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      <title>Marina by sarah galvao</title>
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      <description>Página 147 a 189</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-07-07 12:03:15 UTC</pubDate>
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         <title>Rebeca pgs 147 a 152</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
         <link>https://padlet.com/sarahgalvao36/29d0at25rwlecjhu/wish/660031818</link>
         <description><![CDATA[<div>     Naquela noite, Eva viu tanques de formol e neles estavam pendurados corpos sem vida balançando de forma macabra, como marionetes, também viu um corpo de uma mulher numa mesa, kolvenik injetou um líquido verde e naquele instante, o corpo morto, tornou a vida por um momento e era selvagem como um animal, queria viver.<br>     No dia do casamento deles (Eva e Kolvenik), Sergei apareceu no meio da multidão e jogou um ácido no lindo rosto de Eva, tornando sua beleza, que tanto veneravam, deformada. A partir dali, Eva ficou 2 anos presa numa torre do teatro, enquanto kolvenik recontruia seu corpo aos poucos, como que tentando driblar a morte.<br>     Kolvenik ficou trancado em casa por dias por causa da traição de pessoas que ele confiava, não comia nem tomava banho, só ficava em seu sótão criando borboletas negras.<br>     Eva e Mijail foram virando amigos, pois ele mantinha ela informada sobre o que acontecia fora da torre.Após presenciar a morte de seu irmão, kolvenik ia morrendo aos poucos, ele se escondia e evitava ficar com companhia de outros.<br>     Shelley, contou sobre o passado de Mijail e disse que a sua mãe, para sobreviver, foi viver nos túneis de esgoto, onde pessoas que não tinham moradia, fugitivos, enfermos, etc, ali nasceu Andrej com uma deformidade e morreu aos 7 anos. Depois disso sua mãe também morreu e Mijail saiu dos esgotos para tentar viver como uma pessoa normal.</div>]]></description>
         <pubDate>2020-07-22 11:16:13 UTC</pubDate>
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         <title>Samuel pgs 153 a 158</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
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         <description><![CDATA[<div>O sujeito me examinou cuidadosamente e por fim apontou para um telefone na parede. Espero que dê linha. Tem dinheiro para pagar, não? Claro — menti. O fone estava sujo e sebento. Junto ao aparelho, havia um cinzeiro de vidro com caixinhas de fósforos impressas com o nome do estabelecimento e uma águia imperial. Bodega Valor, lia-se. Aproveitei que o proprietário estava de costas ligando o contador e enchi os bolsos de caixinhas de fósforos. Quando ele virou, sorri na mais santa inocência. Disquei o número que Florián me dera e ouvi o telefone tocar várias vezes, sem resposta. Comecei a temer que o sujeito que não dormia tivesse caído no sono sob o ataque dos boletins da BBC", quando alguém levantou o fone do outro lado da linha. Boa noite, desculpe incomodar a essa hora — disse. — Preciso falar com o inspetor Florián, é urgente. E uma emergência. Ele me deu esse número caso... Quem quer falar com ele? Oscar Drai. Oscar o quê? Tive de soletrar meu sobrenome com toda a paciência. Um momentinho. Não sei se Florián está em casa. Não estou vendo a luz. Pode esperar? Olhei para o dono do bar, que secava copos em ritmo marcial, sob o olhar galhardo do Duce. Sim — respondi, destemido. A espera foi interminável. O dono do bar não parava de olhar para mim como se eu fosse um criminoso procurado. Tentei sorrir para cie. Nada. Poderia me servir um café com leite? — perguntei. — Estou gelado. Não até as cinco. Pode me dizer que horas são, por favor? — perguntei. Ainda falta um bocado para as cinco — respondeu. — Tem certeza que ligou para a polícia? Para a benemérita Guarda Civil, para ser exato — improvisei. Finalmente, ouvi a voz de Florián. Parecia bem desperto e alerta. Oscar? Onde você está? Contei o essencial da história tão rápido quanto podia. Quando falei do túnel dos esgotos, notei que ficou tenso. Ouça com atenção, Oscar. Quero que me espere aí onde está. Não saia daí até eu chegar. Vou pegar um táxi num