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      <title>Ética do cuidado by Karen Mendes</title>
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      <description>Trabalho de Filosofia</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-09-21 20:35:40 UTC</pubDate>
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         <title>A ideia de que mulheres e homens pensam de forma diferente tem sido usada tradicionalmente para justificar a discriminação contra as mulheres. Com base nesse fundamento, não surpreende que o movimento das mulheres dos anos de 1960 e 1970 negou que as mulheres e os homens diferiam psicologicamente. e. A concepção dos homens como racionais e das mulheres como emocionais foi repudiada como um mero estereótipo. Porém, em tais dias, a maioria das feministas acreditam que na verdade as mulheres pensam diferentemente dos homens. Assim, prestando atenção à abordagem característica das mulheres, nós podemos fazer progressos em matérias que foram paralisadas. Diz-se que a ética seria a candidata principal para esse tratamento.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
         <link>https://padlet.com/kareneloisa2005/197z7aytveih228n/wish/2307595901</link>
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         <pubDate>2022-09-21 21:17:42 UTC</pubDate>
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         <title>Considere o problema, conhecido como Dilema de Heinz, idealizado pelo psicólogo da educação Lawrence Kohlberg (1927-1987). Tal problema era usado por Kohlberg no estudo do desenvolvimento moral de crianças. Ele entrevistou crianças de várias idades, apresentando-lhes uma série de dilemas e perguntando-lhes questões destinadas a revelar o seu pensamento. Analisando as suas respostas, Kohlberg concluiu que havia seis estágios de desenvolvimento moral. Nesses estágios, a criança ou o adulto concebem o “correto” em termos de:  obediência à autoridade e prevenção da punição (estágio 1); satisfação dos próprios desejos e deixar os outros fazerem o mesmo, por meio de trocas equitativas (estágio 2); cultivo dosrelacionamentos e performance dos deveres dos papéissociaispróprios (estágio 3); obediência à lei e manutenção do bem-estar do grupo (estágio 4);  apoio aos direitos básicos e valores da própria sociedade (estágio 5); conformidade com princípios morais universais abstratos (estágio 6).</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 21:28:18 UTC</pubDate>
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         <title>Kohlberg começara a estudar o desenvolvimento moral nos anos de 1950. Até então, os psicólogos quase sempre estudavam o comportamento e não os processos de pensamento. A abordagem cognitiva e humanista de Kohlberg buscou o conhecimento de uma forma mais atraente, porém a sua ideia era falha. Se é legítimo estudar como as pessoas pensam em idades diferentes, certamente é algo que vale a pena ser conhecido. É certamente de valor também identificar as melhores maneiras de pensar. Porém, esses são projetos diferentes. Um deles envolve observar como as crianças de fato pensam; o outro envolve avaliar modos de pensar como sendo melhores ou piores. A teoria de Kohlberg tem sido criticada também de uma perspectiva feminista. Em 1982, Carol Gilligan escreveu um livro chamado In a Different Voice, no qual ela objeta o que Kohlberg diz a respeito de Jake e Amy. As duas criançaspensam diferentemente, ela diz, mas o modo de pensar de Amy não é inferior. Quando confrontada com o Dilema de Heinz, Amy responde aos aspectos pessoais da situação, como as mulheres fazem geralmente, ao passo que Jake, pensando como um homem, vê somente “um conflito entre a vida e a propriedade que pode ser resolvido por uma dedução lógica”. A resposta de Jake será julgada como “um nível mais elevado” somente se for assumido, como Kohlberg assume,que uma ética de princípios é superior a uma ética da intimidade e do cuidado. Mas por que nós devemos admitir isso? Sabidamente, a maioria dos filósofos favoreceu uma ética de princípios, mas isso pode ser porque a maioria dos filósofos tem sido homens.O “modo de pensar masculino” – o apelo a princípios impessoais – abstrai dos detalhes que dão a cada situação o seu sabor especial. Mulheres, afirma Gilligan, acham difícil ignorar tais detalhes. Gilligan sugere que a orientação moral básica das mulheres é a de cuidado: “cuidar” dos outros é um modo pessoal, e não somente estar preocupado com a humanidade em geral.  De acordo com Gilligan, “a fraqueza moral das mulheres, manifesta na aparente dispersão e confusão dos julgamentos, é inseparável da força moral das mulheres, uma preocupação importante com relacionamentos e responsabilidades”. A partir desse contexto, Outras feministas tomaram essas ideias e as moldaram em um ponto de vista ético distinto.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 22:09:19 UTC</pubDate>
