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      <title>Diário de Aula  by Larissa Oliveira</title>
      <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz</link>
      <description>Sejam bem-vindos ao meu diário de aula. Pretendo que esse seja um espaço livre para que eu possa colocar todas as ideias que vão surgindo na minha mente e sendo despertadas através das leituras, materiais disponibilizados e das aulas. Espero poder compartilhar um pouco das minhas impressões com vocês.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-09-09 23:42:11 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2024-06-02 17:08:22 UTC</lastBuildDate>
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         <title>BLOCO 3 (Memória e História)</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
         <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz/wish/1729407221</link>
         <description><![CDATA[<div>Ao assistir a aula de hoje duas questões me vieram à mente e acredito que seja necessário compartilhá-las aqui:</div><div><br></div><ol><li>No momento em que estávamos assistindo ao documentário feito pela TVE um colega deixou um comentário que logo de cara me lembrou a uma conversa que tive ontem com uma amiga a respeito da atribuição de rótulos - e, consequentemente, a perpetuação dessa imagem na sociedade- que a sociedade costuma fazer em relação a certos grupos. Estávamos indignadas com a quantidade de pessoas que , após os lamentáveis protestos do dia 7 de setembro ditos a favor da ¨liberdade¨ (até agora me pergunto qual e para quem) realizado pelos apoiadores do (des)governante Jair Bolsonaro, estavam espalhando por aí a imagem de que os protestos de direita sempre são pacíficos, religiosos e organizados, enquanto os protestos de esquerda sempre são agressivos, violentos e acabam em baderna.&nbsp;</li></ol><div>Em primeiro lugar ficamos incomodadas por ver tamanha atitude maniqueísta e apelativa, onde, no imaginário da direita existem os mocinhos e os vilões, como se dentro de uma sociedade tão plural fosse possível adotar uma medida tão simplista de classificação dos indivíduos. Em segundo lugar passamos a nos questionar o quanto essa atribuição de uma imagem violenta à esquerda (e a todos os movimentos sociais que dela fazem parte) reflete a longa zona de conforto em que se encontram os grupos hegemônicos.</div><div>É muito fácil adotar uma postura polida e delicada quando já se tem todos os privilégios possíveis no colo e não há nada de urgente pelo que lutar. A direita ( e junto com ela toda a representação da burguesia e de uma cis-hétero-normatividade) se encontra na sua zona de conforto há um incontável tempo e nunca sentiram na pele a dor que é falar, falar, falar e não ser escutado. Sempre tiveram tudo aquilo que desejam com uma simples gesticulada, o que tornou com que seja tão possível clamar por mais privilégios de maneira tão ¨delicada¨, pois sempre tiveram voz e tiveram quem a ouvisse. Já, todos os indivíduos que são representados pelos movimentos sociais como feminista, negro, indígena, trans, etc, só conseguiram os direitos que têm hoje porque precisaram gritar - e muito- para serem ouvidos. Foi necessário fazer barulho, sacudir a sociedade para tirá-la do seu estado anestésico e obrigá-la a fazer algo. Foi necessário endurecer e ser forte para bater de frente com toda ignorância encontrada pelo caminho e é isso que faz com que esse rótulo seja atribuído.</div><div><br></div><div>O comentário do colega foi o seguinte:</div><div><br></div><div>¨Os caras (instituições dominantes) provocaram a violência por conta da desigualdade, mas até hoje preferem culpar as comunidades negras por isso¨.</div><div><br></div><div>E é exatamente isso. Toda e qualquer resistência é vista como violência, agressividade e baderna e ainda há uma perpetuação gigantesca dessa imagem, que é transmitida de geração para geração através de um pacto de ignorância. E esse pacto gera estigmas, preconceitos e, sobretudo, mortes.