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      <title>TEPI 2023.1 by Veridiana Silva Machado</title>
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      <description>Giros Ontológicos</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-03-08 12:51:44 UTC</pubDate>
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         <title>Síntese Lucas Gabriel</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>O conceito de "nativo relativo", proposto por Eduardo Viveiros de Castro, é extremamente relevante para a compreensão das relações entre os povos indígenas e a sociedade ocidental. Em síntese, o nativo relativo é o sujeito indígena que não é definido por suas características culturais ou biológicas, mas sim pela relação que ele estabelece com a cultura ocidental. Ou seja, é a maneira como o sujeito indígena se relaciona com o ocidente que o define como nativo relativo. Essa concepção é muito importante porque desafia a ideia de que as culturas indígenas são "primitivas" ou "inferiores" em relação à cultura ocidental. Ao invés disso, Viveiros de Castro propõe que a relação entre essas culturas é mais complexa e que os povos indígenas não são apenas vítimas passivas da dominação ocidental, mas também são capazes de transformar e reinterpretar os elementos da cultura ocidental de acordo com suas próprias necessidades e valores. Para os estudantes de psicologia, essa reflexão pode ser particularmente relevante, pois pode nos levar a questionar nossas próprias concepções sobre a natureza humana e sobre as relações entre as culturas. Em vez de conceber os indivíduos como seres essencialmente "culturais" ou "biológicos", podemos começar a entender a complexidade das identidades e dos processos de subjetivação que ocorrem em contextos culturais diversos. Além disso, a reflexão sobre o nativo relativo pode nos levar a questionar nossa própria posição como estudantes de psicologia e como membros da sociedade ocidental. Ao compreendermos melhor a relação entre nossa cultura e outras culturas, podemos desenvolver uma abordagem mais crítica e reflexiva em relação à nossa própria prática profissional e pessoal.<br><br></div><div>Já o artigo "Antropologia &amp; psicologia na virada ontológica: breves notas sobre convergências e divergências" de Ernesto Belo traz reflexões importantes sobre as relações entre a antropologia e a psicologia em um contexto de virada ontológica. A virada ontológica é caracterizada pela tentativa de superar o dualismo entre natureza e cultura e de compreender os diferentes modos de existência que coexistem no mundo. Belo destaca que, enquanto a antropologia tem sido pioneira na exploração dessa virada ontológica, a psicologia ainda enfrenta desafios para se adequar a esse novo paradigma. A antropologia tem se dedicado a compreender as diferentes ontologias presentes nas culturas estudadas, buscando compreender a relação entre os seres humanos e o mundo que os cerca de maneira mais complexa. Para psicologia, essa reflexão pode ser importante para repensar as concepções tradicionais da disciplina e abrir espaço para novas perspectivas. A virada ontológica propõe uma ampliação da visão sobre a realidade e sobre o papel dos seres humanos no mundo, o que pode trazer novas abordagens e possibilidades de intervenção em diferentes contextos. É fundamental que a psicologia esteja aberta ao diálogo com outras disciplinas, como a antropologia, para ampliar a sua compreensão sobre o ser humano e as suas relações com o mundo.<br><br></div><div>Nessa mesma perspectiva, o artigo "Da 'virada ontológica' ao Tempo de Volta do Nós" de José Ángel Quintero Weir apresenta uma reflexão sobre a importância de se resgatar a dimensão coletiva e relacional do ser humano em um contexto de crise ecológica e social. A virada ontológica, que busca superar a dicotomia entre natureza e cultura e reconhecer a existência de diferentes modos de existência, é vista como uma oportunidade para se repensar a relação do ser humano com o mundo. É preciso reconhecer a dimensão relacional e coletiva do ser humano e valorizar a diversidade de saberes e práticas presentes nas diferentes culturas. Em minha visão, essa reflexão pode ser particularmente relevante, pois nos leva a questionar as concepções individualistas e universalistas que muitas vezes orientam a prática profissional. É preciso reconhecer a importância da dimensão coletiva e relacional da subjetividade e levar em conta as diferentes formas de vida e saberes presentes nas culturas.&nbsp;<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 14:03:01 UTC</pubDate>
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         <title>Interpretação reflexiva sobre os textos</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Grupo: Anna Carolina Veiga, Anna Leal, Isabella Moreno<br><br>Diante dos textos lidos recordamos da música "Povoada" de Sued Nunes. Cantora do Recôncavo Baiano, mulher, preta, do axé e nordestina, Sued, cujo nome significa “Deus” ao contrário, aborda em suas músicas ancestralidade, representatividade e pertencimento. Trazendo para a reflexão dos textos lidos, a música citada reflete sobre o termo "povoado" utilizado para se referirem a terra, nesse sentido ela dá voz a sua percepção, afirmando também ser parte da terra, "a gente também é terra de se povoar".&nbsp;</div><div><br></div><div>Diante disso, reflete-se sobre a produção científica antropológica ser feita através de um discurso eurocêntrico, notando-se uma tentativa do antropólogo em traduzir o discurso dos povos nativos estudados, adaptando para o entendimento baseado em sua própria cultura. Assim, é importante a reflexão sobre quem produz o conteúdo, sendo indispensável ao se falar de cultura que o observador busque fazer o mínimo de inferências, ou seja, entender a cultura como ela é sem buscar comparar com o que já é conhecido por ele.&nbsp;</div><div><br><br></div><div>Letra da música:</div><div><br></div><div>Ei, Povoada é um-um nome curioso né?</div><div>Porque a gente sempre fala de Povoada</div><div>Em relação à Terra né?</div><div>A Terra é povoada</div><div>Mas, também sou terra</div><div>A gente também é terra de povoar</div><div>Deus te ajuda</div><div>Deus te ajude e te livre do mal</div><div>Te desejo tudo de bom, viu fia'? (Povoada!)</div><div>Eu sou uma, mas não sou só, minha fia'</div><div>Povoada</div><div>Quem falou que eu ando só?</div><div>Nessa terra, nesse chão de meu Deus</div><div>Sou uma mas não sou só</div><div>Povoada</div><div>Quem falou que eu ando só?</div><div>Tenho em mim mais de muitos</div><div>Sou uma mas não sou só</div><div>Povoada</div><div>Quem falou que eu ando só?</div><div>Nessa terra, nesse chão de meu Deus</div><div>Sou uma mas não sou só</div><div>Povoada</div><div>Quem falou que eu ando só?</div><div>Tenho em mim mais de muitos</div><div>Sou uma mas não sou só</div><div>Sou uma, mas não sou só</div><div>Sou uma, mas não sou só</div><div>Sou uma, mas não sou só</div><div>Sou uma, mas não sou só</div><div>Eu sou uma, mas não sou só, 'mermo!</div><div><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.youtube.com/watch?v=dIFzUVxAb8c" />
         <pubDate>2023-03-28 20:42:13 UTC</pubDate>
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         <title>Uma psicologia simétrica?</title>
         <author>aresprospbcn0120</author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535721185</link>
         <description><![CDATA[<div>A partir das leituras dos textos, destacamos alguns trechos que nos provocaram profundas reflexões:&nbsp;<br><br>“As ontologias não são as culturas e os conhecimentos não são os saberes”;<br><br>"Uma só ‘cultura’, múltiplas ‘naturezas’; epistemologia constante, ontologia variável – o perspectivismo é um multinaturalismo, pois uma perspectiva não é uma representação”.<br><br>"Se há algo que cabe de direito à antropologia, não é certamente a tarefa de explicar o mundo de outrem, mas a de multiplicar nosso mundo, “povoando-o de<br>todos esses exprimidos que não existem fora de suas expressões”;<br><br>"a virada ontológica deve nos levar a realmente escutar os povos que nos falam desde seu lugar de ver/sentir/viver (Eirare) no mundo"<br><br>Destacamos essas citações para pensar sobre a importância dessa virada ontológica na antropologia buscando possibilidades reflexivas que tal virada oportuna para a psicologia e suas responsabilidades para com as diversas cosmovivências. Nesse sentido, assim como na relação antropólogo-nativo (numa antropologia assimétrica) há uma vantagem&nbsp; epistemológica do discurso antropológico, que se põe numa posição de conter o significado do significado do outro, sublimando o sentido que reside no discurso do outro, a psicologia também o faz na relação psicólogo-sujeito, usufruindo de seu aparato interpretativo. Como pensar/fazer uma psicologia simétrica que considere os conceitos que projetam a expressão do mundo possível de outrem sem recorrer a tal vantagem epistemológica?<br>Conectamos as reflexões dos textos à música "Ancestralidade" da cantora e compositora baiana Indi Naíse, mulher preta que afirma a sua identidade e nos provoca a pensar sobre as violências estruturais que cometemos cotidianamente, e também enquanto Psicólogos, ao tentar representar e "normalizar" diferentes cosmovisões de mundo através de um prisma branco, ocidental e eurocêntrico. Estamos preparados para o cuidado com pessoas que possuem cosmovivências bem distintas das nossas?<br><br>"Ah, tantos tentam me convencer,<br>Me transformar em outro ser.<br>Me dão parecer<br>Para eu ser padrão<br>Nessa conversa, eu não caio, não"<br><br>Por: Ana Luísa Bomfim; Amanda Dada; Alissa; Arestides Próspero; Érica Machado</div>]]></description>
         <enclosure url="https://youtu.be/4MbRihcEqvM" />
         <pubDate>2023-03-28 23:08:17 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535737613</link>
         <description><![CDATA[<div>Grupo:<br>Antônio Eduardo Marques&nbsp;<br>Beatriz Pedreira&nbsp;<br>Gabriel Falcão&nbsp;<br>Isabella Cordeiro<br>Luisa Mota&nbsp;<br>Victoria Toledo&nbsp;<br><br>Escolhemos tomar como base para refletir sobre os textos: Antropologia &amp; psicologia na virada ontológica: breves notas sobre convergências e divergências – por Ernesto Belo, O nativo relativo e Da ‘virada ontológica’ ao Tempo de Volta do Nós, uma música de Marisa monte chamada “volte para seu lar”.<br><br>A mesma pode ser interpretada como uma crítica à homogeneização cultural, que é um dos alvos da Virada Ontológica. Ao falar sobre a rejeição e marginalização do "estranho", a música sugere que as culturas dominantes muitas vezes não são capazes de reconhecer ou valorizar a diversidade cultural e ontológica presente no mundo.<br><br>“Aqui nessa tribo<br>Ninguém quer a sua catequização<br>Falamos a sua língua<br>Mas não entendemos seu sermão”<br><br>No trecho em questão é possível relacionar aos textos que trazem a perspectiva do saber eurocêntrico como um discurso superior capaz de catequizar, civilizar e (re)educar os diversos viveres indígenas. Reproduzindo essa mesma visão para as produções científicas, os antropólogos tentam entender e explicar diferentes aspectos culturais se baseando na própria concepção do que é cultura. O que nos faz refletir sobre a importância de reconhecer e valorizar a diversidade ontológica e cultural, e de buscar um mundo mais inclusivo e respeitoso com as diferenças. Afinal, o mundo é muito mais rico quando valorizamos e respeitamos as diferentes formas de vida e ontologias. É nessa parte da música que há justamente o rompimento e rejeição à doutrinação imposta, afirmando cada vez mais sua própria cultura, seu próprio povo, costumes e práticas.