dos políticos.</p><p>Em suma, James Madison dedicou a sua vida a defender um governo que protegesse os direitos e as liberdades individuais da tirania. Dedicou a sua vida na promoção do pluralismo religioso, na defesa de uma democracia representativa e na criação de uma Constituição duradoura, apesar da sua hipocrisia. Madison deixou um impacto duradouro na política americana ao estruturar as instituições para equilibrar poder e liberdade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-31 14:36:26 UTC</pubDate>
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         <title>O Profeta</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Alexis de Tocqueville, escritor francês, nunca tinha participado na vida política, mas demonstrou admiração das reuniões locais dos EUA. Em vez de os habitantes aguardarem, passivamente, por ordens superiores, Estado ou governo nacional, eles próprios tomas as rédeas e resolvem os problemas locais. As cidades possuem virtudes para ensinar os seus cidadãos locais a autogovernarem-se, característica da democracia direta.</p><p>Tocqueville acreditava que, tal como os senhores feudais, os cidadãos democráticos deveriam governar ao honrar a liberdade e a independência de todos, ou seja, os senhores feudais deveriam inspirar os cidadãos democráticos a agirem por conta própria e assim contribuem para o bem comum. Porém, a centralização do poder e o consumismo poderiam enfraquecer as qualidades do cidadão democrático e torná-lo dependente do governo.</p><p>A missão de vida de Tocqueville era afirmar que a democracia era inevitável e que a liberdade política estava condicionada, mas nunca foi respeitado nem pelos aristocratas nem pelos democratas, o que o aproximou da escrita.</p><p>A Revolução Francesa trouxe várias consequências para os senhores feudais e chegou ao ponto de a relação feudal nunca mais existir. Anteriormente, os nobres, classe social privilegiada que explorava o povo, tinham concentrado o seu poder político em Paris (absolutismo), mas os revolucionários e Napoleão fizeram reformas e passaram a governar o povo diretamente.</p><p>Para Tocqueville, as virtudes cívicas são hábitos possuídos pelo homem para resolver tolerâncias ou problemas comuns. Tocqueville argumentava que foram os americanos que construíram os EUA, desde os municípios até ao governo nacional. Com isto, os americanos foram capazes de resolver problemas com base no seu hábito, nas suas experiências quotidianas, adquirido nos conselhos paroquiais, nas comissões municipais e nos júris locais. </p><p>Alexis Tocqueville defendia os direitos estaduais, contudo, afirmava que tanto os Estados quanto o governo estavam afastados do hábito. Para além disso, rejeitava a ideia de Estado soberano. Os Estados ameaçavam a democracia ao denunciar casos de tirania infundados do governo americano.</p><p>Para além de, na França, a Igreja ser aniquilada tanto pela esquerda quanto pela direita, Tocqueville ainda tinha o seu espírito cristão dentro dele e argumentava que a democracia é um ideal cristão e que Jesus veio à Terra para divulgar a igualdade dos seres humanos. Por outro lado, Alexis criticava as democracias da Grécia Antiga que se resumiam-se na escravatura, no privilégio de classe e no patriarcado e defendia que os ideias de igualdade, liberdade eram um "presente" de Cristo. Para além disso, criticava todos aqueles que denunciavam o cristianismo como oponente à democracia. O cristianismo é essencial e vital para as virtudes cívicas do homem.</p><p>Tocqueville ficou surpreso ao ver a separação da Igreja e do Estado nos EUA e defendeu que as virtudes cívicas e os hábitos do coração americanas construíram-se a partir da participação em comunidades cristãs. Por outro lado, a escravatura também o arrasou e, com isto, criticou os brancos e a própria corrupção denunciando-os de preguiçosos, orgulhosos e ignorantes. Alexis previa uma revolta racial desastrosa do que um consenso pacífico e admirava a coragem dos índios nativos.</p><p>A educação americana é pragmática e voltada para habilidades vocacionais, o que reflete a sua cultura prática. Porém, Tocqueville acreditava numa educação baseada em línguas clássicas, literatura, filosofia, belas-artes e música, que seria essencial vara motivar os alunos a adquirir a verdade, as ideias morais e a beleza. Sem esta educação, a democracia seria restrita e prejudicaria o progresso das ciências e das artes.</p><p>Hoje em dia, a política está distante dos cidadãos e estes são meros espectadores de um espetáculo cheio de conflitos. Os cidadãos, atualmente, querem que as escolas ensinem as virtudes cívicas, mas, de acordo com Alexis Tocqueville, só o hábito e as experiências quotidianas é que ensinam ao homem as virtudes cívicas. A liberdade política pode ser aprendida na participação ativa nas igrejas, organizações e governos locais.</p><p>Em suma, Alexis Tocqueville defendia que os cidadãos democráticos devem-se recorrer ao hábito e à experiência e autogovernarem-se, tornando-se independentes de um Estado e dos vícios que podem surgir. Defendia também que uma democracia é uma dádiva do cristianismo e criticava a escravatura e a submissão dos explorados perante os brancos. Por fim, defendia uma educação essencial para adquirir a verdade, as ideias morais e a beleza.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-01 09:55:53 UTC</pubDate>
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         <title>O Individualista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>John Stuart Mill trabalhou na Companhia das Índias Orientais nos seus trinta e cinco anos de vida e seguidamente tornou-se examinador, tal como o seu pai.</p><p>Defendia a democracia liberal e autointitulava-se radical, contudo, argumentava que o despotismo é um meio para combater os bárbaros. Argumentava também que qualquer pessoa pode chegar ao nível da civilização, contudo defendia que os Estados mais avançados deviam desfrutar de liberdades individuais e de direitos democráticos mais acentuados do que em Estados mais atrasados ou em desenvolvimento. Contudo, Mill acreditava que qualquer Estado é capaz de chegar ao estado mais desenvolvido, só que levaria um processo árduo e trabalhoso. Por outro lado, tal como Karl Marx, defendia a utilização do despotismo esclarecido nos interesses progressivos.</p><p>Stuart Mill propugnava e lutava no Parlamento pela igualdade de género, incluindo as mulheres no direito ao voto e na Reforma de 1867. Na sua obra <em>Sobre a Sujeição das Mulheres</em>, Mill apresenta a igualdade entre homens e mulheres e argumenta que a exclusão das mulheres da vida pública e das profissões "é um dos principais obstáculos ao progresso humano". John destaca o papel da sua mulher como coadjuvante da sua carreira.</p><p>Mill tinha receio da "invasão" da sociedade de massas perante as pessoas excecionais, o que levaria à destruição da individualidade e da discordância e, desta forma, atrasaria ou impediria o avanço humano que este baseia-se na liberdade de expressão.</p><p>John Stuart Mill argumentava que a expansão da liberdade individual em função da liberdade dos outros seria o melhor método para alcançar o bem-estar do homem. Ao contrário de Locke e Jefferson que defendiam a existência de direitos inalienáveis, vida, liberdade e propriedade, Mill defendeu os mesmos direitos, mas sem recorrer a qualquer doutrina de direitos naturais. A igualdade e a liberdade permitem, para Mill, o bem-estar humano, atitude consequencialista. Para além disso, argumenta que cada pessoa procura o seu bem à sua maneira e assim terá maior probabilidade de encontrar a verdade e esta melhora o bem-estar humano. Quanto mais uma pessoa é livre mais terá oportunidades de abrir a sua mente, apresentar as suas ideias e desenvolver o seu individualismo. Os talentos individuais permitirão cada homem e cada mulher seguir à civilização. Porém, se a mente não floresce, ela pode enfraquecer. Por outro lado, a censura não permite ao homem desenvolver atitude crítica e as suas faculdades poderão ficar frágeis e frouxas. Para combater esta situação, serão necessários debates abertos e liberdade de expressão para o homem se estimular e estimular aos outros.