</div><div><br><br></div><ol><li>O segundo comentário é referente a minha história pessoal e o imaginário que vinha se instalando em mim desde pequena. Acredito que ninguém nasce preconceituoso, a gente aprende a sê-lo, e muitas vezes é através de discursos do senso comum que estão tão enraizados que nossos educadores nos transmitem sem questioná-los.&nbsp;</li></ol><div>Nunca fui muito ligada em religiões. Fui batizada quando pequena e influenciada a fazer catequese (o que eu detestava, por sinal) quando mais velha, porém nunca me identifiquei com o catolicismo. Talvez não tenha sido pelo catolicismo em si, mas sim pela maneira como ele me era passado. Cresci em um meio considerado católico, onde sempre pairou um preconceito muito forte com religiões de matriz africana, como o batuque, por exemplo. Sempre que se referiam ao batuque era como sendo uma religião inferior, que sacrificava animais e fazia ¨trabalho¨ para as outras pessoas. Confesso que isso sempre me deu medo e fez com que eu muitas vezes tremesse só de escutar o nome Umbanda. Lembro de uma vez que eu estava na rua e estava tendo alguma procissão e eu senti muito, mas muito medo. E todo esse medo sentido quando criança vez com que eu crescesse com um preconceito instalado dentro de mim. Eu costumava dizer ¨eu não gosto da umbanda¨, até o momento em que eu me dei conta ¨como posso dizer que não gosto de algo que eu nunca procurei saber mais sobre?¨. Hoje em dia me identifico com o espiritísmo, mas procuro me informar mais ao invés de crer tão cegamente em valores que me foram passados. Por exemplo, agora mesmo estava lendo sobre as diferenças entre o candomblé e a umbanda e encontrei pontos super interessantes nessas religiões (que até então eu imaginava que eram sinônimos), como por exemplo uma visão não maniqueísta do mundo entre bem e mal e a representação de divindades (os orixás) como seres que possuem tanto virtudes, quanto defeitos, no caso do candomblé, e um sincretismo religioso, absorvendo, inclusive, pontos da doutrina espírita no caso da umbanda.&nbsp;</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-09-09 23:54:31 UTC</pubDate>
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         <title>BLOCO 4 (Relações Raciais e Constituição Psíquica)</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
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         <description><![CDATA[<div>Ao assistir o TED Talk ¨Cor de pele de quem?¨ e toda a questão de representatividade que ele aborda, me lembrei de uma questão que emergiu atualmente nas redes sociais. A atriz Marina Ruy Barbosa compartilhou em seu instagram uma postagem onde uma criança ruiva aparecia abraçada junto a um anúncio com a imagem da atriz em um shopping ,com a seguinte legenda: ¨depois dizem que representatividade não é importante¨. Essa postagem repercutiu com muitos internautas criticando o comentário feito por Marina acerca da questão sobre a representatividade e serviu para uma discussão sobre os diferentes impactos que essa ideia causa no imaginário de pessoas de diferentes etnias. Será que o alívio sentido por uma criança ruiva ao se identificar com Marina é o mesmo alívio sentido por uma criança negra ao se comparar com uma figura como Iza, por exemplo?&nbsp; E essa pergunta nos leva de volta ao questionamento feito por Gladis Kaercher: ¨Cor de pele de quem ?¨.</div><div>Crianças brancas cresceram com o privilégio de ter a sua cor como reconhecida pelo mercado- que naturalizou o nome cor de pele para lápis de cor salmão-, pela mídia, pela literatura e através de desenhos infantis. Essas crianças cresceram confortáveis por estar num lugar de desejo, já que essa brancura se configurou como um Ideal, um Ideal que passou a ser desejado por crianças negras, pardas e indígenas que nunca se viram representadas na sociedade. É mais do que comprovado que, quando se cresce com um modelo tido como exemplar e único, o que acontece é que todos aqueles que estão à margem deste modelo agem de maneira a negarem quem realmente são, em nome de desejar o Ideal que lhes foi ofertado. E se nunca passamos por isso, ao menos podemos fazer o exercício de tentar imaginar o enorme sofrimento psíquico que isso é capaz de causar.