<br><br>“Nós rimos alto<br>Bebemos e falamos palavrão<br>Mas não sorrimos à toa<br>Não sorrimos à toa”&nbsp;<br><br>Dentro destas reflexões, durante a leitura dos textos algo que surgiu como um tópico da psicologia, foi em relação ao não reconhecimento do nativo na sua condição de sujeito. A associação do indivíduo nativo a um objeto de estudo exótico desprovido de subjetividade, que sofre uma fetichização do meio antropológico (e social) se traduz em um mecanismo presente de maneira expansiva e adoecedora na sociedade ocidental colonizadora e que ao longo do texto é trazido como uma ausência de uma cosmovisão, na qual o ser humano é parte ativa da natureza, assim como um pecari. O se ver fora da natureza, se ver acima da mesma como é o caso da visão de mundo (Weltbild) ocidental capitalista implica que algo está abaixo do ideal do que significa ser humano, seja a natureza, ou povos que tenham uma visão de seu meio na qual o meio e o humano são a parte de um todo, dando espaço para que o "civilizado dotado de razão" venha e conquiste aqueles que são tidos como recurso por verem/serem o mundo dessa forma.<br><br>Durante a leitura, percebemos que cada texto complementa o desenvolvimento da antropologia ao longo do tempo. O surgimento da sociologia com Durkheim e a Psicologa com Wundent trouxeram a base para o estudo do ser humano, com sua complexidade de fatores (social, econômico, histórico e cultural). O antropólogo nada mais é um ser que busca apreender com o outro, neste caso, o nativo. Seu papel se faz na compreensão sobre o costumes, território e pensamento deste em si maneira espontânea de viver; mesmo que tenha que exercitar o desconhecimento sobre o nativo, apesar do estudo anterior feito. Posto isso, podemos analisar que o psicólogo também faz esse mesmo processo antropológico ao buscar compreender o espaço mental de seu cliente. Caminhar pelo consciente e inconsciente de alguém é como adentrar em um território desconhecido e familar, onde por mais que se tenha estudo sobre isso não deixar de trazer seus aprendizado e diferenciações. O processo precisar ser feito com cuidado, pois a nosso relato sobre ele pode trazer diferente significados se não formos respeitosos e ,o máximo que pudermos, honestos com que foi trazido de demanda. Pois, carregamos o poder de modificar a realidade do outro em nossas palavras e gestos.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 23:30:12 UTC</pubDate>
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         <title>Síntese sobre os textos</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535738065</link>
         <description><![CDATA[<div>Grupo: Beatriz Alves, Giulia Aragão, Guilherme Alves, Helen Menezes, Ilka Peltier e Jamile Brito<br>O estudo das culturas indígenas tem sido alvo de muita discussão nos últimos tempos, especialmente no que diz respeito à forma como os nativos são tratados pelos pesquisadores. O discurso científico eurocêntrico tem como característica a ideia de que o conhecimento produzido pelo Ocidente é universal e objetivo, enquanto as demais culturas são vistas como exóticas e primitivas. Essa visão tende a homogeneizar as diferenças culturais e a impor uma visão única do mundo.</div><div><br></div><div>Ao ler os textos, é possível notar uma relação de conhecimento unilateral entre o antropólogo e o nativo, em que o discurso do índio é posto como ontologia, ou seja, uma epistemologia que deve ser entendida e interpretada pelo pesquisador. No entanto, é importante reconhecer que os índios são detentores de conhecimentos e culturas reais, que devem ser levados em conta e validados. Eles viveram e são matéria, portanto, são sujeitos ativos e não meros objetos de estudo. Além disso, não existe hierarquia entre as culturas do mundo - todas são igualmente valiosas e merecedoras de respeito.</div><div><br></div><div>Ao estudar uma sociedade, como no caso dos índios, é fundamental que a forma daqueles sujeitos se relacionarem paute o processo da pesquisa sobre aquela comunidade. A partir das relações, as diversas camadas de conhecimento, tradição e fé daqueles indivíduos são manifestadas. É importante, ainda, que o pesquisador foque o olhar no viés cultural do povo indígena, evitando a visão moderna e ocidental de olhar para a cultura daquele povo, julgando-a com base em um contexto cultural ao qual o pesquisador está inserido.&nbsp;</div><div><br></div><div>O texto "O Nativo Relativo" de Eduardo Viveiros de Castro, por exemplo, é uma importante crítica ao discurso científico eurocêntrico que tem dominado a produção de conhecimento em diversas áreas, como a antropologia. Através de uma reflexão sobre a relação entre diferentes culturas e a forma como elas se relacionam com o mundo, Viveiros de Castro propõe uma visão alternativa que busca superar a dicotomia entre o sujeito e o objeto.</div><div><br></div><div>Em resumo, é necessário que os pesquisadores reconheçam e valorizem a diversidade cultural presente no mundo, respeitando a forma como cada sociedade se relaciona e se manifesta. Somente assim é possível compreender e aprender com as culturas indígenas, passando seus ensinamentos para as próximas gerações.<br><br>Um recurso literário que achamos que dialoga com a temática é a seguinte poesia: FILHOS DO BRASIL<br>⁠<br>Eles já foram milhões<br>Os donos do chão brasileiro<br>Sem lutas, sem mortes, sem medo<br>De um mundo com explorações.<br><br>Hoje restou a história<br>E a preservação da cultura<br>Danças, comidas, pinturas<br>De um povo que anseia a vitória.<br><br>No meio do “descobrimento”<br>Na rota de uma viagem<br>À vista de muita coragem<br>Sem ter mais reconhecimento.<br><br>A tribo, a canoa, a oca<br>O arco, a flecha, o cocar<br>Tacape, brinco, colar<br>E o gosto da mandioca.<br><br>A força de uma tradição<br>Que vive para os animais<br>Perdeu o direito de paz<br>Pois não é “civilização”.&nbsp;<br><br>Tatiane da Silva Santos</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-28 23:30:51 UTC</pubDate>
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         <title>Síntese - Virada Ontológica</title>
         <author>beatrizcfranca18</author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535788232</link>
         <description><![CDATA[<div>Grupo:<br>Ana Beatriz Fontes<br>Ana Emília Nogueira<br>Andressa Lopes<br>Beatriz França<br>Fernanda Valle<br><br>Para a antropologia, a virada ontológica é um movimento geral de mudança de paradigma, que se inicia a partir do momento em que começa-se a questionar uma antropologia considerada assimétrica, ou imperial, na qual se fala pelo outro e do outro, desacreditando a pluralidade de conhecimentos existentes nas mais diversas culturas, uma vez que o antropólogo está posicionado no centro da verdade absoluta e universal. Historicamente, o que foi realizado em nome da “antropologia”, segundo o texto de Eduardo Viveiros de Castro, se sustenta em uma relação de conhecimento unilateral entre o chamado “nativo” e o antropólogo, pela qual se supõe que o antropólogo é aquele que detém o conhecimento que não pode ser acessado pelo nativo. Ou seja, a ciência do antropólogo é diferente e se sobrepõe a do nativo, uma vez que para que a sua existência e sustentação sejam possíveis, é preciso que a ciência do nativo seja deslegitimada. Nesse cenário, a doutrina moderna ocidental realizou, de forma sistêmica, técnicas epistemicidas de subjugação de culturas milenares, ao passo que englobam o conhecimento em um único saber “universal” de todos os povos.&nbsp;<br><br></div><div>De acordo com o autor indígena José Ángel Quintero Weir no texto “Da ‘virada ontológica’ ao Tempo de Volta do Nós”, o homem ocidental moderno não caminha pelo mundo para conhecê-lo, e sim abre caminhos às custas de tudo e todos para assim dominá-lo. No intuito de tomar posse e reivindicar o controle deste, a ciência ocidental moderna precisou entender a natureza como algo exterior e selvagem, que poderia e deveria ser conhecida e dominada pelo homem. Nessa trajetória, povos milenares que mantinham relações intrínsecas e de horizontalidade com a natureza foram alvo de diversas técnicas de dominação, dentre elas a mortificação dos seus saberes ancestrais. Nesse sentido, a constituição da ciência moderna ocidental se pauta por uma série de princípios ontológicos, baseados em um modelo determinista, de pretenso cientificismo neutro, onde o sujeito pesquisador não teria nenhuma implicação afetiva ou ética com a realidade analisada. Um desses princípios é o distanciamento entre o pesquisador e o objeto de pesquisa, além do método dedutivo (partir de uma grande teoria aplicando-a a todo e qualquer dado de realidade). São criados conceitos universais que precisam ser aplicados a toda e qualquer cultura e sociedade.&nbsp;<br><br></div><div>A partir da década de 50 a 60 na Europa o pensamento europeu e sua ontologia moderna entram em crise, principalmente devido aos processos de luta pela independência e descolonização das até então colônias africanas, e a emergência de movimentos por direitos civis e por libertação negra nas américas. Esse cenário histórico começa a gerar um abalo nos princípios do modelo científico dominante, e consequente início da virada ontológica. Na virada, as comunidades e os sujeitos que foram subalternizados pelo projeto colonial europeu passam a migrar para universidades do norte global e começam a desenvolver teorias decoloniais, questionando os princípios vigentes. Portanto, a virada ontológica, nesse contexto, começa a estabelecer outros parâmetros de pesquisa, nos quais, o pesquisador se revela implicado diretamente no seu tema de pesquisa e não há mais conceitos universalmente válidos para aplicação imediata em toda e qualquer realidade social cultural. Nesse momento, aquelas pessoas e comunidades consideradas invisíveis passam a ter voz e serem protagonistas do seu próprio saber.&nbsp;<br><br></div><div>Dessa forma, conforme as ideias de Ernesto Belo em seu texto “Antropologia e psicologia na virada ontológica: breves notas sobre convergências e divergências” a virada ontológica pensa uma antropologia simétrica (ou plural), que se contrapõe às práticas epistemicidas da antropologia assimétrica mencionada. Essa proposta partiria dos conceitos práticos e discursivos presentes nos modos de existência dos nativos, suas cosmologias, cosmopercepções, sociabilidades, como entendem o mundo e se relacionam com ele, colocando-os no mesmo plano epistêmico que o conhecimento antropológico e considerando que os seus saberes possuem o estatuto de epistemologia. Para a Psicologia, este terreno é recente, e relativamente inexplorado, entretanto, é de vital importância o diálogo a respeito do encontro dessa área do saber com a antropologia na virada ontológica, tendo em vista a necessidade de que psicólogos e psicólogas possam pensar para além da hegemonia eurocêntrica do conhecimento e consigam superar o etnocentrismo, reconhecendo a existência de diversas cosmovisões, além de legitimar os saberes das sociedades não-ocidentais. Segundo o autor Ernesto Belo, algumas correntes da Psicologia - como a Psicologia Social - já se propõem a pensar através dessa perspectiva, ao defenderem a possibilidade da coexistência de mundos diversos, entendendo que para acessá-los, é necessário ultrapassar critérios exclusivos, pré-determinados, de uma ontologia naturalista e modernista.&nbsp;<br><br></div><div>Por fim, pensamos em relacionar com o tema dos três textos lidos, a conferência da escritora nigeriana Chimamanda Adichie, intitulada: “O perigo de uma história única”, dialogando com a virada ontológica, que acontece a partir da necessidade do multiperspectivismo, da implicação histórica da subjetividade de quem conta uma história ou realiza uma pesquisa científica, e dos perigos da aplicação colonial de princípios universais a diferentes culturas. Assim, a autora desmascara a tirania colonial dos discursos que subalternizam as vozes de comunidades excluídas e estereotipadas pelo regime colonial.</div><div><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg" />
         <pubDate>2023-03-29 00:23:32 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title></title>
         <author>yasminyamashita201</author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535882030</link>