segundo. Se acontecer algo, corra e não pare até chegar ao comissariado de via Layetana. Lá, pergunte por Mendoza. Ele me conhece e é de confiança. Mas aconteça o que acontecer, ouviu bem?... aconteça o que acontecer não desça para os esgotos. Fui claro? Como água. Estarei aí num minuto. E cortou a ligação. São 60 pesetas — disse imediatamente o proprietário às minhas costas. — Tarifa noturna. Pagarei às cinco, meu general — soltei, com educação. As bolsas penduradas sob os olhos do sujeito ganharam a cor do vinho de Rioja. Olhe aqui, moleque, que vou partir sua cara em duas! — ameaçou, furioso. Saí correndo antes que ele conseguisse sair de trás do balcão armado com seu porrete antitumultos. Esperaria Florián ao lado da loja de máscaras. Não ia demorar, tinha garantido. Os sinos da catedral bateram às quatro da madrugada. Os sinais de cansaço começavam a me rodear como um bando de lobos famintos. Caminhei em círculos para combater o frio e o sono. Em seguida, ouvi passos no pavimento de pedra da rua. Virei para receber Florián, mas a silhueta que vi nada tinha a ver com o velho policial. Era uma mulher. Instintivamente, tratei de me esconder, temendo que a dama de negro tivesse vindo atrás de mim. A sombra da mulher se recortou na rua e ela cruzou na minha frente sem me ver. Era Maria, a filha do dr. Shelley. Foi até a boca do túnel e inclinou-se para olhar o abismo. Segurava um frasco de vidro. Seu rosto brilhava sob a luz da lua, transfigurado. Sorria. Percebi imediatamente que alguma coisa estava errada. Fora de lugar. Passou pela minha cabeça que ela estava sob uma espécie de transe, que tinha caminhado sonâmbula até ali. Era a única explicação que me ocorria. Preferia aquela hipótese absurda a encarar outras alternativas. Pensei em abordá-la, chamá-la pelo nome, qualquer coisa assim. Enchendo-me de coragem, dei um passo à frente. Assim que o fiz, Maria se virou com uma rapidez e uma agilidade felinas, como se tivesse farejado minha presença no ar. Seus olhos brilharam na viela e a careta que se desenhou em seu rosto gelou o sangue em minhas veias. Suma daqui — murmurou com voz desconhecida. Maria? — articulei, perplexo. Um segundo depois, ela saltou dentro do túnel. Corri até o bueiro certo de que veria o corpo de Maria Shelley destroçado. Um raio de luar passou rapidamente sobre o poço. O rosto de Maria brilhou lá no fundo. Maria — gritei. — Espere! Desci as escadas o mais rápido que pude. Um cheiro fétido e penetrante me assaltou assim que percorri os primeiros metros. A esfera de claridade na superfície foi diminuindo de tamanho. Procurei uma das caixinhas de fósforos e acendi um. A visão era fantasmagórica. Um túnel circular se perdia na escuridão. Umidade e podridão. Chiados de ratazanas. E o eco infinito do labirinto de túneis por baixo da cidade. Uma inscrição na parede coberta de lodo dizia: SGAB/1881 COLETOR SETOR IV / NÍVEL 2 — TRECHO 66 Do outro lado do túnel, o muro tinha desmoronado. O subsolo invadira parte do coletor. Era possível apreciar as diversas camadas de antigos níveis da cidade, empilhadas umas sobre as outras. Contemplei os cadáveres das velhas Barcelonas sobre as quais se erguia a nova cidade. O cenário onde Sentis tinha encontrado a morte. Acendi outro fósforo. Reprimi as ânsias de vômito que subiam pela minha garganta e avancei alguns metros na direção dos passos. — Maria? Minha voz se transformou num eco fantasmagórico, cujo efeito gelou meu sangue. Resolvi fechar a boca. Descobri dezenas de pontinhos vermelhos que se moviam como insetos sobre um tanque. Ratazanas. A chama dos fósforos que ia acendendo mantinha os animais a uma distância prudente. Estava avaliando se devia seguir adiante ou não, quando ouvi uma voz distante. Olhei pela última vez para o começo da rua. Nem sombra de Florián. Ouvi a voz de novo. Suspirei e caminhei em direção às trevas. O túnel por onde avançava me fez pensar nos intestinos de um animal. O solo estava coberto por um riacho de águas fecais. Continuei sem nenhuma outra luz a não ser a dos fósforos. Acendia um no outro, para não deixar a escuridão me rodear por completo. A medida que penetrava naquele labirinto, meu olfato ia se acostumando com o fedor de cloaca. Percebi