</p><p>Tal como Kant, Mill rejeitava o paternalismo, ou seja, rejeitava o facto de obrigar as pessoas a alcançarem o seu próprio bem. Mill contrapunha-se ao argumentar que cada pessoa deve viver em paz e descobrir a sua melhor forma de viver. Este conceito serve apenas para pessoas com as suas faculdades maturas.</p><p>John Mill afirmava que o homem tem crenças erradas e seria necessário expor abertamente para as ideias serem testadas. Qualquer pessoa está sujeita ao erro e Mill defende que as ideias devem ser colocadas na dúvida. O progresso humano vive em função da questão e da dúvida.</p><p>O filósofo inglês, tal como Kant, rejeitava o paternalismo. Defendia que as pessoas devem ser livres e viver a sua liberdade, só que não podem ameaçar a liberdade do outro. O homem pode-se auto prejudicar, mas não o outro. Por outro lado, também defendia o alargamento do voto para, parcialmente, todos. Aqueles que tivessem uma ligeira educação, ler, escrever e contar, só tinham direito a um voto e o resto que possuísse "superioridade mental teria direito a mais votos. Com isto, o filósofo defendia o equilíbrio entre a quantidade e a qualidade e receava a tamanha liberdade. Propugnava a democracia representativa e assumia o papel dos representantes eleitos nos seus eleitores.</p><p>Mill candidatou-se ao Parlamento inglês e ganhou com uma vitória inesperada.</p><p>Hoje em dia, a liberdade de expressão e os seus limites estão a ser debatidos com nunca antes feito. As tecnologias permitiram ao homem divulgar aquilo que sente muito mais fácil e rápido. Os ensaios de Mill são essenciais para promover o bem-estar humano e a defesa da liberdade do homem.</p><p>Em suma, Mill projetou-nos as suas ideias livremente, algo que seria questionável na sua época, defendendo a igualdade de género, a liberdade de expressão e o alargamento do voto. As suas ideias são à frente do seu tempo e são estudadas hoje em dia e inspiram liberais como ele.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-01 18:02:41 UTC</pubDate>
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         <title>O Revolucionário</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Karl Marx, exilado de França, viveu parte de sua vida na miséria na grande Londres. Vivia de dinheiro emprestado e viu os seus filhos morrerem na situação de pobreza. O seu inglês era fraco e, desta forma, tinha consciência de que não conseguiria abandonar a sua situação triste. Nunca saiu de Londres e nem visitou uma fábrica inglesa, contudo era um analista do capitalismo industrial, defendia os interesses dos trabalhadores e uma revolta do proletariado. Ele era da burguesia, mas era através da leitura que tinha conhecimento sobre a situação degradante dos trabalhadores e os efeitos do capitalismo e das leis.</p><p>Marx dedicou-se ao estudo do capitalismo industrial inicial desregulado e este resumia-se na produção impiedosa e brutal. Só no século XX é que surgiram a segurança social, leis e regulamentos laborais que atenuaram os excessos e protegeram os mais fracos. Marx defendia que o capitalismo devia-se autodestruir, por conta da instabilidade de negócios e também do tratamento violento perante os trabalhadores mais pobres. Para Marx, o capitalismo funciona da exploração cruel dos mais ricos para os mais pobres e que este sistema iria acabar com a insuportabilidade da vida dos mais pobres. Os burgueses gananciosos estariam a cavar a sua própria cova. Só após de se suceder a derrota do capitalismo, poder-se-ia implementar uma sociedade comunista, livre de classes, opressão, violência e exploração.</p><p>Karl Marx afirma que a burguesia explora o proletariado e o único bem que visa, é a força de trabalho. Os trabalhadores, defende, são livres de vender a sua força de trabalho por salários melhores. Critica o facto de os trabalhadores que demonstram mais esforço produzirem bens para lucro dos seus superiores. Enquanto que os trabalhadores possuem vidas obstinadas, os burgueses vivem na extrema riqueza e poder. Marx também afirmava que os capitalistas têm um "exército de desempregados" para substituir aqueles que exigem um salário mais alto, tornando os trabalhadores mais pobres e os burgueses mais ricos.</p><p>Karl argumentava que capitalistas evitavam a concorrência para não perderem os seus lucros. Os mesmos expulsavam empresas pequenas para gerar mais lucro. Por outro lado, baixavam os salários aos trabalhadores e estes não podiam comprar os bens que produzem. Resulta-se num fenómeno da "crise de sobreprodução", onde acumulam-se bens para poucos compradores.</p><p>Marx e Engels escreveram o <em>Manifesto Comunista</em>, a pedido da Liga Comunista, revolucionários de Londres. Marx tornou-se membro do Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores, tornando-se líder do movimento internacional comunista e admirado pelo seu intelecto. A revolução, que tanto desejava e aguardava, não se sucedeu na Inglaterra, mas sim na Rússia.</p><p>Tal como Santo Agostinho e Hobbes, Marx via o Estado como algo negativo que servia para por as pessoas na linha. Afirmava que era o poder de uma classe para rebaixar uma outra classe. Marx argumenta que por mais que o Estado tenha leis imparciais, age em benefício da classe dominante, sendo o seu único propósito em vez do bem comum. Argumenta também que o capitalismo manipula os nossos espíritos através da ideologia e da religião, ou seja, o capitalismo não permite ver ao homem a verdadeira realidade. Se não existissem estes esquemas de repreensão e opressão, aconteceriam enormes revoltas e conflitos. Para além disso, Marx argumenta que os capitalistas iludem os trabalhadores que são livres de oferecer a sua mão-de-obra por salários mais altos, o que a realidade, de acordo com Marx, não demonstra o mesmo. Este esquema funciona para obter mão-de-obra barata e os trabalhadores não podem reconciliar melhores salários ou melhores condições. Com isto, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres mais pobres.</p><p>Marx acredita que a destruição das classes, o Estado seria desnecessário. Contudo, teria de haver uma revolta do proletariado e a tomada do Estado pelos proletários. Com isto, o Estado proletário aniquilaria a propriedade privada e as classes sociais. Um Estado sem propriedade privada e sem classes sociais, Marx defendia que a competição, o egoísmo, a violência e a fraude iriam acabar. Os bens e os recursos produzidos deverão ser distribuídos por todos de acordo com as suas necessidades e assim ninguém poderá tomar nada como privado.</p><p>Karl Marx preferiu não prever o futuro, acreditando que era reacionário, e queria que a sociedade comunista se desenvolvesse de forma imprevisível. A sua análise centrou-se no capitalismo industrial inicial, o que deixou em aberto a descrição da futura sociedade comunista.</p><p>Tal como a França manchou a imagem de Rousseau, a queda da União Soviética manchou a imagem de Marx, pois o regime inspirava-se no filósofo alemão. Marx não previra o surgimento do Estado providência e a expansão da classe média. Várias políticas fiscais e monetárias, inspirados por Karl Marx, foram desenvolvidas para estabilizar a economia. Marx salvou o capitalismo com as suas ideias.</p><p>A crise financeira de 2008 trouxe as ideias de Marx de volta sobre o capitalismo e afirmou que o seu sistema era desigual e injusto e favorecia os ricos. As análises do filósofo alemão continuam a ser relevantes para diagnosticar os problemas do capitalismo.</p><p>Em suma, Karl Marx defendia uma sociedade comunista, livre de classes e de opressão e violência. Num futuro próximo, argumentava que seria desnecessário a existência de um Estado. Afirmava que o Estado deveria abolir a propriedade privada e as classes e distribuir os bens por igual. Karl Marx inspira muitos até aos dias de hoje e é estudado por vários especialistas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-01 23:06:17 UTC</pubDate>