         <description><![CDATA[<div>Ao relacionar os textos, é possível notar que eles abordam a importância da virada ontológica, que se refere a um conjunto de reflexões que têm trazido novas formas de compreender a relação entre seres humanos. Os artigos apontam para a necessidade de um diálogo interdisciplinar que inclua outras formas de conhecimento e que reconheça a pluralidade e individualidade de mundos possíveis, especialmente no contexto das lutas sociais e ambientais. Dessa forma, podemos perceber que os textos dialogam entre si ao enfatizar a importância da superação das divisões entre as diferentes formas de conhecimento e a quebra do eurocentrismo.&nbsp;<br>Em seguimento, a relação antropólogo X nativo aparentemente envolve várias desconstruções, principalmente a partir da transformação recíproca que ocorre a partir desta relação em si. A maior diferença estaria no lugar que cada um ocupa e, portanto, a visão que cada um tem. Porém, cabe perceber que a visão que o nativo tem sobre sua cultura não necessariamente carrega um sentido e, este, chega a partir da interpretação do antropólogo. Assim vemos que as relações sociais envolvem as variações dos pontos de vista e a forma como eles atravessam cada um. Talvez se torne mais difícil a compreensão e, consequentemente, a explicação porque, como o texto traz: “anthropology is philosophy with the people in”, então não envolve somente a teoria da filosofia, mas, também a prática das vivências, das relações. Estas reflexões a partir dos textos nos fizeram lembrar de uma frase do pensador Heráclito:</div><div>“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.”</div><div>Algo do que é transmitido a partir dessa frase nos remeteu à relação com o outro.&nbsp;<br><br>Por: Anna Luisa Dias, Bruno Dantas, Giovana Scardua, Julia Lago, Leticia Rebello e Yasmin Yamashita</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-29 01:29:55 UTC</pubDate>
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         <title>Síntese dos textos</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2535973531</link>
         <description><![CDATA[<div>Discentes: Alvaro Fernando Esteves, Bruna Martins, Clara Mascarenhas e Ciro Santos<br><br></div><div>Docente: Veridiana Machado<br><br></div><div>Componente Curricular: Tópicos Especiais em Psicologia I</div><div><br></div><div><strong>Psicologia da virada ontológica na antropologia e a radicalização da alteridade&nbsp;</strong></div><div><br></div><div>Para a elaboração da síntese reflexiva sobre a psicologia da virada ontológica, realizamos a leitura e conexão entre os textos recomendados como referência básica sobre o tema, tais quais os textos “Virada Ontológica e a Psicologia”, do pesquisador Ernesto Belo; “O nativo Relativo” do pesquisador Eduardo Viveiros de Castro; além do artigo “Da virada ontológica ao tempo de volta do nós”, de José Ángel Quinteiro Weir, membro do povo Añuu e pesquisador da UAIN. Servindo como um elo de conexão entre os conteúdos expostos e trabalhados pelos textos, decidimos elencar trechos da música “Não sou índio para gringo ver”, do artista indígena Edivan Fulni-ô, com os debates travados pelos três textos, a fim de iluminar e aprofundar a discussão sobre o tema da psicologia da virada ontológica na antropologia e suas implicações.</div><div>Compreende-se como virada ontológica na antropologia a mudança de paradigma do pensamento social travado durante o século XIX, centrado na figura de Émile Durkheim (fundador da Escola Francesa de Sociología) VS Wilhelm Wundt (fundador da Psicologia dos Povos), para a então discussão de novos pensamentos antropológicos que superasse a dicotomia natureza x cultura travada por esses pensadores, buscando uma antropologia simétrica que não utilizasse prerrogativas universais nos estudos de povos originários e compreendessem também os conhecimentos indígenas como uma epistemologia. Trata-se, portanto, de um sistema de pensamento que não apresentasse um modelo dogmático, mas sim um protocolo de experiência, pautado não na representação do desconhecido, mas da interação com ele. Seguindo essa linha de raciocínio sobre a virada ontológica e a fim de tornar evidente a ideia da reconstrução de novos caminhos para a produção do conhecimento antropológico, proposto pela virada ontológica, o antropólogo Bruno Latour afirma que o movimento articulado é justamente passar da unificação do diverso para “multiplicar o número de agências que povoam o mundo”, superando os limites das discussões que invisibilizam os povos nativos.<br><br></div><div>Com o repensar não só as produções científicas desenvolvidas pelos pesquisadores das ciências humanas sobre os povos originários e seus dizeres, mas também os caminhos trilhados pelos seres humanos de violência e extermínio dessas populações e da natureza, autores como Eduardo Viveiros de Castro (referência no tema da virada ontológica) e José Ángel Quintero (indígena do povo Añuu e pesquisador), traçam novos olhares e perspectivas, a partir do repensar o pensamento antropocentrista e capitalista dominante, configurando uma nova ordem de problematização sobre a figura do antropólogo, sua relação com o nativo e o conhecimento resultante dessa relação desigual (tema de estudo de Eduardo Viveiros em seu texto “O nativo relativo”); bem como a prospecção de um novo olhar pautado na “volta ao tempo de nós”, idealizado e discutido por José Ángel Quintero, proposta essa que consiste no reconhecimento urgente da necessidade de reordenar nossos percursos políticos e territoriais a um tempo já vivido, onde o “eirare” - lugar onde se vê e vive - esteja alinhado com o processo de territorialização do espaço/tempo daqueles povos, estabelecendo-se como cultura. Essa proposta de regresso a tempos já vividos, mas como presente, se traduz em circunstâncias onde só há sua operação mediante a inclusão do Ocidente, evitando assim a morte de povos e da natureza, contrariando o mito opressivo do domínio da natureza e do mundo introduzido por Bacon, em que a universalização dos saberes têm como produto final o aprisionamento dos povos originários no universo territorial dos brancos. Assim, tanto José Ángel Quintero como Viveiros de Castro se propõem a desenvolver em seus trabalhos a ótica do “perspectivismo”, isto é, uma relação entre o eirare e o fazer território e comunidade nos povos amazônicos, capaz de combater na raiz a ordem hegemônica de invisibilização dos povos originários, ordem essa que se manifesta de forma objetiva no extermínio histórico e gradativo de suas populações.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</div><div><br></div><div>A música citada inicialmente “não sou índio para gringo ver” faz menção ao histórico descriminatório sofrido pelos povos originários ainda nos dias de hoje, mais especificamente, dentro do ambiênte acadêmico. O conhecimento científico difundido mundialmente é normalmente de viés eurocêntrico no qual, o indígena ainda é retratado muitas vezes como alguém ‘’selvagem’’ com uma conotação de inferioridade, de menos evoluído. Sabendo disso, o compositor indígena Edivan Fulni-ô escreve o trecho:</div><div><br></div><div><strong>Eu não sou índio pra gringo ver</strong></div><div><strong>Minha essência, além das aparências</strong></div><div><strong>Vou gritar até você me ouvir</strong></div><div><strong>O respeito&nbsp;</strong></div><div><strong>É uma coisa que você vai ter por mim</strong></div><div><br><br><br></div><div><strong>Letra da música “Não sou índio para gringo ver” de Edivan Fulni-ô</strong></div><div><br></div><div><strong>Olha esse índio vestindo uma roupa social com óculos de grau&nbsp;</strong></div><div><strong>Olha esse outro de tênis caminhando em nossa direção</strong></div><div><strong>Funcionários de circo, devem ser palhaços esses cidadãos&nbsp;</strong></div><div><strong>Cambada de delinquentes querendo burlar a Legislação</strong></div><div><br></div><div><strong>Eu não sou índio pra gringo ver</strong></div><div><strong>Minha essência, além das aparências</strong></div><div><strong>Vou gritar até você me ouvir</strong></div><div><strong>O respeito&nbsp;</strong></div><div><strong>É uma coisa que você vai ter por mim</strong></div><div><br></div><div><strong>Calça jeans, sapatos engraxados, óculos de grau, camisa social, cinto na cintura,</strong></div><div><strong>Relógio no pulso, não define quem eu sou.</strong></div><div><strong>Flor de Lis, é o aroma que invade o ambiente&nbsp;</strong></div><div><strong>Da imoralidade resistente da sociedade</strong></div><div><br></div><div><strong>Eu não sou índio pra gringo ver</strong></div><div><strong>Minha essência, além das aparências</strong></div><div><strong>Vou gritar até você me ouvir</strong></div><div><strong>O respeito é uma coisa que você,&nbsp;</strong></div><div><strong>É uma coisa que você,</strong></div><div><strong>É uma coisa que você</strong></div><div><strong>Vai ter por mim</strong></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-03-29 02:36:55 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2536462819</link>
         <description><![CDATA[<div>Aluna: Beatriz pedreira&nbsp;<br><br>Um complemento do meu pensamento sobre os textos. <br><br><br>Após a leitura do texto, além dos pensamentos que já expressei aqui juntamente com o meu grupo, fiquei refletindo sobre a comparação dos textos com a música da Xuxa, “brincar de índio”, que ao meu ver trás está deslegitimação de um povo, afinal, ninguém “brinca” de chinês, de brasileiro, … e disso volto a trazer a reflexão que já estressei com o meu grupo aqui, existe a associação do indivíduo nativo a um objeto de estudo exótico, desprovido da subjetividade.&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://m.youtube.com/watch?v=sfdL4bRIwng" />
         <pubDate>2023-03-29 09:53:32 UTC</pubDate>
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         <title>O perigo de uma história única</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Grupo: Beatriz Alves, Giulia Aragão, Guilherme Alves, Helen Menezes, Ilka Peltier, Jamile Brito<br><br>Uma narrativa única corre o risco de ser tomada como a verdade absoluta, a qual simplifica e distorce vários pontos de vista e experiências, esse é o perigo de uma única história. Isso pode resultar em uma falta de consciência e sensibilidade para diferentes identidades raciais e culturais, como vemos no ted talks de Chimamamda.&nbsp;<br><br>Ao reconhecer a variedade cultural e a história da opressão e violência colonial que produziu essas práticas e ideias, a decolonialidade aplicada à psicologia visa descolonizar as práticas e teorias psicológicas dominantes. Isso implica desafiar as presunções universais que sustentam a psicologia ocidental e adotar uma estratégia colaborativa mais horizontal que reconheça a sabedoria e a experiência de outras civilizações.<br><br>Podemos ver, conectando essas ideias, que a psicologia corre o risco de aumentar a ameaça da história única, reproduzindo ideais coloniais que baseiam suas teorias.<br><br>Um recurso artístico que analisamos se relacionar com a temática é o poema de nome "Identidade" do poeta Ferreira Gullar:&nbsp;<br><br>Não sou eu nem és tu:<br>somos, os dois, um só,<br>que se desdobra em dois<br>para se encontrar de novo.<br><br>Assim te vejo e me vejo<br>ao mesmo tempo em que somos<br>a mesma coisa e outra coisa,<br>é esta a verdade que somos.<br><br>Somos dois rios que correm<br>para o mesmo mar sem fim,<br>duas fontes que se unem<br>e se confundem no jardim.<br><br>Não sou eu nem és tu:<br>somos, os dois, um só;<br>nossa identidade é uma só,<br>mas tem dois nomes: eu e tu.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-04-11 21:07:04 UTC</pubDate>
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         <title>Postagem de Eduardo Marques e Thiffany Telles</title>
         <author>dudimarquesem</author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2551068032</link>