também que a temperatura estava aumentando. Uma umidade pegajosa aderia à pele, à roupa, aos cabelos. Alguns metros mais adiante, brilhando sobre a parede, descobri uma cruz vermelha pintada grosseiramente. Outras cruzes parecidas marcavam as paredes. Tive a impressão de ter visto alguma coisa brilhar no chão. Abaixei para examinar e vi que se tratava de uma fotografia. Reconheci a imagem na mesma hora. Era um dos retratos do álbum que tínhamos encontrado na estufa. Havia outras fotografias no chão. Todas vindas do mesmo lugar. Estavam soltas pelo chão. Vinte passos depois achei o álbum praticamente destroçado. Peguei e virei as páginas vazias: era como se alguém estivesse procurando alguma coisa e, ao não encontrar, tivesse despedaçado o álbum com raiva. Estava diante de uma encruzilhada, uma espécie de câmara de distribuição ou convergência de duetos. Levantei os olhos e vi que a boca de outro corredor se abria bem no lugar onde me encontrava. Pensei ter identificado uma grade. Levantei o fósforo naquela direção, mas uma lufada de ar infecto soprado por um dos duetos apagou a chama. Nesse exato momento, ouvi alguma coisa se deslocando, lentamente, roçando as paredes, gelatinosa. Senti um calafrio na base da nuca. Peguei outro fósforo no escuro e tentei acendê-lo às cegas, mas a chama não pegava. Dessa vez estava seguro: alguma coisa se movia nos túneis, alguma coisa viva que não eram as ratazanas. Estava asfixiando. A pestilência daquele lugar penetrou brutalmente em minhas narinas. Um fósforo finalmente acendeu em meus dedos. No começo, a luz me cegou. Em seguida, vi alguma coisa rastejando na minha direção. Vinham de todos os túneis. Eram figuras indefinidas que se arrastavam como aranhas pelos duetos. O fósforo caiu dos meus dedos trêmulos. Quis sair correndo, mas meus músculos estavam paralisados. De repente, um raio de luz cortou as sombras, iluminando a visão fugaz de algo que parecia um braço se estendendo para mim. Oscar! O inspetor Florián corria em minha direção. Segurava uma lanterna na mão estendida. Na outra, um revólver. Florián me alcançou e varreu cada canto com a luz da lanterna. Os dois ouvíamos o som arrepiante daquelas silhuetas batendo em retirada, fugindo da luz. Florián sustentava a pistola no alto. O que era aquilo? Quis responder, mas minha voz falhou. Que diabos você está fazendo aqui embaixo? Maria... — articulei. O quê? Enquanto esperava o senhor, vi Maria Shelley se jogar dentro do buraco do esgoto e... A filha de Shelley? — perguntou Florián, espantado. — Aqui? É. E Claret? Não sei. Segui o rastro de pegadas até aqui... Florián inspecionou as paredes que nos rodeavam. Havia uma comporta de ferro coberta de ferrugem na extremidade da galeria. Ele franziu as sobrancelhas e se aproximou lentamente. Fui atrás, grudado nele. São esses os túneis onde Sentis foi encontrado? Florián fez que sim em silêncio, apontando para a outra extremidade do túnel. Essa rede de coletores se estende até o antigo mercado do Borne. Sentis foi encontrado naquela área, mas havia indícios de que o corpo tinha sido arrastado até lá. Não é lá que fica a velha fábrica da Velo-Granell? Florián concordou de novo. Não acha que alguém está usando esses corredores subterrâneos para se locomover sob a cidade, da fábrica para...? Tome, segure a lanterna — cortou Florián. — E isso. "Isso" era o revólver. Peguei o revólver enquanto ele forçava a porta de metal. A arma era mais pesada do que eu imaginava. Coloquei o dedo no gatilho e examinei-a sob a luz da lanterna. Florián me deu uma olhada assassina. Não é um brinquedo, cuidado. Vai se fazendo de bobo que uma bala ainda arrebenta sua cabeça como uma melancia.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-22 11:16:50 UTC</pubDate>
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         <title>Sarah pgs 159 a 164</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