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         <title>O Psicólogo</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Friedrich Nietzsche sofreu doenças mentais, obtidas à nascença, que percorreram toda a sua vida. Os sintomas agravaram-se levando-o, na etapa final de sua vida, à loucura. Com isto, deixou de dar aulas na Universidade de Basileia com apenas trinta e cinco anos.</p><p>Nietzsche argumentava que a dor e a doença eram libertadores do espírito e estimulavam a imaginação. Os piores momentos de sofrimento, para Nietzsche, eram os momentos mais produtivos do homem. Substitui a linguagem de bem e o mal, virtude e vício, para doença e saúde, fraqueza e força. A doença do niilismo, resultante da perda de fé no Deus cristão, podia ser superada por "super-homens": pessoas com a criatividade florescida, devido à liberdade da moralidade tradicional, que via como uma doença. Com a crença em todos os deuses deitada por terra, a civilização ocidental estava exposta e grandes coisas terríveis poderiam acontecer.</p><p>Friedrich Nietzsche preferia a psicologia do que a filosofia tradicional para refutar pensadores que discordava como Platão, Rousseau e Kant. Acreditava que as ideias desses pensadores são reflexo das suas condições físicas e mentais ao observar os sintomas como problemas psicológicos, ou seja, para Nietzsche, a psicologia permite revelar motivos ocultos por detrás da filosofia e mostrar que não são apenas ideias abstratas, mas estão ligadas às experiências pessoais e às condições de vida dos seus pensadores.</p><p>Friedrich Nietzsche veio de uma família muito religiosa, mas não o impediu de afirmar que o cristianismo era a fonte de todo o seu desprezo. Argumentava que cristianismo impulsionou uma revolta dos escravos contra os opressores com sentimentos de ressentimento e inveja, no que resultou na ascensão dos valores dominantes no Ocidente de bem e do mal. Argumentava que o cristianismo era uma conspiração judaica para conquistar e controlar o mundo ao favorecer os fracos e os oprimidos, mas que estes fossem controlados pelos fortes e os saudáveis.</p><p>O filósofo prussiano também defendia que Deus já não era verosímil e que toda a moral europeia, que assentava nessa religião, deveria destruir-se com Ele. Com isto, Nietzsche já tinha a oportunidade de incrementar valores novos, aristocráticos e amorais, dignos de senhores. A nova espécie, os super-homens, não se podiam resignar com regras ou restrições que pusessem em causa a criatividade e o domínio natural. Porém, de acordo com Nietzsche, o novo super-homem necessitava de pessoas menores e também que as tratassem como incompletas, escravas e ferramentas para o bem da aristocracia. Os valores morais da escravatura devem ser banidos. Friedrich Nietzsche admirava personalidades como: Alexandre Magno, Júlio César, César Bórgia e Napoleão que oprimiam e usavam as pessoas para afirmar o seu poder e a sua vontade no mundo.</p><p>Após um mundo filtrado pelo cristianismo, os super-homens precisavam de construir um novo mundo de cultura e valores. Contudo seria necessário um soberano autoritário que impusesse todo o seu poder e todas as suas vontades e Friedrich usa o exemplo de Napoleão. Por outro lado, Nietzsche acreditava que a maior arte e política são alcançadas através do equilíbrio entre a paixão e a ordem. Defendia a autodisciplina e o controlo dos impulsos naturais para criar a beleza e os valores. Antes de reformar o mundo, o indivíduo deve-se autodominar ao organizar as suas emoções e impulsos para criar um "eu" unificado. Isto reflete a ideia do super-homem, que equilibra a ânsia de poder com a imaginação criativa, como nas tragédias gregas antigas.</p><p>Friedrich Nietzsche foi e é, hoje em dia, muitas vezes associado ao fascismo alemão, devido à brutalidade e à ferocidade que argumentava e defendia nas suas ideias. Contudo, Nietzsche opunha-se ao nacionalismo alemão e ao antissemitismo. Criticava também a demagogia que Hitler e os nazis representavam. Mas, a sua credibilidade foi resgatada e levantada novamente.</p><p>Friedrich Nietzsche valorizava a dor como libertadora e criativa. Ele acreditava que a superação do niilismo e da fé cristã levaria à criação de "super-homens" capazes de estabelecer novos valores aristocratas. Apesar de ser associado ao fascismo, Nietzsche criticava o nacionalismo e o antissemitismo. O seu legado continua influente e controverso na filosofia moderna.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-02 12:52:20 UTC</pubDate>
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         <title>O Guerreiro</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Mahatma Gandhi lutava intensamente pela justiça e estava pronto para sacrificar a sua vida e as dos seus seguidores. Foi alvo de ataques mortais e teve uma vida de greves e manifestações, mas também de grandes acordos com organizações, contudo foi preso e torturado desumanamente. Quando percebia que o governo branco de Smuts estava fraco, Gandhi não atacava, realçando o seu lado misericordioso e piedoso. Gandhi foi morto ao tentar preservar os laços de amizade entre a Grã-Bretanha e a Índia. Gandhi era único pela sua determinação de defender os seus ideais ao ponto de se oferecer para morrer ou sofrer. Saía-se sempre vitorioso contra inimigos mais fortes, mas nunca feria nem matava. Afirmava que a violência é a arma do fraco que tem medo de morrer e rejeitava a opressão e a submissão.</p><p>Mohandas Gandhi viveu em Londres com o sonho de ser advogado e defendia o respeito por todas as religiões e que o homem deveria ser o melhor exemplo da sua religião. Também destacava o papel de Jesus nos Evangelhos como o maior praticante ativo da resistência não-violenta.</p><p>Gandhi ficava perturbado com os impulsos físicos: apetites, sexuais etc. e, para enfrentar, desejava a serenidade interior. Por outro lado, também sentia-se perturbado com a submissão das raças não-brancas às raças brancas. Denunciava o capitalismo como principal responsável do racismo e da exploração. Gandhi, tal como Sócrates, defendiam que a paz e a justiça estavam dependentes da paz e da harmonia interior de cada pessoa.</p><p>Mohandas Gandhi defendia que tanto os soldados quanto os monges deveriam ignorar os seus prazeres mundanos e dedicarem-se inteiramente à aceitação do sofrimento, da morte e do sacrifício, o que exigiria algum treino de autocontrolo e autodisciplina. Todos os seus seguidores cumpriam o seu voto de castidade, pobreza e servidão. Com isto, o homem deve-se tornar naquilo que deseja para o mundo, neste caso, a paz.</p><p>Gandhi defendia a resistência não-violenta como forma de conquistar o adversário através do sofrimento pessoal e acreditava que todos poderiam seguir o ideal ascético. Porém, os seus apoiantes recorreram à violência em várias campanhas na Índia. Contudo, ele e a sua família passaram por vários problemas devido às práticas estritas. Defendia e promovia a amizade entre hindus e muçulmanos, mas acabaria por assistir à violência entre as religiões e a uma guerra santa.</p><p>Gandhi cria que tanto a violência quanto a não-violência são meios para o mesmo fim. No entanto, Gandhi entendia que escolher a violência molda o caráter de uma pessoa em direção à violência, o que contradiz a criação da verdadeira paz. Gandhi enfatizou a reconciliação, a amizade com os oponentes e o credo ético da não-violência. Ele acreditava que apenas meios pacíficos poderiam levar à verdadeira paz, tornando a não-violência não apenas uma estratégia política, mas um compromisso ético. A resistência não-violenta é aplicada em todos os casos e pura moralmente. Resume-se no pagamento dos crimes dos nossos opressores para torturar sua a consciência, a menos que não a tenha. O mesmo caso resulta em nações-estados, ou seja, no sossego dos agressores. Por outro lado, a política de Gandhi funciona da comunicação para resultar em ações diretas. Contudo, a sua política só se consegue exercer em países com liberdades cívicas básicas. Com isto, não se pode afirmar que a sua resistência não é pura moralmente. Haverão sempre pessoas que não tiveram nenhuma influência em determinada situação e mesmo assim sofrem as consequências. Por outro lado, a ameaça de Gandhi da sua própria morte é coercivo e a coerção é essencial para a política. A sua ameaça é eficaz e superior à coerção violenta. Porém, a sua resistência não é pura moralmente.