         <description><![CDATA[<div>O foco central dos textos é criticar a historiografia oficial dos colonizadores, ditos vitoriosos pela perspectiva da história contada. Isso mostra as visões estereotipadas que temos de territórios como os dos países africanos, mas também a relação com as vivências cotidianas, como a diferença de classes sociais se traduzindo no contraste cultural entre favelas e condomínios. No imaginário da cultura da classe média brasileira as favelas se resumem à violência, tráfico e pobreza, renegando as histórias e vivências das pessoas que moram nesses territórios, assim como a história por trás da criação das favelas. Ao mesmo tempo que reforçam a visão estereotipada desse território, também consomem da sua mão de obra e se apropriam da sua cultura.&nbsp;<br>Essa forma de agir, diante o que é trazido nos textos como o Outro traduz a forma de existência ocidentalizada que é hegemônica no Brasil. Essa visão deste Outro como subalterno do Sujeito hegemônico se evidencia nas relações de poder e nas relações político-sociais das elites brasileiras, e numa cultura alienada que incentiva o não reconhecimento por parte dos subalternizados que os mesmos estão sujeitos ao funcionamento de um sistema baseado na exclusão, que fortalece o sistema de privilégios hereditários que se mantém, por via de regra, por essa diferenciação entre Sujeito e o Outro.<br>Portanto, se faz presente na sociedade a imposição de uma norma para que as pessoas se encaixem em critérios mínimos para serem considerados sujeitos. Critérios estes que atendem modelos eurocêntricos, patriarcais e racistas, onde o direito à subjetividade e o acesso à cidadania ficam restritos a um grupo específico.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-04-12 03:38:18 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato em POT</title>
         <author>beatrizcfranca18</author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2607935486</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Grupo:</strong> Alvaro Esteves, Alissa Oliveira, Anna Renata Leal, Beatriz França, Érica Machado, Helen Menezes.<br><br><strong>Docente: </strong>Veridiana Machado<br><br><strong>Componente Curricular:</strong> Tópicos Especiais em Psicologia I<br><br><strong>ESCREVIVÊNCIA:</strong>&nbsp;<br><br>Durante a nossa experiência do internato em POT no Hospital Humberto Castro Lima, um tema que emergiu das nossas reflexões foi a discrepância entre o atendimento prestado via convênio/particular em comparação ao atendimento via SUS. Apontados pelos próprios colaboradores nas oficinas que realizamos, o mal atendimento, a infraestrutura precária e os poucos recursos oferecidos aos usuários do SUS, são aspectos marcantes do HHCL.<br><br>O debate pensado por nosso grupo em relação às discrepâncias observadas não é possível de acontecer sem que se realize uma análise de quem é o público contemplado pelo SUS no Hospital Humberto Castro Lima, tendo em vista que o perfil diretamente afetado pelas más condições de atendimento possuem raça, cor e classe social. Dessa forma, não pudemos deixar de observar que o atendimento via SUS era composto majoritariamente por pessoas negras e que o atendimento via convênio/particular composto por pessoas brancas, o que nos leva a refletir o lugar do racismo institucional nessa temática.&nbsp;</div><div><br>O racismo institucional, segundo Werneck (2016), é um fenômeno complexo que se manifesta em práticas e políticas institucionais discriminatórias capazes de produzir e/ou manter a vulnerabilidade de indivíduos e grupos sociais. De acordo com o professor e filósofo Silvio Almeida (2019) o racismo não se manifesta apenas nos comportamentos individuais dos sujeitos, pois na verdade é o resultado do funcionamento das instituições que atuam de modo a produzir e perpetuar desvantagens e privilégios com base na raça. Os usuários do Sistema Único de Saúde no Brasil, cuja população é majoritariamente negra, é um exemplo de instituição que vive este fenômeno. As autoridades de gestão do Sistema Único de Saúde junto à direção do HHCL precisam atuar com mais consistência e vigor para atender adequadamente às demandas de melhoria no atendimento aos usuários do SUS, reconhecendo que o racismo institucional atua como um fator central na produção das desigualdades em saúde experimentadas por pessoas negras atendidas nesta instituição.</div><div><br>Segundo Jones (2002), o racismo institucional desloca-se da dimensão individual e instaura a dimensão estrutural, correspondendo a formas organizativas, políticas, práticas e normas que resultam em tratamentos e resultados desiguais. Esta reflexão pode também ser chamada de racismo sistêmico e garante a exclusão seletiva dos grupos racialmente subordinados, atuando como alavanca importante na exclusão diferenciada de diferentes sujeitos nesses grupos. Fundamentalmente, para que as práticas de exclusão se mantenham, é necessário que os grupos detentores do poder sejam aqueles que exerçam o domínio sobre a organização política e econômica da sociedade. Assim, as instituições são hegemonizadas por determinados grupos raciais que utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos e econômicos (Almeida, 2019). Nesse cenário, segundo Almeida (2019), o domínio de homens brancos nas instituições públicas e privadas irá depender de padrões que dificultem&nbsp;<br>a ascensão de pessoas negras e/ou mulheres nesses espaços, e da inexistência de espaços em que seja possível o diálogo a respeito da desigualdade racial e de gênero, naturalizando assim o domínio do grupo dominante.&nbsp;<br><br></div><div><br>Ademais, o psiquiatra e filósofo político francês, Frantz Fanon, em seus livros "Pele Negra, Máscaras Brancas" e "Os Condenados da Terra", descreve o impacto do racismo na subjetividade dos indivíduos e na luta pela libertação política e social. Fanon (1952) argumenta que o racismo não é apenas uma questão de discriminação individual, mas também uma estrutura institucional que afeta todos os aspectos da vida dos indivíduos. Segundo ele, o racismo internalizado afeta a identidade e a autoestima das pessoas negras, contribuindo para a perpetuação de desigualdades sociais, inclusive no acesso a serviços de saúde.</div><div><br>Além disso, Fanon (1952) argumenta que a desumanização imposta pelo racismo tem um impacto profundo nas experiências de saúde das pessoas negras. Essa desumanização pode se manifestar no tratamento discriminatório e na falta de empatia por parte dos profissionais de saúde, contribuindo para a perpetuação das desigualdades no atendimento.</div><div><br>Para além, não podemos deixar de pensar o conceito de "necropolítica" desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, ao interpretarmos as situações observadas e denúncias de desigualdade realizadas pelos colaboradores do Hospital Humberto Castro Lima para nós. Segundo Mbembe (2003), necropolítica se define pelo uso do poder político e social por parte do Estado, que determina quem pode permanecer vivo ou deve morrer. Nitidamente, quem ocupa esse lugar do "resto" que deve ser expurgado da sociedade, são aqueles que não estão dentro das classificações definidas pelo ocidente como ideais (homem, branco, cis, hétero, europeu). Dessa forma, Mbembe utiliza Foucault (1976) para trazer a concepção de racismo como:&nbsp;</div><div><br>"uma tecnologia destinada a permitir o exercício do biopoder, este velho direito soberano de matar. Na economia do biopoder, a função do racismo é regular a distribuição da morte e tornar possíveis as funções assassinas do Estado. Essa é a condição de aceitabilidade do fazer morrer." (Foucault, 1976).&nbsp;</div><div><br>Nesse sentido, quando refletimos sobre as discrepâncias observadas entre o atendimento SUS e o particular/convênio, não nos é estranho o perfil das pessoas que frequentam o HHCL pelo SUS, nem a negligência da organização em relação à estrutura oferecida, os recursos precários ou as longas filas de espera. Tendo em vista que a população negra e pobre é o alvo do Estado para deixar e fazer morrer, através de sua política de morte, essa realidade se reproduz e se mantém institucionalmente, principalmente nos sistemas de saúde, espaços onde a vida deveria ser garantida a todos.&nbsp;</div><div><br>Ao compreender as análises de autores como Fanon, Almeida e Mbembe sobre o racismo, suas diversas formas de manifestação (institucional etc.), bem como seus impactos psicológicos e sociais, podemos desenvolver uma maior sensibilidade para as questões raciais no contexto da saúde, nos estimulando a refletir em possibilidades para a garantia de um atendimento mais equitativo. É necessário buscar alternativas que reduzam os impactos da vulnerabilidade e das ações que desprotegem as condições de dignidade e eficiência no atendimento à população negra. Assim, além de pensar na necessidade de mudanças estruturais, é necessário que individualmente em nossas clínicas, empresas, instituições de saúde ou qualquer outro ambiente que iremos atuar como psicólogas,&nbsp; manter e exercitar, cada vez mais, essa consciência crítica e ética acerca de todo o contexto por trás do paciente/cliente a nossa frente, e como os fatores desse contexto influenciam no viver daquele sujeito.&nbsp;</div><div><br><strong>REFERÊNCIAS:<br></strong><br>Almeida, S. (2019). <em>Racismo Estrutural. </em>São Paulo: Pólen.</div><div><br>Fanon, F. (1952). Pele Negra, Máscaras Brancas. <em>Grove Press.</em></div><div><br>Fanon, F. (1961). Os Condenados da Terra. <em>Grove Press.</em></div><div>Jones, C. P.<em> </em>(2002).<em> Confronting institutionalized racism. </em>v. 50, n. 1, p. 7-22. Atlanta: Phylon v.&nbsp;<br><br></div><div>Mbembe, A. (2018). <em>Necropolítica: Biopoder, soberania, estado de exceção e política da morte</em>. São Paulo: n-1 edições.&nbsp;</div><div><br>Werneck, J. (2016). Racismo institucional e saúde da população negra. <em>Saúde e sociedade</em>, <em>25</em>, 535-549.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-29 14:15:19 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Atividade de escrevivência.&nbsp;</div><div>Aluna: Beatriz Figueredo Pedreira. &nbsp;</div><div><br></div><div>Minha jornada com o TEA.&nbsp;</div><div><br></div><div>Segundo o DSM-5, o autismo é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos.</div><div><br></div><div>Para a psicanálise as pulsões são fundamentais para o surgimento de um sujeito, podendo destacar entre elas o olhar a voz e o circuito pulsional, sendo este dividido por freud em 3 partes: 1) um primeiro momento de atividade do sujeito, onde o bebê vai em busca do objeto pulsional, ou seja, se refere a busca ativa do bebê pelo objeto oral como o seio, a mamadeira, onde na realidade externa e dele obtém satisfação, produzindo no psiquismo um registro mnêmico; 2) um momento intermediário, de autoerotismo, o bebê tenta recuperar essa representação do objeto faltante por meio dos movimentos autoeróticos, chupando o dedo ou chupeta, por exemplo, assim, ele investe simultaneamente em seu dedo e no pensamento do objeto (seio) como alucinação (Golse, 2003 citado por Adurens, et al, 2017). 3) Ja no terceiro tempo, por sua vez, caracteriza-se pela alienação do bebê a outro sujeito: ele se coloca na posição de objeto do outro, se assujeitando (Laznik, 1997, citada por Adurens, et al, 2017 ).</div><div><br></div><div>O que ocorre com um bebê dentro do espectro é que o mesmo não se oferece como objeto de pulsão do outro, não participando do terceiro tempo pulsional,&nbsp; fazendo com que os outros dois tempo sejam apenas um prazer orgânico, e não uma troca com o outro, causando uma frustração na mãe, que se retira desta relação de troca com o bebê, troca está necessária para, juntamente com a troca do olhar e da voz, a mãe possa exercer sua função de antecipar os sentimentos, objetos e sensações do seu filho, o inscrevendo não linguagem e fazendo do mesmo um sujeito desejante a partir da falta que lhe é oferecida.&nbsp;</div><div><br></div><div>Paciente M, do sexo masculino, 5 anos, dentro do espectro autista, trabalho como acompanhante terapêutica do mesmo em seu domicílio a um ano e meio, no início era possível notar uma dependência da babá, onde não poderia ficar longe por 2 minutos, a mesma, orientada pelos pais, fazia tudo por ele, o infantilizando muitas vezes e tirando a falta para que ele aprendesse a desejar algo para que pudesse advir um sujeito. Meu trabalho com ele se deu a partir daí, fui fazendo uma suplência em seu psiquismo de uma função materna, retomando a relação na troca de olhar, da voz, e do circuito pulsional, onde ele começou a traduzir a face do outro, entendendo sentimentos/ emoções, e com isso passou a entender a sua face e o seu corpo também, começou a nomear e a falar sobre seus sentimentos, começou a se reconhecer no espelho, a criar relações (ainda de forma limitada) com os outros em sua volta, dentre outras coisas.