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      <title>A vida que ninguém vê by Sophia Raquelo</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-09-03 11:47:03 UTC</pubDate>
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         <title>O encantador de cavalos </title>
         <author>sophiaaraqueloo</author>
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         <description><![CDATA[<p> Diário do Menino</p><p>Hoje corri de novo atrás de um cavalo. Quando vejo um, esqueço do mundo, esqueço da fome, esqueço até que posso ser preso. Eu não sou ladrão, só quero sentir de novo o que senti quando tinha o Sabonete. O fogo levou minha casa, o pai vendeu a égua, e eu fiquei com um buraco dentro do peito.</p><p>Se eu tivesse um cavalo, acho que não precisava de mais nada.</p><p><br></p><p>Diário da Mãe</p><p>Meu filho não consegue parar de pensar em cavalo. Eu já tranquei ele, já escondi chave, mas nada adianta. Ele sempre dá um jeito. As pessoas dizem que ele é doente, mas eu sei que não é. Ele só quer aquilo que eu não posso dar: um cavalo. Isso é o que mais dói em mim.</p><p><br></p><p> Diário do Pai</p><p>Nunca vou esquecer aquele fogo. Tirei meu menino de dentro das chamas, mas não consegui salvar a égua. Depois, vendi o Sabonete porque a gente não tinha o que comer. Desde esse dia, ele nunca mais foi o mesmo. Eu olho pra ele e vejo que não cabe nesse mundo pequeno.</p><p><br></p><p> Diário do Carroceiro</p><p>Eu trabalho com meu cavalo. Ele não é brinquedo, é o que põe comida na mesa. Quando aquele guri sumiu com meu bicho, fiquei sem como ganhar dinheiro. Ele não entende: pra mim, cavalo não é sonho, é sobrevivência.</p><p><br></p><p> Diário do Conselho Tutelar</p><p>Já vi menino perdido em droga, já vi menino pedindo moeda no sinal. Mas esse menino é diferente. Ele só quer cavalo. E não há lei, não há manual, que ensine o que fazer com alguém assim. Às vezes penso: será que ele é doido, ou será que ele é o único lúcido?</p><p><br></p><p> Diário do Médico</p><p>Dei o diagnóstico. Escrevi: hiperatividade, déficit de atenção. Passei receita. Mas, quando lembro dele, fico pensando: e se o único remédio que ele precisa for realmente um cavalo?</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-03 11:53:34 UTC</pubDate>
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         <title>Frida...</title>
         <author>sophiaaraqueloo</author>
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         <description><![CDATA[<p> Diário de Frida</p><p>Hoje fui de novo na Câmara. Eles me ignoram, mas eu grito mesmo assim. Eles me chamam de louca, mas eu sei que sou jornalista. Sem mim, aquilo ali não passa de sala vazia.</p><p>Escrevem que eu sou esquizofrênica. Eu digo: eu sou Frida. Nilsa ficou pra trás. E eu sigo porque acredito que um dia vou ter meu salário.</p><p><br/></p><p> Diário da Mãe de Frida</p><p>Minha filha nasceu Nilsa. Trabalhou, costurou, criou filhos. Mas o mundo não aceitou ela como era. Chamaram de doença. Então ela virou Frida. E assim conseguiu seguir. Quando fui com ela à Câmara, vi que era o único lugar onde ela parecia inteira.</p><p><br/></p><p>Diário de um Vereador</p><p>Confesso: quando Frida entra, ninguém fica indiferente. Uns riem, outros se irritam. Eu, às vezes, acordo. Talvez ela seja incômoda, mas também é vida. Pior seria o silêncio.</p><p><br/></p><p>Diário de João Dib</p><p>Não é fácil falar da Frida. Ela me persegue há anos, e eu nunca correspondi. Já levou bolo, já foi até minha casa. Não quero isso, mas sei que virei parte da vida dela. De um jeito estranho, ela me transformou em símbolo. Eu não pedi, mas agora parece que não existe Frida sem Dibas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-03 11:56:58 UTC</pubDate>
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         <title>Eva contra as almas deformadas</title>
         <author>sophiaaraqueloo</author>
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         <description><![CDATA[<p> Diário de Eva Rodrigues</p><p>Hoje lembrei da primeira vez que segurei um lápis. Minhas mãos não paravam de tremer, parecia impossível. Eu mesma me amarrava, uma mão segurando a outra, até sangrar. Escrevi em cadernos manchados de sangue, mas escrevi. Ali eu entendi: não ia aceitar o destino que inventaram pra mim.</p><p>Me chamaram de coitada a vida inteira. Mulher, negra, pobre, deficiente. Eu deveria estar pedindo esmola numa esquina. Mas não. Estudei. Fiz faculdade. Me formei. Fui professora. Não quero piedade, quero respeito.</p><p>Eles me derrubaram muitas vezes. Mas eu sei de uma coisa: toda vez que eu caio, eu levanto ainda mais forte. Coitada é quem tenta me parar.</p><p><br/></p><p> Diário da Professora da Infância</p><p>Nunca entendi como aquela menina conseguia. A mão tremia, o corpo não obedecia, mas ela insistia em escrever. Eu mesma duvidei. Fiz Eva repetir o ano, como se fosse impossível ela ser tão inteligente. Hoje penso: talvez eu tenha errado. Talvez a verdadeira ignorância fosse a minha.</p><p><br/></p><p> Diário de uma Colega da Faculdade</p><p>Quando vi Eva pela primeira vez, pensei: “vai ser difícil pra ela”. Mas logo percebi que não era ela que tinha dificuldades, éramos nós que tínhamos medo. Os professores, os alunos, todos tentavam colocá-la no lugar de “coitada”. Mas Eva não aceitava. Dava raiva em alguns, vergonha em outros. Ela mostrava nossas próprias fraquezas.</p><p><br/></p><p> Diário do Neurologista</p><p>Assinei o laudo. Reprovei Eva porque suas mãos tremiam. No papel, parecia simples: alguém que derramaria cafezinhos não podia ser servente. Mas, no fundo, sei que não era disso que se tratava. Eu apenas carimbei o preconceito. Talvez o meu nome seja uma cicatriz na vida dela.</p><p><br/></p><p> Diário de Eva (mais tarde)</p><p>Eles disseram que eu não podia ensinar, que não podia servir café, que não podia nada. Eu mostrei que posso tudo. Cada vez que dizem “não”, eu grito por dentro: “sim!”.</p><p>Se me derrubam, eu levanto. Sempre vou levantar. Porque a derrota nunca esteve nos meus planos.</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-03 12:05:25 UTC</pubDate>
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         <title>informações </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>• trabalho solicitado pela professora Cíntia Espírito Santo de Jesus </p><p>• integrantes: </p><p>-Sophia Raquelo </p><p>-Alicia Luz </p><p>- Letícia Ramacciotti</p><p>- Maria Clara Ferraz </p><p>• Turma: 9°B</p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-03 12:18:29 UTC</pubDate>
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