</p><p>Claro! Mais uma vez, Gandhi e Dr. Martin Luther King demonstram a importância do papel da resistência não violenta. King usou protestos não violentos para combater a segregação racial nos EUA. Também obteve sucessos na Europa Oriental em 1989, onde protestos não violentos derrubaram regimes políticos opressivos. Gandhi argumenta que uma grande massa de pessoas que rejeite cooperar com o mal pode derrubar regimes opressivos, sendo os protestos não violentos um meio eficaz&nbsp;para&nbsp;isso.</p><p>Em suma, a política de Gandhi baseia-se na não-violência e no pagamento extra dos crimes dos agressores com o objetivo de castigá-los racionalmente e visa a justiça social e política, contudo não resulta em todo o lado e não é pura moralmente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-02 17:41:45 UTC</pubDate>
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         <title>O Jiadista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 1948, Sayyid Qutb, natural do Cairo, viajou para os EUA em busca de formação profissional e instalou-se em Greeley. Ficou desapontado com os costumes norte-americanos ao expressar o seu sentimento pela mistura dos sexos, pelo materialismo e pelo racismo. Qutb tornou-se num islamita radical. Entretanto, regressou para o seu país natal e foi detido e torturado por se desentender com um general apoiante do golpe militar Gamal Nasser. Ao contrário do que muitos pensam, o islão militante manifesta-se contra os governos dos muçulmanos e contra o Ocidente que apoia os mesmos e não contra as outras religiões. As religiões matam os seus próprios irmãos, tal como mataram Gandhi.</p><p>Sayyid Qutb argumenta que o homem vive a sua vida sem pensar em Deus e que só demostra o seu espírito religioso nos dias de adoração. Com isto, o islão deve integrar-se completamente na vida do homem. Defende que o homem deve dedicar-se inteiramente a Deus e assim cada ação que pratica é uma oração a Deus. Para Qutb, a sociedade verdadeiramente islâmica vive os seus prazeres da vida dentro dos limites da lei humana islâmica e que as buscas materiais e espirituais devem ser também introduzidas. Em suma, o islão é uma forma de vida.</p><p>Sayyid Qutb rejeitava as interpretações tradicionais e intermediários entre a lei islâmica e os muçulmanos e defendia uma relação direta e individual com a lei islâmica e com Deus. Também promove a igualdade radical e liberdade ao argumentar que os ideais modernos de liberdade, igualdade e fraternidade são alcançáveis apenas através da submissão individual a Deus.</p><p>Sayyid Qutb defende que o homem não pode por a sua confiança em poderes humanos e só poderá adorar e submeter-se a um Deus. Defendia também que a soberania era única e que Deus não partilhava a sua soberania com os governos que se afirmavam soberanos. Assim, Qutb afirma que Deus exige completa lealdade e que nada mais está no mesmo nível ou acima de Deus. Por outro lado, também defendia um povo islão único e que o islamismo era universal e holístico, dando um guia para a vida pessoal, familiar, económica, social e política para qualquer homem. Para além disso, argumentava que o ser humano necessitava de servir a Deus, um ser racional e justo, para alcançar a verdadeira liberdade e rejeitava a obediência a outro ser humano. Para Sayyid Qutb, o governante islâmico, o califa, é um representante de Deus responsabilizado de impor a lei islâmica e é escolhido pelo povo muçulmano e este deve-lhe prestar obediência.</p><p>A jiade introduz a luta espiritual contra o desejo. O homem só pode lutar contra a injustiça se a tiver dentro dele. Qutb defende que a  jiade, inicialmente criada para defender as pátrias muçulmanas de não-crentes, é uma guerra sagrada para defender e impor o islão.</p><p>O islão é uma forma de vida e não apenas uma prática religiosa privada e o homem deve controlar as suas atividades pessoais, sociais, religiosas e políticas. Isto é a liberdade de religião. Segundo Qutb, a verdadeira liberdade religiosa só pode existir numa sociedade totalmente alinhada com o islão e assim, o islamismo tolera as liberdades religiosas das minorias judaicas e cristãs. Com a criação de uma comunidade política islâmica, a jiade torna-se numa forma de pregação e testemunho da fé, que um dia poderá converter a maioria dos judeus e cristãos. Com isto, criam-se condições para a liberdade religiosa universal e verdadeira.</p><p>O Ocidente argumentava que o islão necessitava de uma reforma para se adaptar à modernidade, mas Qutb afirmava que já possuíam uma Reforma, tal como aconteceu com Lutero. Sayyid Qutb defendia que o islão deveria regressar às suas raízes tradicionais, pois, tal como o cristianismo, adquiriu-se costumes que não estão nas Escrituras.</p><p>Qutb argumenta que, ao contrário de Karl Marx, os seres humanos são mais movidos por necessidades espirituais do que materiais. Afirma que os políticos transformam uma pessoa com recursos materiais e o que realmente deseja é o significado espiritual. Qutb acredita que as contrarrevoluções religiosas em países como Argélia, Líbia, Egito, Israel, Índia e Paquistão são uma resposta natural às revoluções seculares do século XX. Para ele, todos os conflitos políticos são essencialmente teológicos, e o verdadeiro dilema é escolher entre honrar o verdadeiro Deus ou um ídolo falso criado pela&nbsp;humanidade.</p><p>Enquanto que Al-Farabi acreditava que o islão viria a unir a filosofia e a ciência ocidentais. Porém, Qutb afirma que a filosofia e a ciência ocidentais poderiam infetar o islão.</p><p>Em suma, Sayyid Qutb defendia que o islão devia estar completamente integrado na vida do homem, rejeitando qualquer autoridade humana em favor da soberania única de Deus. Ele acreditava que a verdadeira liberdade religiosa só é possível numa sociedade alinhada com o islão, onde mesmo as minorias têm liberdade. Qutb via o Islão não só como uma religião, mas como um modo de vida completo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-03 11:06:05 UTC</pubDate>
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         <title>A Pária</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Hannah Arendt foi vítima de perseguição do regime totalitário nazista, pois era judia e ficou muitos anos sem ter uma pátria fixa. Fugiu para os EUA com pouco dinheiro e fraco inglês. O regime que fugira teria criado à Arendt uma atitude que mais tarde se tornaria reconhecida pelo público.</p><p>Arendt via a política como independente e com uma importância vital, o que não era observado no mundo moderno. Ao contrário de Platão, rejeitava a interferência da filosofia na política e afirmava que a participação na vida pública era essencial para a humanidade, semelhante ao pensamento de Aristóteles. Foi acusada de nostalgia helénica e de hostilidade anti-intelectual para com a filosofia.</p><p>No seu livro <em>A Condição Humana</em>, Arendt explica o sentido grego original da política e o "porquê" de o ser humano ser um animal político. Por outro lado, identifica as três principais atividades do homem: labor, trabalho e ação. O labor é a atividade que visa sustentar as nossas necessidades essenciais para a sobrevivência, como comer, e são as mesmas que nos aproximam dos animais. Já a atividade do trabalho, que os animais não possuem, resume-se à produção de objetos não essenciais para a nossa sobrevivência e que não têm um fim próximo, como a tecnologia, a arquitetura e a pintura, por exemplo. Por outro lado, a ação consiste na participação do homem na política, ou seja, quando o homem abre-se livremente e discute assuntos comuns da sua cidade e assim revelavam as suas identidades individuais e afirmavam um mundo público comum. Enquanto que o labor e o trabalho passam-se em mundos particulares e restritos e o homem necessita dos mesmos, como a família, a quinta, a oficina, por exemplo, a ação acontece no mundo público livremente. Arendt defendia que o homem seria livre se participasse, ativamente, na vida política.