&nbsp;</div><div><br></div><div>Junto a este processo, se iniciou a busca de seu desejo, o ensinando a escolher o que queria, seja a hora de comer, o que comer, se quer fazer xixi, que roupa quer usar, qual brinquedo vai brincar,… coisas que por mais que pareçam “simples” era difícil para ele, já que nunca tinha sido ensinado a desejar/ escolher nada, paralelo a isso, começou a se dar a falta, começou a se entender que a baba, pai e mãe, saem de casa mais voltam, que os brinquedos vão ser guardados mas podem ser pegos novamente, que podemos emprestar algo que a outra pessoa nos devolve depois de usar. Este processo nos trouxe vários ganhos, hoje é um menino mais autônomo que verbaliza suas vontades e desejos, que consegue resolver seus problemas sozinho.&nbsp;</div><div><br></div><div>Começou a ser necessário a implementação da função paterna, com a entrada de limites, leis, ordens,… está criança, agora constituída como sujeito, começou a “testar”/ provocar, o outro quando suas vontades não eram concedidas, muitas vezes batendo, ou “pirraçando”, este processo ainda se faz presente hoje em dia, sendo minha principal função como AT, dar limite a suas vontades quando necessário, o colocando em um mundo com regras, regras essas que tentam ser burladas por ele.&nbsp;</div><div><br></div><div>Trabalhar com M pra mim sempre foi um desafio muito prazeroso, ver nascer um sujeito desejante, que consegue fazer uma troca de olhar, verbalizar seus sentimentos, criar histórias e brincadeiras, … é gratificante. É um processo onde cada etapa se tem um novo obstáculo, nem sempre tão fácil de se resolver, mas acho que acreditar na capacidade dele sempre foi meu primeiro passo em todas as dificuldades.&nbsp;</div><div><br></div><div>Descobri no meu processo de AT que ao trabalhar com um paciente em seu território, o processo terapêutico passa a incluir o universo do paciente que me é apresentado, sendo inserido no percurso o seu pai, mãe, baba, avó, professora de natação, e quem mais fizer parte da rotina da criança. Costumo dizer que diferente de uma clínica, você vai até os problemas do paciente e não os problemas que vão até você, você inserido na rotina precisar ter um olhar e uma escuta atenta pra identificar os problemas ali existentes e como eles se dão, confesso que me acostumei a isso, e que hoje tenho prazer no que faço, prazer em me colocar como mediadora do crescimento de alguém, me moldando a cada paciente que atendo, entendendo que eles necessitam de “personagens” diferentes, e que estou ali para ser moldada as suas necessidades, e não para ser a protagonista.&nbsp;</div><div><br></div><div>Os pais de M sempre confiaram muito em mim, sempre me escutaram e tentaram por em prática minhas orientações, existindo um processo também com os pais, que por vezes “travavam” com alguma dificuldade deles de permitir o crescimento do seu filho, por questões psicológicas deles, mas que sempre estiveram abertos a trabalhar isso, e vibram com cada etapa vencida do pequeno M.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-29 16:28:48 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência do internato em POT – T2 Discentes: Fernanda Valle e Lucas Gabriel </title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2609155044</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Escrevivência do internato em POT – T2</strong></div><div><strong>Discentes:</strong> Fernanda Valle e Lucas Gabriel&nbsp;</div><div>&nbsp;</div><div>O internato de Psicologia no Trabalho e nas Organizações (POT) possuía como objetivo principal para esse rodízio realizar uma sensibilização dos membros do HHCL para a implementação de uma Pesquisa de Clima Organizacional, mas também criar um espaço de escuta e acolhimento dos membros da instituição. O projeto de sensibilização ocorreu entre os dias 07 de março e 06 de abril e foi constituído por três momentos: entrevistas com as gerências, dinâmicas com os supervisores e dinâmicas com os colaboradores. Pelo fato desses momentos terem acontecidos com diferentes setores do hospital tivemos a oportunidade de ouvir sobre a percepção de cada membro em relação ao funcionamento da empresa como um todo.</div><div>Durante a implementação da sensibilização para a pesquisa de clima ouvimos diversos elogios e críticas sobre o hospital e atuação dos membros. Ao chegar no final do nosso objetivo era muito perceptível o quanto o discurso mudava quando se passava entre a gerência e os colaboradores. Muitas dos elogios que ouvimos por parte das gerencias não eram tão validos para os funcionários e sem dúvidas as reclamações possuíam naturezas completamente diferentes. No momento que entendi essa problemática surgiram vários questionamentos, mas o principal e que mais chamou nossa atenção foi: os trabalhadores nessa instituição são genuinamente vistos e acolhidos? Para explicar melhor como essa questão nos atravessou falaremos como funciona a relação entre a gerência e os colaboradores e também sobre as oportunidades internas, um dos valores que mais são destacados pelos cargos de gerência.&nbsp;</div><div>Tivemos a oportunidade de ter entrevista individual com alguns gerentes e foram realizadas perguntas sobre como era o funcionamento do setor, os maiores desafios enfrentados e também como era o relacionamento da equipe. No geral, os gerentes se mostram muito disponível para responder as perguntas, e a maioria de suas respostas estavam sempre muito relacionadas aos colaboradores, o gerente financeiro, por exemplo, reforçou muito que precisava existir uma compreensão maior da parte deles de que o hospital não conseguia arcar com certos custos, mas que em compensação existiam inúmeros “benefícios” que eram dados a eles e que alguns colaboradores não conseguiam aceitar ou entender isso.</div><div>As dinâmicas com os colaboradores foram realizadas em seis oficinas e elas possuíam como objetivo não apenas apresentar o projeto de sensibilização, mas aplicar uma pesquisa PULSE (uma pesquisa rápida com em média quatro perguntas) e entender quais são os pontos considerados positivos e negativos na instituição. Ao final da realização de todas as oficinas deveríamos analisar os resultados da pesquisa e dos pontos positivos e a melhorar para identificar uma porcentagem. Apesar dos comentários durante as oficinas serem majoritariamente considerados positivos, no anonimato percebemos que a visão dos colaboradores em relação ao hospital era um pouco diferente. Em várias pesquisas, categorias relacionadas a motivação, escuta e realização tiveram como resposta 0, além disso, nos pontos a melhorar foram destacados principalmente baixo salário, condições ruins de trabalho (como alimentação) e benefícios de baixa qualidade, algo que a empresa sente muito orgulho em possuir.</div><div>Finalizando o internato nos fizemos uma reflexão sobre o que é realmente válido dentro de uma instituição tanto para os colaboradores quanto para os cargos de gerência. O gerente com quem tivemos contato, mas não apenas ele, se orgulhava muito dos benefícios que eram oferecidos aos colaboradores, sendo alguns deles o “me libera” (quando um funcionário acabava todas as suas funções poderia ir para casa), a folga no mês do aniversário, a possibilidade de ser liberado para levar o filho ao médico e ter o resto do dia “livre”, e também o benefício de receber uma caixa de chocolate como premiação por não receber nenhuma advertência. Entretanto, ao ouvir os colaboradores pudemos perceber o quanto isso era pouco para eles, ao mesmo tempo que o os cargos de liderança do hospital se diziam disponíveis para escutar, os colaboradores afirmavam que tinham muitas queixas que nunca tiveram a oportunidade de dizer.</div><div>A psicóloga Fela Moscovici (1993), em seu livro Renascença Organizacional, aponta a problemática do indivíduo ser apagado pelo seu cargo, fazer é mais importante de que ser e o papel organizacional se torna quem aquela pessoa é e os sentimentos, a subjetividade, identidade e necessidades daquele indivíduo são deixadas em segundo plano, contanto que ela cumpra com as suas responsabilidades. Existe um certo apagamento do indivíduo e para nós isso foi perceptível durante o internato em POT. Ao chegar no internato imaginávamos que uma das maiores reclamações seria a financeira e apesar de ser um tópico importante e que aparece muito, as principais reclamações envolviam as necessidades básicas dos colaboradores e que não eram enxergadas.&nbsp;</div><div>Acreditamos que esse apagamento das necessidades e da subjetividade da pessoa que está trabalhando naquele hospital, se dê pelo fato de que os gerentes possuíam uma visão muito focada em ganho salarial e uma percepção de que motivação e valorização está sempre atrelada ao salário, e obviamente não podemos deixar de levar em consideração a importância de uma remuneração proporcional ao trabalho daquela colaborador, porém recebemos reclamações das atendentes do SUS de não ter uma cadeira confortável para se sentar, algo que deveria ser levado em conta considerando o fato de que elas trabalham sentadas. Entretanto, a maior reclamação feita foi em relação a alimentação, algo que era descontado do salário dos colaboradores, muitos afirmavam que a comida não era apenas ruim, mas que fazia mal, além do fato de que os colaboradores que eram liberados para almoçar mais tarde comiam apenas os restos que sobraram. Nesse sentido, nos perguntamos: até quando certos benefícios são realmente importantes? As gerencias reclamavam que alguns colaboradores não eram compreensivos com a situação do hospital, mas eles enxergam esses colaboradores?&nbsp;</div><div>Percebemos que os benefícios oferecidos pela empresa apesar de serem apresentados como vantajosos para os colaboradores, visam o lucro e o bem-estar de quem está nos cargos de poder e o que os colaboradores realmente precisam não são ofertados. A valorização que é tão dita e a motivação que eles tanto desejam para quem está trabalhando no hospital só vai ser alcançada quando os colaboradores forem genuinamente vistos por completo.</div><div>Uma outra questão que atravessou diretamente, por não ter sido algo que esperamos, se relaciona as chances de trabalho relatadas dentro da instituição. Nas dinâmicas em grupo um dos pontos negativos ditos pelos colaboradores foi a falta de oportunidades interna. E quando uma empresa valoriza tanto o externo e esquece dos seu?</div><div>Essa questão pode ser examinada criticamente em relação ao sistema econômico predominante, o capitalismo. O capitalismo é conhecido por sua ênfase na busca pelo lucro e pela competição, e muitas vezes coloca os interesses financeiros acima das necessidades e aspirações individuais dos trabalhadores. Uma empresa que não oferece oportunidades internas limita o crescimento profissional de seus colaboradores, restringindo suas chances de avançar na carreira dentro da organização. Isso cria uma dinâmica desfavorável, onde os funcionários podem sentir que estão presos em suas posições, incapazes de alcançar seu pleno potencial e desenvolver suas habilidades. A falta de oportunidades de promoção interna também pode levar à desmotivação, frustração e falta de engajamento entre os colaboradores. No contexto do capitalismo, a ausência de oportunidades internas pode ser interpretada como um reflexo da lógica capitalista de maximização do lucro. Para algumas empresas, é mais lucrativo contratar pessoas externas para posições mais altas, em vez de promover internamente. Essa abordagem pode ser atribuída à crença de que recrutar talentos de fora traz novas perspectivas e habilidades específicas, e pode ser mais eficiente em termos de custos, uma vez que o salário inicial de um novo contratado pode ser menor do que o de um funcionário atual que avançou na hierarquia.