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         <description><![CDATA[<div>O motorista da senhora completa a historia dizendo que enterraram o corpo no cemitério de Sarriá, num tumulo sem nome, pois oficialmente o senhor Kolvenik morreu um ano antese se Sentís descobrisse que a senhora estava viva não descansaria até destruí-la. A senhora completa dizendo que achava que Mijal estava descansando em paz. Conta ainda que Maria sua filha tinha descoberto a estufa quando a seguímos e então encontrou o soro que Shelley tinha escondido, trinta anos depois Mijal ressuscitou e desde então se alimenta de Maria adquirindo força e criando outros seres como ele.<br>A dama nos mostra um frasco de vidro que continha um liquido cor de esmeralda, após contar que tinha tentado alertar Sentís por meio de Óscar e que Kolvenik estava a procura da quele frasco.<br>Algo se arrastava na cúpula do teatro então Luis avisa que chegaram., saca o revolver e confere o tambor com as balas que Shelley tinha lhe dado. Eva Irinova nos manda ir em bora. seguimos Claret. através da cúpula cristalinas era possível ver a silhueta de Mijal e suas criaturas. Claret nos informou de um túnel por onde deveríamos ir em bora<br>Marina e eu seguimos as instruções de Claret que ficou cobrindo a nossa retirada. Corremos pelo túnel. Quando ouvimos passos acima de nós percebemos que estavam nos seguindo desde o palco.DE repente alguém levanta uma tabua podre bem acima de nossa cabeça, o corpo de Claret caiu em nossos pés .uma sombra nos cobriu e vi uma borboleta negra pousada sobre o amigo de Kolvenik<br>Mijal atravessou a madeira mole e agarrou-a garganta de Marina com suas garras levanto-a no ar, gritei se nome e ele falou que se eu quisesse voltar a ver Marina viva era para lhe levar o frasco. Peguei a arma de Claret e procurei as balas e encontrei a segunda carga. Claret arrasou a matilha que acompanhava Mijal. Fui ate o camarim de Eva Irinova, ouvi um rangido  e passos se afastando, chamei por eva.<br>Chegando ao palco observei a silhueta  de Eva que contemplava as ruínas do Gran Teatro Real. eva incendiou as cortinas e logo o fogo foi se espalhando. No alto vi Kolvenik segurando Marina com uma unica mão como se fosse um brinquedo. subi as escadas e uma criatura me segurou com suas garras reconheci seu rosto era Maria.A chamei duas vezes, e não retava nada de sua ura angelical e sua beleza tinha sido completamente destruída.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-22 11:17:18 UTC</pubDate>
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         <title>Sophia pgs 165 a 170</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
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         <description><![CDATA[<div>Antes de sua morte, ele enterrou seu corpo nos escombros e, três dias depois, uma nova larva nasceu lá. Marina se apoiou na porta e disse: "Ele precisa esperar 24 horas para sair de casa". Eu disse que dentro de 24 horas, se não tomarmos nenhuma ação para impedir a sujeira escondida no cano de esgoto, eles chegarão até nós. Quando chegamos ao limite de Raval, o nevoeiro envolvia os becos, iluminados por cabanas e barras em ruínas. Abandonamos o movimento amistoso de La Rambla e entramos no abismo mais miserável. Olhos fracos nos seguiram, atrás da porta malcheirosa, abrindo janelas na fachada que desmoronava como argila. Entre os desfiladeiros dolorosos, os ecos da televisão e do rádio continuam a subir, nunca atingindo o teto. Há pouco tempo, nos escombros de décadas de prédios cobertos de lama, apareceu o contorno escuro e enorme das ruínas do Gran Teatro Real. Marina apontou para a janela de luz no terceiro andar do anexo do teatro. Dezenas de linhas marcam seu tempo, mas, apesar da velhice, seu hálito poderoso fez muitos jovens com menos de 30 anos ansiarem por posse. Ele explicou que Corvinick chegou à cidade em um dos piores invernos do século. À frente, o grande tapete no corredor central da platéia não pode ser encontrado. Algumas luzes de trabalho mostraram seu rosto no espelho, ou o ácido salvou algo de seu rosto. Eva Irinova estendeu a mão e acariciou o rosto de Marina, acariciou suas bochechas, lábios e garganta. A senhora puxou a mão e pude ver seus olhos sem as pálpebras brilhando atrás do véu.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-22 11:17:56 UTC</pubDate>
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         <title>Victor César pgs 179 a 184</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