</div><div>No caso dessa criança ruiva, tenho certeza que, sendo fruto da mesma sociedade que todos nós, ela foi naturalizada a pedir um ¨lápis cor de pele¨ a seus colegas esperando receber um lápis da sua cor. Ainda que ela possa ter vivenciado situações de bullying devido às suas sardas&nbsp; -como muitos se queixam- ou outros aspectos da sua aparência,&nbsp; ela cresceu em identificação com quem realmente era. Essa menina provavelmente nunca negou a sua história para tentar caber dentro dos parâmetros impostos por uma sociedade racista visto que ela nasceu dentro destes parâmetros.</div><div>Agora, se prestarmos atenção na parte do vídeo onde a professora Gladis comenta sobre a reação tão emocionada que uma funcionária teve ao,finalmente, se identificar com um lápis que representasse sua cor, podemos nos questionar : é justo que essa representatividade seja considerada de igual importância para os dois casos? Na minha opinião, não. Porque representatividade não é apenas sobre identificar-se com algo e sentir-se bem, mas sim sobre toda a potência que essa identificação alcança no mais profundo do psiquismo de todos aqueles que cresceram em conflito com seu verdadeiro Eu. Representatividade é sobre a capacidade de atenuar um sofrimento de tamanha intensidade, sofrimento este que quem cresceu dentro deste Ideal de Eu jamais vai ser capaz de entender.</div><div><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-09-25 15:27:56 UTC</pubDate>
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         <title>BLOCO 5 (Povos Indígenas no Brasil)</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
         <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz/wish/1909282285</link>
         <description><![CDATA[<div>Bom, dessa vez vai ser mais difícil sintetizar aqui tudo que essa aula me provocou, porque com certeza hoje foi o momento que mais me marcou como pessoa e aluna durante esse semestre. Hoje, mais do que em qualquer outro dia, pude sentir (mesmo que através de uma tela) toda a potência que tem o encontro com o outro, aquele encontro com o outro que tanto ouvi durante meus estudos sobre subjetivação em psicologia social e que desde então se faz presente na minha vida e reverbera na minha maneira de enxergar o mundo e pensar em quem somos. Acredito que sim, é a partir desse encontro, da criação desse espaço comum para uma troca de experiências e visões que existe a possibilidade de sermos atravessados por forças que tocam nosso mais profundo eu, o desestruturam, causam estranhamento, e então passam a reestruturá-lo novamente sob uma nova ótica, essa ótica do devir que faz com que sejamos movimento.&nbsp;</div><div>A presença da Rejane foi gratificante e reverberou de tal maneira que me fez pensar não só sobre um conteúdo ou um referencial teórico, mas sim sobre a minha vida, sobre quem eu sou, quem eu posso ser e o que posso fazer para colocar a psicologia no dia a dia e torná-lo terapêutico também. Porque, afinal das contas, acredito que psicologia é muito mais do que Freud, Jung, Deleuze, Wundt, Melanie Klein e etc. Psicologia é sobre construir um mundo mais empático, mais ouvinte, de mais movimento de estender-se ao outro, de mais compreensão. E muitas vezes acabamos nos deixando levar por essa tal ditadura do tempo (me apropriando das palavras de Rejane) e pela vida acadêmica (aquela tão restrita que te cobra que absolutamente tudo seja mensurável, observável e avaliável) e nos esquecemos de colocar a psicologia em prática; esquecemos de olhar para o lado e estender a nossa compreensão a visões de mundo que não sejam as nossas.&nbsp;</div><div>Achei poético e revolucionário a visão que o seu povo, os Kaingang, tem do conceito de saúde, um conceito que para nós brancos (aqui entenda-se por não indígenas) se tornou algo tão clínico e possível de ser medicado. Para o povo de Rejane a saúde está no dia a dia, está em respeitar o seu corpo, o seu tempo, as suas vontades. Saúde está nos momentos de conexão com a natureza, de conexão com as pessoas, de longas conversas e trocas de aprendizados. Saúde está em ouvir o chamado dos ancestrais através de vozes que são sabedoria, mas que em nossa bolha social seriam consideradas patológicas.