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      <title>Oficina de Escrita - Erivan by Erivan Santos Junior</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-12-15 17:14:00 UTC</pubDate>
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         <title>24/11 - Viajantes</title>
         <author>sannarchi</author>
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         <description><![CDATA[<p>Saída: 01/12/2023, 14h | Retorno: Indefinido</p><p><br></p><p>Chegando um pouco antes do combinado Diegues anuncia-se com a frase “Quero ver como é essa natureza intocada que vocês estão prometendo nessa viagem”. Surge, então, a voz de Tsing, ela que segura um cogumelo, não se precipita em dizer que “como bem sabemos, as paisagens são resultado de múltiplas interações que acontecem entre os diversos agentes que as compõem, como pode existir uma natureza intocada?”. “Eu, por exemplo posso dizer que as nossas paisagens resultam também de conhecimentos que são para além do atlântico, quando os nossos povos ancestrais, afrobrasileiros uniram seus conhecimentos com os povos que aqui já estavam, os filhos dessa terra, para modelar as paisagens afroindigenas brasileiras. Aceitei o convite curiosa para ver essa bendita natureza intocada.” Disse Beatriz, sempre a frente do seu tempo, já dentro do cesto e surpreendendo até Diegues, que achou que tinha chegado primeiro. Enquanto os 3 conversavam sobre assuntos que lhes são relevantes, aguardam a chegada dos 2 próximos, Conceição do Evaristo, que já havia informado que atrasaria um pouco, pois parara para conversar com uma moça, a qual lembrava uma tia sua, que lhe ensinou a falar sobre si; e Malcom Ferdinand que já apontava no horizonte, usando roupas caribenhas e carregando um barquinho de papel na mão esquerda, sussurrando consigo mesmo sobre o plantationceno, questionando e ao mesmo tempo tentando responder o que seria essa intocabilidade da natureza. Malcom, subindo no cesto e pegando parte da conversa dos 3 que chegaram antes declama, num súbito de iluminação da sua consciência: a natureza é um navio sem porão. Diegues, considera a frase intrigante e faz seus comentários, entre os quais destaca-se o seguinte "se você considera que os parques ecológicos nos moldes americanos são os porões de um navio, concordo com você, mas discordo que a natureza seja um navio, uma verz que em um navio apenas um (por vez) coordena o movimento pelas marés, enquanto que na natureza acontece de forma interconectada, tal como nos apresenta tsing". Pois é, Malcom, ressalta Tsing, que barco é esse? antes de presumir concepções sobre a frase do colega, mais aberta ao diálogo e à escuta. Malcom, então responde que fala dos navios negreiros, do peso deles na história, e de como as histórias dos povos da diáspora se dão a partir dele, nos porões está o maior peso dessas embarcações, então, para criar uma analogiar com a natureza considera relevante retirar o porão, uma vez que são, inevitavelmente, onde acontece a mazela da população negra, desse modo, concorda que não existe uma natureza intocada, mas uma natureza que acolhe, e que é acolhida de volta pelos acolhidos, numa troca mútua. Tsing, não debateria mais, talvez malcom conhecesse o trabalho dela para responder tão lucidamente. Nesse momento, com um sorriso nostalgico, como alguém que lembra de um momento feliz, aparece a Conceição do Evaristo, com passos que se confundem em ritmo, adiantados para alcançar o balão antes do ultimo sopro de ar quente retirá-lo do chão, e fala, fazendo sua voz chegar antes do que seu corpo, que "eu aprendi a fazer hortas com a minha mãe, que aprendeu com a minha avó. Essa, por sua vez, aprendeu com sua mãe, que aprendeu..." neste momento, já sendo ajudada a entrar no cesto, continua, por alguns minutos, levando ao contexto a história de mulheres de mais de 5 gerações antes da sua. Incrível como ela não precisava falar mais nada para que todos compreendessem o que ela achava da natureza intocada, e conseguiu com um diálogo simples, acessível, e gostoso de ouvir, trazer à tona anos de pesquisa de Diegues, Tsing e Malcom Ferdinand. Contemplativa Beatriz Nascimento explicitava em seu semblante o que estava pensando "as paisagens são aquilombamentos da natureza e as oralidade de Conceição também é aquilombamento" E com esse olhar infinito de Beatriz o balão iça vôo ,apresentando a natureza intocada que prometeu apresentar, não de forma visual, mas nas conversas dos 5 dissidentes intelectuais que estavam alí. Foi lindo ver (imaginar) que enquanto o balão estava no ar Beatriz e Conceição mantinham-se em uma continua conversa regada a risos e gargalhadas, carinhos, choros e silêncios. Malcom e Diegues estavam bem próximos também, mas pareciam dois diplomatas conversando sobre assuntos políticos e chatos, enquanto Tsing pulava de um grupo para outro, como observadora, e passava mais tempo olhando para o futuro e fora do balão, quase como se não estivesse ocupando aquele lugar. Mas no fundo ela sabia que estava tanto alí, quanto qualquer outro estava.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-15 17:16:26 UTC</pubDate>