</p><p>Hannah Arendt argumentava que o homem superava a sua identidade humana e a sua natureza ao juntar-se para discutir e agir em conjunto para afirmar a realidade partilhada. Criticava os cidadãos que se dedicavam à sua vida privada, nomeando-os de idiotas, e elogiava os cidadãos que se dedicavam ao bem público. Enquanto que Hannah Arendt acreditava que a política é uma criação humana longe da natureza, Aristóteles afirmava que o homem é um animal político. Hobbes e Locke defendiam que a política era um meio para preservar a vida, contudo Arendt contrapunha-se ao sustentar que a política dá um sentido de vida para o homem.</p><p>Platão opunha-se à democracia e à teoria original grega e argumentava que o governo deveria ser tomado por filósofos-reis. Entendia que os filósofos deveriam governar para bem da sociedade. Por outro lado, Hannah Arendt argumenta que deixar a política para déspotas iluminados seria prejudicial, pois cria um mundo artificial e exclui a humanidade da esfera pública. Os judeus também eram excluídos da vida pública e Arendt temia que isso acontecesse na era moderna, vulnerável a patologias políticas como o totalitarismo. Para combater esta situação, Arendt defendia que seria necessário recuperar a noção grega original da política e restaurar as instituições que a sustentam.</p><p>Hannah Arendt critica o facto de a economia e o bem-estar físico dos cidadãos tomar conta da política, tanto do lado capitalista, quanto do lado socialista. Enquanto que os antigos deixavam os factos da produção e do consumo na esfera da vida privada, os modernos preocupavam-se na economia política. Contudo, os antigos também se preocupavam com a economia, pondo em questão o argumento defendido. Com isto, criticava a Revolução francesa, pois era tinha um propósito de combater a pobreza, a desigualdade social e a justiça social. Esta compaixão pelo sofrimento do outro deve ser posta de parte da política, pois deveria dedicar-se a criar um mundo de palavras e ações, afirmava Arendt.</p><p>Hannah Arendt destaca que, tanto Karl Marx quanto John Locke, embora de lados opostos (comunismo e capitalismo), apresentam uma tendência moderna que acaba por diminuir a essência da política. Marx destacava o labor como a expressão da humanidade, enquanto Locke considerava o governo como um meio para preservar a propriedade. Arendt argumenta que a introdução de questões de riqueza e pobreza na vida pública, típica da era moderna, leva ao desaparecimento da política genuína. Para Marx, o Estado tornar-se-ia desnecessário no comunismo, sendo substituído por uma sociedade autorregulada e cooperativa. Para Locke, a preservação da propriedade era fundamental. Ambas as visões, segundo Arendt, desviam a verdadeira essência&nbsp;da&nbsp;política.</p><p>Hannah Arendt critica a sociedade moderna por misturar questões privadas e políticas, o que é contrário à diversidade e liberdade de uma esfera pública autêntica. Arendt acredita que a política deve ser um domínio separado das questões sociais, como desigualdade e discriminação. Arendt opôs-se à criminalização da segregação racial nos EUA pós-guerra, defendendo a revogação das leis que a impunham, porém não acreditava que o governo devesse legislar contra desigualdades&nbsp;sociais.</p><p>Hannah Arendt criticava a mistura de questões privadas e políticas na sociedade moderna, defendendo a separação da política das questões sociais para preservar a essência genuína da política. Afirmava que a verdadeira liberdade e vida pública só são alcançáveis através da participação ativa na política, tal como se defendia na Grécia Antiga, longe da influência económica. Via a política como um espaço de ação e discurso, essencial para a condição humana. O seu legado influenciou muitas pessoas hoje em dia e é alvo de estudo constante.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-03 18:41:27 UTC</pubDate>
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         <title>O Presidente</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 1949, Mao Zedong, aspirante das ideias de Karl Marx, lutou pela criação do maior Estado comunista do mundo. Com isto, Mao e o seu novo regime foram adorados pela população chinesa. Viria também a ser cultuado como um deus e também como a personificação do interesse popular do povo chinês.</p><p>Zedong obteve influências de Karl Marx e de Vladimir Lenine e adaptava as suas ideias para o seu país. O presidente era altamente contraditório, mas sempre tentava aplicar as verdades universais do marxismo-leninismo às condições históricas inteiramente da China. Porém, antes do impacto de Mao Zedong, a China era um país pobre, rural e predominava o feudalismo e, desta forma, seria impossível, de acordo com os marxistas ortodoxos, aplicar as ideias de Marx, pois este afirmava que o comunismo surgiria da destruição do capitalismo. Contudo, Mao contrapunha-se ao afirmar que a China podia liderar uma futura ordem revolucionária global, apesar de ser considerada "atrasada". Defendia uma revolução camponesa guiada pelo Partido Comunista para estabelecer uma ditadura democrática e transformar radicalmente a sociedade chinesa. Mao via o socialismo como um modo de vida completo, que deveria ser implementado através de uma transformação profunda da cultura e da economia e assim, suceder-se-ia um salto para o comunismo. Marx afirmaria que seria impossível e que a política segue sempre a economia.</p><p>Karl Marx argumentava que o proletariado era a base da consciência socialista e que os camponeses eram irrelevantes e desprezíveis. Já Zedong opunha-se ao sustentar que os camponeses eram a principal força revolucionária, dado que constituíam noventa por cento da população total chinesa. A Revolução Cultural de 1960 mobilizou as pessoas da cidade para os campos com o objetivo de aprenderem as "virtudes proletárias". Desta forma, destruiria o antigo regime presente nas cidades. O maoismo tornou-se popular em países revolucionários em desenvolvimento como Camboja e o Peru, por exemplo. Mao Zedong defendia mais uma vez que não era necessário ultrapassar primeiramente o capitalismo e só de seguida o comunismo.</p><p>Zedong afirmava que a história é definida pela atividade humana e não apenas, como Marx defendia, por aspetos económicos comuns, ou seja, valorizava a vontade de poder, cultura e ideias no desenvolvimento político e económico. Esta crença fundamentou o Grande Salto em Frente e a Revolução Cultural, refletindo, mais uma vez, a sua fé na capacidade dos revolucionários de moldarem a realidade social com base nas suas ideias. Com isto, Mao precisava de destruir a cultura e os valores tradicionais. Várias estátuas, monumentos e livros ligados à cultura antiga e a Confúcio foram destruídos e queimados. A partir deste momento, Mao implementou uma nova cultura, novos costumes e hábitos e uma nova ideologia. em honra de si próprio.</p><p>Enquanto que Marx e Lenine defendiam uma revolução a nível mundial para estabelecer o comunismo, Mao apoiava o nacionalismo chinês e os movimentos anticoloniais contra o capitalismo. Embora resulta numa contradição entre o nacionalismo e o internacionalismo, Mao argumentava que esta contradição era importante para a "lei da unidade dos opostos" e a "lei fundamental do universo".