&nbsp;</div><div>Ao longo do curso ouvimos falar tanto em respeitar o outro, mas nem sempre ouvimos falar o que eu aprendi hoje : entender o que faz sentido para o outro. Quando aprendi lá no meu primeiro semestre que tudo é uma construção, inclusive o conceito de sujeito (na época esse foi o que mais me causou um choque), confesso que custei muito para entender o que queriam dizer com isso. Como assim construção se isso existe desde sempre? Acho que esquecemos de nos perguntar : para quem existe?&nbsp; E hoje pude ver que saúde também é uma construção e que para ser possível aliviar o sofrimento alheio e colaborar para uma sociedade com mais empatia e bem estar é imprescindível compreender o que faz sentido para aquele ser que está ali bem na sua frente buscando ajuda. É preciso despir-nos da nossa visão de mundo e permitir que sejamos ensinados pelo outro.&nbsp;</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-11-23 21:03:13 UTC</pubDate>
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         <title>Ainda sobre o bloco 5...</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
         <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz/wish/1909334482</link>
         <description><![CDATA[<div>Acredito que o processo de aprendizado não é linear, como uma corrida onde, após chegarmos na linha de chegada, podemos considerar a atividade como encerrada e comemorar seu resultado. Não há como tomarmos conhecimento de um assunto de maneira que se dê por concluída nossa jornada naquele certo tema, pois o aprendizado é uma construção que se dá a toda hora e a qualquer momento, nos proporcionando reflexões, muitas vezes inesperadas, que nos permitem voltar a um determinado tópico para pensá-lo - e, consequentemente, aprendê-lo- novamente. E foi isso que aconteceu com tudo que escutei na aula com a psicóloga convidada Rejane Paféj Kaingang. Dentre os vários assuntos que entramos em contato dois em especial ecoaram na minha mente tempos depois ao me deparar com assuntos do dia a dia : a prática do mindfulness e o uso de substâncias psicoativas.<br>Em relação ao primeiro, o qual tenho contato diariamente por ser praticante de atenção plena, foi impossível não relacioná-lo com a questão da ditadura do tempo referida por Rejane. É espantoso o quanto vivemos em uma certa prisão temporal, inseridos em uma sociedade que é dominada pelos ponteiros do relógio e se esforça para fazer com que toda sua rotina caiba, esmagada a duras penas, dentro de um prazo (minúsculo, diga-se de passagem), um prazo que traz angústia e sofrimento e faz com que deixemos passar despercebidos uma série de pequenos prazeres no dia a dia- prazeres estes que teriam um grande potencial de gerar saúde- para viver no automático, sempre pensando no próximo prazo. A prática da atenção plena traz a proposta do foco no presente, no famoso aqui e agora que a maioria de nós deixa passar despercebido, através de exercícios de respiração e concentração nas sensações corporais, sons, cheiros, etc. É um momento onde tentamos deixar de lado todo o automatismo e a aceleração do dia a dia para focarmos nossa atenção no tempo que realmente existe: o presente, pois afinal, passado e futuro são apenas conceitos que existem nas nossas mentes. É impossível vivermos presencialmente no passado, pois o acessamos apenas através das nossas memórias, assim como é impossível vivermos no futuro, pois ele só existe nas nossas idealizações e imaginações. Considerando que o presente é tudo que temos, porque insistimos em desperdiçá-lo ?<br>Acredito que, ainda de maneira indireta, a prática da atenção plena vai de total encontro à filosofia de vida dos Kaingang, pois para eles, a saúde está nos pequenos momentos do dia a dia, tais como apreciar uma comida gostosa na companhia de alguém que gostamos, contar uma história e ouvir ensinamentos, apreciar um banho no rio ou um momento no sol e respirar o ar puro da floresta e agradecer por esse momento. Aqui a saúde está justamente no fato de estar nesses momentos presente de corpo e alma, focado no aqui e no agora e nas sensações e emoções que são despertadas a partir desses encontros.