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      <title>Balaio de Crônicas by DIRCE FÁTIMA GOLLO ZANETTE</title>
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      <description>Criado para inspirar</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-05-24 19:47:45 UTC</pubDate>
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         <title>O homem trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.– Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.– Eu estava com medo desta operação...– Por quê? Não havia risco nenhum.– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.– E o meu nome? Outro engano.– Seu nome não é Lírio?– Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.– O senhor não faz chamadas interurbanas?– Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.– Por quê?– Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: - O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.– Se você diz que a operação foi bem...A enfermeira parou de sorrir.– Apendicite? - perguntou, hesitante.– É. A operação era para tirar o apêndice.– Não era para trocar de sexo? Autor: Luís Fernando Veríssimo</title>
         <author>667290</author>
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         <pubDate>2021-05-24 19:54:26 UTC</pubDate>
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         <title>Criança diz cada uma...</title>
         <author>667290</author>
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         <description><![CDATA[<div>Aninha&nbsp;já estava com dois anos. Loira, linda. Nunca tinha cortado os cabelos. Eram amarelos-ouro e cacheados. “Parecia um anjinho barroco”, diz a mãe coruja.&nbsp;</div><div><br>Lá um dia, a mãe pega uma enorme tesoura e resolve dar um trato na cabeça da criança, pois as melenas já estavam nos ombros. Chama a menina, que chega ressabiada, olhando a cintilante tesoura.&nbsp;<br><br>&nbsp;– Mamãe vai cortar o cabelinho da Aninha.&nbsp;</div><div>– Aninha olha para a tesoura, se apavora.&nbsp;</div><div>– Não quero, não quero, não quero!!!&nbsp;</div><div>– Não dói nada...&nbsp;</div><div>– Não quero!, já disse.&nbsp;</div><div>E sai correndo. A mãe sai correndo atrás. Com a tesoura na mão. A muito custo, consegue tirar a filha que estava debaixo da cama, chorando temendo o pior. Consola a filha. Sentam-se na cama. Dá um tempo. A menina para de chorar. Mas, não tira o olho da tesoura.&nbsp;</div><div>– Olha, meu amor, a mamãe promete cortar só dois dedinhos.&nbsp;</div><div>Aninha abre as duas mãos, já submissa, desata o choro, perguntando, olhando para a enorme tesoura e para a própria mãozinha:&nbsp;</div><div>– Quais deles, mãe?&nbsp;</div><div><br>Mário Prata. “100 crônicas de Mário Prata”. São Paulo: Cartaz editorial, 1997&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-05-24 19:57:52 UTC</pubDate>
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         <title>O papa vai ao banheiro?</title>
         <author>667290</author>
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         <pubDate>2021-05-24 20:01:35 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>667290</author>
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         <description><![CDATA[<div>Chegou o verão!</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-05-24 20:03:58 UTC</pubDate>
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         <title>Ouça abaixo Maria Bethânia lendo fragmentos da crônica “As três experiências”, de Clarice Lispector</title>
         <author>667290</author>
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         <pubDate>2021-05-24 20:08:35 UTC</pubDate>
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         <title>O lixo</title>
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         <pubDate>2021-05-24 20:12:21 UTC</pubDate>
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         <title>Os adolescentes e a solidão</title>
         <author>667290</author>