</div><div>Por fim, deixamos claro que não podemos reduzir a realidade do HHCL a somente esta busca incessante por lucro e pelo próprio bem-estar, sem levar em conta os colaboradores, pelo contrário. O hospital também conta com práticas humanizadas, e o fato de desenvolverem um projeto de pesquisa de clima, indica que eles vem querendo melhorar em vários aspectos. Porém, para finalizar, trazemos uma importante reflexão feita for Fela Moscovici (2001), quanto valem as pessoas? Um colaborador que não é enxergado como parte pertencente da empresa dificilmente “vestirá a camisa” e sem dúvidas benefícios, como uma caixa de chocolate por não receber advertências (muitas vezes injustas, como relatado pelos colaboradores), não servirão de nada.</div><div>&nbsp;</div><div><strong>Referências bibliográficas</strong>:&nbsp;</div><div>Moscovici, Fela. (1993). Renascença Organizacional: A revalorização do homem frente à tecnologia para o sucesso da nova empresa. Rio de Janeiro: José Olympio.</div><div>Moscovici, Fela. (2001). A organização por trás do espelho: Reflexos e reflexões: Reflexos e reflexões. Rio de Janeiro: José Olympio.</div><div>&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-30 13:34:18 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato Atenção Primária </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Na atenção primária, sobretudo na realização das visitas domiciliares, tal como trazido no texto “Ser Afetado”, é preciso mais do que se colocar no lugar do outro, é preciso caminhar juntos, escutar e acolher as demandas que aparecem. A autora Jeanne Favret-Saada traz: “é justamente porque não se está no lugar do outro que se tenta representar ou imaginar o que seria estar lá, e quais “sensações, percepções e pensamentos” ter-se-ia então. Ora, eu estava justamente no lugar do nativo, agitada pelas “sensações, percepções e pelos pensamentos” de quem ocupa um lugar no sistema da feitiçaria.”, e foi um pouco disso que sentimos, ao estarmos no território deles, na residência deles, imersos nas suas realidades.<br><br></div><div>Grupo: Amanda Dada, Antônio Eduardo, Guilherme Alves e Ilka Peltier.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-30 19:23:24 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato de Atenção Secundária - Ambulatório de Epilepsia</title>
         <author>aresprospbcn0120</author>
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         <description><![CDATA[<div>Decidimos trazer esse TED TALKS que traz um relato emocionante: Por que falo sobre viver com Epilepsia - Sitawa Wafula: https://www.youtube.com/watch?v=_B1JmOerYmY<br><br><strong>Epilepsia, Desemprego e Capacitismo</strong></div><div><br></div><div><strong>Docente</strong>: Veridiana Machado</div><div><br></div><div><strong>Discentes</strong>: Ana Luisa Bomfim, Anna Carolina Veiga, Antônio Victor Weber, Arestides Próspero, Jamile Brito e Yasmin Yamashita.</div><div><br></div><div>A partir da nossa experiência grupal no internato de Atenção Secundária à Saúde no Ambulatório de Epilepsia da Bahiana, escolhemos refletir sobre um tema que foi latente em praticamente todos os atendimentos que realizamos: o desemprego e suas consequências biopsicossociais.</div><div><br></div><div>O Ambulatório de Epilepsia faz parte do Ambulatório Docente-Assistencial (ADAB) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e atende pessoas com epilepsia que precisam de acompanhamento/controle da doença e requerem suporte multidisciplinar ou são casos de difícil controle. Os públicos focais do ambulatório são adolescentes, adultos e idosos e o atendimento é feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no campus Brotas.</div><div><br></div><div>A epilepsia é uma doença neurológica crônica na qual ocorre um excesso de atividade elétrica em determinada região do cérebro (ou todo ele) provocando crises epilépticas. Apesar de não haver cura, existe tratamento e os pacientes conseguem viver bem se a doença estiver controlada.</div><div><br></div><div>O capacitismo é um fenômeno social que diz respeito à dinâmica e estruturação da descriminação e preconceito às pessoas com deficiência física, sensorial e intelectual, de forma a fazerem parecer ‘‘normais’’ ou ‘‘naturais’’ determinadas formas de corporeidade em detrimento de outras. Entendemos que é possível estender esse conceito para abarcar a&nbsp; exclusão e preconceito que pessoas com doenças crônicas, como a epilepsia, sofrem.</div><div><br></div><div>Nos atendimentos psicológicos que fizemos ao longo do internato, sob supervisão da professora Josiane Lopes, era frequente escutarmos os pacientes relatarem o sofrimento relacionado ao desemprego, à dificuldade de serem inseridos no mercado de trabalho formal, e como isso impactava a autoestima e até a construção da própria identidade social, visto que o trabalho é um elemento central na relação entre indivíduo e sociedade, e relaciona-se com a autonomia e integração social.&nbsp;</div><div><br></div><div>O estigma que a epilepsia carrega socialmente e os preconceitos que a população epiléptica precisa lidar em todos os espaços sociais, incluindo ambiente de trabalho e dentro da própria família, podem trazer consequências mais graves para a qualidade de vida do sujeito do que a ocorrência das crises epilépticas em si.</div><div>&nbsp;</div><div>Algumas ocupações são contra indicadas para pessoas com epilepsia, como, por exemplo, motorista profissional, trabalho em alturas, trabalhos em forno ou com fogo aberto, trabalhos que envolvam serra, prensas e instrumentos cortantes, dentre outros. Algumas atividades do dia a dia também devem ser evitadas para a própria segurança da pessoa quando as crises não estiverem controladas (como andar de bicicleta, cavalo, dirigir, etc.), mas levando-se em consideração o tipo de epilepsia e a adesão ao tratamento, muitos são capazes de exercer inúmeros cargos dentro do mercado de trabalho e podem viver com qualidade de vida.&nbsp;</div><div><br></div><div>Entretanto, evidenciamos uma consideração feita por Judith Butler sobre a ideia de uma fixidez do corpo na materialidade. Para ela, isso se constitui como realidade desde que a materialidade seja considerada como efeito do poder, pois os corpos são atravessados por discursividades históricas que são efeitos do poder. Portanto, há uma corponormatividade capacitista expressa nos discursos que regulam os corpos ao impor UM corpo como o natural, eficiente e moralmente correto, em detrimento dos corpos de Outrem. Nesse sentido, para José Gil (2000), a <em>‘‘monstrificação’’ </em>do Outro institui um ideal de normalidade e inteligibilidade baseada na noção contrária: o diferente, aberrante, anómalo, feio e caótico. Assim, a regulação dos corpos ocorre também no mundo do trabalho regido pelo Capitalismo, que, de acordo com critérios necropolíticos, selecionam quais existências são mais úteis à manutenção do sistema, e quais são inúteis e destinadas à morte. Nesse contexto, a corporeidade epiléptica atravessada por suas especificidades, dada a condição <em>‘‘monstruosa’’ </em>de sua crise que contrasta com a corponorma, é excluída do conjunto de categorias de inteligibilidade, normalidade e eficiência capitalista.</div><div><br></div><div>Vivemos em um mundo binário e excludente, no qual a visão biomédica é hegemônica. Este modelo entende que a deficiência é reguladora de uma desvantagem e um corpo com deficiência é incapaz, ou menos capaz, do que um corpo sem deficiência. Eles seriam, portanto, corpos abjetos, dos quais é retirada a humanidade. São, pois, excluídos socialmente, sendo uma forma de controle. A teoria Crip, proposta por Robert McRuer (2006) a partir dos pressupostos da teoria Queer, busca romper com os binarismos, considerando-os não-naturais, e traz visibilidade às identidades dissidentes, que não se encaixam nos padrões propagados pelas ideologias hegemônicas, como a heteronormatividade, a cisgeneridade e a corponormatividade. Esta teoria não nega o peso do ambiente no estabelecimento da lesão/deficiência, mas propõe que elas (lesão e deficiência) são sociais, pois é impossível compreender a deficiência separada dos significados socialmente atribuídos a ela.</div><div>&nbsp;</div><div>Por preconceito e por ignorância em relação aos diferentes tipos de epilepsia e das condições que influenciam no controle das crises, o mercado de trabalho formal dificilmente contrata pessoas com epilepsia, levando-as ao mercado informal e aos subempregos, ou à omissão da doença como única possibilidade de concorrer a empregos formais. Quando conseguem emprego, são expostas a situações de humilhação e assédio, expostas a reações que variam da pena à perseguição, ou logo são afastados diante de qualquer manifestação da doença no ambiente de trabalho.</div><div><br></div><div>Sabemos que o trabalho ocupa um lugar estruturante na vida das pessoas, além do seu papel de extrema significância em uma sociedade regida pelo desempenho e pela produção, agregando inclusive uma identidade profissional a partir da função exercida e do seu local de trabalho, fazendo-o se sentir reconhecido e pertencente a um grupo social importante. A exclusão dessas pessoas dos trabalhos formais e das ocupações socialmente valorizadas traz uma camada muito sensível de sofrimento a esses pacientes. Eles se vêem excluídos da dinâmica social, sem possibilidade de autonomia financeira, sem reconhecimento do seu valor enquanto sujeitos, e tomados por uma sensação de invalidez, de incompetência social, por serem vistos como incapazes de exercer funções laborais.&nbsp;</div><div><br></div><div>A partir dos relatos dos pacientes atendidos, dos textos estudados sobre epilepsia e trabalho enquanto estávamos no ambulatório e dos artigos pesquisados sobre capacitismo e as teorias Queer e Crip, ficou evidente que a dinâmica capitalista do mercado molda e estrutura o capacitismo no mundo do trabalho, reforçando os estigmas e a exclusão social sobre as pessoas portadoras de doenças crônicas na nossa sociedade.</div><div><br></div><div><strong>Referências Bibliográficas:</strong></div><div><br></div><div>Salgado, P. C. B. &amp; Souza, E. A. P. (2002). Impacto da epilepsia no trabalho. <em>Arq. de Neuropsiquiatria</em>, 60(2), 442-5. <a href="https://doi.org/10.1590/S0004-282X2002000300019">https://doi.org/10.1590/S0004-282X2002000300019</a></div><div><br></div><div>Magnabosco, M. B. &amp; Souza, L. L. (2019). Aproximações possíveis entre os estudos da deficiência e as teorias feministas e de gênero. <em>Revista de Estudos Feministas</em>, 27(2), 1-11. DOI: <a href="https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n256147">https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n256147</a></div><div><br></div><div>Amato, B., Carvalho, L. F. &amp; Gesser, M. (2022). As teorias queer e crip no rompimento das epistemologias hegemônicas da psicologia. <em>Revista Interamericana de Psicología</em>, 56(3), 1-20. <a href="https://doi.org/10.30849/ripijp.v56i3.1714">https://doi.org/10.30849/ripijp.v56i3.1714</a></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-31 01:27:45 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato Atenção Primária CCVP</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2609796411</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>GRUPO: Ana Emília, Beatriz Alves, Júlia Lago e Isabella Moreno</strong><br><br>O internato no Complexo Comunitário Vida Plena nos fez entrar em contato com novas realidades, nos fazendo pensar e repensar o nosso lugar como estudantes de Psicologia. Estar em campo atuando como profissionais, nos desloca muitas vezes para uma posição de suposto saber, de domínio teórico para aplicar nos casos em prática. Contudo, quando estamos em campo, percebemos que devemos na verdade <strong>trabalhar para afetar e sermos afetados</strong>. Caminhando em direção à <strong>uma clínica psicológica que escute inclusive as subjetividades periféricas</strong>, as histórias de vida daqueles que estão afastados dos diversos centros.</div><div><br></div><div>O Complexo Comunitário Vida Plena fica localizado na comunidade periférica de Pau da Lima, uma comunidade afastada de diversos centros, marcada por relações de precarização, exclusão e opressão, assim como visto no texto "As Subjetividades Periféricas e os Impasses para a Descolonização da Clínica Psicológica".