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         <description><![CDATA[<div>         Nas semanas que se seguiram, Germán Blau se tornou o melhor amigo de Oscar. Logo depois das aulas do internato, às cinco e meia da tarde, eu corria para encontrar o velho pintor. Pegávamos um táxi até o hospital e passávamos o resto da tarde com Marina, até as enfermeiras nos expulsarem de lá. No hospital, Germán confessou intimidades que nunca tinha partilhado com ninguém além da esposa. Falou dos anos com seu mestre, Salvat, do casamento, e contou que só a companhia de Marina lhe dera forças para sobreviver à perda da mulher.<br>          Naquele mês de março choveu quase todos os dias. Marina estava escrevendo a história de Kolvenik e Eva Irinova no livro que cu lhe dera de presente, enquanto dezenas de médicos e enfermeiros iam e vinham com testes, exames e mais testes e mais exames. Foi então que recordei a promessa que tinha feito a Marina certa vez, no teleférico de Vallvidrera, e comecei a trabalhar na catedral. Sua catedral. Achei na biblioteca do internato um livro sobre a catedral de Chartres e comecei a desenhar as peças do modelo que queria construir, encarreguei o Morgenat de recortar as peças de madeira.<br> O que está pretendendo construir, rapaz? — perguntava ele, intrigado. — Um radiador? Uma catedral<br> Pra que tanta pressa, Oscar? — perguntava. — Até parece que acha que vou morrer amanhã. Minha catedral começou a ficar popular entre os outros pacientes da enfermaria e seus visitantes.<br>          Dona Carmen contava sua história, enquanto Oscar sempre teve a impressão de que dona Carmen tinha se enganado de século e que, se estivesse ali na hora certa, Napoleão nunca teria cruzado os Pirineus.<br>          Do outro lado do quarto ficava a Isabel Llorente, uma dama que passava o dia inteiro se maquiando e olhando-se em um pequeno espelho arrumando sua peruca, Oscar descobriu que ela tinha sido Miss Barcelona em 1934 e namorada de um prefeito da cidade.<br>          A outra paciente da enfermaria era Valeria Astor, uma menina de 9 anos que respirava graças a uma traqueotomia. Sempre sorria para mim quando eu chegava.<br>          O dr. Damián Rojas passava lá várias vezes por dia. Com o tempo, acabei simpatizando com ele. Descobri que tinha sido aluno do meu internato anos atrás e que quase entrara para o seminário, ele tinha uma namorada, que costumava visitá-lo aos sábados perguntar se o bruto do seu namorado estava comportando bem. Eu sempre ficava vermelho como um pimentão quando Lulú me dirigia a palavra. Marina ria de mim, dizendo que, se não parasse de olhar para ela, ia ficar com cara de perdigueiro, eles se casaram em abril, por um tempo, ficaram fora e depois voltaram, aquele foi o Mundo de Oscar.<br>          Enquanto isso, Marina continuava escrevendo seu livro e a pequena catedral de madeira ia crescendo. Após o casamento de Rojas, ele ficou especialista em coisas femininas, ao menos era o que ele pensava ao dar dicas para Marina.<br>           Lulú, a namorada do Rojas, pensava que Marina era a namorada de Oscar, e o Oscar ficava orgulhoso em saber que ela pensava isso, Além do mais, a experiência de comprar roupa de baixo feminina com Lulú era tão embriagante que Oscar se limitou a balançar a cabeça como um bobo. Quando Oscar contou para Germán, ele riu.<br>            Numa manhã de sábado, Germán pediu que Oscar fosse ao quarto de Marina, e lá ele encontrou uma folha com alguns rabiscos e identificou que era a letra da Marina e que estava falando dele, estava com borrões e rabiscos, ele então guardou o que tinha sobrado. Naquele dia, por todo o caminho o táxi resplandecia sob o sol. Barcelona em trajes de gala deixava embasbacados os turistas e as nuvens, que também paravam para admirá-la. Nada disso conseguiu apagar a inquietação que aquelas linhas tinham gravado em minha mente. Era o primeiro dia de maio de 1980.         </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-22 11:19:21 UTC</pubDate>
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         <title>Vitor Cristiano pgs 185 a 189</title>
         <author>sarahgalvao36</author>