&nbsp;<br>E em relação segundo, estava fazendo meu trabalho final da cadeira de Teorias da Personalidade e escolhemos como assunto a questão das Experiências Anômalas e a sua relação com a personalidade. Durante o processo de construção do trabalho me surgiu como ideia abordar o uso de substâncias psicoativas e sua relação com algumas experiências anômalas, tais como alucinações visuais, auditivas, sensoriais, etc. Ao pesquisar sobre, me lembrei automaticamente da conversa que tive com Rejane sobre o uso do Ayahuasca e de outras medicinas naturais de maneira equivocada pela nossa sociedade e dos diferentes efeitos que essas substâncias podem causar nas pessoas que as utilizam. Para o povo de Rejane o Ayahuasca não é considerado uma droga recreativa, mas sim uma medicina natural que deve ser levada a sério e deve ser respeitada. Na visão deles o Ayahuasca não é uma diversão ou uma fuga da realidade, mas sim um caminho à cura, uma maneira de conectar-se com seus ancestrais e de conhecer de maneira mais profunda a si mesmo (spiritual emergence), devendo ser usado apenas quando o sujeito estiver preparado e bem encaminhado. Porém, infelizmente, o que se vê na nossa sociedade é uma apropriação dessas substâncias de maneira equivocada, onde uma série de pessoas as utilizam em festas de maneira recreativa, sem qualquer intenção de buscar saúde (spiritual emergency). Uma atitude que pode trazer uma série de danos psicológicos e neurológicos.<br>E aqui temos mais um exemplo de como nós desperdiçamos inúmeras chances que temos de produzir saúde em prol de produzir experiências passageiras que, ao longo dos anos, irão fazer com que acumulemos sofrimento e ansiedade. E essa é a lógica do capitalismo, a lógica do imediatismo e das produções em larga escala, seja de produtos, seja de experiências. E o pior de tudo é saber que, na grande maioria das vezes, nos rendemos a esse modo de funcionamento sem que nos demos conta, de maneira que, cada vez mais, se faz imprescindível que sejamos colocados em contato com discursos como o de Rejane, que carregam em si a incrível potência de servir como um choque capaz de nos despertar para a possibilidade de uma outra realidade.<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-11-23 21:57:34 UTC</pubDate>
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         <title>BLOCO 1 (A raça como categoria social)</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
         <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz/wish/1909532338</link>
         <description><![CDATA[<div>Ao entrar no tema da Raça como Categoria Social, mais especificamente tratando-se da questão da desigualdade, me lembrei de uma imagem que repercutiu recentemente nas redes sociais onde aparecia um grupo enorme de funcionários de uma empresa de investimentos aqui da cidade de Porto Alegre reunidos numa cobertura. A princípio era para ser uma simples foto da equipe comemorando algum sucesso do trabalho, porém logo foi evidenciada uma grande problemática: todos os sujeitos presentes na imagem eram brancos (e em sua maioria homens). Com a circulação da imagem diversos discursos foram manifestados, houve aqueles que se horrorizaram com tamanha desigualdade no quadro de funcionários, assim como aqueles que defenderam tamanha discrepância da empresa através da ideia da meritocracia.&nbsp;</div><div>A ideia da meritocracia é extremamente presente no imaginário dos brasileiros e propaga o mito de que o esforço por si só é capaz de garantir que as pessoas cheguem aos mesmos lugares, com as mesmas condições. Esse discurso não só culpabiliza todos aqueles que não tiveram seu acesso aos direitos básicos garantidos, como também colabora para que a garantia desses direitos continue não existindo. Convenhamos, para um sujeito que sempre teve acesso a uma boa educação, alimentação, transporte, moradia -etc.