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      <title>Envelhecimento by Ana Paula Campos Araujo Moreira</title>
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      <description>Feito com um pouco de amor</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2018-12-27 18:33:16 UTC</pubDate>
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         <title>NARRATIVA  O que é o envelhecimento?Atualmente esse questionamento vem me rondando e fui buscar na minha história qual minha ideia disso. Nasci numa família cercada de idosos sempre. Morei com meus avós paternos desde meu nascimento, e tive intenso contato com meus avós maternos, afinal sou primeira neta de ambos os lados. A pessoa mais idosa que me lembro ter contato foi minha bisavó paterna, que vinha aos domingos, toda linda e perfumada, e ficava em casa o tempo todo sentada na beira da cadeira com a bolsa na mão, pedindo para ir embora, pois o Durval (seu marido) ia chegar. Minha família me dizia que ela era esclerosada (seria Alzheimer hoje?)Até minha adolescência, envelhecer para mim não era um problema. </title>
         <author>anapaulapiu98</author>
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         <pubDate>2018-12-27 18:36:05 UTC</pubDate>
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         <title>Meus avós sempre foram muito ativos e presentes, meu avô trabalhou até os 75 anos como contador, e minhas avós, tanto materna quanto paterna, cuidavam da casa e da cozinha com maestria sem deixar que outras pessoas assumissem esse afazer (Que tristeza era não poder cozinhar kkk!!!). As festas em família eram recheadas de idosos (meus tios avós) cantando ao lado do piano do meu avô e o violão da minha tia avó, além de discussões acirradas sobre o cenário político e as questões do dia a dia no meio da efervescente década 70 e 80.Na verdade, a primeira perda se deu na morte de meu avô paterno, que morreu de infarto aos 63 anos, que sabia já ter doença cardíaca mas escondeu de todos, para não ser recriminado quando tomava suas “pinguinhas” ao final da tarde, achei um horror ele esconder isso!!!</title>
         <author>anapaulapiu98</author>
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         <pubDate>2018-12-27 18:37:29 UTC</pubDate>
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         <title> Eu tinha 11 anos mas não associei esse evento ao envelhecimento, e sim a uma teimosia dele.Portanto, cresci acreditando que ser idoso não era diferente das outras fases da vida, adorava participar de eventos com idosos, tipo ir nas reuniões das senhoras catolicas com minha vó, participando principalmente dos café, bingos e atividades de pintura, e das atividades de caridade.Mas de repente, tudo mudou, com minha entrada na faculdade, os temores em relação ao envelhecimento começaram a aparecer. Doenças crônicas, meu avô hipertenso, minhas avós ambas diabéticas, minha mãe diabética, mas com eles nada aconteceria, afinal lá estava eu para protegê-los. Iniciei minha vida profissional num momento em que o envelhecimento ainda não era o um problema de saúde pública, a AIDS estava matando os adultos jovens, tínhamos problemas de doenças da desigualdade social como a desnutrição, a falta de saneamento,e o início do SUS que me encantava. </title>
         <author>anapaulapiu98</author>
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         <pubDate>2018-12-27 18:38:12 UTC</pubDate>
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         <title>Comecei na área hospitalar, mas logo já estava na saúde Pública na periferia da cidade, e enfrentando a Aids. Meus pacientes eram jovens e nunca associei aos meus idosos de casa.A vida em família se mantinha a mesma, não enxergava meus idosos como podendo ter problemas, até a depressão de minha avó materna, que a trouxe para morar conosco em casa. Nesse momento éramos 9 pessoas na casa, sendo 3 com mais de 70 anos. Avaliando hoje, a partir desse momento é que senti o envelhecer mais presente a minha volta. A depressão de minha avó evoluiu a uma demência senil (hoje sei disso), que culminou em uma queda, fratura de fêmur, medo de sair da cama, escara e nada que eu pudesse fazer a não ser confortar sua hora de ir. No mesmo período meu avô tem um AVC, que eu atendi em casa e levei ao hospital, e que o deixou meio confuso (demencia vascular talvez), o que ocasionou alguns eventos engraçados e preocupantes, mas que só atentamos no final, quando ele sofreu um acidente na rua e veio a falecer. </title>
         <author>anapaulapiu98</author>
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         <pubDate>2018-12-27 18:38:29 UTC</pubDate>
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         <title>Por fim, sobrou minha avó paterna que foi definhando com a saudades do meu avô, seu companheiro por 58 anos, que a levou a complicações do diabetes e sua morte em um ano após. Isso tudo em menos de 1 ano e meio.Hoje sei que esse momento me trouxe as questões importantes da finitude da nossa vida. Estar na URSI hoje retoma esses momentos, com as histórias dos idosos que atendemos, e me faz pensar no meu próprio envelhecer. Não há como parar esse processo, mas será que estou me preparando para envelhecer de forma saudável? Uma questão que assumi, para ver como estou me preparando, foram os cabelos brancos. Sempre odiei o processo de pintar cabelos, me irritava com a demora e a sujeira, e resolvi que não mais iria passar por isso. Quanto a minha aceitação dos cabelos brancos, posso dizer que me sinto muito bem, e me vejo mais bonita e poderosa. Mas quanto a aceitação social, percebo incomodar as mulheres e ser elogiada pelos homens, e chego a Conclusão como é difícil envelhecer aos olhos da sociedade. Não estamos  preparados socialmente para envelhecer, um caminho longo a ser percorrido, mas que agora começo a olhar e me perceber de outra forma nesse processo social do Envelhecimento.Afinal agora faço parte de uma equipe que terá um papel importante para mudar alguns momentos na vida de tantos idosos</title>
         <author>anapaulapiu98</author>
         <link>https://padlet.com/anapaulapiu98/1n35c5rb5r4v/wish/316754406</link>
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         <pubDate>2018-12-27 18:38:52 UTC</pubDate>
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