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         <description><![CDATA[<div>185<br>Em uma manhã encontraram a cama de Marina vazia sem nada. Germán saiu atrás do dr.Rojas e lá estava Marina ela havia tido uma leve recaída,o doutor nos explicou melhor e que ela poderia sair do UTI em 24 horas mas não queria criar falsas esperanças,então foram até o quarto de Marina e viram ela com um monte de equipamentos presos em si, Germán caiu em prantos e eu corri sem parar nas ruas barulhentas.<br>186<br>O velho edifício das Ramblas permanecia ali, dr.Shelley então abriu as portas sem me reconhecer,o lugar era velho e fedia muito o médico me olhou estranhamente e o acompanhei até o gabinete,a falta da Marina flutuava no ar.<br>Ele levou Maria ,me perguntou o que desejava disse o dr.Shelley, e respondi o frasco de Mijail e ele disse que não podia lhe dar,os frascos já tinham sido destruídos.O médico respeitou o desespero e disse que a morte não nos pertenciam,então apertei a mão dele e virei as costas.<br>187<br>Naquela mesma semana Marina saiu da UTI e foi para um quarto no segundo andar,não era mais a mesma,Rojas pediu se podia fazer os últimos exames,Germán permitiu um tempo depois rojas analisou e tristemente disse que não podia fazer mais nada por Marina,então levamos Marina pra passear e depois para casa então fiquei com Marina,eu e Germán queríamos ficar com ela 24 horas do dia,Marina naqueles dias me pareceu mais bonita do que nunca.<br>188<br>Passamos horas abraçados sem dizermos nada,certa noite Marina me beijou e disse que não importa o que acontecesse me amaria pra sempre,morreu no dia seguinte.Fizemos a última viagem no velho tucker Germán dirigiu em silêncio,na volta ele estava quebrado por dentro e disse que não ia conseguir dirigir,abandonamos o tucker e pedimos a uns pescadores pra nos deixar em uma estação,chegamos em Barcelona depois de 7 dias me despedi de Germán e fomos um para cada lado<br>189<br>Barcelona pra mim não existia mais 15 anos depois voltei e percebi que minhas lembranças tinham sido apagadas o cenário não era mais o mesmo,mas o cemitério estava lá.Por anos fugi sem saber do que fugia,mas entendi que não podia mais fugir e nem queria e lembro de prometer Marina que se ela não pudesse terminar essa história eu terminaria. <br>190<br>O livro branco que eu tinha a dado tinha me acompanhado todos esses anos,e não sei se serei capaz de cumpri minha promessa e não sei se minha memória irá se lembrar,Marina você levou tudo contigo.<br>CAPA<br>Bom a capa deste livro representa uma menina entrando em um portão que em minha opnião representa Marina.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-22 11:20:06 UTC</pubDate>
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         <title>Thayna Pgs  171 a 178</title>
         <author>thaynaenr</author>
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         <description><![CDATA[<div>Pela primeira vez em muitos anos, um manto de neve cobriu a cidade desde o porto até o cume do Tibidabo. Marina e eu, em companhia de Germán, passamos um Natal de silêncio e olhares. Comecei a perceber que Marina evitava minha companhia. Eu matava o tempo jogando intermináveis partidas de xadrez com Germán. Via a neve cair e esperava o momento de ficar a sós com Marina. Um momento que não chegava nunca. Empacotei minhas coisas e escrevi um bilhete. Nele, eu me despedia de Germán e Marina e agradecia a hospitalidade. Ao amanhecer, deixei o bilhete na mesa da cozinha e tomei o rumo de volta para o internato. Ainda faltavam alguns dias para que os outros internos retornassem. Consumia as horas debruçadas na janela, contemplando o casarão de Germán e Marina á distância. Pensei mil vezes em voltar e mais de uma vez me aventurei até a entrada da viela que levava até o portão de ferro. As aulas começaram uma semana depois. Não conseguia entender que importância tinha as elucubrações de Hume ou como as equações derivadas poderiam ajudar a atrasar o relógio e mudar a sorte de Mijail Kolvenik e Eva Irinova. A lembrança de Marina e da história horripilante que vivemos juntos me impedia de pensar, comer ou sustentar uma conversa coerente. Ela era a única pessoa com quem eu podia dividir minha angústia, e a necessidade de sua presença chegava a me causar dor física. Os dias caíam como folhas mortas. Esperava receber um bilhete de Marina, um sinal de que desejava me ver de novo. Nunca recebi nada. Depois de dois meses sem ver marina parei na frente do portão que me impedia de entrar. Penetrei-me pulando a grade do portão, e atravessei o jardim. Contemplei aquele cenário e tive a impressão de que estava diante de uma ruína, onde só viviam velhos móveis e ecos invisíveis.