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         <title>01/12 - Relação entre convidados</title>
         <author>sannarchi</author>
         <link>https://padlet.com/sannarchi/2dsbd486330061en/wish/2826623506</link>
         <description><![CDATA[<p>Na casa do centro da imagem acima tem um salão espelhado onde há  uma mesa com 24 espaços para cada uma das pessoas convidadas por Winnie, Diana e eu. No dia do banquete, elas não estavam comigo, embora estivessem lá, cada uma atenta no seu tempo. Então vou contar apenas o que ouvi, das falas e conversas que peguei no ar. </p><p>Vou destacar primeiro algumas caracteristicas do espaço, que acredito que foi decidido de forma democrática entre os convidados. A mesa era toda em bambú, acredito que isso se justifica na compreensão dessa galera sobre questões ambientais, e de como a construção em bambú é sustentável. Sobre isso, haviam conversas no fundo de uma galera que não entendia bem o porquê daquilo, mas não reclamava e nem questionava a decisão, se o povo assim tinha escolhido, assimd everia ser. </p><p>Sobre o que seria ofertado para a alimentação dos convidados, vemos na mesa uma gama enorme de produtos organicos produzidos pela agricultura familiar, decoração com palhas de palmeiras e fibras de piaçava, e crianças e animais brincando nas próximidades. Vê-se nesse cenário um senso de coletividade e empatia muito forte, de olhar atento para os mais frágeis, para as formas de amores, para a amidade. Digo que se eu tivesse caído de paraquedas naquele lugar, me precipitaria em dizer que aquilo se tratava de uma festa para Oxóssi em algum terreiro urbano de Salvador, diante de tamanha receptividade, acolhimento e cuidado um com os outros, presentes alí. </p><p>Pois bem, falando agora sobre as conversas que escutei enquanto os 24 se deliciavam, destaco a primeira coisa que me impactou e me deixou bem reflexivo, era Bell Hooks falando sobre o feminismo e o lugar das mulheres negras nesse contexto, não pude deixar de pensar nas mulheres da minha família, mais de 30, todas negras, geralmente em condições precárias de trabalho, vivendo a margem da sociedade de diferentes formas, e enquanto pensava nisso, ouvia as palavras de Angela Davis, Conceição do Evaristo e Grada Kilomba confirmando o que o meu pensamento organizava diante daquilo que Bell Hooks falava, nesse momento saí de onde eu estava, e fui a ponta mais extrema da mesa, em busca de ouvir e ser provocado por outras percepções, confesso que não consegui parar na mesa de todo mundo, alguns assuntos não me interessam nem de longe, mas acredito que em algum momento vou ter que mastigá-los para tentar digerir algo bom. Enfim, cheguei em um momento da mesa, onde os convidados estavam conversando sobre a importância de comunidades traidiconais na mitigação das mudanças climáticas, onde eles não precisam fazer mais do que já fazem, colocando em prática os seus hábitos e práticas cotidianos, de cultivo e cuidado com as roças, hortas, rios, marés, etc. Parei no tempo escutando isso. Como podiam as populações que mais contribuem para tornar o planeta socioecologicamente mais justo, ser também a população que mais sofrem as mazelas da sociedade, ser também a população que mais será impactada pelos berros daqueles que estão em condição "melhor e civilizada". Não pude mais uma vez de pensar nas mulheres da minha familia, nos homens, nas crianças, nos mais velhos. Mas uma movimentação me tirou do estado de estalo em que eu estava, vários deles, desordenadamente organizaram suas cadeiras próximos ao Nego Bispo para ouvir uma perspectiva que, talvez, se aproxime muito mais do meu pensamento, do que qualquer outro alí,  o encatado falando de oralidade, liguagem organicas, quilombos, e palavras dificeis da academia. Nesse momento, parecia que eu estava levando uns tapas, ao tempo em que ouvia Nego Bispo falar entendia meu lugar na academia, e pensava em formas de levar a palavra de quem sempre fez parte do meu cotidiano, sem medo de expor a minha linguagem, e falando, sobretudo, para que os meus pudessem me entender também. </p><p>Eram muitas pessoas na mesa e os discursos bem variados, alguns ainda frescos na memoria, outros se perderam. Eu precisaria retornar lá para recaptar o que perdi. De modo geral, poucos divergiam entre si, e divergiam muito quando isso acontecia, mas a concordância era mais perceptível do que a discordância. As divergencias reforçavam as concordâncias. </p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-15 17:16:50 UTC</pubDate>