- é muito mais fácil - e narcísico- ignorar todos esses privilégios e conferir seu sucesso ao seu esforço, do que reconhecer que sua caminhada já partiu de uma posição muito a frente. Além disso, porque se preocupar com algo que não me atinge? Porque vou lutar para que mais pessoas tenham acesso ao que eu tenho se assim elas irão competir comigo? Acredito que esse seja o pensamento dominante na mente da maioria das pessoas presentes naquela foto.&nbsp;</div><div>Essa imagem exemplifica perfeitamente uma sociedade - e aqui entenda-se com ênfase em homens brancos hétero-cis-normativos- que insiste em fechar os olhos para uma herança de desigualdades que vêm desde a colonização e se perpetuam até os dias de hoje. A subalternização e a exploração se atualizam, na mesma medida que o sistema capitalista avança, encontrando sempre novas formas de dominação, que recaem sobre os corpos negros e indígenas, criando a categoria da raça sob o ponto de vista do social. E embora já seja compreendido que raça, biologicamente falando, só existe uma, perpetua-se a partir dessa desigualdade uma hierarquização social, a raça como definidora de posições, onde brancos ocupam o lugar máximo de poder e privilégios e negros e indígenas se encontram inferiorizados.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-11-24 01:11:58 UTC</pubDate>
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         <title>BLOCO 2 (A Branquitude e o Branqueamento no Brasil)</title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
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         <description><![CDATA[<div>Em um momento de diálogo durante a aula surgiu a questão sobre a perspectiva diferencial que tem a escravização no Brasil quando comparada a outros regimes de exploração da antiguidade, pois este sistema no nosso país acabou sendo conhecido como um dos primeiros a ser marcado pela lógica do racismo como principal constituinte. Antigamente, em outros lugares do mundo, haviam outros marcadores sociais que perpassavam a escravização e exploração, tais como classe social e religião. Considerando isso, iniciou-se a discussão sobre quem seriam os principais culpados por perpetuar essa lógica do racismo de maneira tão perversa na nossa sociedade e , dentre as várias falas, gostaria de destacar a do professor Adolfo, que trouxe uma pontuação extremamente necessária sobre a questão da personalização da culpa em determinados sujeitos:<br><br>¨É importante fazer uma observação que, se personalizamos o racismo em determinadas pessoas acabamos por parcializar a culpa, como se ela estivesse apenas nos barões e nos senhores dos engenhos, por exemplo, quando na verdade trata-se de um sistema, um projeto¨.<br><br>Essa fala teve um peso significativo em mim porque é um fato que, mesmo sendo tão verdadeiro, ainda me é um pouco difícil de por em prática no dia a dia. Tendemos a jogar certas culpas em determinadas pessoas, que escolhemos para representá-la, sem perceber que assim apagamos o caráter coletivo de uma problemática e a colocamos no campo do individual. É como se fosse uma cortina de fumaça. Passamos a nos enxergar em uma posição elevada e externa, de maneira que nos eximimos da nossa parcela de culpa e lavamos as mãos, nos isentando da potência que temos de ser agentes de mudança.&nbsp;<br>Acredito que esse pensamento serve tanto para a questão do racismo na sociedade brasileira, quanto para outras políticas, o que me lembrou muito a uma discussão que tive esse final de semana a respeito da figura do -infelizmente- presidente Jair Bolsonaro. Em uma conversa com a minha amiga estranhei muito quando ela falou que não sentia ódio do presidente em si, mas sim da representação que ele fazia da sociedade:<br><br>¨Lari, o problema não está no Bolsonaro em si, mas sim em todo mundo que pensa como ele e o utiliza como porta-voz. Enquanto pensarmos que o problema está apenas na figura dele e não focarmos na sociedade num geral as coisas nunca vão melhorar¨.