</p><p>Tal como Marx e Lenine, Mao argumentava que o mundo poderia ser transformado pela força das armas e por meios brutais. Também afirmava que a guerra são meios legítimos para impor o comunismo na sociedade. Seriam necessárias perdas humanas para implementar esta ilusão na humanidade. Só com o comunismo é que acabariam as guerras e os conflitos.</p><p>Mao Zedong acreditava que a luta de classes continuaria mesmo após a revolução, o que aumentaria devido à vingança das forças feudais e burguesas remanescentes. Durante a Revolução Cultural, Mao defendeu a necessidade de um choque violento na política e na sociedade para revitalizar a nação e reforçar o espírito revolucionário, que temia estar a ser sufocado pela burocracia na China pós-revolucionária. Para Mao, a revolução era uma luta contínua entre tendências opostas&nbsp;na&nbsp;sociedade.</p><p>Mao desconfiava que, após a sua morte, os mesmos costumes fossem preservados e que o maoismo fosse venerado pelas gerações posteriores. Contudo, Mao é cultuado hoje em dia, mas a sua ideologia não é. Confúcio renasceu das cinzas e impôs-se novamente como era antes. A China possui desigualdades nos rendimentos mundiais e talvez os governantes de hoje queiram voltar com a política e a ideologia de Mao.</p><p>Mao Zedong, influenciado por Karl Marx e Vladimir Lenine, adaptou o marxismo-leninismo à realidade chinesa, promovendo uma revolução camponesa para transformar a sociedade. Apesar das suas políticas contraditórias e radicais, que incluíram a destruição de tradições culturais, a ideologia de Mao não perdurou após a sua morte, com a China retornando a valores anteriores e enfrentando desigualdades económicas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-04 10:46:02 UTC</pubDate>
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         <title>O Libertário</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Friedrich Hayek nasceu em Viena em 1899, foi professor de economia na Inglaterra e nos EUA e morreu na Alemanha. Num mundo de repleto de nacionalismos, Hayek era um cidadão global. Num mundo de diferentes perspectivas, fascismo, comunismo e social-democrata, para a economia, Hayek defendia o mercado livre. Num mundo de poder político e económico centralizado, Hayek defendia o oposto.</p><p>A Primeira Guerra Mundial levou a economia para as mãos dos governos, quer democráticos quer autoritários, devido à necessidade militar. Com isto, os governantes autoritários adquiriram mais poder político e os sociais-democratas adquiriram forma de promover a liberdade económica.</p><p>Com a experiência da Segunda Guerra Mundial, Hayek concluiu que os governos democráticos, ao tomarem as rédeas da economia e da sociedade com finalidade política, estavam a transformar-se em autoritários. Estes fenómenos poderiam levar ao despotismo. Os planos para o Estado-providência do pós-guerra eram perigosos, pois restringiam a liberdade económica em nome da habitação, educação e saúde, ou seja, as boas intenções poderiam levar ao caminho da servidão. Apesar de Keynes e Hayek terem teorias económicas e políticas diferentes, ambos estavam preocupados com a liberdade económica e política no mundo pós-guerra. Keynes elogiou o livro de Hayek, <em>O Caminho para a Servidão</em>, por defender os mercados e a liberdade, mas criticou Hayek por não distinguir claramente entre políticas governamentais que promovem a liberdade e aquelas que a destroem. Em contrapartida, Hayek estudou filosofia política e legal para entender melhor a diferença entre boa e má legislação pública. Ele argumenta que a complexidade da cultura humana não se deve à inteligência humana. Contrapõe-se ao defender que o ser humano é inteligente devido à sua participação numa linguagem e cultura complexas. Tanto Hayek quanto Edmund Burke concordavam que os indivíduos são limitados na sua racionalidade e  na sua sabedoria, mas que a espécie humana como um todo é sábia. Por outras palavras, acreditam que o conhecimento acumulado nas nossas tradições culturais e instituições é muito mais vasto do que o que qualquer pessoa pode compreender sozinha.</p><p>O argumento de Hayek de que os mercados são mais sábios que os indivíduos é a base da sua crítica do planeamento económico. Afirma que o mercado envolve toda a inteligência entre compradores e produtores. Os compradores conhecem o que podem e o que não podem comprar e os produtores conhecem os seus custos e fornecimentos e seria impossível um planeador obter todo este conhecimento.</p><p>Friedrich Hayek distingue dois tipos de ordem: a ordem espontânea, que cresce livremente sem nenhuma intervenção como a língua ou a moral, e a ordem concebida que é sempre criada ou imposta propositalmente. Com isto, argumenta que os mercados crescem de modo espontâneo e que os governos são concebidos deliberadamente. Porém, as constituições e as leis coordenam o que pode ser comprado e vendido e, desta forma, os mercados são de ordem espontânea e concebidos ao mesmo tempo. Por mais que o mercado cresça de forma espontânea, é necessário uma legislatura que defina os direitos de propriedade e assim é propositalmente criada. Por um lado, os mercados promovem a liberdade individual, pois surgem de forma espontânea para servir os objetivos individuais do homem, mas, por outro lado, os governos foram concebidos para servir os interesses dos governantes, restringindo a liberdade individual. Contudo, a ordem social é, ao mesmo tempo, espontânea e concebida. Enquanto que os mercados são obra da legislação, os Estados-providência são fruto dos fracassos do mercado.</p><p>Hayek defende que a natureza dos mercados impõe restrições sobre os tipos de políticas públicas que podem ser implementadas. Essas restrições permitem uma grande variedade de políticas, desde uma abordagem libertária moderada até uma social-democracia robusta. Também alerta que, em tempos de guerra, há uma tendência de transformar mercados em organizações governamentais, o que pode ser&nbsp;problemático. O filósofo argumenta que os mercados livres e a liberdade económica desapareceriam sob um governo totalitário com controlo centralizado da economia. Por outro lado, afirma que os mercados e o direito comum não podem funcionar adequadamente sem a presença de governos, legislação e tribunais que são necessários para impor direitos de propriedade e outras normas. Entre a anarquia e o totalitarismo, existe uma vasta gama de combinações possíveis de legislação e lei, mercados e segurança social, iniciativa privada e administração pública.</p><p>Hayek desafia-nos a encontrar maneiras de assegurar as necessidades básicas de todos os cidadãos sem comprometer a eficiência dos mercados. Sugere que, em vez de recorrer a subsídios ou tarifas para proteger indústrias ou a agricultura, devíamos garantir um rendimento mínimo básico para todos. Isso protegeria os trabalhadores sem tentar manter empregos que se tornaram obsoletos, permitindo que a economia de mercado continuasse dinâmica e proporcionando segurança económica&nbsp;para&nbsp;todos.</p><p>Em suma, Friedrich Hayek defendia que o planeamento económico centralizado não se poderia comparar à pura produtividade do livre empreendimento, à exceção de tempos de conflitos ou guerras. Foi ridicularizado e ignorado, porém, aquilo que defendia tornou-se realidade e, nos dias de hoje, quando se afirma que os mercados são essenciais, temos influência de Friedrich Hayek.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-04 15:07:57 UTC</pubDate>