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         <description><![CDATA[<div>Há coisa pior que a solidão na&nbsp;</div><div>adolescência? Parece que não, a julgar por uma pesquisa feita pela professora Oraides&nbsp; Regina&nbsp; Alves&nbsp; (Porto&nbsp; Alegre).&nbsp; A&nbsp; professora&nbsp; Oraides,&nbsp; como&nbsp; outros&nbsp; professores&nbsp; e&nbsp; professoras&nbsp; deste&nbsp; Estado,&nbsp; desenvolve,&nbsp; em&nbsp; condições&nbsp; nem&nbsp; sempre&nbsp; fáceis,&nbsp; um&nbsp; trabalho&nbsp; criativo&nbsp; e ao&nbsp; mesmo&nbsp; tempo&nbsp; revelador.&nbsp; Baseando- se&nbsp; numa reportagem&nbsp; da&nbsp; revista Nova Escola, ela perguntou aos alunos o que era, para eles, solidão. As&nbsp; respostas&nbsp; são&nbsp; interessantes&nbsp; porque&nbsp; falam&nbsp; muito&nbsp; sobre&nbsp; os&nbsp; jovens&nbsp; contemporâneos&nbsp; do&nbsp; Mamonas&nbsp; Assassinas. "Solidão&nbsp; é&nbsp; vir&nbsp; à&nbsp; aula&nbsp; na&nbsp; sexta -feira",&nbsp; diz&nbsp; Rodrigo,&nbsp; para quem,&nbsp; parece,&nbsp; todos&nbsp; os&nbsp; fins&nbsp; de semana&nbsp; são&nbsp; prolongados.&nbsp; "Sentir-se sozinho num túnel sem aquela luzinha no final, diz Giovani, a melhor descrição de estado depressivo que já vi. Vitor Hugo dá à sua&nbsp; resposta&nbsp; uma&nbsp; dimensão&nbsp; social:&nbsp; para&nbsp; ele,&nbsp; solidão&nbsp; "é&nbsp; ver&nbsp; que&nbsp; a&nbsp; fome&nbsp; e a miséria estão tomando&nbsp; conta&nbsp; do&nbsp; nosso&nbsp; país". Celiana,&nbsp; para&nbsp; quem&nbsp; solidão&nbsp; é&nbsp; "escrever&nbsp; poemas&nbsp; de&nbsp; amor&nbsp; e não&nbsp; ter&nbsp; a&nbsp; quem&nbsp; dar",&nbsp; vinga-se&nbsp; do destino: depois de brigar com o namorado, a melhor coisa é "caminhar de salto alto para incomodar os vizinhos do andar de baixo". Eu não gostaria de morar nesse edifício.</div><div>O futebol também entra. Para Vitor Hugo, solidão é ser colorado, enquanto o Ederson, que, evidentemente, torce para&nbsp;</div><div>o mesmo time, diz que se sente solitário quando tem de assistir a uma decisão do Grêmio sozinho. Ainda dentro do item jogos e</div><div>esportes,&nbsp; o&nbsp; Roger&nbsp; diz&nbsp; que&nbsp; solidão&nbsp; é&nbsp; estar&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; vídeo game&nbsp; queimado&nbsp; (e&nbsp; pelo&nbsp; tempo&nbsp; que&nbsp; funcionam,&nbsp; os&nbsp; videogames&nbsp; devem queimar&nbsp; muito).&nbsp; A&nbsp; propósito,&nbsp; o&nbsp; Everton&nbsp; tem&nbsp; uma&nbsp; velada&nbsp; queixa&nbsp; contra&nbsp; a&nbsp; Companhia&nbsp; de&nbsp; Energia&nbsp; Elétrica:&nbsp; ele&nbsp; sente&nbsp; solitário&nbsp;</div><div>quando "está sozinho e falta luz".</div><div>Há&nbsp; depoimentos&nbsp; comoventes.&nbsp; Solidão, diz a Tatiane, “é deitar na cama e beijar o travesseiro”, ou, no plano familiar, “sentar a mesa e ver um único prato”. Solidão, diz a Patrícia, é “saber que mais dia, menos dia, meus pais vão se separar”. Solidão, diz Ederson, é “estar doente e ninguém vir lhe visitar”, “ter um pai que não liga a mínima para você”, diz Mariana.&nbsp; “Acordar e não ter a quem dizer bom dia”, acrescenta Odete. Solidão&nbsp; é&nbsp; triste&nbsp; em&nbsp; qualquer&nbsp; idade.&nbsp; Mas&nbsp; na&nbsp; adolescência&nbsp; parece&nbsp; ser&nbsp; pior.&nbsp; O&nbsp; mundo&nbsp; será&nbsp; melhor&nbsp; quando&nbsp; os adolescentes não&nbsp;</div><div>mais se sentirem sós.</div><div>( Disponível em: http://goo.gl/KLJ4Ku. Acesso em: 09 set. 2014 Adaptado.)<br>Moacyr Scliar<br><br></div><div><br></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-05-25 13:59:06 UTC</pubDate>
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         <title>Catadores de tralhas e sonhos</title>
         <author>667290</author>
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         <pubDate>2021-05-25 14:13:42 UTC</pubDate>
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         <title>Almoço em família</title>
         <author>667290</author>
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         <description><![CDATA[<div>Otto  Lara Resende</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-05-25 14:16:41 UTC</pubDate>
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