</div><div>— Marina? — chamei.</div><div>O vento carregou minha voz. Dei a volta na casa até a porta dos fundos que se comunicava com a cozinha. Entrei nos quartos. Silêncio. Cheguei ao grande salão dos quadros. Foi então que ouvi um choro às minhas costas. Germán estava encolhido numa das poltronas, imóvel como uma estátua, apenas as lágrimas insistiam em seu movimento. Há quantos dias estaria ali, perguntei a mim mesmo. Ajoelhei na frente dele e segurei sua mão.</div><div>Sua mão estava tão fria que me assustou. De repente, o pintor me abraçou, tremendo como um menino. Abracei-o também, apoiando-o enquanto chorava em meu ombro. Deixei que desabafasse, perguntando-me onde estaria Marina: </div><div>Foi então que o velho pintor levantou os olhos. Bastou ver aquele olhar para entender a brutal clareza com que os sonhos se desfazem no ar. </div><div>Onde está Marina? — perguntei, quase sem voz.</div><div>Germán não conseguiu articular palavra. Soube por seus olhos que as consultas de Germán no hospital eram falsas. Soube que o médico de La Paz nunca tinha examinado o pintor. Marina tinha me enganado desde o começo.</div><div>Germán me disse com a voz trêmula que o mal estava levando marina como levou a sua mãe. Germán me abraçou de novo e ali, chorei com ele como um pobre infeliz. de dentro do táxi eu segurava um presente embrulhado com o papel mais reluzente que pude achar. Quando cheguei, o médico que cuidava de Marina, me olhou de cima a baixo e me deu uma série de instruções. Estava ali para ajudá-la. Se não me sentia capaz de seguir essas normas, era melhor que nem me desse ao trabalho de voltar. Subimos ao quarto andar e seguimos por um longo corredor. Aquele pouco de coragem que me restava no corpo escapou num suspiro assim que pus os pés naquela ala do edifício. Germán entrou primeiro no quarto. Pediu que esperasse ali fora enquanto anunciava minha visita a Marina. O corredor era uma galeria infinita de portas e vozes perdidas. Finalmente, Germán apareceu na porta e fez que sim. Engoli em seco e entrei. O quarto era um longo retângulo onde a luz se evaporava antes do tocar o solo. Marina ocupava a última cama à direita, perto da janela. Seu cabelo estava cortado como o de um menino. Mordi a língua com força para afastar as lágrimas que me vinham diretamente da alma. Vi que tinha marcas no pescoço e na nuca que doíam, só de olhar. Ela pegou minha mão e apertou com força. Dava para ver cada costela sob a camisola branca do hospital. Seus olhos cor de cinza não brilhavam mais.</div><div>Senti sua falta — disse ela.</div><div>Eu também.</div><div>Por um longo instante, ficamos nos olhando em silêncio. Vi a fachada de Marina desmoronando aos poucos.</div><div>Tem todo o direito de me odiar — disse ela, então.</div><div>Odiar? Por que ia odiar você?</div><div>Porque menti — disse Marina.</div><div> — Quando você veio devolver o relógio de Germán, eu já sabia que estava doente. Fui egoísta, quis ter um amigo... E creio que nos perdemos no caminho. </div><div>— Não, não odeio você.</div><div>Marina apertou minha mão de novo, se ergueu um pouco e me abraçou.</div><div>Obrigada por ser o melhor amigo que já tive — sussurrou ao meu ouvido.</div><div>Senti minha respiração se interromper. Quis sair correndo de lá. Marina me apertou com força e rezei pedindo para que não notasse que eu estava chorando. </div><div>Se me odiar só um pouquinho, o dr. Rojas não vai se importar — disse ela. </div><div>— Com certeza, deve fazer bem aos glóbulos brancos ou algo assim.</div><div>Então só um pouquinho.</div><div>             Obrigada.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-07-31 15:11:41 UTC</pubDate>
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