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         <title>O Liberal</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>John Rawls sobreviveu teve uma vida cheia de sorte e de azar ao mesmo tempo. Teve a sorte de nascer numa família abastada e de ter uma educação privilegiada. Contudo, viu os irmãos morrerem de uma doença que partilhava consigo mesmo, sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, onde decorreram-se várias mortes e assistiu à destruição da cidade de Hiroshima pela bomba atómica. Estes acontecimentos puseram em causa a sua fé na justiça divina.</p><p>John Rawls afirma que uma sociedade será injusta se os destinos individuais se basearem na pura sorte. Ninguém tem controlo de possuir a sorte e beneficiar-se em prol desta situação e ninguém tem o direito de sofrer o azar e as suas consequências. Estes fenómenos são arbitrários e injustos e não devem ter qualquer relevância nas perspectivas e oportunidades de vida do homem. Rawls defende que a sorte deve ser compartilhada pela sociedade para que todos tenham uma boa vida e as mesmas oportunidades, atenuando o impacto arbitrário e desigual da sorte. Bens e recursos devem ser distribuídos de acordo com princípios equitativos, ou seja, devem ser distribuídos sem haver qualquer remorso ou egoísmo por trás e também sem meter as circunstâncias pessoais em jogo. Rawls nomeia esta atitude de "justiça como equidade".</p><p>As pessoas prudentes e imparciais escolheriam a liberdade igual e a desigualdade, em casos onde os menos abastados da sociedade tem maior vantagem e quando existisse uma igual oportunidade de ocupar cargos e posições, para governar a estrutura básica da sociedade e garantir uma distribuição equitativa por todos. A liberdade igual, para Rawls, reúne direitos e liberdades políticas básicas, como o direito ao voto e o acesso a cargos públicos, por exemplo. Um homem que não soubesse nada sobre si próprio escolheria, primeiramente, estas liberdades. Porém, rejeita o facto de o homem possuir meios de produção em larga escala, como fábricas, bancos e serviços e recursos muito importantes. Ao contrário de Locke, Rawls argumenta que ninguém poderá adquirir nenhuma propriedade por herança, pois seria injusto e também tratar-se-ia de pura sorte. As estruturas sociais devem tratar essas vantagens e desvantagens como bens comuns, semelhante à ideia marxista de comunismo. John Rawls defende que uma pessoa com uma limitação física não deve suportar os custos adicionais resultantes dessa limitação, e uma pessoa com grande inteligência natural não deve tirar proveito dessa capacidade, pois não fez nada para merecê-la. John Rawls é um exemplo do "igualitarismo da sorte". Contudo, Rawls não era marxista e defendia que as pessoas sensatas e imparciais ajudariam os mais pobres com os recursos excedentes dos mais abastados. Rousseau defendia um nivelamento da igualdade, tornando a sociedade pobre o que Rawls achava desumano.</p><p>John Rawls defendia um Estado que restringisse e adotasse taxas progressivas contra a herança. Por outro lado, sustentava que se impusessem leis para controlar os preços e evitar núcleos de poder do mercado. Estas medidas estão, tanto significativas quanto ineloquentes, no mundo atual.</p><p>Muitos concluíram que <em>Uma Teoria da Justiça</em> seria uma justificação para o capitalismo do pós-guerra e o Estado de bem-estar social. No entanto, Rawls negou e questionou-se se as desigualdades geradas por esse sistema eram realmente compatíveis com os princípios de justiça que ele defendia. Na sua obra Justiça como Equidade: Uma reavaliação, afirma que nenhuma forma de capitalismo poderia abarcar os seus dois princípios de justiça e que os principais serviços e empresas sejam propriedade do Estado.</p><p>O livro <em>Uma Teoria da Justiça</em> de John Rawls envolveu o debate académico e a filosofia política nas universidades. A obra de Rawls fez com que a filosofia política liberal se tornasse quase indistinguível da filosofia política académica ao promover debates e a diminuição do campo da teorização política. Durante este período, os Estados Unidos tornaram-se mais diversos, desafiando a teoria e a prática liberais a acomodar uma variedade crescente de sistemas de crenças, religiões&nbsp;e&nbsp;valores.</p><p>Em paralelo com Platão e Aristóteles, John Rawls acreditava que nem todas as pessoas concordariam numa única forma de vida boa, contudo poderiam concordar com os princípios políticos que propõe. Rawls destaca a necessidade de encontrar um equilíbrio para manter a justiça e a estabilidade numa sociedade com valores e crenças diversos. Rawls defende uma postura de razoabilidade ao evitar forçar os outros a aceitar as nossas opiniões. Esta abordagem não é relativista, porque está limitada por princípios liberais de justiça política, nem é monista, porque aceita uma diversidade de conceções legítimas de vida boa. Em vez disso, é um meio-termo entre o relativismo e o monismo, que equilibra a diversidade e a coerção. Este liberalismo político combina uma pluralidade de crenças privadas com princípios&nbsp;públicos. John Rawls defendia que a tentativa de alinhar os princípios religiosos com os princípios seculares de justiça, que visam uma cooperação justa, é complexa. É irrealista esperar, de acordo com Rawls, que indivíduos com fortes convicções religiosas aceitem facilmente princípios liberais que promovem a coexistência pacífica. A definição de "razoável" é subjetiva e suscetível a desacordos profundos. Além disso, uma filosofia política que exige a separação entre crenças privadas e princípios públicos levanta questões sobre a sua&nbsp;imparcialidade.</p><p>John Rawls é aclamado por ter revitalizado a filosofia política depois do período do pós-guerra. Ele abordou questões políticas e éticas cruciais com profundidade, modificando substancialmente o debate sobre a justiça política nas universidades de língua inglesa durante a segunda metade do século XX. Rawls defendeu que o liberalismo podia ser reconciliado com a igualdade política e económica, bem como com a diversidade cultural e religiosa, renovando assim a relevância&nbsp;do&nbsp;liberalismo. Hoje em dia, é incerto que a justiça como equidade e o liberalismo político sejam a solução final para os desafios crescentes que as sociedades liberais enfrentam.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-04 18:41:37 UTC</pubDate>
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         <title>A Autodesenvolvimentista</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Martha Nussbaum desenvolveu, ao longo da sua vida escolar, qualidades como filosofia moral e política. O seu vasto conhecimento sobre diversas línguas permitiu que absorvesse a referência de Aristóteles. Por outro lado, Robespierre possibilitou que Nussbaum desenvolve-se uma paixão pela justiça social e pela reforma política. Nussbaum também defendia que mais pessoas tivessem as mesmas oportunidades tal como ela teve na Baldwin School.</p><p>Tal como Aristóteles, Nussbaum argumentava que a felicidade de todos os seres humanos individuais era a prioridade no objetivo básico da vida moral e política. Também afirmava que o conceito de felicidade é o autodesenvolvimento de cada um e não apenas reflexos de  sentimentos felizes. Com isto, manifestava-se contra a quem eram negadas, mulheres, pobres e os mais incapacitados, as oportunidades de "florescimento". Contudo, a morte, a ignorância, a traição, a calúnia, a guerra, as dependências, o divórcio, a demência, a discriminação injusta e a perseguição política são obstáculos significativos à felicidade humana. Também como o grego antigo, Aristóteles, Nussbaum defendia que o ser-humano deve ocupar a sua pessoa e amar os outros, em especial a família e amigos. Afirma também que o ser-humano, tal como Platão defendia, não deve interiorizar-se e proteger-se, mas sim deve ficar exposto às tragédias e, desta forma, tornam os corpos mais frágeis e as relações com os outros também frágeis. O conceito platónico de autossuficiência pode ajudar o homem a escapar em algumas situações, mas mesmo assim perde-se alguma humanidade, pois o homem é feito de relações.</p><p>Aristóteles e Platão convergiam na necessidade de as pessoas possuírem virtudes morais e intelectuais para evitar males e tragédias decorrentes ao longo da vida. Nussbaum apoia também a posse de virtudes morais e intelectuais, mas contrapõe-se ao afirmar que são insuficientes para as desgraças da vida e que as pessoas devem ter coragem, contribuindo tanto para os desafios que a vida impõe, tanto para o florescimento humano.