<br><br>Depois de estranhar essa fala percebi que sim, embora que continue com uma longa lista de sentimentos negativos em relação a esse sujeito - até porque algumas coisas não mudam de uma hora pra outra e neste caso acredito que não vão mudar-, é preciso entender que também precisamos passar a direcionar mais nossa preocupação para todas aquelas pessoas que estão ao nosso redor e escolhem apoiá-lo. Precisamos entender que trata-se de um problema coletivo, não de um problema pessoal colocado inteiramente nas mãos de Bolsonaro.&nbsp;<br>E agora, voltando para a questão do racismo no Brasil, percebemos essa parcialização da culpa quando se trata de assuntos como branquitude e branquamento. O branqueamento é um dispositivo criado pelo branco que o coloca em uma posição de privilégio e cria um imaginário de que todos querem ser como ele, todos desejam aquela cor de pele. Porém, embora tenha sido um dispositivo criado por brancos, perpetuou-se na nossa sociedade a ideia de que o branqueamento é um problema do negro que, descontente e desconfortável com sua condição de negro, deseja a ser o Outro, deseja a pele branca. É mascarado o papel do branco como responsável por produzir esse imaginário tão cruel, responsável por inferiorizar a imagem que o negro tem de si constantemente, e a culpa é jogada para o colo do negro, que passa a ser um sujeito que inveja e deseja uma posição que não a sua.<br>É extremamente comum a presença de discursos na nossa sociedade que culpabilizam as vítimas.  Lembro como se fosse hoje de ouvir meu avô dizendo que ¨o racismo era algo inventado pelos negros para se vitimizarem¨ ou também de ler centenas de vezes na internet que ¨só apanha aquela mulher que merece¨, dentre vários outros exemplos. Muito se fala da vítima, mas pouco se fala daqueles que a colocam nessa posição. Quando iniciei a cadeira de Psicologia Social I  e nos foi dito que era necessário falar sobre o branco confesso que pouco entendi. Até cheguei a considerar que falar sobre o branco seria uma maneira de reafirmar sua posição privilegiada. Pensei ¨será que não devemos falar de quem está sofrendo¨? Porém, hoje em dia, depois de muitos encontros que tanto me agregaram, pude perceber: não há como aliviar um sofrimento indo apenas direto no problema, isso seria puro cuidado paliativo. É preciso ir na raiz, e mais do que somente ir na raiz, é preciso saber olhar para essa raiz.<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-11-24 14:26:51 UTC</pubDate>
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         <title>BLOCO 6 e 7 ( Relações Raciais e Políticas Públicas e Interseccionalidades) </title>
         <author>laripsicologiaufrgs</author>
         <link>https://padlet.com/laripsicologiaufrgs/3rt4c04trpafp0fz/wish/1911678396</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>O Racismo Institucional e a Violência Obstétrica Contra Mulheres Negras.</strong></div><div><br></div><div>Como postagem para esse último diário de aula decidi unir o conteúdo que vimos nos dois últimos blocos por considerar que o assunto que escolhi trazer para cá engloba ambas as temáticas e as expressa de uma maneira muito potente. Na grande maioria das vezes que estou lendo os textos que nos são ofertados meu cérebro começa a fazer uma espécie de viagem, transitando entre conteúdos que já vi nas diferentes disciplinas, de modo que um assunto ou outro sempre acaba me agenciando e convidando a pensar mais sobre ele. Desta vez não foi diferente, ao ler os artigos de Jurema Werneck e Laura Moutinho me lembrei de um trabalho que foi apresentado por uma colega durante um seminário da cadeira de Psicologia Social II onde ela falava sobre a questão da Violência Obstétrica e a Produção de Subjetividade relacionada aos marcadores sociais de gênero e raça. Então, inspirada nessa temática gostaria de abordar aqui a questão do Racismo Institucional e a Violência Obstétrica Contra Mulheres Negras.</div><div>Começando pela definição de Werneck, o racismo institucional equivale a ações e políticas institucionais capazes de produzir e/ou manter vulnerabilidades de indivíduos ou grupos sociais vitimados pelo racismo. Ou seja, é todo e qualquer tipo de violência, negligência e negação aos cuidados básicos de saúde - tanto física, quanto psicológica- que um sujeito deveria receber, mas são sucateados devido a discriminações baseadas em cor, raça e etnia. Essas negações têm um forte potencial de gerar sofrimento, desamparo e até mesmo o óbito destas vidas que são invisibilizadas, como acontece com as vítimas de violência obstétrica.