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         <title>Desde o aparecimento do livro de Gilligan, os psicólogos têm conduzido centenas de estudos sobre o gênero, as emoções e a moralidade. Esses estudos revelam algumas diferenças entre homens e mulheres. Mulheres tendem a registrar um escore mais alto do que os homens em testes que medem a empatia. Finalmente, parecem se importar mais com relacionamentos pessoais íntimos, ao passo que os homens se importam mais com redes de comunicação mais amplas de relacionamentos superficiais. Mulheres e homens provavelmente pensam diferentemente sobre ética. Essas diferenças, porém, não podem ser muito grandes.  Quando olhamos para os indivíduos, nós descobrimos que alguns homens são especialmente preocupados com o cuidado, ao passo que algumas mulheres realmente se fiam em princípios abstratos. Claramente, os dois sexos não habitam universos morais diferentes.  No entanto, mesmo  elementos da filosofia moral 161essa conclusão fluida leva-nos à questão: por que seriam as mulheres, na média, mais voltadas ao cuidado do que os homens?Parece haver duas possibilidades. Em primeiro lugar, podemos buscar uma explicação social. Talvez as mulheres cuidem mais por causa dos papéis sociais que ocupam, desse modo, a perspectiva do cuidado poderia ser parte do condicionamento psicológico que as meninas recebem. Por outro lado, nós podemos procurar uma explicação genética. Algumas diferenças entre homens e mulheres se mostram muito cedo.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 23:27:18 UTC</pubDate>
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         <title>em todas as filósofas mulheres são feministas e nem todas as feministas abraçam a ética do cuidado. Mesmo assim, a ética do cuidado é intimamente identificada com a filosofia feminista moderna. Como explicou Annette Baier (1929-), &quot;cuidado&quot; é a nova palavra da moda”. Um modo de entender um ponto de vista ético é perguntar qual a diferença que poderia fazer na prática. A ética do cuidado tem implicações diferentes do que a abordagem “masculina” da ética? Aqui há três exemplos.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 23:29:53 UTC</pubDate>
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         <title>Teorias tradicionais da obrigação são notoriamente inadequadas para descrever a vida entre amigos e familiares. Tais teorias tomam a noção de o que nós devemos fazer como fundamental, moralmente. Além disso, as ideias de igualdade e imparcialidade que permeiam as teorias da obrigação parecem profundamente antagônicas aos valores do amor e da amizade. A ética do cuidado, de outro lado, é perfeitamente adaptada para descrever tais relações. A ética do cuidado não toma “obrigação” ou “dever” como fundamentais, nem requer que nós promovamos imparcialmente os interesses de todos indistintamente. Em vez disso, ela começa com uma concepção da vida moral como uma rede de relações com pessoas específicas, e vê o “viver bem” como cuidado por tais pessoas, respondendo às suas necessidades e mantendo a sua confiança.Essas perspectivas conduzem a julgamentos diferentes sobre o que nós podemos fazer.  De um ponto de vista imparcial, o nosso dever é promover os interesses de todos igualmente. Porém, poucos de nós aceitam esse ponto de vista. A ética do cuidado afirma a prioridade que nós naturalmente damos à nossa família e aos nossos amigos, assim, ela parece mais plausível do que uma ética de princípios. Naturalmente, não é surpresa que a ética do cuidado pareça desempenhar um bom trabalho na explicação da natureza de nossas relações morais com amigos e família. Afinal, tais relações são a sua inspiração primária.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 23:35:14 UTC</pubDate>
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         <title>Ao redor do mundo, cerca de 2,5 milhões de crianças com menos de 15 anos têm HIV, o vírus que pode causar AIDS. Agora, somente um quarto dessas crianças conseguem cuidado médico decente, ao passo que somente a metade das mulheres grávidas que têm HIV estão tomando medidas para proteger do vírus suas crianças não nascidas. Organizações como o UNICEF trabalham para melhorar esses números, mas eles nunca têm dinheiro suficiente. Uma ética tradicional de princípios, como o utilitarismo, poderia concluir a partir do que foi exposto antes que nós temos um dever substancial de apoiar o UNICEF. O raciocínio é direto: quase todos nós gastamos dinheiro com luxo. Poder-se-ia pensar que uma ética do cuidado poderia chegar a uma conclusão similar – afinal, não deveríamos nós nos importar com tais crianças menos favorecidas? Porém, o ponto não é esse. Uma ética do cuidado foca em uma escala menor, aquela das relações pessoais. Se não houver tais