</p><p>Martha Nussbaum sustenta que uma sociedade justa é onde todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades e recursos necessários para o desenvolvimento das capacidades humanas essenciais. As mulheres, os pobres, as minorias raciais e os incapacitados não desfrutam dessas mesmas capacidades, dando mais oportunidades e recursos aos privilegiados. Nussbaum também defende que uma pessoa para ter uma vida feliz necessita de desenvolver: a vida, a saúde, integridade física, sentidos, imaginação, pensamentos, emoções razão prática, relações com outras pessoas e espécies, uso e apropriação do seu ambiente. Esta lista inclui direitos políticos liberais, defendidos anteriormente por John Locke e James Madison, e também direitos económicos marxistas, defendidos anteriormente por Karl Marx e Mao Zedong. Uma sociedade justa é aquela onde todos têm a oportunidade de desenvolver estas capacidades.</p><p>Martha Nussbaum visa que, por um lado, tal como Aristóteles, que o florescimento e a felicidade humana resultam do desenvolvimento das capacidades humanas em virtudes morais e intelectuais.</p><p>Martha Nussbaum combina as ideias de Aristóteles e John Rawls na sua abordagem à justiça social. De Aristóteles, ela adota a opinião de que o florescimento humano resulta do desenvolvimento das capacidades humanas em virtudes morais e intelectuais. De John Rawls, Nussbaum adota a perspetiva de uma organização política liberal que não deve obrigar os cidadãos a tornarem-se capazes ou virtuosos. Segundo Rawls, uma sociedade justa tolera várias formas de vida desde que não coajam outros. Assim, uma sociedade deve garantir recursos e oportunidades para todos desenvolverem as capacidades, mas não exigir que o façam. Aristóteles, por outro lado, acredita que a comunidade política deve assegurar que os cidadãos exercem essas capacidades, pois a felicidade humana depende disso, e os líderes têm a obrigação de promover o exercício dessas&nbsp;capacidades. Contudo, Martha Nussbaum contrapõe-se a Aristóteles e rejeita o facto de se impor a obrigatoriedade de os cidadãos desenvolverem virtudes morais e intelectuais, menos nas crianças, pois Martha defende a escolarização obrigatória. Deste modo, uma sociedade pode perfeitamente ser justa se todos os cidadãos tiverem a oportunidade de desenvolverem as suas capacidades essenciais, mesmo que os cidadãos não queiram.</p><p>Em suma, Martha Nussbaum defende que, para os humanos prosperarem, é essencial desenvolver e florescer o que se irá notar em áreas como a física, emocional, social e racional. Nussbaum realça a vulnerabilidade da vida humana e sustenta que muitos não conseguem desenvolver plenamente as suas capacidades devido a fatores como discriminação, pobreza, deficiência ou negligência. Nussbaum critica a obsessão pela riqueza material e sugere que se deveria dar mais relevância e importância à aprendizagem, ao amor e à cidadania, promovendo um desenvolvimento mais sustentável que beneficie a felicidade humana&nbsp;e&nbsp;o&nbsp;planeta.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-09 14:08:32 UTC</pubDate>
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         <title>O Alpinista</title>
         <author>guilhermemorais3380</author>
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         <description><![CDATA[<p>Arne Naess viveu uma vida muito simples, isolado numa montanha na Noruega. A sua cabana não tinha eletricidade, canalização e nem aquecimento. Arne Naess passava a sua vida a estudar a botânica da sua região e a ler Platão, Aristóteles e Gandhi.</p><p>Naess era contra os ativistas e ambientalistas que só defendiam a diminuição da poluição com o objetivo de melhorar a saúde pública, preservar os recursos para o futuro e conservar um pouco a vida selvagem para o homem se poder recrear. Isto, para Naess ignora o verdadeiro valor da natureza. Contrapõe-se ao afirmar que todos os seres vivos, humanos e animais, têm o direito à vida e à sua prosperidade e irrita-o o facto de os humanos serem ignorantes e arrogantes ao quererem sempre se submeter à mãe natureza, com a construção de barragens que detêm a água ou com uma agricultura industrial que desertifica o solo. Com isto, Naess defendia que o homem não deve controlar a natureza, mas sim tornar-se cidadão da mesma. O homem seria um cidadão do Planeta Terra. Assim, o homem deve priorizar o bem da natureza e não os seus próprios interesses. Arne Naess também defendia que Deus era um outro aspecto da natureza e não algo que está acima da mesma.</p><p>Todos os seres-vivos devem-se autorrealizar e, desta forma, contribui-se para o bem comum da natureza. Esta autorrealização fornece aos seres a capacidade de contemplar e amar a totalidade da natureza. Os seres conseguem aproximar-se de Deus ao descobrir o seu verdadeiro lar. Contudo, Naess rejeitava os conceitos de globalização, cosmopolitismo e turismo e lutou contra as viagens espaciais e a entrada da Noruega na UE. Pretendia que o ser humano único descobrisse e vivesse no seu lugar particular.</p><p>Arne Naess defendia que a autorrealização de todos os organismos vivos é essencial para o bem-estar da natureza. Acreditava que a autorrealização humana culmina na capacidade de contemplar e amar a natureza como um todo. Naess foi influenciado pela filosofia de não-violência de Gandhi e rejeitava o uso da força para proteger a natureza, defendendo o planeamento familiar voluntário para reduzir a população humana. Após uma experiência traumática com uma mosca, Naess tornou-se vegetariano e desenvolveu empatia pelos seres vivos. Por outro lado, Naess defendia que em vez de o homem usar os animais em função dos seus interesses, deveria expandir a sua pessoa e, assim, albergar a totalidade da natureza.</p><p>Naess apoiava o direito à vida de todos os seres vivos e também o dever de não os matar, contudo, rejeitava qualquer tipo de ética e apelava à alegria e à beleza. Ou seja, o ser humano não vive em função de éticas, mas sim da compreensão do mundo onde habita o que irá proteger a natureza por alegria e não por dever moral. Com isto, tal como Gandhi, Naess contrapunha-se ao facto de impor deveres morais aos seres humanos. Preferia ensinar e ser um exemplo de como viver na natureza e ter compaixão por todas as criaturas vivas. Porém, defendia que poderemos matar um outro ser em caso de sobrevivência e de desporto, como a caça, por exemplo. Arne Naess é muitas vezes visto como um "místico", mas acaba por demonstrar o seu lado mais espiritual ao defender que a linguagem moral e o argumento filosófico não captam o espanto do homem e, assim, argumenta que o maravilhamento urbano perante a natureza tem mais prioridade do que qualquer ética ecológica.</p><p>A natureza para Naess era um mundo onde reinava a paz, a harmonia e a mútua coexistência. Só que o homem destrói essa imagem idílica e divina, pois não naturais e possuem aspectos como a arrogância presunçosa, a fertilidade descontrolada e a inteligência destrutiva que representam uma ameaça ao "paraíso" de Naess. Por outra perspectiva, tal como Darwin, Naess afirmava que os animais, tal como os homens, lutam pela sua sobrevivência, deixam demasiada descendência e matam ou são mortas e o ser humano foi único ao sobressair-se deste mundo e permaneceu no topo da cadeia alimentar.</p><p>Karl Marx defendia que o homem, inconscientemente, irá criar um mundo de humanos, ou seja, uma casa para os mesmos. Já Naess defendia que o ser humano deve-se adaptar à natureza e não tentar moldá-la de acordo com os seus interesses.</p><p>Em suma, Arne Naess defendia que todos os seres vivos têm direito à vida e à autorrealização. Acreditava também na empatia por todas as formas de vida e rejeitava o uso da força para proteger a natureza. Naess promovia o planeamento familiar voluntário e a adaptação do homem à natureza, priorizando o bem comum e a alegria de viver em harmonia com o meio ambiente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-09 18:33:29 UTC</pubDate>
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