</div><div>A violência obstétrica pode atingir todas as mulheres e é caracterizada por uma série de violações à saúde da parturiente e intervenções agressivas na hora do parto - como a realização não necessária de episiotomia, o uso indiscriminado do fórceps, a privação da gestante de ter um acompanhante para ampará-la emocionalmente durante o parto (ainda que este seja um direito garantido pela Lei 11.108), a não aplicação de anestesia, a não consideração dos desejos e necessidades da gestante, entre outras-, entretanto atinge em sua esmagadora maioria mulheres negras e usuárias da rede pública de saúde. Segundo dados de um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, as mulheres pretas, quando comparadas às brancas, apresentaram maiores riscos de terem um pré-natal inadequado, de serem ausentadas de acompanhantes, de terem dificuldades na hora de se vincular à maternidade e de serem privadas de anestesia caso seja realizada alguma intervenção - em grande parte graças ao mito racista que vem desde os tempos da escravização de que as mulheres negras são mais fortes e capazes de aguentar situações incômodas, enquanto as mulheres brancas são vistas como mais frágeis e delicadas-. Além disso, elas também receberam menos orientações sobre o parto durante o período pré-natal. Neste caso a dor tem cor, a cor preta, pois são estas mulheres as maiores vítimas de violência obstétrica graças ao racismo - seja aquele internalizado que se ancora em mitos que distorcem a imagem da mulher negra diante dos profissionais de saúde, seja aquele institucional que faz com que ela seja destinatária de uma atenção precária.</div><div>Outro conceito que nos auxilia a entender essas desigualdades é a Interseccionalidade, termo cunhado por Kimberlé Crenshaw, que busca evidenciar as consequências resultantes da interação entre um ou mais eixos de subordinação, tais como raça\cor, classe social, gênero, sexualidade, etc. Aqui é preciso se considerar a interseccionalidade pois, as discriminações relacionadas à raça\cor se associam e são potencializadas quando associadas à condição socioeconômica da parturiente. Em estudos realizados nos anos de 2003 e 2013, que avaliavam a questão da pobreza relacionada à discriminação nos serviços de saúde, foram as mulheres pretas as que mais relataram sofrer dessa forma de preconceito. Além disso, são as mulheres pobres aquelas que mais utilizam o Sistema Único de Saúde, que acaba por oferecer um tratamento muito mais sucateado do que o atendimento particular justamente devido à precariedade das políticas públicas que visam melhorias no SUS, principalmente se considerarmos o descaso do atual governo com essas políticas.<br>&nbsp;Portanto, não há como pensar a questão da classe social sem vinculá-la a raça\cor, pois um aspecto está diretamente ligado ao outro, já que é entre a população negra e parda que estão presentes os maiores níveis de vulnerabilidade econômica e social e os maiores índices de marginalização, o que, por consequência, implica em um grande prejuízo no acesso aos sistemas de saúde, educação e segurança. E foi por esse motivo que decidi unir os tópicos relacionados a políticas públicas e interseccionalidade.<br><br>Fontes Externas:<br>Leal, Maria do Carmo et al. A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil. Cadernos de Saúde Pública [online]. 2017, v. 33, n. Suppl 1 [Acessado 24 Novembro 2021] , e00078816. Disponível em: &lt;https://doi.org/10.1590/0102-311X00078816&gt;. Epub 24 Jul 2017. ISSN 1678-4464. https://doi.org/10.1590/0102-311X00078816.</div><div><br>https://www.abrasco.org.br/site/noticias/8m-mulheres-negras-sofrem-mais-violencia-obstetrica/45463/</div><div><br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-11-25 02:33:27 UTC</pubDate>
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