&nbsp;</div><div><br></div><div>Nos relatos dos clientes atendidos no CCVP percebe-se a <strong>repetição de temas como a violência do território, dificuldade de garantir direitos trabalhistas, nível escolar incompleto, desemprego, situação de vulnerabilidade social, temas esses que se somam às questões pessoais</strong>, sejam relacionais, de luto, violência domiciliar ou psicopatologias, em um entrelaçamento de diversas questões intrínsecas e extrínsecas aos sujeitos.&nbsp;</div><div><br></div><div>Diante disso, a prática clínica no CCVP se relaciona muito com o artigo "As Subjetividades Periféricas e os Impasses para a Descolonização da Clínica Psicológica" que questiona se pode a clínica psicológica escutar as subjetividades periféricas. Em resposta é citado no texto a frase do pensador brasileiro Frei Betto (2015) “A cabeça pensa onde os pés pisam . . . onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias” (par. 3). Com base nisso, na prática, percebemos que, sim, é possível escutar as subjetividades periféricas. Inclusive, observamos a grandiosa potencialidade da clínica do Complexo Comunitário Vida Plena, tendo em vista que, por ser localizado em território periférico, ela permite a imersão dos psicólogos naquele ambiente, estando em contato direto e sendo afetado pela cultura e pela história da comunidade atendida. Somado a isso, o atendimento da clínica também faz articulações de cuidado com os demais serviços ofertados pelo CCVP, oferecendo acesso do indivíduo e de sua família, à serviços integrais de saúde que cuidam do indivíduo em suas diversas necessidades considerando suas <strong>dimensões biopsicossociais</strong>.&nbsp;</div><div><br></div><div>A música a seguir, <strong>"Comida", da banda Titãs</strong>, nos faz refletir sobre a nossa experiência no CCVP. A música fala sobre a necessidade dos indivíduos que vão muito além daquilo que é considerado básico, assim faz um grito de socorro afirmando "a gente não quer só comida".</div><div><br></div><div>Relacionando com os relatos da comunidade de Pau da Lima, percebe-se que<strong> apenas o básico não garante saúde, uma vez que os seres humanos devem ser compreendidos como indivíduos multidimensionais, existindo e funcionando em vários níveis</strong>: Físico, mental, emocional e social. Assim, ao estarmos imersas na comunidade de Pau da Lima e atuando clinicamente com os indivíduos de lá, passamos a observar na prática, através de seus relatos, como as pessoas são atravessadas por uma <strong>interseccionalidade </strong>(Crenshaw (2002), Akotirene (2019), Collins e Bilge (2020)) de fatores histórico-sociais, reunindo aspectos de raça, classe, gênero, sexualidade, deficiência, nacionalidade, entre outros,&nbsp; que atingem direta ou indiretamente em seu bem-estar e saúde mental. <br><br>Foi importante para nossa atuação no território entendermos que esses <strong>diversos determinantes sociais</strong>, influenciam a saúde das populações, tanto do ponto de vista do indivíduo, quanto da coletividade na qual ele se insere. Pudemos ver de perto o nível de sofrimento de pessoas que não são assistidas sequer com o básico para a dignidade humana e que se veem, muitas vezes, a mercê de ações de redes de proteção social como o CCVP. Nesse sentido, considerando os fatores de risco relacionados à dificuldade de acesso aos serviços de saúde, condições precárias de moradia dos bairros marginalizados e a violência, <strong>&nbsp;o projeto do CCVP atua como uma ferramenta de proteção à saúde física e mental </strong>em meio a comunidade de Pau da Lima e redondezas.&nbsp;</div><div><br><br></div><div>Trecho da música "Comida"- Titãs</div><div><br></div><div>Bebida é água<br>Comida é pasto<br>Você tem sede de quê?<br>Você tem fome de quê?</div><div><br></div><div>A gente não quer só comida<br>A gente quer comida, diversão e arte<br>A gente não quer só comida<br>A gente quer saída para qualquer parte<br>A gente não quer só comida<br>A gente quer bebida, diversão, balé<br>A gente não quer só comida<br>A gente quer a vida como a vida quer</div><div><br></div><div>Bebida é água<br>Comida é pasto<br>Você tem sede de quê?<br>Você tem fome de quê?</div><div><br></div><div>A gente não quer só comer<br>A gente quer comer e quer fazer amor<br>A gente não quer só comer<br>A gente quer prazer pra aliviar a dor<br>A gente não quer só dinheiro<br>A gente quer dinheiro e felicidade<br>A gente não quer só dinheiro<br>A gente quer inteiro e não pela metade&nbsp;</div><div><br><br></div><div>Referências:</div><div>Miranda, D. W., &amp; Félix-Silva, A. V.. (2022). As Subjetividades Periféricas e os Impasses para a Descolonização da Clínica Psicológica. <em>Psicologia: Ciência E Profissão</em>, <em>42</em>(spe), e264143. <a href="https://doi.org/10.1590/1982-3703003264143">https://doi.org/10.1590/1982-3703003264143<br></a><br></div><div><br></div><div>Siqueira, P., &amp; Favret-Saada, J. (2005). “Ser afetado”, de Jeanne Favret-Saada. <em>Cadernos De Campo (São Paulo - 1991), 13(13), 155-161. </em>https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v13i13p155-161</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-31 01:34:27 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Escrevivência - Internato de Atenção Terciária </title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2609854934</link>
         <description><![CDATA[<div>A nossa experiência se passa no Hospital Humberto Castro Lima, localizado no bairro do Canela em Salvador, referência e especialização em oftalmologia. O internato se passou na atenção terciária, focada no conjunto de terapias e procedimentos de elevada especialização, onde se prestava um acompanhamento de escuta terapêutica e profilaxia para o paciente e seu acompanhante. Durante todo o nosso processo, fomos assistidos e supervisionados pela Prof. Ivana Guerra e pela psicóloga do hospital Beatriz Inarê. O HHCL, se caracteriza como um hospital escola,&nbsp; apresentando 5 andares que acabam se dividindo entre o atendimento por convênio e o SUS.&nbsp; Ao nos depararmos com os ambientes, percebemos as dicotomias existentes em cada andar, as questões socioeconômicas presentes e estruturadas no hospital, e os olhares para conosco. A psicologia hospitalar se faz necessário para este ambientes, pois traz a transdisciplinaridade na saúde (“mente sã corpo são”), ou seja, o paciente precisa ser visto como ser e não apenas paciente.</div><div><br></div><div>Os principais tópicos que nos chamaram atenção dentro do ambiente hospitalar foram as questões sociais, envolvendo as diferenças entre a ala particular/convênio e a ala SUS, onde as fotos tiradas retratam a desigualdade presente no local. Além disso, a maioria dos pacientes não tinham acesso à psicologia, muitas vezes sem saber o que ela é / o que representa, além de terem dificuldade de se locomover até o hospital, por serem do interior.</div><div>Como é relatado no texto “Ser afetado” de Jeanne Favret-Saada, precisamos nos permitir ser tocados e afetados pela experiência, escutando o outro. Através dessa experiência, nos percebemos sendo tocados e nos questionando acerca da realidade presente no hospital.&nbsp; “Como se vê, quando um etnógrafo aceita ser afetado, isso não implica identificar-se com o ponto de vista nativo, nem aproveitar-se da experiência de campo para exercitar seu narcisismo. Aceitar ser afetado supõe, todavia, que se assuma o risco de ver seu projeto de conhecimento se desfazer.”&nbsp;</div><div><br>Outro ponto que nos chamou a atenção foi o papel de cuidadoras em que as mulheres se encontram, visto que a grande maioria das acompanhantes dos pacientes são mulheres (mães, filhas, sobrinhas, noras) que possuem outras responsabilidades para além do paciente, com filhos e outros familiares dependentes delas, deixando de lado assim suas próprias necessidades, muitas vezes vendo isso como algo normalizado e deixando de lado as suas próprias vontades e anulando a si própria, esquecendo-se de cuidar/olhar para si. Como é relatado no texto “Mulheres cuidadoras em ambiente familiar: a internalização da ética do cuidado”, “historicamente, através da educação, a sociedade introjetou e naturalizou as formas adequadas para cada gênero agir socialmente”. Diante disso, as mulheres assumiram historicamente o papel de cuidadoras, assumindo o ato de cuidar do outro como uma concretização das suas próprias necessidades, questões estas que precisam ser revistas, para que não sejam naturalizadas e normalizadas.&nbsp;<br><br></div><div>Andressa Lopes, Ciro Santos, Giovanna Scardua e Isabella Cordeiro.&nbsp;<br><br></div><div>Referências:</div><div><a href="https://www.saude.mg.gov.br/sus#:~:text=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Terci%C3%A1ria%20ou%20alta,e%20procedimentos%20de%20elevada%20especializa%C3%A7%C3%A3o">https://www.saude.mg.gov.br/sus#:~:text=A%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Terci%C3%A1ria%20ou%20alta,e%20procedimentos%20de%20elevada%20especializa%C3%A7%C3%A3o</a>.&nbsp;</div><div><br></div><div><a href="https://www.scielo.br/j/cadsc/a/Rj7CcQFNbJHCTFpwWGrnppp/?format=pdf&amp;lang=pt">https://www.scielo.br/j/cadsc/a/Rj7CcQFNbJHCTFpwWGrnppp/?format=pdf&amp;lang=pt</a></div><div><br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-31 02:20:08 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato de Atenção Secundária - Ambulatório de Estomatologia (Centro Odontológico)</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div><strong>Discentes: Ana Beatriz Fontes, Anna Luisa Dias, Giulia Aragão e Luísa Mota.</strong></div><div><br><br></div><div>A partir da nossa vivência no rodízio do Internato em Atenção Secundária à Saúde, no Ambulatório de Estomatologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, foi possível refletirmos, enquanto grupo, temáticas que nos afetaram e nos mobilizaram ao longo de toda a nossa prática, relacionadas a ligação entre a dor crônica, o enfrentamento do adoecer, e seus impactos na qualidade de vida dos pacientes.&nbsp;</div><div><br></div><div>O Ambulatório de Estomatologia faz parte do Centro Odontológico Docente-Assistencial da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e oferta dois serviços: o atendimento odontológico e o psicológico aos usuários. O público alvo do ambulatório são adultos e idosos, ainda que, em casos excepcionais, crianças também possam vir a ser atendidas. Além disso, o atendimento é feito pelo SUS no Cabula.</div><div><br></div><div>Estomatologia é uma especialidade da odontologia que tem como finalidade prevenir, diagnosticar e tratar doenças que se manifestam na cavidade da boca e no complexo maxilomandibular. No ambulatório, nosso contato se deu principalmente com pacientes que apresentavam lesões bucais, necroses decorrentes de tratamento com radioterapia, disfunção temporomandibular, dor orofacial, e câncer de boca.&nbsp;</div><div><br></div><div>Uma das queixas mais comuns entre os pacientes era o impacto da dor durante a rotina no dia a dia, além do incômodo com a perspectiva de conviver com a cronicidade e, consequentemente, com a aceitação da possibilidade de talvez não conseguirem se ver totalmente livres da dor que agora possuem. Durante nossas discussões em grupo, percebemos três aspectos em comum que atravessaram o nosso olhar ao longo da nossa experiência: os impactos na autoestima dos sujeitos, os empecilhos no alívio da dor por limitações socioeconômicas, e a falta de rede de apoio.&nbsp;</div><div><br></div><div>Além de serem afetados pelas limitações físicas que o convívio com a dor crônica acarreta, os pacientes relataram impactos significativos na autoimagem e consequente autoestima decorrentes do luto do corpo “saudável” e sem dor, além da dificuldade em aderir ao tratamento e seguir os protocolos propostos pelos profissionais em determinados casos, por causa do contexto em que estão inseridos, ou pela falta de rede de apoio fortalecida para auxiliar no tratamento.