relações, “cuidar” não pode ter lugar. Muitas feministas veem o ponto de vista de Noddings como muito radical. Tornar as relações pessoais o todo da ética, como ela faz, parece tão errado quanto ignorá-las completamente. Uma abordagem melhor poderia ser dizer que a vida ética inclui ambos, relações de cuidado e uma preocupação benevolente pelas pessoas na sua generalidade. A nossa obrigação de apoiar o UNICEF poderia, então, ser vista como advinda de nossas obrigações de benevolência. Se nós tomamos essa abordagem, podemos interpretar a ética do cuidado como complemento das teorias tradicionais, em vez de substituí-las. Annette Baier parece ter isso em mente quando ela escreve que, afinal, “teóricas mulheres necessitarão conectar a sua ética do amor com o que tem sido a preocupação dos teóricos homens, a saber, a obrigação”</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 23:42:51 UTC</pubDate>
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         <title>Nós temos obrigações em relação a animais não humanos? Devemos nós, por exemplo, evitar comê-los? Um dos argumentos a partir de uma ética de princípios é que o modo como criamos os animais para comida causa-lhes grande sofrimento, portanto, nós deveríamos nos alimentar sem a crueldade. Desde que o movimento moderno pelos direitos dos animais começou nos anos de 1970, esse tipo de argumento tem persuadido muitas pessoas a se tornarem vegetarianas. Noddings sugere que essa é uma boa questão “para testar as noções básicas nas quais repousa uma ética do cuidado”, no entanto, observa que nossas respostas emocionais aos humanos são diferentes de nossas respostas aos animais. Uma segunda “noção básica sobre a qual uma ética do cuidado repousa” é a primazia das relações pessoais. Essas relações, como percebemos, sempre envolvem o que é cuidado interagindo com o cuidador. Noddings acredita que as pessoas têm esse tipo de relação com seus animais de estimação. Esses argumentos, naturalmente, apelam para princípios os quais são pensados como sendo típicos do raciocínio masculino. Portanto, se a ética do cuidado é tomada como sendo toda a moralidade, tais argumentos serão ignorados. Por outro lado, se cuidar é somente uma parte da moralidade, os argumentos de princípio terão força considerável. Os animais de criação podem vir a estar sob a esfera da preocupação moral, não por causa de nossa relação de cuidado em relação a eles, mas por outras razões.</title>
         <author>kareneloisa2005</author>
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         <pubDate>2022-09-21 23:55:44 UTC</pubDate>
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         <title>É fácil ver a influência da experiência masculina nas teorias éticas que os homens criaram. Historicamente, eles têm dominado a vida pública, onde as relações são, em geral, impessoais e contratuais. Não é de estranhar, portanto, que a teorias feministas acusem a filosofia moral de terem um viés masculino. As preocupações com a vida privada são quase totalmente ausentes, e a “voz do diferente”, da qual Carol Gilligan fala, é silente. Uma teoria moral adaptada para as preocupações das mulheres poderia parecer muito diferente. Porém, a vida privada não é fácil de acomodar nas teorias tradicionais. Como notamos, “ser um pai amoroso” não diz respeito a calcular como alguém deve se comportar. O mesmo pode ser dito sobre ser um amigo leal ou ser um colega de trabalho confiável. Ser amoroso, leal e confiável é ser uma certa espécie de pessoa, o que é bem diferente de “fazer o seu dever” imparcialmente.O contraste entre “ser uma certa espécie de pessoa” e “fazer o seu dever” reside no coração de um grande conflito entre duas espécies de teoria ética. A ética da virtude vê o ser uma pessoa moral como ter certos traços de caráter: ser gentil, generoso, corajoso, justo, prudente e assim por diante. Teorias da obrigação, por outro lado, enfatizam deveres imparciais: elas retratam o agente moral como alguém que ouve a razão, calcula a coisa certa a fazer e a faz. Um dos maiores argumentos para a ética da virtude é que ela parece bem talhada para acomodar os valores da vida pública e privada. As duas esferas simplesmente requerem virtudes diferentes. A vida pública requer justiça e beneficência, ao passo que a vida privada requer amor e cuidado.A ética do cuidado, portanto, pode ser melhor entendida como uma parte da ética da virtude. Muitas filósofas feministas viram-na sob esta luz. Ainda que a ética da virtude não seja um projeto exclusivamente feminista, é tão conectada com as ideias feministas que Annette Baier alcunha os seus defensores masculinos como “mulheres honorárias”. O veredicto sobre a ética do cuidado pode depender, em última análise, da viabilidade de uma teoria das virtudes mais ampla.</title>
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