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         <title>15/12 - Encontro com desagradáveis</title>
         <author>sannarchi</author>
         <link>https://padlet.com/sannarchi/2dsbd486330061en/wish/2826623641</link>
         <description><![CDATA[<p>Me desagrada o fato, exceto em bispo, e, talvez, em Conceição do Evaristo, de que estão falando com uma linguagem inacessível para a população de quem tanto falam. Embora a atuação seja importante, principalmente para descontruir os espaços que precisam ser descontruídos, ainda acho que seria mais interessante se esse conhecimento fizesse parte da população que não alcança esses lugares. Ou talvez não. Talvez fosse mais intessante só entendermos que a sociobiodiversidade está ótima da forma que estão e não as pusessemos em uma caixa de fulano e ou beltrano precisa de x ou y para se encontrar nesse mundo, ter dignidade ou viver uma justiça plena. Mas o que seria essa justiça plena que tanto trazer para gente? Antes de responder a essa pergunta, podemos pensar sobre o porquê dela surgir.  Tudo bem que não precisamos universalizar o conhecimento academico e imprimi-los como tatuagem nos corpos dos povos tradicionais que temos, mas precisamos concordar que eles são afetados diariamentes por conjunturas das quais não fazem parte, mas que os impactam negativamente. Então, nesse caso, a justiça plena seria um lugar, aqui imaginário, onde essas populações não podem ser impactadas negativamente pelo entorno de onde estão inseridas. O problema aqui é que muitas vezes elas não sabem que estão passando por processos que, paulatinamente, arrancam as suas possibilidades e poderes de atuação e existencia no próprio território. A gentrificação é um exemplo disso, o avanço do turismo predatório também, assim como, o sucateamento de políticas e incentivos de cuidados com as varidas epistemes brasileiras e do mundo afora. Mas aqui entra o minha agonia inicial. O que a gentrificação, sucateamento, turismo predatório significa para essa população. Como que eu posso ajudar alguém sem falar a sua linguagem? Então, isso me preocupa. Mas me preocupa ainda mais os moldes que são criados para resolver a questão que trago aqui como a tentativa de entregar a justiça plena para esses lugares. Se não estamos atentos ao movimentos que damos em relação ao outro, imprimimos no outro aquilo que consideramos correto, com uma linguagem rebuscada e totalmente cartesiana. Me preocupa, pois quem articular esses moldes estão enquadrados em contextos que se distanciam muito da realidade da massa retratada, seria mesmo como uma monocultura do pensamento, talvez? Acredito que somos a nossa história e, geralmente, levamos parte dela para onde caminhamos. Em alguns casos isso é mais comum, sobretudo, quando a subjetividade de quem fala não passou por um processo histórico de traumatização da fala e do posicionamento, tal como aconteceu com nossos ancestrais indigenas e africanos brasileiros. Nesse sentido, pessoas brancas e homens brancos europeus ou brasileiros são menos atraentes para debater sobre questões de justiça climática, comunidades tradicionais e meio ambiente. Mas volto a questão da linguagem, uma vez que podemos usar o que é negativo para reverberar um positivo. Então, os brancos se comunicam numa linguagem muito especifica e fácil de ser entendida por seus iguais. Assim sendo, entendendo a contribuição da subjetividade branco no mundo e no futuro do mundo quanto as mudanças climáticas, podemos usar sua linguagem para aprendermos a dialogar com eles e tentar mudar algumas coisas desde a raoz, e não usar essa linguagem para chegar num território não-branco cotiadianmente afetado por isso que Nego Bispo chama de linguagem sintética. Isso, é claro, sem esquecer que nos casos drásticos é preciso saber a linguagem do local para conseguir afetar positivamente esse local, num movimento de dentro para fora, e não de fora para dentro, como acontece na maioria dessas referências.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-15 17:17:01 UTC</pubDate>
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         <title>24/11 - Referências</title>
         <author>sannarchi</author>
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         <description><![CDATA[<p>Eu sou Atlântica - Beatriz Nascimento </p><p>O mito moderno da natureza intocada – Diegues </p><p>Por uma ecologia decolonial – Malcom Ferdinand </p><p>Os cogumelos do fim do mundo – Ana Tsing </p><p>As Escrevivências de Conceição Evaristo</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-15 17:23:55 UTC</pubDate>
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         <title>Enquadramento </title>
         <author>sannarchi</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-01-12 17:57:57 UTC</pubDate>
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