</div><div><br></div><div>Dessa forma, foi possível perceber que a percepção da dor, assim como o desencadeamento de crises de dor intensa, demonstraram estar intimamente relacionados à presença, ou não, de gatilhos estressores na vida dos sujeitos portadores da dor crônica, em especial em condições excludentes. A impossibilidade de descanso pela carga horária intensa de trabalho, a dificuldade na compra de determinados medicamentos para o alívio da dor, a sobrecarga na execução de funções em casa, além da ausência de suporte familiar no tratamento, por exemplo, configuraram-se como gatilhos no aumento da manifestação da dor nos pacientes do ambulatório.&nbsp;</div><div><br></div><div>Consequentemente, para a realização de uma análise responsável e coerente do quadro de dor apresentado pelos pacientes, percebemos que era imprescindível relacionar a sua sensibilidade e percepção das dores ao contexto de vida na qual encontravam-se inseridos. Nas crises dolorosas, por exemplo, as situações de estigma associado às complicações do adoecimento crônico podem resultar em barreiras no cuidado à pessoa com dor e promover a passividade e a invisibilidade. Tudo isso contribui para que, muitas vezes, o sofrimento seja negligenciado pela família ou pelo meio social.&nbsp;</div><div><br></div><div>Segundo o antropólogo Erving Goffman, o estigma diz respeito a uma marca ou atributo pessoal utilizado para classificar e desvalorizar um indivíduo que possui determinada característica avaliada como “anormal” e “desviante” da norma social. Nesse sentido, há a existência de uma identidade deteriorada e é estabelecida a diferença entre a identidade social virtual (o que se espera que uma pessoa deva ser) e a identidade social real (pautada nos atributos que a pessoa possui no momento). Aqueles possuidores de atributos considerados positivos são encaixados na categoria de “normais”, e aqueles vinculados aos atributos tidos como negativos enquadram-se na categoria de “estigmatizados”. Trata-se de processos de interação que desqualificam o sujeito e tendem a deixá-lo sentindo-se culpado, além de suscitar discriminações e exclusão social. Ao relacionarmos esse conceito com o adoecimento, o estigma diz respeito a uma forma particular de desvalorização, julgamento ou desqualificação social dos indivíduos com base em uma condição de saúde-doença, ampliando a banalização da dor, além do peso da doença sobre os adoecidos.</div><div><br></div><div>Portanto, através da prática do internato no ambulatório de Estomatologia, tivemos contato com diferentes diagnósticos com impactos que vão além da saúde bucal dos pacientes, sendo fundamental que os profissionais não analisem apenas a doença ou o transtorno mental, mas todos os atravessamentos que interferem no bem-estar. É essencial que haja uma escuta qualificada e o vínculo, que são bases para todo processo terapêutico. As técnicas utilizadas foram fundamentais no nosso trabalho, mas elas não seriam suficientes sem a escuta e o acolhimento. Destarte, é imprescindível que a pessoa seja compreendida e tenha as suas emoções validadas sem julgamento.&nbsp;</div><div><br></div><div>O processo de diagnóstico e convívio com a dor crônica tem impactos na qualidade de vida, no bem-estar e na autoestima dos pacientes, podendo gerar estresse, ansiedade e alterações no humor. É importante envolver os pacientes e suas famílias no planejamento do tratamento, considerando suas necessidades individuais e as circunstâncias socioeconômicas. A educação sobre o autocuidado e a adesão ao tratamento também desempenham um papel crucial na melhoria da qualidade de vida dos pacientes com dor crônica.</div><div><br></div><div><strong>Fontes Bibliográficas:</strong></div><div><br></div><div>Siqueira, P., &amp; Favret-Saada, J. (2005). “Ser afetado”, de Jeanne Favret-Saada. Cadernos De Campo (São Paulo - 1991), 13(13), 155-161. <a href="https://padlet.com/redirect?url=https%3A%2F%2Fdoi.org%2F10.11606%2Fissn.2316-9133.v13i13p155-161">https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v13i13p155-161</a><br><br></div><div>Silva, L. M. &amp; Rieger, R. V. (2008). Dor crônica e as implicações psiconeuroimunológicas decorrentes do estresse: uma revisão teórica. Revista Aletheia 28:11-20.</div><div>Salvetti, M. de G., &amp; Pimenta, C. A. de M.. (2007). Dor crônica e a crença de auto-eficácia. Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 41(Rev. esc. enferm. USP, 2007 41(1)), 135–140. <a href="https://doi.org/10.1590/S0080-62342007000100018">https://doi.org/10.1590/S0080-62342007000100018</a></div><div><br></div><div>Rocha, P. (2019). Pacientes com Neuralgia do Trigêmeo e sua relação com a dor. Repositório Da Universidade Federal De Santa Maria. <a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/20008">https://repositorio.ufsm.br/handle/1/20008</a></div><div>O CONCEITO DE ESTIGMA DE GOFFMAN APLICADO À VELHICE. International Journal of Developmental and Educational Psychology, núm. 2, pp. 21-32, 2018<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-31 05:00:29 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência internato POT</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Discentes: Ana Clara Mascarenhas, Letícia Rebello e Thiffany Telles<br><br>O racismo estrutural é uma forma de discriminação racial que vai além das atitudes e ações individuais de pessoas preconceituosas. Ele se refere a um conjunto de sistemas, políticas, práticas e normas sociais que perpetuam a desigualdade e a opressão racial de forma sistemática e institucionalizada. <br>Ao contrário do racismo individual, em que os atos discriminatórios são cometidos por indivíduos específicos, o racismo estrutural está embutido nas estruturas sociais, políticas e econômicas da sociedade. Esse racismo está enraizado em instituições como governos, escolas, empresas, sistema jurídico e mídia, influenciando o acesso a oportunidades, recursos e poder de diferentes grupos raciais. Além de se manifestar em disparidades socioeconômicas, como diferenças de renda, desemprego, acesso limitado a serviços básicos de qualidade, discriminação policial, desigualdades no sistema de justiça criminal, etc.<br>Uma das características fundamentais do racismo estrutural é a sua perpetuação ao longo do tempo, mesmo quando indivíduos racistas não estão mais presentes. As estruturas e sistemas injustos criados no passado continuam a moldar a sociedade atual, resultando em desvantagens sistemáticas para grupos raciais minoritários. Assim, combater o racismo estrutural requer um esforço coletivo para mudar as estruturas e normas que o sustentam há séculos.<br>O racismo estrutural em empresas refere-se a práticas, políticas e sistemas institucionais que perpetuam a desigualdade racial dentro de uma organização. Essas estruturas podem estar presentes em diversos aspectos do ambiente corporativo, desde a contratação e promoção até o tratamento no local de trabalho e o acesso a oportunidades de desenvolvimento profissional.<br>Uma das principais manifestações do racismo estrutural nas empresas é a disparidade na contratação e promoção de funcionários de diferentes origens raciais. Além disso, mesmo quando os candidatos negros ou de outras minorias são contratados, eles tendem a enfrentar obstáculos adicionais para avançar em suas carreiras.<br>Outra forma de racismo estrutural é a falta de representatividade nas posições de liderança e tomada de decisão. A presença limitada de pessoas negras e de outras minorias étnicas em cargos de alto escalão contribui para a perpetuação de desigualdades, pois a diversidade de perspectivas e experiências fica comprometida. Isso pode levar a políticas e práticas discriminatórias, além de criar um ambiente de trabalho onde as vozes e contribuições das pessoas não-brancas são menos valorizadas.<br>Durante o rodízio do internato de Psicologia no Trabalho e nas Organizações no Hospital Humberto Castro Lima, foi possível identificar essa desigualdade racial principalmente quando olhávamos para a porcentagem de pessoas negras ocupando cada cargo. Tínhamos como objetivo a iniciação de uma pesquisa de clima organizacional, e como passo inicial, apresentamos a proposta para os gerentes e líderes de cada setor por meio de entrevistas e oficinas.<br>No livro Pele Negra, Máscaras Brancas o autor fala sobre a incoerência do discurso que busca diferenciar o racismo em diferentes épocas e lugares, uma vez que todo racismo tem o objetivo de promover a exclusão social na população negra, seja ela no período colonialista ou hoje, onde a lógica escravocrata é mantida a partir de mecanismos racistas do capitalismo.<br>Durante essa etapa inicial, foi possível observar que a maior parte das pessoas que ocupam esses cargos mais altos, e consequentemente, que têm mais voz na empresa e maior poder de decisão, são pessoas brancas. Ao aplicar a pesquisa PULSE para esse público, as respostas sobre sentir-se escutado dentro da empresa, o nível de motivação para trabalhar e se indicaria a empresa para um familiar trabalhar, eram em sua maioria altas.<br>segunda parte da pesquisa foi o processo de sensibilização e explicação da pesquisa para os demais colaboradores. Esses, ocupavam cargos como maqueiro, rouparia, copa, recepcionista, entre outros, não ocupavam posição de liderança em nenhum desses setores, e foi possível observar que eram, em sua maioria, pessoas não-brancas. Ao aplicar a pesquisa PULSE para esse público, as respostas sobre sentir-se escutado dentro da empresa, o nível de motivação para trabalhar e se indicaria a empresa para um familiar trabalhar, eram consideravelmente mais baixas do que para o público anterior, transparecendo, assim, como pessoas de cargos mais baixos, que na maioria das vezes são negras, não se sentem ouvidas e valorizadas dentro do seu ambiente de trabalho.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-05-31 11:24:38 UTC</pubDate>
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         <title>Escrevivência - Internato de Atenção Terciária (CTD)</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/veridianasmachado/4swjq527nn3d8dnt/wish/2613265260</link>
         <description><![CDATA[<div>Discente: Bruno Dantas de Castro<br>A partir da minha experiencia no internato na Clínica de Terapia da Dor (CTD), pude perceber o enorme impacto que essa doença crônica tem na vida dos pacientes, além do impacto do estilo de vida pessoal na dor crônica. Por ser uma condição de saúde de natureza crônica, foi possível acompanhar alguns pacientes durante as semanas que minha turma permaneceu lá. Dessa forma, pude perceber o grande impacto que o emocional dos pacientes tem na dor.<br>Pacientes de dor crônica, de forma geral, tem um estilo de vida que gera mais estresse, pois é esperado pela sociedade capitalista que essas pessoas produzam e lidem com o adverso na mesma produtividade e tempo que pessoas que não vivem com essa condição. Isso se torna insustentável, devido ao efeito da dor como estressor na rotina e, especificamente aos pacientes da CTD, à necessidade de tratamento de acupuntura e bloqueio (local e venoso), que causa relaxamento, podendo afetar a consciência dos indivíduos.<br>Quando isso é aliado, no entanto, ao fato de que o emocional dos pacientes influencia diretamente no tratamento, fica perceptível o ciclo vicioso que pode ser criado entre a piora da doença e o estilo de vida estressor. Um exemplo de doença em que aparece esse impacto é a fibromialgia, que não tem causa conhecida, mas está diretamente associada com níveis de serotonina baixos, tensão e estresse. Além disso, a fibromialgia é impactada e impacta o sono e a memória, gerando ainda mais dificuldades para a vida do paciente.<br>Nosso papel como psicólogos em lugares que façam tratamento de dores crônicas é buscar aliviar a dor psíquica desses pacientes através do acolhimento e de intervenções pontuais relacionadas à dor crônica. Em muitos casos, o psicólogo pode sentir necessidade de encaminhar o paciente para a psicoterapia, mas é importante ter em mente que a decisão sempre será do paciente e cabe ao psicólogo hospitalar prestar assistência com maior foco no que afeta o paciente em relação à sua condição.</div>]]></description>
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         <pubDate>2023-06-02 21:33:20 UTC</pubDate>
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